segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Um vídeo que expõe o horror promovido pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Ou: Quem financia os psicopatas homicidas?

Por Reinaldo Azevedo – VEJA

O vídeo abaixo traz imagens fortes. Infelizmente, no entanto, creio que ele tem de se espalhar. É preciso que fique claro, com todo o sangue e com todas as mortes, o que é e como age o grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) — ou ISIS, na sigla em inglês, liderado por um psicopata que se identifica como Abu Bakr Al-Baghdadi, cujo verdadeiro nome é Ibrahim ibn Awad, ou “Califa Ibrahim”. Antes de fundar o EIIL, ele foi o braço da Al Qaeda no Iraque, e o próprio Bin Laden repudiava os seus métodos. Por incrível que pareça, chegou a ser preso pelas tropas americanas em 2005. Ficou quatro anos numa base no Iraque, mas foi solto em 2009.

Al-Baghdadi quer criar um califado em parte do território da Síria e do Iraque, hoje sob o domínio do grupo. No vídeo, vocês veem parte de 1.500 adolescentes que foram executados a sangue frio, com tiros na cabeça, depois de implorarem por suas vidas. Os corpos ou foram enterrados, enfileirados, em cova rasa, ou foram jogados no Rio. Há muito tempo o mundo não assistia a coisa parecida. Volto em seguida.


Retomo

A gente até pode não ter estômago para ver o horror até o fim, mas um vídeo como esse tem de circular. É preciso que a natureza dessa gente seja exposta. Os EUA já executaram quatro ataques aéreos às bases terroristas, o último, enquanto escrevo aqui, tinha acontecido no sábado. A ação, felizmente, facilitou o avanço das tropas curdas, que retomaram as cidades de Gwer e Makhumur. Depois de Barack Obama ter feito a espantosa besteira de ter deixado o Iraque entregue ao terror, toma agora uma providência — ainda modesta, diga-se.

Mohammed Shia al-Sudani, ministro dos Direitos Humanos do Iraque, afirmou neste domingo que pelo menos 500 pessoas da minoria yazidi, que professa uma religião pré-muçulmana e é considerada pelos jihadistas cultora do diabo, foram assassinadas desde que os terroristas chegaram à região da montanha do Sinjar. Mulheres e crianças teriam sido enterradas vivas. Assistindo ao vídeo, não há por que duvidar da informação. Dezenas de milhares de yazidis se embrenharam na montanha e estão encurralados.

Atenção: o vídeo tétrico foi feito pelo próprio grupo, e o narrador está exaltando as mortes como um trabalho de purificação. O que impressiona é que os terroristas estão armados até os dentes, com fuzis, tanques e bateria antiaérea. Quem financia essa gente? Essa, sim, é a investigação que os Estados Unidos e as potências europeias têm de fazer. Os financiadores do horror devem ser considerados o que são: terroristas também.

Aqui e ali, vejo que o nome do grupo não é bem compreendido. A palavra “levante” da sigla nada tem a ver com a sua revolta em si. O “Levante” — “Oriente ou Leste”, na origem Latina — compreende uma região. O “Levante Mediterrâneo” vai da Faixa de Gaza até parte da Turquia, passando por Israel, Jordânia e Síria. Assim, o celerado Baghdadi quer construir o seu califado em toda essa área, além, claro!, do Iraque, onde nasceu. São as suas modestas pretensões. É claro que ele não vai conseguir. Mas quantos mais pretende matar em sua sanha homicida?

As esquerdas e o ódio ideológico aos judeus

Por Rodrigo Constantino – VEJA

Esse discurso do vereador gaúcho Valter Nagelstein está circulando bastante pelas redes sociais, e deve ser visto por quem ainda não viu. Ele fala com firmeza da incoerência e da hipocrisia das esquerdas que “defendem” as minorias, mas endossam regimes nefastos que desprezam e perseguem as mesmas minorias. Vejam:


A coluna de Guzzo na Veja desta semana também merece ser lida. Ele fala de como as imagens chocantes de famílias dilaceradas serviram para tirar do armário inúmeros antissemitas, que aguardavam uma oportunidade para destilar todo o seu ódio ao povo judeu. Eis um trecho:

Guzzo

Genocídio? Se Israel quisesse eliminar o povo palestino, faria isso amanhã. Quem fala em genocídio não pode atestar apenas ignorância; é má-fé mesmo, racismo, antissemitismo. O que está acontecendo nesse país? O que o PT e demais partidos de esquerda estão espalhando pelo Brasil? Apenas ódio, rancor, maniqueísmo. É triste. Lamentável. Até quando?

É SOBRENATURAL... Israel e a Palestina
Sid Roth entrevista Sandra Teplinsky



Sandra Teplinsky diz que Israel é mais do que um relógio do tempo profético. Para aqueles que estão com o povo judeu, Deus estende Seu favor. Suas bênçãos fluem para você e sua família, e até mesmo a nações inteiras!

Será que Israel tem o direito à terra que é conhecida como 'Palestina'? Ou deveria a terra ser dada aos palestinos?

A falsa doutrina da TEOLOGIA DO CUMPRIMENTO: Ensina que TODAS AS PROMESSAS DE DEUS JÁ FORAM CUMPRIDAS NA PESSOA DE JESUS CRISTO.

PRETERISMO: Um falso ponto de vista que interpreta as Profecias bíblicas como eventos que já ocorridos.

"...Porque aquele que tocar em vós toca na menina dos meus olhos." (Zacarias 2:8b).

Dilma tenta minimizar escândalos e diz que Petrobras é alvo de 'factoides políticos'

Dilma Rousseff em entrevista coletiva no Palácio da Alvorada, em Brasília
Dilma Rousseff em entrevista coletiva no Palácio da Alvorada, em Brasília (André Dusek/Estadão Conteúdo)
Presidente concedeu entrevista (como candidata) neste domingo, no Palácio da Alvorada, mas não quis se aprofundar no tema

A presidente-candidata Dilma Rousseff tentou neste domingo minimizar a crise enfrentada pela Petrobras — e classificou a série de escândalos envolvendo a estatal como "factoide político" para comprometer a petroleira. Em entrevista coletiva concedida no fim da tarde no Palácio da Alvorada, em Brasília, ela fez uma menção genérica às revelações envolvendo a estatal — a contadora do doleiro Alberto Youssef, pivô do esquema bilionário de corrupção desbaratado pela Operação Lava Jato da Polícia Federal, Meire Poza, confirmou a VEJA que a empresa era utilizada para abastecer um esquema criminoso de lavagem de dinheiro. A entrevista deste foi organizada pela assessoria da campanha eleitoral da presidente, e não pelo Palácio do Planalto. 

"Se tem uma coisa que a gente tem de preservar, porque tem que ter sentido de Estado, de nação e de país, é não misturar eleição com a maior empresa de petróleo do país. Isso não é correto, não mostra nenhuma maturidade. Eu acho fundamental que, na eleição e nesse processo que nós estamos, haja a maior e mais livre discussão. Agora, utilizar qualquer factoide político para comprometer uma grande empresa e sua direção é muito perigoso", afirmou. A presidente encerrou a coletiva em seguida e não quis responder outras perguntas sobre o tema. Dilma também afirmou que não há uma decisão sobre o aumento no preço dos combustíveis derivados de petróleo. Ela deixou a questão em aberto: "Necessariamente, em algum momento no futuro pode ser que tenha um aumento, eu não tenho como discutir isso aqui sem dos dados", disse ela.

O congelamento de preços é tido como uma das causas das perdas sucessivas da Petrobras nos últimos meses. Parte do mercado acredita que o governo só vai autorizar a elevação de preços após as eleições.

