segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Eterna permanência no poder

Por Milton Pires

Não deixa de ser cômico e, acima de tudo, trágico que os últimos meses do governo petista no Brasil sejam marcados por uma crítica contundente dos rumos da economia nacional. Reparem que o incipiente movimento de oposição, fazendo uma força imensa para nascer, apega-se imediatamente àquilo que do ponto de vista revolucionário é, nesse momento, menos significante - a Economia.

Não poderia ser mais irônico observar que os chamados liberais ou "libertários" que agora se opõem ao PT cometem exatamente o mesmo erro dos militares que, a partir de 1964, deixaram nossa cultura a mercê de um projeto gramsciano que colheu seus frutos em 2003. É esse o fato que explica posições capazes de sustentar, ao mesmo tempo, o "Estado Mínimo" e o casamento gay, o fim das cotas raciais mas a liberação do aborto, a continuação do Programa Mais Médicos e a derrubada do decreto 8243..e por aí vai...

Essa é, meus amigos, a verdadeira confusão, a verdadeira salada de frutas, que tomou conta do pensamento dos que pretendem opor-se ao Partido-Religião no Brasil e o singelo objetivo desse artigo é, simplesmente, alertá-los para o fato de que permanece atenta a essas contradições toda a inteligência petralha que vai debochar dos adversários nas eleições de outubro.

Quando se pensa no movimento revolucionário é preciso, antes de tudo, atentar-se para uma silenciosa unidade do discurso... para uma coerência, muito discreta e ao mesmo tempo muito poderosa, que é capaz de reduzir ao ridículo e designar como retrógrada ou conservadora tudo aquilo que se opõem ao seu projeto de poder.

Afirmo que existe, dentro de cada manifestação sobre economia, de cada projeto na área da saúde ou na educação, uma linguagem comum... Uma codificação poderosa capaz de funcionar como uma espécie de cola que "gruda de maneira perfeita" tudo aquilo que precisa chegar até a população comum. São nesses momentos que se torna possível perceber o marxismo como aquilo que chamei de cosmovisão... como uma maneira muito específica de entendimento da realidade e que se debruça sobre ela (realidade) antes de tudo como uma linguagem moral... como uma poderosa crítica do ethos supostamente ausente nas sociedades capitalistas ou, como preferem os revolucionários tupiniquins, "neoliberais".

Venho, recentemente, manifestando minha preocupação naquilo que diz respeito a essa falta de coragem, a essa incapacidade crônica de apresentar-se como um adversário ideológico e não somente eleitoral do PT no Brasil. Percebo na classe política um medo imenso... uma covardia infinita que torna impossível a mínima discordância no que vem sendo santificado... naquilo que vem sendo dogmatizado e apresentando à sociedade como sendo praticamente inerente ao seu tecido moral.

Tantos foram os anos de "bolsas"... tantas foram as ONGS e tão inúmeras as "inclusões sociais" que praticamente impossível tornou-se questionar sua mera continuidade... São, como se diz na linguagem popular, coisas que "vieram ficar"... "avanços sociais" ou "conquistas das classes oprimidas"que candidato algum ousa dizer abertamente que vai extinguir... "Não pode"... é "burrice"... é "perder voto" ... e assim por diante - desculpas e mais desculpas por parte daqueles que querem em primeiro lugar eleger-se e, só depois e se necessário for, dizer definitivamente o que vem fazer no governo.

Mais de uma vez eu já disse a vocês que não sei em quem vou votar... Não sei sequer se vou votar em alguém mas sei, antes de tudo, em quem NÃO vou votar: não pretendo dar meu voto a nenhum relativista de última hora... a nenhum adepto da teoria de que "o inimigo do meu inimigo é meu amigo" e a nenhum apóstolo do pragmatismo que repete como um papagaio - "o importante é tirar o PT"...

Tirar o PT de onde, meus amigos? Do governo ou do poder? A preocupação de vocês é com o governo? Acalmem-se: algo me diz que esses próprios bandidos estão, eles mesmos, convencidos das vantagens de afastar-se do Palácio do Planalto em 2015 e entregar o Brasil destruído economicamente ao PSDB, mas se a ideia de vocês diz respeito àquilo que me interessa (a luta pelo poder) aí a coisa muda de figura.

Querem isso? Preparem-se para dizer não inclusive às pessoas de sua convivência diária no que diz respeito ao senso comum, ao politicamente correto e à covardia nacional que hoje nos caracteriza como brasileiros.

Aprendam a diferença e preparem-se para pagar o preço sentindo antes de tudo a solidão dos considerados loucos... dos paranoicos e dos obcecados que discordam de Reinaldo Azevedo bradando em público que vamos todos rumo a uma ditadura comunista.

Governo e Poder não são a mesma coisa e o PT sabe perfeitamente a diferença entre os dois. Conhece tanto e tão bem esse assunto que já é capaz de aceitar o eterno revezamento no governo com os picaretas do PSDB e garantir, para sempre, sua eterna permanência no poder.


Fonte: Alerta Total
  

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Milton Simon Pires é Médico.

