sábado, 19 de abril de 2014

Empreiteiras roubam Petrobras, repassam milhões para doleiro que, por sua vez, esquenta a bufunfa e entrega em casa para políticos. PF revela nomes.


O deputado Argolo, feliz da vida.
O doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava-Jato, mantinha um serviço de entrega de dinheiro vivo a seus clientes. É isso que aponta reportagem publicada neste fim de semana pela revista “Veja”. A publicação teve acesso a escutas feitas pela Polícia Federal e registrou conversas sucessivas entre o doleiro, identificado como “Primo”, e um interlocutor frequente — possivelmente um de seus clientes — conhecido pela sigla “L.A”. Em mensagens trocadas em setembro passado, “L.A.” cobrou de Youssef um pagamento.

— E aí? — perguntou “L.A”.

— Meninos foram para o banco agora. Vamos ver o que conseguimos sacar e vamos para aí — respondeu o doleiro.

Segundo a revista, no dia seguinte “L.A.” ligou novamente, e Youssef pediu a confirmação do endereço de entrega. Seu interlocutor respondeu então fornecendo um endereço completo. Horas depois, o doleiro escreveu: “Já chegou. Desembarcando. A caminho”. O endereço da entrega da encomenda é, segundo a “Veja”, o do apartamento funcional onde mora o deputado baiano Luiz Argôlo, que recentemente trocou o PP pelo Solidariedade.

O deputado nega ser “L.A.” e diz à revista que tudo não passa de uma ilação. Segundo “Veja”, no entanto, há outros fatos que ligam o deputado a Youssef. O doleiro teria transferido R$ 120 mil a Vanilton Bezerra, chefe de gabinete de Argôlo. Mas Bezerra nega essas transações.

Em outubro, “L.A.” avisou ao doleiro: “A fatura da Malga este mês será de 155. Preciso receber na data, por favor”. A Malga Engenharia é uma das empresas de fachada usadas pelo doleiro para receber repasses de propina.

“L.A.” dá a entender, segundo a reportagem, que tem uma espécie de conta clandestina com Youssef: “Tenho o saldo 36”, escreveu ele, ao fazer um balanço dos pagamentos recebidos do doleiro no fim do ano passado. Procurado pela revista, o deputado reafirmou que não possui qualquer ligação com as investigações da Polícia Federal e estranhou “divulgações acerca de depósito indevido em conta de um assessor” de seu gabinete.

Enquanto esteve no PP, Argôlo era próximo de pessoas importantes do partido, como o ex-ministro das Cidades Mário Negromonte. Um irmão do ex-ministro, Adarico Negromonte, ia com frequência ao escritório do doleiro, mas, segundo ele, por uma infeliz coincidência: à revista, Adarico Negromonte afirmou que lá visitava um amigo que havia prometido lhe arrumar um emprego. A revista lembra ainda que a segunda fase da Operação Lava-Jato deve esclarecer as dúvidas em relação a diversas mensagens e telefonemas dados e recebidos pelo doleiro. (O Globo)

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