Dia dos Pais — Pronunciamentos de Dilma à imprensa em pleno Alvorada são incomuns. E ela não tinha nada de relevante a anunciar: queria apenas parabenizar os pais por seu dia, comemorado neste domingo. "Feliz Dia dos Pais para os rapazes e para nós, também, porque todos nós temos pais", afirmou ela aos jornalistas.

"Eu sou chefe da nação. Portanto, esse dia também faz com que a gente tenha de reforçar o compromisso de melhorar as condições de vida de todas as famílias brasileiras", disse, em seguida. A presidente contou ter usado o Facetime, um programa de conversa em vídeo pela internet, para conversar com seus parentes e com os "dois pais" que tem em sua família: o ex-marido, pai de sua filha, e o genro, pai de seu neto.

Ataques — Na entrevista, a presidente também disse que não vai reduzir nem aumentar o número de ministérios. "Eu posso pedir uma coisa a vocês? Pergunte qual ministério eles vão reduzir", disse ela. A presidente citou os Ministérios da Micro e Pequena Empresa, dos Direitos Humanos, da Igualdade Racial, da Pesca e de Políticas para as Mulheres. E defendeu, um a um, a permanência deles na estrutura do governo. "Esse formato responde a um momento histórico do Brasil. O momento histórico mudando, eu mudo (...). Alguns deles vão evoluir e poder até não ser ministério", afirma a presidente, que usou o termo "cegueira tecnocrática" para criticar os defensores de um enxugamento no número de pastas.

Ao comentar a proposta do tucano Aécio Neves de fundir os ministérios de Transportes e de Minas e Energia, Dilma atacou: disse entender por que o PSDB tem essa ideia, já que foi a primeira ministra de Minas e Energia do governo Lula. Segundo Dilma, ela encontrou 25 motoristas e apenas três engenheiros trabalhando na pasta. "Eles fizeram barbaridades na área de energia", disse ela, criticando a gestão de Fernando Henrique Cardoso.

Médico ou "trabalhador da saúde"?

Excelentíssima Sra. Presidente da República Dilma Rousseff,

Permita-me a apresentação: na minha opinião, eu sou um médico; na tua, um “trabalhador da saúde”.

Na minha opinião, medicina é cuidar de pessoas doentes, na tua é fazer “transformação social”.

Eu penso em salvar vidas, a senhora pensa em ganhar votos. Como podemos ver, a senhora e eu, não temos muito em comum à primeira vista, mas existem na minha vida alguns fatos que a senhora desconhece. Assim como a senhora, eu já fui marxista – e dos fanáticos!

Brigava com colegas da faculdade no final dos 80 e início dos anos 90 para ver seu projeto de poder realizado. Caminhei ao lado daquele seu amigo que gosta de uma cachacinha e costuma ser fotografado com livros de cabeça para baixo. Conversei pessoalmente com o “poeta do sêmen derramado” que agora governa o Rio Grande do Sul.

Não tinha ideia correta daquilo que havia acontecido no Brasil entre 1964 e 1985. Imaginava, como a senhora quer fazer parecer até hoje, que tudo estava indo bem até que militares malvados que não tinham nada para fazer decidiram, com ajuda dos americanos, derrubar o governo brasileiro.

Eu só me dei conta, presidente, de quem Lula, a senhora e seu partido-religião representavam quando comecei a trabalhar com a gente de vocês aqui em Porto Alegre a partir de 98.

Duvido que eu estivesse mal-preparado, sabe? Eu já tinha feito 6 anos de faculdade, um ano de residência em pediatria, um de medicina interna e dois de cardiologia.

Gostaria que a senhora visse em que lugar seus “cumpanheros” aqui dos pampas me colocaram para trabalhar... Imagino a senhora doente naquelas condições de segurança, higiene, espaço e administração que a ralé do PT do Rio Grande do Sul nos ofereceu.

A senhora tem ideia de como deve se sentir um médico ao ter seu estágio probatório avaliado por técnicos de enfermagem?

 A senhora sabe o que é receber, depois de tudo que se estudou na vida, ordens de enfermeiras, presidente? Em nome de quê?

Em nome de um delírio chamado “democratização da gestão”? Em nome de um absurdo chamado “controle social”?

A senhora tem alguma noção de quantas pessoas eu vi morrerem depois que esse seu partido de assassinos e mensaleiros terminaram com o resto da rede hospitalar brasileira “aparelhando” a gestão dela com uma legião de analfabetos, recalcados, alcoólatras e incompetentes, que por oferecer uma parte de seu salário ao PT, passaram a dar ordens a homens e mulheres com capacidade de salvar vidas?

Mas por favor, não fique ofendida comigo, presidente, de certa forma essa carta é um agradecimento, sabe? Formado há quase 20 anos, eu nunca havia visto os médicos brasileiros tão unidos quanto agora. É mais um mérito seu e desse seu partido: promover a maior humilhação que os médicos de um país sofreram até hoje!

A senhora não tem vergonha de apelar para uma ditadura bananeira, um país que mata, tortura, prende e vigia seus próprios cidadãos, para fornecer médicos para o SEU próprio povo? A senhora é brasileira, ou não, presidente Dilma? Se não tem vergonha da medicina do seu país, tenha pelo menos do seu povo!

A senhora nasceu aqui e a primeira pessoa que lhe viu foi provavelmente um médico do Brasil. Provavelmente vai ser algum colega, intensivista como sou hoje, quem vai estar ao seu lado no último momento e mesmo assim a senhora quer chamar médicos cubanos para enganar nossa gente pobre e doente a ponto de garantir sua reeleição? Quem lhe deu esse conselho, presidente Dilma? Identifique por favor, um por um, os médicos que lhe cercam e sugeriram semelhante idéia! A senhora e eu já conhecemos alguns, não é? Vamos apresentar os demais ao Conselho Federal de Medicina, ou não?

Presidente Dilma, até bandidos e prostitutas se ofendem quando tem seu território e ganha pão ameaçados. Nós somos médicos, nós salvamos vidas e não vamos permitir que uma profissão cuja origem se perde no tempo seja levada ao fundo do poço por um partido como o da senhora com o argumento de que estamos sendo corporativistas e o Brasil está sem médicos.

Deus lhe proteja na batalha que vai enfrentar conosco, presidente. Se a senhora for ferida vai precisar ser atendida por um médico – e eu duvido muito que ele fale português.

Porto Alegre/RS

Milton Simon Pires
Médico (CREMERS 20958)




PT, COMUNISMO, ELEIÇÕES, DECRETO 8423


O que é o decreto 8.243
Explicado Didaticamente...



ATENÇÃO: JÁ ESTÁ SENDO ORGANIZADO, MONTADO E EM ANDAMENTO:

Links abaixo:

Dilma dá sinais crescentes de alheamento da realidade e volta àquela cascata de que apurar lambanças na Petrobras corresponde a atuar contra a empresa


A presidente Dilma Rousseff dá sinais crescentes de alheamento da realidade. E as coisas sempre pioram depois que ela se encontra com Lula, como aconteceu no fim da semana que passou. A revista VEJA traz uma bomba: Meire Poza, ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, que está preso, concede uma entrevista em que conta parte do que viu. Ela é hoje uma das principais testemunhas da chamada Operação Lava a Jato, deflagrada pela Polícia Federal. Segundo Meire, a estatal era usada para abastecer um sistema criminoso de lavagem de dinheiro, que envolvia políticos, empreiteiros e funcionários da empresa.

Muito bem! Dilma concedeu uma entrevista coletiva neste domingo no Palácio da Alvorada. Era a candidata falando, não a presidente. Segundo informa VEJA.com, afirmou: “Se tem uma coisa que a gente tem de preservar, porque tem que ter sentido de Estado, de nação e de país, é não misturar eleição com a maior empresa de petróleo do país. Isso não é correto, não mostra nenhuma maturidade. Eu acho fundamental que, na eleição e nesse processo que nós estamos, haja a maior e mais livre discussão. Agora, utilizar qualquer factoide político para comprometer uma grande empresa e sua direção é muito perigoso”.