Gravações comprovam CPI da Petrobras foi uma grande farsa


“Viva o irresponsável eleitor”

Por Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

Breve, escolheremos o nosso futuro.
 
Infelizmente, quando falamos sobre o nosso futuro, a decisão será de uma maioria inconsequente que decretará, segundo a mídia, a força do desgoverno, num regime que preservará incólume um bando de cretinos.

É difícil para quem pode prever que poderemos mergulhar na ideologia comunista, aceitar semelhante desgraça, contudo, o povaréu assim o deseja, com fervor, pelas bolsas, pela ausência de cidadania, pelo apego aos corruptos, por louvar a impunidade e pela total falta de vergonha.

Muitos poderão rebater nossas considerações, porém basta analisar superficialmente o que ocorre em nossa nação para verificar que tudo é possível, inclusive o êxito da incompetência.

Breve, teremos as propagandas eleitorais, em especial para a presidência da República, e ficamos um tanto assustados ao lembrar quais serão os pontos destacados pela atual gestora para sublinhar a excelência dos inúteis anos de seu desgoverno.

Quais feitos, quais obras serão festejadas? E a economia que vem descendo a ladeira aceleradamente? 
        
Porém, apesar de nulas realizações, sabe-se lá se a dita não será reeleita?

Homenageando a irresponsabilidade, não vamos longe, citaremos o ex - governador Roberto Arruda.

Recordamos que anos atrás assistimos ao Arruda, então Senador da República jurar em nome de seus filhos, que não havia feito uma escandalosa patifaria no Congresso Nacional. Acho que foi numa sexta - feira, quando jurando a sua inocência, ele chorou e comparou a sua verdade com a felicidade de seus filhos.

Na outra sexta, o mesmo homem, jurando arrependimento, ainda em nome de seus filhos, desta feita confessava que havia feito o que na sexta anterior jurara não ter feito.

Lembro que na segunda, uma TV com seu repórter, em frente ao Conjunto Nacional em Brasília, entrevistava as pessoas do povo que se dirigiam para os seus trabalhos e perguntava” O que você pensa do Senador Arruda?”.

Pasmem, mas a grande maioria alegava que era um “grande homem”.

Aparentemente, poucos haviam visto os seus duplos e deprimentes chorosos juramentos.

Passados alguns anos, ele foi eleito governador do DF. É incrível, mas tudo é verdade na terra da impunidade.

No decurso de sua gestão, ficamos abismados ao ouvir discursos e entrevistas do governador, sempre respondendo com agressividade, como senhor de si, prepotente em relação aos demais viventes.

Até que vimos a corrupção de seu governo, assessores e asseclas recebendo dinheiro, guardando vultosas quantias nos bolsos, nas meias, e, inclusive assistimos ao governador, pessoalmente, recebendo dinheiro.

Provavelmente, por interesse do próprio desgoverno federal, ele e muitos assessores e membros de seu governo foram afastados. Presos? Condenados?

Foram pelo monumental escândalo, alijados do cenário político, pelo menos, parcialmente, pois já estão de volta.

Poucos anos se passaram, e agora recebemos o último levantamento das intenções de votos para o próximo governo do DF.

Adivinhem quem está na frente da pesquisa? O magnífico Arruda.

Portanto, este desabafo como milhares de outros pode ser jogado, não na lixeira, mas no vaso sanitário, pois apesar de milhares de alertas, o irresponsável eleitor gosta de chafurdar na M... e, portanto, está pronto para eleger os que mais poderão anular o eterno País do futuro. Lamento, mas é a mais pura verdade.

Assim, para a minha salvaguarda, “que viva o atual desgoverno, salve o melífluo metamorfose, adoremos o poste sem luz, louvemos o comunismo, cultuemos o Foro de São Paulo”, e perdoem a minha modesta pessoa que poderá cair na má vontade da cretinice, que como ficou provado, pode fazer o que quiser com quem quiser. O Santander que o diga.



domingo, 3 de agosto de 2014

Os pinóquios do Hamas fazem sucesso no Brasil


O MEMRI traduziu do árabe para o francês (que verto aqui para o português) um documento de extremo interesse para quem acompanha o conflito entre o Estado de Israel e os terroristas do Hamas, que controlam o território de Gaza, fazendo do povo palestino uma vítima das conhecidas barbáries perpetradas pelo fundamentalismo islâmico travestido de “resistência”:

MENSAGEM PARA OS ATIVISTAS DO FACEBOOK NO SITE DO MINISTÉRIO DO INTERIOR DO HAMAS

EXCERTOS DAS DIRETRIZES DO DEPARTAMENTO:

Toda pessoa morta ou caída como mártir deve ser chamada de “civil de Gaza ou Palestina”, antes de especificar o seu papel na Jihad ou posto militar. Não se esqueçam de sempre acrescentar as palavras “civis inocentes” ou “inocentes”, referindo-se às vítimas dos ataques de Israel em Gaza.

Comecem [seus relatórios sobre] as ações de resistência pela expressão “em resposta ao cruel ataque israelense” e concluam com a frase: “essas numerosas pessoas são mártires desde que Israel lançou sua agressão contra Gaza.” Sempre se certifique de manter o princípio: “o papel da ocupação é atacar, e nós na Palestina estamos sempre no modo reativo.”

Tenham cuidado para não espalhar boatos de porta-vozes israelenses, especialmente aquelas que afetam o front interno. Cuidado para não adotar a versão [dos acontecimentos] da ocupação. Vocês devem sempre emitir dúvidas [sobre a versão deles], refutá-la e considerá-la como falsa.

Evitem postar fotos de ataques de foguetes sobre Israel a partir dos centros da cidade de Gaza. Isso [serviria] de pretexto para atacar áreas residenciais da faixa de Gaza. Não publiquem ou não partilhem fotografias ou clipes de vídeo mostrando locais de lançamento de foguetes ou [as forças] do movimento de resistência na faixa de Gaza.

Para os administradores de páginas de informações no Facebook: não publiquem fotos de homens mascarados com armas pesadas em grande plano, para que sua página não seja fechada [pelo Facebook] sob o pretexto de incitamento à violência. Em suas informações, certifique-se de especificar: “os obuses localmente manufaturados usados pela resistência são uma resposta natural à ocupação israelense que deliberadamente dispara foguetes contra civis na Cisjordânia e em Gaza”…

Além disso, o Ministério do Interior preparou uma série de sugestões destinadas aos ativistas palestinos que interagem com os ocidentais através das mídias sociais. O Ministério sublinha que essas conversas devem diferir das trocas com outros árabes:

Quando vocês falam para o Ocidente, devem usar um discurso político, racional e convincente e evitar o palavreado emotivo choramingas da empatia emocional. Alguns ao redor do mundo estão dotados com uma consciência; vocês devem manter contato com eles e usá-los em benefício da Palestina. O papel deles é provocar vergonha pela ocupação e expor suas violações.

Evitem entrar numa discussão política com um ocidental para convencê-lo de que o Holocausto é uma mentira e uma enganação; por outro lado, associe-o aos crimes de Israel contra civis palestinos.

A narrativa da vida em comparação com a narrativa do sangue: [falando] para um amigo árabe, comecem com o número de mártires. [Mas falando] para um amigo ocidental, comecem com o número de mortos e feridos. Certifiquem-se de humanizar o sofrimento palestino. Tentem retratar o sofrimento dos civis em Gaza e na Cisjordânia durante as operações da ocupação e seus bombardeios de cidades e vilas.

Não postem fotos dos comandantes militares. Não mencionem seus nomes em público, não louvem os sucessos deles nas conversas com amigos estrangeiros! [1]

A “Mensagem para os ativistas do Facebook” postada no site do Ministério do Interior do Hamas revela com clareza que esse grupo terrorista possui uma estratégia de propaganda digna de um Josef Goebbels, mesclada, contudo, a uma ingenuidade que chega a ser infantil (Goebbels jamais divulgava publicamente suas estratégias de propaganda), que a torna ainda mais fascinante para os que sofrem de esquerdismo, essa “doença infantil do comunismo” (nas famosas palavras de Lenin) e que adotam a estratégia proposta pelos terroristas islâmicos mesmo sabendo tratar-se de mentiras puras, distorções da verdade e falsificação dos fatos.

Especialmente no Brasil a estratégia perversa do Hamas alcançou um alto índice de popularidade junto à população letrada, sendo adotada por toda a esquerda idiotizada pela ideologia (a “falsa consciência”, na célebre definição de Marx), pelas “mídias independentes” e muito frequentemente pelas mídias de consumo, e agora até pelo próprio governo. Numa nota divulgada a 23/07/2014, o Itamaraty fez um de seus pronunciamentos mais lamentáveis, igualmente digno de Josef Goebbels:

O Governo brasileiro considera inaceitável a escalada da violência entre Israel e Palestina. Condenamos energicamente o uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza, do qual resultou elevado número de vítimas civis, incluindo mulheres e crianças. O Governo brasileiro reitera seu chamado a um imediato cessar-fogo entre as partes. Diante da gravidade da situação, o Governo brasileiro votou favoravelmente a resolução do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas sobre o tema, adotada no dia de hoje. Além disso, o Embaixador do Brasil em Tel Aviv foi chamado a Brasília para consultas. [2]

Mais uma vez, por obra desse governo, o Brasil se viu exposto ao ridículo e ao vexame mundiais. Quer dizer então que um país em eterna guerra civil, onde a cada ano 50 mil pessoas morrem assassinadas, incluindo mulheres e crianças, quer se alçar como árbitro de um conflito externo sobre o qual nada entende? Chamar o embaixador do Brasil em Tel-Aviv para consultas?! O Brasil quer romper relações diplomáticas com Israel? Já fomos promovidos ao status da Venezuela?