Factoide político? Qual factoide? Meire Poza é uma das principais testemunhas — e ela confessa ter também praticado ilegalidades para o grupo — de uma operação deflagrada pela Polícia Federal, subordinada ao Ministério da Justiça. Dilma repete, agora em linguagem infelizmente um pouco mais compreensível — sempre é pior quando a gente entende o que ela fala —, as bobagens que disse a respeito da Petrobras na sabatina de que participou na CNA (Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil). Para ela, investigar as lambanças na estatal corresponde a prejudica-la.

Errado! É justamente o contrário. Prejudicaram a empresa, senhora candidata, aqueles que a levaram a um prejuízo bilionário com um negócio desastroso: os seus aliados. Prejudicaram a empresa aquelas que usaram a tarifa de gasolina para conter a inflação em razão de uma política econômica desastrosa — nesse caso, o seu governo e a senhora, pessoalmente. Prejudicaram a empresa aquelas que a usaram e a usam para distribuir prebendas políticas, com o objetivo de manter unida a chamada “base aliada”.


A candidata Dilma decidiu ainda ser pauteira da imprensa. Referindo-se à proposta do tucano Aécio Neves e do peessebista Eduardo Campos de reduzir ministérios — há, no Brasil, 39 pastas; deve ser recorde no mundo —, ela afirmou: “Eu posso pedir uma coisa a vocês? Perguntem qual ministério eles vão reduzir”. Avançou: “Esse formato [39 ministérios] responde a um momento histórico do Brasil. O momento histórico mudando, eu mudo (…).” Ah, bom… Num ato falho, disse: “Alguns deles vão evoluir e poder até não ser ministério”. Vale dizer: Dilma reconhece que evoluir, nesse caso, significa cortar ministérios. Mas ela promete deixar tudo como está. Ou seja: é a não-evolução.

Minsky: o entusiasta do intervencionismo que tem inspirado Dilma


Teórico de pensamento heterodoxo que inspirou a escola desenvolvimentista, ele teve seu auge durante a crise de 2008; para a presidente Dilma, contudo, seu momento é agora

Hyman Minsky
O economista que acredita no 'socialismo de mercado' tem inspirado a presidente 
(Levy Economics Institute of Bard College/VEJA)
Recentemente, a coluna Radar, de VEJA, revelou que o economista americano Hyman Minsky (1919-1996) tem rondado o pensamento da presidente Dilma Rousseff. Segundo a nota, ela “tem usado muito a expressão ‘isso é Minsky’ sempre que faz um diagnóstico econômico ou justifica determinada ação do governo na economia”. É bom saber o que vai pela cabeça de quem manda. Mas esse conhecimento pode ser um pouco assustador – como por certo é o caso na ligação entre Dilma e esse adepto inveterado do intervencionismo estatal.

Durante a vida, Minsky, que foi orientando de Joseph Schumpeter em Harvard, desfrutou de uma fama não mais do que moderada. Com a crise de 2008, ele foi subitamente incensado, por causa de escritos que pareciam proféticos em relação ao que estava acontecendo. Minsky formulou uma certa Hipótese da Instabilidade Financeira, que assevera que a dinâmica interna do capitalismo contemporâneo, no qual o sistema financeiro desempenha um papel preponderante, implica necessariamente a alternância entre turbulência e tranquilidade. Períodos prósperos trariam as sementes de seu próprio desmonte por tornar irresponsáveis tanto aqueles que emprestam quanto aqueles que tomam dinheiro emprestado. Necessário para o vigor do capitalismo, o sistema financeiro tenderia por natureza ao excesso. Com o tempo, haveria o surgimento de uma bolha especulativa, uma acumulação desgovernada de dívidas sem lastro – até o momento em que a fragilidade de todo o edifício seria notada. Aí ocorreria uma reversão brusca do ciclo econômico, aquilo que acabou sendo batizado como “momento Minsky”.

Uma vez iniciado um cataclisma desse tipo, Minsky prescrevia a adoção de remédios como estímulos fiscais e intervenções do Banco Central como “emprestador de última instância”, que dessem algum alento à economia. Insistia também na necessidade de regulamentação dos mercados financeiros. No pós-crise, seu receituário foi debatido nas páginas do Wall Street Journal e da Economist, bem como em relatórios do banco central americano, o Federal Reserve – um deles assinado por Janet Yellen, atual presidente da instituição.

Mas, perguntava Minsky, como evitar que tudo recomece? Como atacar a suposta doença central do capitalismo, o fato de que nele a estabilidade é iminentemente desestabilizadora? Como diz o título de um de seus últimos textos, o economista tinha “um programa positivo para um capitalismo bem sucedido”. Que consistia, basicamente, em transformá-lo em uma forma de socialismo.

Minsky afirmou certa vez que o pensamento teórico deveria ser guiado por uma visão, por um “mapa da Utopia”. Ele nunca fez segredo de aonde o seu mapa levava. Seus pais haviam se conhecido durante a celebração dos 100 anos de nascimento de Karl Marx, numa festa organizada pelo Partido Socialista de Chicago. Ele mesmo se engajou muito cedo. E foi num seminário organizado pelo partido, em 1939, que ele decidiu mudar o rumo de seus estudos universitários da matemática para a economia. O palestrante era o polonês Oscar Lange, que preconizava, justamente, a criação de uma espécie de socialismo de mercado em que houvesse controle social e planificação do investimento, mas não da produção de bens.

Em 1985, Minsky redigiu um ensaio autobiográfico no qual apontou Lange como a maior influência no seu início de carreira, acrescentando que seu programa de pesquisa, apesar de tanto tempo decorrido, ainda se mantinha coerente com as ideias do velho mestre. Ou seja, o mapa da utopia estava traçado desde sempre – ele apenas havia tornado os seus contornos mais nítidos, recorrendo, sobretudo, às obras do inglês John Maynard Keynes, sobre quem escreveu extensivamente e em quem também se amparou para defender um projeto de sociedade em que o Estado fosse grande e “salvasse o capitalismo de suas ineficiências”, tomando em sua mão visível, e pesada, as rédeas das decisões de investimento.

Minsky reservava ainda outro papel ao Estado: o de “empregador de última instância”.  Sua tese era que o governo deveria garantir o pleno emprego, pagando salário mínimo a qualquer um que estivesse apto a trabalhar. A criação direta de postos de trabalho deveria ter precedência, nas políticas públicas, quer sobre programas de assistência social, quer sobre programas de treinamento e especialização dos trabalhadores. A estratégia deveria ignorar o grau de qualificação do desempregado. “Acolha-os do jeito que forem, e adeque os postos às suas capacidades”, dizia Minsky. Essa é sua proposta mais extravagante, e até os entusiastas hesitam em levá-la a sério. A primeira coletânea de seus escritos sobre emprego foi lançada apenas no ano passado.

Como todo socialista, Minsky afirmava que suas preocupações eram a eficiência econômica, a justiça social e a liberdade individual. Há quem diga isso sem acreditar por um segundo nas próprias palavras. Minsky aparentemente pertencia ao grupo mais honesto, mas não menos perigoso, daqueles idealistas que acreditam que a equação socialista pode realmente ser benigna. “O que importa não é se a propriedade é privada, mas que a sociedade seja democrática e humana”, escreveu. Ele assistiu à derrocada da União Soviética e analisou o fenômeno, mas nem por isso perdeu a fé. Em boa parte, porque seus escritos nunca descem do plano da abstração econômica para estudar como, na prática política, a centralização de poder num Estado hiperdimensionado e dotado de poderes de planificação corrói o processo democrático.