A Chancelaria de Israel respondeu à altura: “Esta é uma lamentável demonstração de por que o Brasil, um gigante econômico e cultural, continua a ser um anão diplomático. O relativismo moral por trás deste movimento faz do Brasil um parceiro diplomático irrelevante, que cria problemas ao invés de contribuir para soluções.”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Yigal Palmor [3], que ironizou a derrota brasileira na Copa como exemplo de desproporcionalidade, explicando que a guerra não é uma partida de futebol, e que só não há centenas de mortos em Israel porque esse país construiu um sistema anti-mísseis eficiente, e não se desculpará por isso. [4]

O embaixador brasileiro respondeu dizendo em tom bovino que seu país reconhecia o direito de defesa de Israel, mas não aceitava a desproporção das mortes palestinas. Ou seja, Israel pode se defender dos ataques terroristas palestinos desde que morra de seu lado um número igual ou próximo. Infelizmente, Israel zela pela vida e pela segurança de seus cidadãos e, por isso, não pode oferecer centenas de mortos para satisfazer o senso de proporcionalidade dos antissemitas.

A posição alucinada do Itamaraty foi criticada pela CONIB (Confederação Israelita do Brasil) e pela ANAJUBI (Associação de Advogados Brasil-Israel), mas louvada, é claro, na Faixa de Gaza: “O Brasil é melhor do que os países árabes, como o Egito, que não fazem nada”, reportou o correspondente Diogo Bercito da Folha de S. Paulo [5]. Estamos mal mesmo, nos alinhando com os terroristas palestinos que nem os países árabes apoiam mais, e seguindo à risca as diretrizes dos Pinóquios do Hamas…


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Fontes:
[1]: http://www.memri.fr/2014/07/22/directives-du-ministere-de-linterieur-du-hamas-aux-activistes-en-ligne-parlez-toujours-de-civils-innocents/
[2]: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/07/1490447-israel-repudia-critica-do-brasil-sobre-bombardeios-na-faixa-de-gaza.shtml?cmpid=%22facefolha%22
[3] http://www.jpost.com/Operation-Protective-Edge/Brazil-recalls-ambassador-for-consultations-in-protest-of-IDF-Gaza-operation-368715
[4]: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/07/porta-voz-de-israel-reage-e-afirma-que-desproporcional-e-7-1.html

[5]: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/07/1490447-israel-repudia-critica-do-brasil-sobre-bombardeios-na-faixa-de-gaza.shtml?cmpid=%22facefolha%22

SANTANDER E O CONTROLE DA OPINIÃO PÚBLICA


Foi pior o “nove a um”

Por Ernesto Caruso

Ficou na memória a derrota por 7 a 1 diante da seleção alemã, mas futebol é futebol, facilmente superado, Felipão que o diga. Dunga padeceu um pouco mais...

O pior na arena jurídica ficou abafado pelo insucesso nos gramados. O resultado acachapante a favor da Papuda no Supremão é página virada por outros escândalos petistas.

Em foco, cumpre ou não cumpre a penalidade por parte da “não quadrilha” do mensalão. Como diria o comentarista, a regra é clara como se lê na Lei de Execução Penal, artigo 37, “A prestação de trabalho externo, a ser autorizada pela direção do estabelecimento, dependerá de aptidão, disciplina e responsabilidade, além do cumprimento mínimo de 1/6 (um sexto) da pena.”.

Mas, como não estamos no inferno alemão... E o que é inferno alemão? Ilustra relembrar: dois brasileiros morrem e lhes é concedida a opção de escolher entre o inferno brasileiro e o alemão. A pena diária no brasileiro é tomar duas taças de excremento todo dia e no alemão só uma. O mais esperto escolheu o brasileiro. Após o cumprimento da pena, se encontraram na pergunta de como foi o sacrifício. Cabisbaixo e a expressão de sofrimento, o que ficou no alemão quase não podia falar e, com ânsia recorda a rotina de na mesma hora e todo dia ingerir a dose intragável. Já o outro, alegre e faceiro exclama que nunca o fizera apesar da cota em dobro... duas taças.

O mais sofrido, feição contraída, pergunta o porquê de tamanha euforia. Resposta na ponta da língua; nunca tomei dessa poção; um dia a taça quebrou, no outro o guarda faltou, no seguinte, o produto não foi entregue, sumiu a chave da despensa, inquéritos e sindicâncias, licenças, greve, feriados...

“Dura lex sed lex!” Só que não se cumpre. 
 
Assim, ficou decidido que o ex-ministro da Casa Civil interno da Papuda pode trabalhar fora. Foi acolhido o recurso e alterada a decisão do ministro presidente da Corte, Joaquim Barbosa prevalecendo que o preso no regime semiaberto não precisa cumprir um sexto da pena.

Segundo o novo relator, ministro Roberto Barroso, o entendimento predominante nos tribunais locais e no STJ é de que a restrição de cumprimento de um sexto da pena não se aplica aos presos no semiaberto.  Os estados não possuem colônias agrícolas, industriais ou assemelhadas para trabalho dos condenados. Lembram-se do inferno?

No geral, a falta de condições de trabalho proporcionadas pelos estados aos apenados foi o argumento fundamental para o não cumprimento da lei. Daí se entende que a incompetência na gestão pública gera jurisprudência. Isso, no Brasil carente de tudo, em especial na educação que poderia contar com livros, cadernos, carteiras, uniformes, produtos da indústria de pequeno porte, misto de estabelecimento penal.

Na outra cancha, votou o ministro Celso de Mello ressaltando que o trabalho externo em regime semiaberto deve ser excepcional e, para sua concessão, o sentenciado deve atender ao requisito de cumprimento de um sexto da pena. Nove a um. Placar triste de ver. Vaia à Papuda e aos papudos.

Mas, não só o STF vive preso às amarras políticas. O Tribunal de Contas da União também. São nove ministros indicados pelo Presidente da República, sendo 1/3 escolhido pelo próprio e 2/3 pelo Congresso Nacional, a quem compete a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial das unidades dos poderes da União.

Ou seja, uma indicação sob a célebre expressão possuir “notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou de administração pública;”.

Eis que a então presidente do Conselho da Petrobras, Dilma Roussef, foi inocentada graças ao T.C.U., no segundo relatório, pois que o primeiro o tinha responsabilizado pelo desfalque. 



O Decreto 8.243 - Análise Jurídica e Constitucionalidade
A Reforma Política proposta pelo PT é GOLPE



Bene Barbosa, Movimento Viva Brasil, defende o fim do Estatuto do Desarmamento


Aquarela do Brasil
By Perpetuum Jazzile


sábado, 2 de agosto de 2014

Planalto pode ser impedido de editar Wikipédia


WikipediaÀs vésperas das eleições, enciclopédia liga radar para que artigos de candidatos não sejam editados de maneira tendenciosa durante campanha.

Nesta semana, o jornal Folha de S. Paulo revelou que computadores instalados no Palácio do Planalto, sede do governo federal em Brasília, foram usados para editar artigos de políticos na Wikipédia – precisamente, a página do candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, que citava suspeitas de corrupção, foi alterada por servidores federais. As mudanças foram realizadas no ano passado, antes do início da campanha, mas o serviço colaborativo já se prepara para a enxurrada de edições tendenciosas que tradicionalmente ocorrem às vésperas de eleições, criando "perfis-pinóquio" de candidatos. A ação, que é comum no Brasil e exterior, é repelida por um exército de editores, que ao primeiro sinal de conflito de interesses reedita um texto na enciclopédia virtual. Em caso de reincidência, a Wikipédia não perdoa e bloqueia por tempo determinado o endereço IP (sequência de números que identifica um dispositivo em uma rede local ou pública) responsável pela mudança no termo.

Na prática, os computadores instalados no Palácio do Planalto podem ser impedidos de editar artigos da enciclopédia, caso a comunidade identifique alterações tendenciosas, que geralmente exaltam qualidades e omitem fatos de interesse público. Nos Estados Unidos, por exemplo, uma faixa de IPs da Câmara dos Deputados foi bloqueada por dez dias depois que a Wikipédia identificou que computadores da sede do governo americano tinham vandalizado artigos. Na ocasião, a página sobre a teoria da conspiração que diz ser falso o Programa Apollo e sua chegada à Lua, acusava o governo de Cuba de espalhar os boatos.

Segundo Katherine Maher, diretora de comunicação da Fundação Wikimedia, gestora da Wikipédia, o dono do IP em questão — o governo americano, no caso — já tinha sido notificado sobre as edições inapropriadas. Como aviso, o endereço chegou a ser bloqueado por um dia. As alterações continuaram a acontecer mesmo depois do alerta e, como castigo, a enciclopédia cancelou por dez dias qualquer edição feita a partir de um IP da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos. “A decisão partiu de um membro da comunidade Wikipédia em inglês. São eles que tomam as decisões com base nas políticas editoriais e só bloqueiam um acesso em casos extremos”, explicou a executiva ao site de VEJA.

Lucas Teles, estudante de medicina de 28 anos, é um dos administradores da Wikipédia em português. Teles vive em Salvador (BA) e desde 2008 colabora com a enciclopédia. “As edições tendenciosas acontecem com frequência. O que não é comum é identificar a origem do IP responsável pela mudança”, explica. De acordo com Teles, muitos endereços já foram bloqueados no Brasil por causa dessas alterações. “Caso recente é o do ex-senador mineiro Clésio Andrade (PMDB). Um IP relacionado ao político foi identificado por fazer mudanças sensíveis no artigo e isso fez com que o endereço fosse bloqueado por 45 dias”, conta Teles.

Katherine afirma que as políticas de edições variam de idioma para idioma, mas na maioria dos casos é proibido que um usuário edite seu próprio artigo ou que pessoas próximas a ele façam o mesmo. O objetivo, diz a diretora, é evitar conflito de interesse. “Claro que nem todos seguem à risca essa regra editorial. É por isso que de tempos em tempos vemos políticos alterando suas próprias páginas. Historicamente, o tiro sempre sai pela culatra quando um parlamentar, uma empresa ou celebridade tentar melhorar a sua imagem na Wikipédia. Os editores reeditam o artigo e a imprensa publica reportagens sobre a manobra”, diz a porta-voz da enciclopédia.