No Brasil, o principal reduto de estudiosos de Minsky é a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde a presidente Dilma fez seus estudos em Ciências Econômicas. Ele se faz presente, em especial, na área de Pós-Graduação em Economia Política, de onde saíram muitos dos economistas da linha desenvolvimentista filiados ao PT — e onde lecionou Luciano Coutinho, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Coutinho é grande conhecedor da obra de Minsky no país, classificando-a como “genial” em artigos redigidos quando era professor universitário. Dilma foi sua aluna na pós-graduação e herdou dele a admiração pelo americano. Outro economista oriundo da Unicamp que lecionou sobre o autor a uma classe que tinha entre seus alunos a presidente foi Otaviano Canuto, atual consultor para os assuntos dos Brics no Banco Mundial. Ele era diretor do Instituto de Economia e professor da universidade quando Dilma cursou suas quatro disciplinas de doutorado, entre 1992 e 1994. Mas ele não acredita que o interesse da presidente por Minsky tenha surgido em suas aulas. "Dilma teve aulas sobre Minsky com Coutinho, Luiz Gonzaga Belluzzo e Gilberto Tadeu Lima. Quando lecionei macroeconomia para ela, já vinha formada", afirma.

Outros economistas que orbitam em torno do PT, além da turma da Unicamp, leem com admiração as obras de Minsky. Há Márcio Pochmann, por exemplo, ex-presidente do Ipea e atual chefe da Fundação Perseu Abramo, que tem a função de subsidiar governos petistas com propostas de cunho econômico-social. Ou Nelson Barbosa, ex-secretário Executivo do Ministério da Fazenda e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Mas o que de Minsky, afinal de contas, tem sido posto em prática no governo Dilma Rousseff? “Nada”, diz Luiz Fernando de Paula, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e fundador da Associação Keynesiana no Brasil. “Não há sinais de sua obra na política econômica conduzida pela presidente”. Ao que tudo indica, é charmoso citar Minsky em certos círculos – talvez por causa do seu “mapa da utopia”. E só. A notícia é tranquilizadora. Só não é melhor porque até algumas ideias do autor seriam um avanço em relação à política econômica atual. No seu entusiasmo pelo big government, por exemplo, o economista tinha lá suas preferências. Para ele, governos que gastam dinheiro em infraestrutura e formação de capital são muito melhores do que aqueles que gastam apenas para incentivar o consumo, como tem feito Dilma com suas políticas. Pois é. Isso não é Minsky.

Chegando no Pai, nos filhos e na conta do Espírito Santo?

 
O Brasil é a república da impunidade? Pior que isto: é a terra do rigor seletivo. Aos inimigos do Estado Capimunista aplica-se duramente lei penal. Puxa cadeia quem não tem poder nem dinheiro. O País já tem a terceira maior população carcerária do mundo: 711.463 presos em condições medievais de dignidade humana. A conta inclui 147.937 pessoas na eufemística “prisão domiciliar”. São números de junho, tabulados pelo Conselho Nacional de Justiça. Vide relatório.

O quadro fica mais apavorante porque o sistema prisional tem um déficit de 354 mil vagas. Se fossem cumpridos os 373.991 mandados de prisão em vigor, teríamos mais de 1 milhão de encarcerados em uma nação com uma população absoluta de quase 200 milhões de habitantes. Não há dinheiro suficiente para construir penitenciárias. O custo médio de uma casa de detenção para 500 presos chega a R$ 30 milhões. A conta nunca vai fechar na abertura de novas vagas nas masmorras.

As penitenciárias existentes, em sua maioria, são “escolas do crime”. Os “reeducandos” sofrem violências, tortura psicológica e desrespeito total aos mais elementares direitos humanos. Postos em liberdade ou fugitivos, geralmente subjugados por facções criminosas, eles se transformam em ameaça real à sociedade. Curiosamente, no Brasil, quem deveria estar preso fica solto, numa boa. Cadeia é para pé de chinelo. Os poderosos chefões vivem acima da lei e da ordem.

A questão é mais de hegemonia que de poderio econômico. Enquanto o crime se organiza cada vez mais, gerencial, tecnológica e financeiramente falando, aumenta a sensação social de insegurança, impunidade e injustiça. Aí mergulhamos no lodaçal podre da maior tragédia brasileira: a falta de vontade política, competência e capacidade para aplicar, corretamente, conceitos, recursos e soluções para os mais elementares problemas.

A cada dois anos, quando temos eleições, a questão da segurança pública é sempre apontada como grande preocupação. A queixa vem junto com a falta de saúde, de educação, de emprego e de infraestrutura. Também a acompanha a carestia, a inflação, a alta carga tributária, a desonestidade dos políticos e por aí vai... Os problemas nacionais estão mais que identificados há séculos. No entanto, insistimos em não resolvê-los. Por masoquismo, burrice, incompetência - ou seja lá por qual motivo mais ou menos votado.

A Segurança Pública foi o tema central de um congresso promovido pela Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo, na quinta e sexta-feira passada, por iniciativa do Grão Mestre Ronaldo Fernandes. Assustadoras foram as principais constatações do encontro, cujo conteúdo das palestras, após um debate e filtragem, servirá de base para a formulação de uma proposta de plano de ação social. Embora nossa Constituição Federal cuide do assunto em seu artigo 144, há 26 anos nossos congressistas ainda não cumpriram o dever de regulamentar o parágrafo 7º. Sem definir um Sistema de Defesa Social, contendo uma visão ampla de segurança e ordem públicas, o Brasil continuará sendo o País do crime, da violência e da impunidade.

Não adianta um modelo repressivo de produtividade crescente, como já acontece hoje, com resultados policiais positivos, se os números e a sensação real de violência continuam crescendo, gerando todo tipo de prejuízo para a sociedade. Como de costume, a segurança pública será o tema principal da pirotecnia verbal de candidatos ao executivo e legislativo em outubro. Novamente, é alto o risco do discurso demagógico não se transformar em efetiva ação para a implantação de uma Política Nacional de Segurança Pública.

Enquanto isso, assistimos ao espetáculo dantesco da população ser afetada e desafiada pela governança do crime organizado. Ainda não refeitos do escândalo do Mensalão, julgado com algum rigor pelo Supremo Tribunal Federal, mas com reeducandos condenados já desfrutando a liberdade que sempre tiveram para fazer o que quisessem, temos, agora, os desdobramentos da Operação Lava Jato – que fazem o Mensalão parecer roubo da galinha da vizinha.,,

Só um imbecil não enxerga que a Petrobras – maior transnacional brasileira – foi usada pelo maior esquema de lavagem de dinheiro nunca antes visto na História do Brasil. Só uma besta quadrada pode supor que o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, agiram por conta própria, sem nenhum comando acima deles, na lavagem estimada, inicialmente, em R$ 10 bilhões – número que deverá aumentar, muito, se as investigações tomarem o rumo desejado pelo Ministério Público Federal e pelo juiz Sérgio Fernando Moro – que atuou no escândalo do Banestado (milagrosamente abafado em seus efeitos, para não gerar maiores estragos políticos).

Agora, o Banco Central do Brasil revelou que Paulo Costa controlava 1.832 contas correntes da Petrobras, entre maio de 2004 e abril de 2012.  Mais de 90% das contas correntes (1.726) geridas por Costa são do Banco do Brasil. Centenas delas só tiveram o vínculo retirado no sistema do BC no dia da deflagração da Operação Lava-Jato da Polícia Federal, em 17 de março deste ano. O mesmo ocorreu nos bancos BNP Paribas e Santander.

Tal fato chama atenção para outro absurdo já denunciado fartamente por investidores da Petrobras. Costa e Youssef podem ter tido ingerência sobre os fundos BB Millenium 6, Marte e Vênus. Suspeita-se que R$ 7 bilhões tenham virado pó nestas operações financeiras sob suspeita e alvos de inquéritos estranhamente arquivados pela Comissão de Valores Mobiliários. Paulo Roberto Costa foi preso por tentativa de destruição de provas...

Acontece que as provas aparecem do nada. Agora, Veja revelou o conteúdo bombástico dos depoimentos da contadora Meire Bonfim Poza, que trabalhava para o doleiro Youssef. Meire demonstrou à PF o envolvimento de políticos do PT, PMDB e PP com os esquemas de Youssef (e, por extensão, Paulo Costa), principalmente nos negócios com a Petrobras. Meire também garantiu que havia um fluxo constante de entrada e retirada de dinheiro, em pelo menos três empreiteiras: OAS, Camargo Correa e Mendes Júnior. Segundo a testemunha, “o dinheiro que entrava nesse esquema de pedágio era uma coisa que não dava para controlar. Eram malas e malas de dinheiro".

Em resumo: no embalo da lição do Mensalão, e depois do legado da Operação Lava Jato, independentemente do resultado eleitoral de outubro-novembro, o corrupto regime capimunista do Brasil precisará ser passado a limpo. Youssef e Paulo Roberto não são os pais da sacanagem na Petrobras e adjacências.

O Pai, o Filho e as contas lá fora, no Espírito Santo, se forem investigadas, renderão muitas prisões. O problema é faltar vaga para o pagamento da penitencia... Mas, pelo menos, a maioria dos brasileiros demonstra que cansou de dizer amém para a tanta corrupção... 

Wikipediagate


Gerenciadora da segurança de tráfego de dados oficial do governo federal, a Telefônica-Vivo garante enviou um comunicado reservado à Presidência da República para deixar “claro” (sem trocadilho) um fato objetivo:

“Não há probabilidade de invasão no sistema do Palácio do Planalto, criptografado com várias senhas, depois dos problemas de segurança que tivemos no ano de 2012-2013” (por causa do problema da espionagem da NSA, denunciado por Edward Snowden).

Quem usou o IP 200.181.15.10 para alterar a Wikipédia dos jornalistas Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg é de dentro da Presidência da República.

Não houve invasão de sistema e nem foi um visitante que fez login e usou algum computador lá de dentro, sem permissão.

Ou seja, Dilma Rousseff, Gilberto Carvalho, General José Elito, Aloísio Mercadante e Thomas Traumann têm o dever legal de revelar publicamente o nome de quem cometeu o cibercrime, denunciando-o à Polícia Federal, para que seja aberto um inquérito, para futuro processo pelo Ministério Público Federal, com condenação provável pela Justiça Federal.

Tem culpa Dilma?


Uma coisa é indiscutível: tem muito poder, mas muito poder mesmo, quem usou a rede do Palácio do Planalto para fazer a petralhagem contra os jornalistas das Organizações Globo. A sacanagem feita está gravada e fica registrada por seis meses.

Quem fez a sacanagem precisa ser seu nome revelado.

O risco é o denunciado revelar que agiu cumprindo ordens superiores...

Aí o Boi, a Vaca, o Veado e outros bichos menos votados devem ir para o brejo...

Alguns até com grandes chances de enjaulamento...

Conversão?


Vai embarcar ou não?


Aloprados fazem o diabo

Por Merval Pereira - O Globo

O hábito de enviar mensagens por meio de robôs com ataques a jornalistas independentes, e invadir sites ou usar os que são abertos, como a Wikipédia, para denegrir a imagem dos que consideram seus inimigos políticos, é um expediente comum dos militantes petistas aloprados.

Em 29 de outubro de 2011 esses marginais entraram na minha página na Wikipédia para incluir uma suposta notícia de que eu havia sido identificado pelo Wikileaks como informante do governo dos Estados Unidos, juntamente com outros jornalistas.

Na verdade, o Wikileaks havia divulgado uma série de telegramas do embaixador dos Estados Unidos, entre os quais relatos de encontros que mantivera comigo e com outros jornalistas, onde conversamos sobre diversos assuntos, inclusive as eleições presidenciais de 2010. Nada do que disse naquele encontro diferia do que escrevi nas minhas colunas naquela ocasião, nenhum segredo havia para ser informado.

O encontro de jornalistas com diplomatas estrangeiros é o que há de mais normal no mundo todo, e essa troca de opiniões faz parte de um relacionamento profissional que apenas mentes pervertidas, ou a soldo, podem transformar em uma atividade de espionagem .

Alertado, eu mesmo entrei no Wikileaks e retirei a peça infamante. Esta semana, vendo o que aconteceu com Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardemberg, lembrei-me do episódio e mandei fazer um levantamento na Wikipédia para verificar se era possível, a partir do IP dos computadores, saber de onde haviam sido acionados.

Para minha surpresa, descobri que haviam feito, de junho de 2011 até 8 de agosto deste ano, diversas entradas em minha página na Wikipédia para acrescentar comentários desairosos ou informações falsas. Algumas dessas aleivosias foram retiradas pela própria direção da Wikipédia; outras por pessoas que discordavam do que lá estava escrito, como, por exemplo, de que eu, nas colunas, destilo meu ódio contra o ex-presidente Lula.

Ontem, retiraram qualquer juízo de valor sobre minhas atividades jornalísticas. O levantamento feito pelo jornal não indicou nenhum servidor de órgãos do governo, inclusive o Palácio do Planalto, nas agressões inseridas na Wikipédia contra mim. Os servidores utilizados são de Toronto, no Canadá, da Austrália e apenas um tem origem em São Paulo, mas não foi possível definir com precisão sua localização.

O que espanta no caso atual, em que Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardemberg foram os alvos, é que as agressões partiram de computadores alocados no Palácio do Planalto, o que indica que essa ação de alterar perfis de jornalistas e pessoas consideradas inimigas já se tornou tão habitual para a militância petista que ela deixou de lado a cautela, utilizando até mesmo o Planalto para suas investidas ilegais.

É sintomático que jornalistas independentes tenham sido vítimas dessas ações de guerrilha na internet, pois desde que chegaram ao poder, em 2003, há um núcleo petista que tenta de diversas maneiras controlar a imprensa, a última delas com o tal controle social da mídia . Os conselhos populares fazem parte desse mecanismo de controle estatal que os petistas tentam impor à sociedade brasileira.

O fato de que os atos delinquenciais partiram de dentro do Palácio do Planalto os coloca muito próximos, pelo menos fisicamente, do centro do poder. O episódio revela, no mínimo, uma falta de controle do pessoal que trabalha no Palácio do Governo. Quando não a conivência de algum alto assessor com o crime contra a liberdade de imprensa numa campanha em que fazer o diabo estava previsto pela própria presidente Dilma Rousseff


O moralismo autoritário dos movimentos de minorias politicamente corretas


Cacildis! Assim tá impossivis brincar!
Cacildis! Assim tá impossivis brincar!
É assustador! A cada dia temos novas evidências de que a ditadura do politicamente correto não é mais velada, e sim escancarada mesmo. Essa gente sem um pingo de humor, mal resolvida, incapaz de rir de si mesma, de achar graça nas coisas, torna o mundo um lugar mais chato, cinzento, regrado, com sua patrulha incessante.

A última foi um cursinho em São Paulo em que os professores tiveram que parar com as piadas “machistas” e “homofóbicas”. Coisa de mulherzinha mesmo! Ou de rapazinho delicado, o leitor escolhe. Vejam que bizarro:

“O movimento feminista mais importante na história é o movimento dos quadris.” Piadas típicas de cursinho pré-vestibular como essa correm risco de extinção.

As direções de instituições preparatórias frequentadas pela classe média alta paulistana têm orientado professores a suspender comentários jocosos para evitar processos.

Alunos e especialmente alunas têm reclamado do que consideram machismo, homofobia e racismo aos pais, que cobram explicações.