Para evitar que computadores instalados em sedes do governo sejam usados para modificar de forma inapropriada artigos na Wikipédia, programadores independentes criaram robôs que atualizam perfis no Twitter a cada alteração feita a partir de um IP do governo. “Essas contas já funcionam nos Estados Unidos, Rússia e Grã-Bretanha. Nada impede que alguém crie uma solução similar ao @congressedits para monitorar as edições feitas a partir do congresso ou senado brasileiros”, explica Katherine. E foi o que aconteceu dias após a revelação das edições do Planalto. A conta @brwikiedits no Twitter já está no ar e IPs do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), que fornece serviços de TI ao governo, são fiscalizados diariamente e publicados no microblog. 

Oona Castro, consultora do Programa Catalisador da Wikimedia no Brasil, explica que funcionários de empresas, relações públicas de celebridades e assessores de políticos de todos os níveis da federação tendem a editar artigos na enciclopédia. “Se uma dessas pessoas edita uma página de maneira isenta, não há problema. A questão complica quando interpretam que a Wikipédia é uma plataforma de divulgação e quando querem omitir fatos já reportados em outras fontes ou incluir informações sem referência”, diz Oona.  “Nesses casos, os editores mais experientes e ativos simplesmente reeditam os artigos.”

LULA E AS ELITES


Todos sabemos. Lula tem um problema com as elites. É só ficar solto no palanque, sem texto para ler, e lá vem ele com seu xingamento às elites, para adequar o conteúdo do discurso ao modo vulgar de discursar.

Tudo muito postiço, como nos políticos que usam os pronomes e as concordâncias segundo o auditório. Mas o Lula que quer se descolar das elites é membro aplaudido do seleto grupo! Convive com a elite política e ocupou o topo de sua cadeia alimentar. Tem atuado de modo intenso e rentável como representante da elite das construtoras nacionais. Costuma posar para fotografias e fazer agrados a atletas de elite. Seu partido nasceu no ventre da elite acadêmica do país. Nela e por ela foi concebido e propagado nas salas de aula onde se forma nossa elite intelectual. Mais do que nenhum outro homem público em nossa história foi beneficiado pela ação orquestrada da elite cultural e artística que, quase em uníssono, atuou e continua atuando em seu favor. Como presidente, usou sua prerrogativa para indicar membros aos mais altos cargos das carreiras jurídicas do país, cuja elite, em boa parte, lhe deve favores. Também como presidente, seja de direito, seja de fato, abriu as torneiras dos bancos oficiais para despejar dinheiro bom e barato nas contas bancárias de nossas maiores corporações empresariais. Descobriu, há muito tempo, que bons vinhos, uísques, charutos e lagosta ao Thermidor são mais prazerosos do que vinho de garrafão, cachaça, mata-rato e buchada de bode.

Julgo suficientemente comprovado, com os incontestáveis registros acima, que Lula é peça - e peça importante - da elite nacional. Mas quando ele fala da elite, mesmo como enfeite de discurso, a quem tem ele em mente, como protótipo de seu desprezo? Em quem ele está pensando quando o dedo que deveria apontar para si mesmo se volta para algum canto obscuro e inespecífico na cena brasileira? Não é àquela elite que está muito próxima dele e bem mereceria a desaprovação. As repulsas de Lula recaem sobre uma pequena parcela da elite que não se verga às seduções da corte e não aplaude qualquer tolice pronunciada por quem tenha a caneta turbinada pelo poder.

Essa elite é o obstáculo ainda remanescente aos anseios por hegemonia absoluta sobre a vida brasileira. É aquela parcela da sociedade, de qualquer condição social, mas de elevado valor moral, que não se deixa comprar com favores. Bem menos numerosa do que conviria, ela percebe o grau de rebaixamento e depreciação a que chegou a política nacional e atribui as devidas responsabilidades ao principal comandante dessa política nos últimos 16 anos.


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Percival Puggina (69) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+ e membro da Academia Rio-Grandense de Letras.

Reclamando no banco


Dilma jura que, se todo brasileiro for otimista, a inflação vai ficar mais magra e o PIB mais gordo


Israel X Hamas: A lógica do terror não distingue instalações civis e humanitárias de aparelhos de guerra


Quatro horas! Foi o tempo que durou o cessar-fogo de três dias entre as forças de Israel e as do Hamas, anunciado ontem por Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, e John Kerry, secretário de Estado dos Estados Unidos. Quem violou o acordo? O Hamas. Um destacamento de soldados israelenses foi atacado quando destruía um dos túneis construídos pelo grupo terrorista, atividade permitida nos termos estabelecidos pelo cessar-fogo. Um homem-bomba chegou a ser usado no ataque. Um soldado israelense de 23 anos, Hadar Goldin, foi sequestrado. Na retomada da reação aos ataques do Hamas, Israel bombardeou a cidade de Rafah, e pelos menos 35 pessoas morreram. Como sempre, os extremistas palestinos dizem que eram todos civis.