“Virei chato. Não faço mais brincadeiras. Minhas aulas estão terminando mais cedo. Passo exercícios a mais”, diz um professor do Intergraus que não quis ser identificado.

Um professor do Anglo diz que é brincadeira entre os meninos chamar os professores de “bicha” e “veado”. No início de 2014, ele passou de sala em sala para informar: “Se eu for conivente, como sempre fui, estarei permitindo que vocês usem a palavra gay com sentido pejorativo. E não tem. Não permito mais”.

Para ele, o tema é tabu. “Entre 80 pessoas entenderem que é brincadeira e 20 acharem que você está incentivando alguma coisa, é melhor não fazer piada. O incrível é que, dez anos atrás, você podia contar piada de preto, de português. Ao mesmo tempo, era inimaginável ter dois meninos se beijando no cursinho como temos agora.”

“As piadas têm que ser adaptadas a seu tempo”, diz um deles. E isso, em português claro, significa acabar com as piadas em nossos tempos modernos e intolerantes. É que os “tolerantes” chegaram ao poder e não toleram absolutamente nada fora de suas cartilhas politicamente corretas. São uma minoria, mas muito estridente e organizada.

Fazer passeata nu, orgia em praça pública ou enfiar uma cruz no ânus, isso tudo não só pode como é visto como luta pela liberdade. Mas fazer uma piada inocente de loira, de bichinha, de negro, de português? Pecado! Vai em cana daqui a pouco, se continuar assim.

Alguns desses mais “tolerantes” adorariam fuzilar num paredão como o cubano qualquer um que ousasse fazer uma piadinha singela com conotação machista. Que mundo mais chato! Que gente obtusa, recalcada, perturbada. Por que não buscam em um divã um tratamento, em vez de tentar transformar a vida de todos os outros num inferno maçante?

E que não venham me xingar ou me agredir, pois esses parvos que falam em nome das minorias não tem estatura para isso. Eu, com meus incríveis 1,70 metro de altura, intimido qualquer Anderson Silva da vida…

Nos EUA, canal afirma que as crianças pertencem não às famílias, mas às "comunidades como um todo"



Os Estados Unidos, outrora a inconteste terra da liberdade e do respeito ao indivíduo, à propriedade e à família, parece estar aceitando com complacência assustadora o genocídio cultural empreendido contra alguns de seus valores mais fundamentais. Recentemente a MSNBC, emissora de TV americana de costumeiras posições de esquerda, tornou público um anúncio sustentando que as crianças pertencem não às suas famílias, mas às "comunidades como um todo". Veja o comentário de Glenn Beck sobre o ocorrido, feito originalmente no dia 4 de Agosto de 2013 ao vivo.

Essa é uma situação com a qual o mundo inteiro deve ficar preocupado. Não é à toa que a América tem sido até hoje saudada como o farol da liberdade. Podemos esperar uma debacle em escala global a partir do momento em que se tornar certa a adesão da América ao programa coletivista. Neste sentido, o impressionante anúncio da MSNBC pode ser encarado como a proclamação de uma nova e obscura era.


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Traduzido e Legendado por:
Valeria Pugliesi-Washington, Karin Lehmann e Ramiro Freire
Agradecimentos a:

Josué Silva Santos, que forneceu suporte técnico à equipe

José Dirceu: “Sou um cubano brasileiro”

Por Carlos I. S. Azambuja

José Dirceu, em setembro de 1988, cinicamente afirmou: “Nunca fui foquista. Participei da luta armada, apoiei, achava que era necessária, mas na verdade nunca acreditei nela como forma de luta” (página 110 do livro “Abaixo a Ditadura”, escrito por ele e por Vladimir Palmeira).

No capítulo “O Último Comboio” do livro “A Revolução Impossível”, de autoria de Luis Mir, editado em 1994 pela Editora Best-Seller, 755 páginas, há as seguintes referências ao reeducando José Dirceu de Oliveira e Silva, o kamarada “Daniel”, que hoje cumpre pena na Papuda e que, anteriormente,  foi militante do PCB, depois da Ala Marighela, depois da Ação Libertadora Nacional, depois do Movimento de Libertação Popular (Molipo, e hoje do Partido dos Trabalhadores.

Na página 613: “Se radicou em Cuba depois de sua saída da prisão na lista dos 15 presos libertados em troca do embaixador norte-americano. Amargou um veto logo na chegada quando pediu o ingresso no treinamento militar e na ALN. O responsável pela organização em Havana, Agostinho Fiordelísio, lhe disse que deveria se integrar ao processo com vagar e não de imediato. Havia restrições de parte da ALN à sua figura desde seu tempo como presidente da União Estadual de Estudantes de São Paulo e candidato a presidente da União Nacional de Estudantes: carreirista e pouco confiável politicamente. Era, o que se chamava na época, de um quadro adormecido, ou seja, à espera do que fazer. Quando foi escolhido para a tarefa, estava inscrito no treinamento militar em Pinar Del Río, num grupo de militantes de várias organizações. É isolado para se dedicar exclusivamente a isso. Apresentado por Alfredo Guevara ao ministro da Defesa Raúl Castro, durante uma solenidade, os dois conversaram muito e marcaram um novo encontro. Começou a relação política e militar entre os dois. José Dirceu teve o acesso franqueado por Raúl Castro a documentos importantes sobre estratégia militar, informação e contra-informação, segurança militar. Finalmente, faz um curso e se torna especialista em questões militares. É essa especialização (e mais o treinamento militar) que o torna habilitado, segundo os internacionalistas cubanos, a viabilizar a entrada do contingente guerrilheiro que retomaria a luta. A transformação em quadro político-militar no aparelho internacionalista cubano surpreende a todos. Nos encontros políticos dos brasileiros, na capital cubana, para discutir a realidade brasileira e a caminhada revolucionária, suas opiniões eram vistas com desdém e as propostas que fazia, todas, eram invariavelmente derrotadas”.

Na página 615, um depoimento do também banido, militante da ALN, Agonalto Pacheco:

“O planejador do novo dispositivo político-militar dentro do Brasil foi José Dirceu, que fez tudo sem a menor base na realidade e a partir de Havana. A organização não tinha condições de receber ninguém, não havia a menor segurança. Tentamos discutir isso com Piñero, Valdes, Herrera (obs: respectivamente, chefe e membros da Inteligência cubana). Não pude falar com Dirceu, que vivia isolado. Todos nós que participamos, cubanos e brasileiros, temos que ter uma visão crítica desse processo, humildade revolucionária para assumir nosso papel e nossos erros”.

Na página 617, prossegue Luis Mir:

“O Grupo dos 28” (obs: ou Grupo Primavera ou Molipo-Movimento de Libertação Popular)“como ficou conhecido, eram 32. Destes, morreram 18 (...). Os sobreviventes são Itobi Alves Corrêa, que segundo Agostinho Fiordelísio estava em pânico quando lhe pede para livrá-lo da viagem ao Brasil (vai para o Chile e depois do golpe militar naquele país se radica em Paris);Vinicius Medeiros Caldevilla, que se recusa a embarcar e consegue permanecer em Cuba trabalhando na Rádio Havana; Luiz Araújo, que inicia a viagem de regresso mas deserta em Argel; Ana Corbisier, que entrou no Brasil e com o massacre que se dá, se refugia num convento de Freiras em Salvador, Bahia, trabalhando numa revista católica e submergida na mais absoluta clandestinidade por cinco anos; José Dirceu, que retornou para Cuba, onde viveria longos anos trabalhando como quadro internacionalista para o governo cubano; um camponês conhecido como Brechu e Natanael de Moura Giraldi”.