Eis aí a lógica e a moral do terror. Desde o começo da operação “Margem Protetora”, o Hamas vem se negando sistematicamente a concordar com uma trégua. Violou mesmo uma — humanitária, creiam — para a retirada de feridos. Na minha coluna de hoje, na Folha, aponto a delinquência intelectual e moral dos que ignoram o conteúdo do Estatuto do Hamas e tratam um grupo terrorista como se fosse mera organização de resistência. Lá está escrito, entre outras barbaridades: “A hora do julgamento não chegará até que os muçulmanos combatam os judeus e terminem por matá-los. E mesmo que os judeus se abriguem por detrás de árvores e pedras, cada árvore e cada pedra gritará: ‘Oh! Muçulmanos, Oh! Servos de Alá, há um judeu por detrás de mim, venham e matem-o”.

Torno público o conteúdo de um e-mail, de autoria de um médico que trabalha em Israel, que chegou a este jornalista. Prestem atenção:

“Não creio que os jornais brasileiros descrevam com detalhes o que se passa em Gaza. Das muitas histórias, quero descrever com pormenores um episódio instrutivo: terminou muito mal, mas podia ter terminado muito pior.

Um grupo de soldados precisava entrar num ambulatório-enfermaria da UNRWA  — United Nations Relief and Works Agency for Palestinian Refugees. NOTA DO REDATOR: é a “Agência das Nações Unidas para a Ajuda aos Refugiados Palestinos”, que atua, é bom que saibam, em parceria com o Hamas. E não é de hoje. Sigo com o e-mail.

De acordo com as instruções, antes de entrar, mandaram um robô, pois o prédio poderia estar minado. O robô não mostrou nenhum sinal de explosivos. Aí os soldados mandaram um cachorro especialmente treinado para farejar pólvora e explosivos. Também não detectou nada. Aí os soldados entraram, e o prédio explodiu. As paredes desmoronaram. Por um verdadeiro milagre, “somente” 5 soldados morreram mas muitos, mais de duas dezenas, ficaram feridos, muitos deles gravemente. A investigação do Exército revelou do que se tratava: quando as Nações Unidas contrataram uma firma local para construir a enfermaria, os palestinos colocaram 12 sacos de explosivos — cada saco pesando 80 quilos — dentro das paredes do prédio. É isto mesmo: quase uma tonelada de explosivos!

Eu entendo perfeitamente que “à la guerre comme à la guerre”: até outro dia, havia pacientes palestinos sendo tratados num ambulatório-enfermaria das Nações Unidas, em Gaza, cujas paredes continham uma tonelada de explosivos: o Hamas tem os seus próprios métodos de calcular riscos versus benefícios.”

Retomo

Eis aí. Os inimigos contumazes de Israel, que se deixam contaminar pela ideologia, mas não pelos fatos, gostam de apontar as assimetrias nessa guerra. Elas são, antes de mais nada, de método. O Hamas não distingue instalações civis e humanitárias de instalações militares. Afinal, de acordo com o seu estatuto, “Israel existirá e continuará existindo até que o Islã o faça desaparecer, como fez desaparecer todos aqueles que existiram antes dele”.


Essa é a lei do terror. Essa é a lei dos que fazem da morte de civis a sua fortaleza. Israel tem o direito de se defender e vai se defender.​

Dilma Lero Lero!


Comissão da Verdade vai incluir sugestões da sociedade em relatório final


A Comissão Nacional da Verdade (CNV) receberá sugestões entre 11 de agosto e 30 de setembro e poderá incluí-las como recomendações em seu relatório final, que vai reunir tudo o que foi apurado sobre o período da ditadura militar e considerações para que as violações de direitos humanos não se repitam no país.

“Uma diretriz importante é começar a incorporar a própria sociedade na elaboração do relatório final. A responsabilidade é nossa, dos membros da comissão nomeados pela presidenta da República, mas entendemos que o relatório deve refletir a percepção da sociedade”, disse o coordenador da comissão, Pedro Dallari.

Pedro Dallari, coordenador da Comissão Nacional da Verdade
O coordenador da Comissão Nacional da Verdade, 
Pedro Dallari, diz que o grupo vai receber sugestões da 
sociedade para seu relatório final - Tânia Rêgo/Agência Brasil
As sugestões poderão ser feitas por meio do site da comissão. O colegiado vai considerar principalmente contribuições de instituições usadas como aparelhos de repressão, como as polícias estaduais e as Forças Armadas, além da Justiça. A integrante da comissão Rosa Cardoso reforçou o pedido. “Não teremos tempo para fazer tudo nesse processo de muitas audiências para a conclusão do relatório. Esperamos ter, nesse período, uma participação muito grande da sociedade, no mandando reflexões, propostas”.

Temas como desmilitarização da polícia, Lei de Segurança Nacional, educação e formação nas Forças Armadas e a atuação do Poder Judiciário estão incluídos nesse universo que pode ser debatido, segundo Rosa. “Também inclui (informaçõe sobre) empresários, porque hoje já se tem muito claro que essas foram ditaduras civis-militares, e esses empresários precisam saber que sua cumplicidade com agentes do governo também os torna responsáveis”.

José Carlos Dias, também integrante da CNV, defendeu a inclusão de recomendações específicas sobre os direitos humanos nas áreas criminal e prisional. “Temos que enfrentar a questão da tortura, que continua a existir. O Estado democrático brasileiro está convivendo com a tortura. Temos que apresentar recomendações na área da investigação criminal e na área do sistema prisional, que no Brasil é uma barbaridade”, avaliou.

Após criticar o monitoramento de movimentos sociais pelas Forças Armadas, o que considerou uma prática do passado que está sendo reincorporada ao presente, o integrante da CNV Paulo Sérgio Pinheiro também argumentou que as sugestões da sociedade servirão para consolidar a democracia no país.

Pinheiro criticou os que comparam as arbitrariedades cometidas atualmente com a existência de um Estado de exceção. “Não se pode tirar práticas inadequadas do processo judicial ou de investigação para declarar que estamos vivendo uma ditadura, ou que essas prisões, que muitos de nós julgamos ilegais ou inadequadas, são prisões políticos de novo tipo. É importante não brincar com esses adjetivos”, disse, em referência a prisões de ativistas acusados de vandalismo no Rio e em São Paulo.

No segundo semestre de 2014, a Comissão Nacional da Verdade entra em fase de conclusão de seu relatório, que deve ser divulgado no dia 10 de dezembro, Dia dos Direitos Humanos. Segundo Pedro Dallari, não há perspectiva de prorrogação deste prazo.

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Ética? Se sobrar tempo


Gravações comprovam: CPI da Petrobras foi uma grande farsa


A CPI da Petrobras foi criada com o objetivo de não pegar os corruptos. Ainda assim, o governo e a liderança do PT no Senado decidiram não correr riscos e montaram uma fraude que consistia em passar antes aos investigadores as perguntas que lhes seriam feitas pelos senadores. A trama foi gravada em vídeo.
TEATRO: Parecia uma encenação — e era mesmo. As perguntas que seriam feitas pelos parlamentares ao ex-presidente da Petrobras Sergio Gabrielli foram
enviadas a ele antes do depoimento por José Eduardo Barrocas, chefe do escritório da estatal em Brasília, que aparece no detalhe da foto
TEATRO: Parecia uma encenação — e era mesmo. As perguntas que seriam feitas pelos parlamentares ao ex-presidente da Petrobras Sergio Gabrielli foram enviadas a ele antes do depoimento por José Eduardo Barrocas, chefe do escritório da estatal em Brasília, que aparece no detalhe da foto (Geraldo Magela/Ag. Senado)   
Era tudo farsa. Mas começou parecendo que, dessa vez, seria mesmo para valer. Em março deste ano, os parlamentares tiveram um surto de grandeza institucional. Acostumados a uma posição de subserviência em relação ao Palácio do Planalto, eles aprovaram convites e convocações para que dez ministros prestassem esclarecimentos sobre programas oficiais e denúncias de irregularidades. Além disso, começaram a colher as assinaturas necessárias para a instalação de uma CPI destinada a investigar os contratos da Petrobras. Ventos tardios, mas benfazejos, finalmente sopravam na Praça dos Três Poderes, com deputados e senadores dispostos a exercer uma de suas prerrogativas mais nobres: fiscalizar o governo. O ponto alto dessa agenda renovadora era a promessa de escrutinar contratos firmados pela Petrobras, que desempenha o papel de carro-chefe dos investimentos públicos no país. Na pauta, estavam a suspeita de pagamento de propina a servidores da empresa e o prejuízo bilionário decorrente da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, operação que jogou a presidente Dilma Rousseff numa crise política sem precedentes em seu mandato. O embate estava desenhado. O Legislativo, quem diria, esquadrinharia o Executivo. Pena que tudo não passou de encenação.    

VEJA teve acesso a um vídeo que revela a extensão da fraude. O que se vê e ouve na gravação é uma conjuração do tipo que, nunca se sabe, pode ter existido em outros momentos de nossa castigada história republicana. Mas é a primeira vez que uma delas vem a público com tudo o que representa de desprezo pela opinião pública, menosprezo dos representantes do povo no Parlamento e frontal atentado à verdade. Com vinte minutos de duração, o vídeo mostra uma reunião entre o chefe do escritório da Petrobras em Brasília, José Eduardo Sobral Barrocas, o advogado da empresa Bruno Ferreira e um terceiro personagem ainda desconhecido.

A decupagem do vídeo mostra que, espantosamente, o encontro foi registrado por alguém que participava da reunião ou estava na sala enquanto ela ocorria. VEJA descobriu que a gravação foi feita com uma caneta dotada de uma microcâmera. A existência da reunião e seus participantes foram confirmados pelos repórteres da revista por outros meios — mas a intenção da pessoa que fez a gravação e a razão pela qual tornou público seu conteúdo permanecem um mistério. Quem assiste ao vídeo do começo ao fim — ele acaba abruptamente, como se a bateria do aparelho tivesse se esgotado — percebe claramente o que está sendo tramado naquela sala. E o que está sendo tramado é, simplesmente, uma fraude caracterizada pela ousadia de obter dos parlamentares da CPI da Petrobras as perguntas que eles fariam aos investigados e, de posse delas, treiná-los para responder a elas. Barrocas revela no vídeo que até um “gabarito” foi distribuído para impedir que houvesse contradições nos depoimentos. Um escárnio. Um teatro.