Na página 618:

“Agostinho Fiordelísio confirma que o grupo de estudantes paulistas despertou nos dirigentes cubanos algo próximo da euforia: ‘O contingente militar do PCB era, efetivamente, o melhor que a ALN tinha trazido para Cuba. O esquema foi preparado por José Dirceu em menos de seis meses. O planejamento: o grupo entraria no Brasil e começaria a agir imediatamente. Resgataria os quadros que estavam detidos, se necessário com um grande seqüestro e, com a unidade revolucionária consolidada, se iria para o campo’. O Chile de Allende, o primeiro presidente socialista do continente, eleito em setembro de 70, daria a retaguarda política do novo projeto (...)”.

Prossegue Luis Mir: “José Dirceu desembarca no Rio no final de abril de 1971, no exato momento em que o fuzilamento de Marcio Leite Toledo demole a estrutura da ALN” (obs: Marcio Leite Toledo, um quadro da ALN, cursado em Cuba, foi “justiçado” na rua, em São Paulo, em 23 de março de 1971, por seus companheiros). Aproveita a crise pessoal e política dos contrários à execução para convencê-los de que uma retomada, com novos dirigentes e práticas, estava em curso. Hiroaki Torigoi e Silvia Peroba Carneiro Pontes engajam-se na nova travessia. A primeira tarefa encomendada por Dirceu: assaltar um cartório para conseguirem certidões de nascimento e casamento para os militantes que estavam voltando. O assalto, num cartório de Santo André, periferia de São Paulo, foi bem sucedido. José Dirceu retorna a Cuba depois de diversas viagens pelo Brasil para verificar o que sobrara depois da morte de Câmara Ferreira” (obs: dirigente da ALN, morto em dezembro de 1970): “algumas poucas pessoas, aterrorizadas, e um pequeno núcleo de dez militantes comandados por Carlos Eugênio”(Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz, um dos matadores de Marcio Leite Toledo, o último dos comandantes da ALN, que logo depois, em dezembro de 1972, abandonou seus comandados e viajou para Cuba, onde recebeu treinamento armado e, na hora de voltar para o Brasil, desertou, indo viver em Paris até a Anistia), “isolados e sem capacidade militar ou operacional. Apesar disso, seu relatório, feito em Havana, é otimista: a entrada do grupo teria boas condições de segurança. O momento em que os encarregados de reorganizar o movimento revolucionário voltam ao Brasil era o pior possível, segundo Carlos Eugênio: ‘Vivíamos acesos 24 horas por dia. Não tínhamos tempo de pensar em nada mais que não fosse a sobrevivência. Os militantes da ALN descobriram que havia uma nova organização revolucionária durante o assalto à Ericsson. Numa ação conjunta do GTA (Grupo Tático Armado) e do grupo Frente de Massas, dois grupos chegam quase que simultaneamente. Todos velhos conhecidos. Os “outros” eram os recém-chegados do Molipo”.

“Lídia Guerlanda rememora o espanto com os recém-chegados e seus planos: ‘O Molipo chegou como se nada tivesse acontecido. Já tinha acontecido, sim, a tragédia. Estávamos assaltando para comer, para sobreviver’”.

“No Presídio Tiradentes, a criação do Molipo provoca reações desencontradas e uma certeza sinistra: seria um grande massacre em curtíssimo prazo (...) De fevereiro a julho de 1971, forma-se um corredor de entrada dos militantes do Molipo através do Chile (...) Outro objetivo: o recrutamento de novos quadros entre os quatro mil exilados brasileiros no Chile, um grande celeiro de quadros (...) Em julho de 1971 Reinaldo Morano faz um balanço estatístico de tempo de sobrevivência na clandestinidade: seis meses”.

Por tudo isso, pode ser dito que o kamarada “Daniel”, embora tenha recebido treinamento armado em Pinar Del Rio e acesso a documentos importantes sobre estratégia militar, informação, contra-informação e segurança militar – facilitados por Raúl Castro -, o que, teoricamente, - contrariamente ao julgamento de seus próprios companheiros - o transformou em um especialista em questões militares, foi o grande responsável pela morte de todos os seus companheiros do Molipo que, seguindo suas ordens, voltaram clandestinamente ao Brasil.

Finalmente, (página 629) “Em 18 de agosto de 1971, viria à luz, em Milão, redigido por Ricardo Zaratini e Rolando Frati, a segunda parte do documento ‘Por uma Autocrítica Necessária’. Uma análise crítica devastadora sobre a luta armada, guevarismo, debraysmo, guerrilha rural e a derrota. Esse debate duraria cerca de dois anos, a partir de uma premissa básica: retornar ao PCB ou formar um novo partido comunista”.

Muitos retornaram ao PCB e outros tantos, como o kamarada “Daniel”, formaram – ou ajudaram a formar – um novo partido: o Partido dos Trabalhadores.

Recordemos que quando de sua posse como ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu depois de elogiar o ditador de Cuba, Fidel Castro, agradeceu seu apoio nos anos 70, quando o comandante o abrigou. Dirceu dedicou parte de seu pronunciamento para lembrar episódios da sua geração. Em tom nostálgico, disse que suas primeiras palavras seriam para aqueles que lutaram com ele e não puderam ver a posse de Lula.

No início de Abril de 2003, José Dirceu voltaria ao assunto, declarando que a geração que chegou ao poder com o presidente Lula deve muito a Cuba. Lembrou que nos anos do regime militar a esquerda teve a solidariedade de Cuba com “sua mão amiga e seu braço forte”. “A geração que chegou ao poder com Lula é devedora de Cuba. E me considero um brasileiro-cubano e um cubano-brasileiro”.


Fonte: Alerta Total


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Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

Pivô da Lava Jato, doleiro Youssef cogita delação premiada

Por VEJA

Colaborar com a Justiça poderia reduzir sua pena. Em VEJA desta semana, contadora de Youssef desnuda esquema de corrupção

O doleiro Alberto Youssef
O doleiro Alberto Youssef (Folhapress/VEJA)
Alvo de doze processos e pivô do esquema bilionário de corrupção desbaratado pela Operação Lava Jato da Polícia Federal, o doleiro Alberto Youssef já emitiu ao Ministério Público sinais de que estaria disposto a fazer um acordo de delação premiada para livrar-se da cadeia. As informações são do jornal Folha de S. Paulo. Youssef utilizou-se do mesmo expediente anos 1990, quando foi protagonista do escândalo Banestado – e conseguiu ficar em liberdade. Entre seus clientes no esquema de desvios da Lava Jato estão as maiores empreiteiras do país, parlamentares notórios e três dos principais partidos políticos. Em VEJA desta semana, Meire Poza, a contadora de Youssef, revela detalhes do esquema de propina. Nas últimas três semanas, a Meire prestou depoimentos à Polícia Federal. Ela está ajudando os agentes a entender o significado e a finalidade de documentos apreendidos com o doleiro e seus comparsas.

Durante três anos, Meire manuseou notas fiscais frias, assinou contratos de serviços inexistentes, montou empresas de fachada, organizou planilhas de pagamento. Ela deu ares de legalidade a um dos esquemas de corrupção mais grandiosos desde o mensalão. Meire sabe quem pagou, quem recebeu, quem é corrupto, quem é corruptor. Conheceu de perto as engrenagens que faziam girar a máquina que eterniza a mais perversa das más práticas da política brasileira. A contadora confirma que parlamentares como o deputado André Vargas (PT-PR) e o senador Fernando Collor (PTB-AL) se aliaram ao doleiro em um esquema de lavagem de dinheiro que tinha prefeituras petistas como uma de suas principais fontes de recursos. Ela também relatou como empreiteiras que mantém contrato com estatais e órgãos públicos repassavam dinheiro para o esquema.

A investigação dos negócios de Youssef levou para a prisão um poderoso ex­diretor da Petrobras, revelou detalhes de transações ilícitas tramadas nos gabinetes da estatal e está desatando um nó que amarra empreiteiras acostumadas a pagar "comissões" por contratos milionários a políticos que recebem para garantir que esses contratos se viabilizem. Youssef era o ponto de contato entre esses interesses. Através de uma rede de empresas que só existiam no papel, ele recolhia dinheiro das empreiteiras e repassava parte dele a partidos, políticos e funcionários públicos.

O doleiro e sua equipe de advogados avaliam que não há defesa técnica possível contra as provas que a PF já levantou contra ele, Paulo Roberto Costa (ex-diretor da Petrobras) e cerca de quinze empreiteiras. Segundo a Folha, os advogados avaliam que só restam a Youssef duas alternativas: tentar tirar do caso o juiz Sérgio Moro, linha-dura, ou remover os processos do Paraná, onde a Lava Jato foi deflagrada. As duas hipóteses, porém, são remotas – o Supremo Tribunal Federal já decidiu que o processo seguirá no Paraná. Logo, a delação serviria para, ao menos, reduzir a pena do doleiro, que pode ultrapassar cem anos de prisão. A dificuldade nesse caso é que a credibilidade do doleiro é considerada zero pela Justiça, uma vez que Youssef não revelou tudo o que sabia no caso do Banestado – e ainda descumpriu a promessa feita aos promotores de que não atuaria mais no mercado de câmbio.



Três políticos no bolso de Youssef

“O André Vargas ajudou o Beto a lavar 2,4 milhões de reais. Como pagamento, ele ganhou uma viagem de jatinho. Eu mesma fiz o pagamento”

Deputado André Vargas (sem partido)

“O Beto fez os depósitos para o ex-presidente Collor a pedido do Pedro Paulo Leoni Ramos (ex-auxiliar do senador e também envolvido com o doleiro). Ele guardava isso como um troféu”

Senador Fernando Collor (PTB)

“O Vacarezza precisava pagar dívidas de campanha. Um assessor dele me procurou em 2011 para apresentar um negócio com fundos de pensão no Tocantins”

Deputado Cândido Vacarezza (PT)

O BRASIL ACABOU?

Por Luis Dufaur
Evaristo Eduardo de Miranda - Coordenador do GITE, EMBRAPA - Paulistano, agrônomo, tem mestrado e doutorado em ecologia pela Universidade de Montpellier (França). Com centenas de trabalhos publicados no Brasil e exterior, é autor de 35 livros. Pesquisador da Embrapa, ele já implantou e dirigiu três centros nacionais de pesquisa. Atualmente, é o coordenador do Grupo de Inteligência Territorial Estratégica – GITE da EMBRAPA.
Em 25 anos, o Governo federalizou quase 35% do território nacional destinando-o a unidades de conservação, terras indígenas, comunidades quilombolas e assentamentos de reforma agrária.

Sem planejamento estratégico adequado, esse conjunto de territórios resultou essencialmente da lógica e da pressão de diversos grupos sociais e políticos, nacionais e internacionais.

Agora, o país está diante de um desafio de gestão territorial, gerador de conflitos cada vez mais agudos, conforme mostram os dados reunidos pelo Grupo de Inteligência Territorial Estratégica – GITE da EMBRAPA (FIG. 1).

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Segundo o Ministério do Meio Ambiente, até outubro de 2013, 1098 unidades de conservação ocupavam 17% do Brasil.

Aqui, na maioria dos casos, as unidades de conservação excluem a presença humana, enquanto na Europa, Ásia e Estados Unidos pode haver agricultura, aldeias e diversas atividades nos parques nacionais, sem evocar a ampla visitação turística (FIG. 2).

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Nas unidades de conservação, a legislação ambiental brasileira ainda define no seu entorno externo uma zona de amortecimento onde as atividades agrícolas (e outras) são limitadas por determinações da gestão da unidade de conservação (proibição de transgênicos, de pulverizar com aviação agrícola etc.).

A largura dessa zona é variável. Estimativas por geoprocessamento avaliam o seu alcance territorial entre 10 a 80 milhões de hectares adicionais (1 a 9% do Brasil), dependendo da largura dessa faixa que pode variar entre as unidades de conservação e mesmo ao longo do perímetro de uma única unidade (FIG. 3).

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Segundo a FUNAI, 584 terras indígenas ocupam aproximadamente 14% do território nacional. Reunidas, essas duas categorias de áreas protegidas, eliminando-se as sobreposições, ocupam 247 milhões de hectares ou 29% do país (FIG. 4).

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Com quase 30% de áreas protegidas (unidades de conservação e terras indígenas), o Brasil é o campeão mundial da preservação (FIG. 5).


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Segundo a International Union for Conservation of Nature (IUCN), os 11 países com mais de dois milhões de quilômetros quadrados existentes no mundo (China, EUA, Rússia etc.) dedicam 9% em média de seus territórios às áreas protegidas (FIG. 6).

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A atribuição de terras pelo Governo Federal não acaba por aí.

Sob a responsabilidade do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) existem 9.128 assentamentos, de diversas naturezas e estágios de implantação (FIG. 7).

Eles ocupam 88,1 milhões de hectares, ou seja, 10,2% do Brasil ou 14,4% do que resta quando descontado o território já atribuído às áreas protegidas.

Essa área equivale a quase o dobro da cultivada atualmente em grãos no Brasil, responsável por cerca de 190 milhões de toneladas na última safra.

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Pelos dados do INCRA e da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, as 268 áreas quilombolas decretadas ocupam cerca de 2,6 milhões de hectares (FIG. 7). No conjunto mais de 290 milhões de hectares, 34% do território nacional, estão atribuídos.
O mapa do Brasil com mais de 11.000 áreas atribuídas, essencialmente pelo Governo Federal, impressiona e permite visualizar a complexidade da situação atual (FIG. 8).

Esse mapa ilustra o tamanho do desafio de gestão territorial e fundiária. Cada uma dessas unidades pede um tipo de gestão, avaliação e monitoramento específicos e transparentes.

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O Governo Federal continuará atribuindo-se mais e mais extensões de terra que, na maioria dos casos, sairão do controle dos estados e municípios.

Há Estados em que boa parte de seu território já foi “federalizada” por decretos federais de atribuição de áreas que estarão por muito tempo sob o controle de órgãos e instituições federais.
Além das áreas já atribuídas, existem milhares de solicitações adicionais para criar ou ampliar mais unidades de conservação, terras indígenas, assentamentos agrários e quilombolas. Cada vez mais, as novas áreas reivindicadas já estão ocupadas pela agricultura e até por núcleos urbanos.

Esse quadro complexo de ocupação e uso territorial representa um enorme desafio de governança fundiária e envolve conflitos graves, processos judiciais, impactos sociais e implicações econômicas significativas.
Além das demandas adicionais desses grupos, minorias e movimentos sociais, todos com sua lógica e legitimidade, há ainda a necessidade de compatibilizar essa realidade territorial com crescimento das cidades, com a destinação de locais para geração de energia, para implantação, passagem e ampliação da logística, dos meios de transportes, dos sistemas de abastecimento, armazenagem e mineração.

O país campeão da preservação territorial exige que os agricultores assumam o ônus de preservar porções significativas no interior de seus imóveis rurais, como reserva legal ou áreas de preservação permanente, num crescendo que pode começar com 20% e chegar a 80% da área da propriedade na Amazônia.

A repercussão do crescimento do preço da terra no custo dos alimentos é apenas um dos reflexos dessa situação.
Como disse Maurício Lopes, presidente da Embrapa, em artigo no Correio Brasiliense (8/6/2014), os pesquisadores brasileiros estão cientes de que somente sistemas de gestão territorial estratégicos poderão garantir a compreensão do potencial e dos limites da base de recursos naturais e dos processos de uso e ocupação das terras.

E ajudar a superar esse grande e inédito desafio de inteligência territorial. Mas, só pesquisador não basta.