sábado, 12 de abril de 2014

A Presidente é uma miragem

 
Dilma Rousseff foi chamada por Lula da Silva de Mãe do PAC e sua imagem passada ao povo como a de uma competente administradora. O povo acreditou em que pese não se ter notícia de grandes feitos de Rousseff como ministra de Minas e Energia e depois como ministra da Casa Civil ao longo dos oito anos do governo Lula.

Na verdade, a “gerentona” não conseguiu em tempos passados sequer manter uma lojinha daquelas de R$ 1,99.  Com relação aos dois cargos desempenhados no governo petista do Rio Grande do Sul, Rousseff esteve léguas de distância de qualquer eficiência.

Lula da Silva, é claro, estava ciente do curriculum da afilhada, mas, para ser justa, ele não foi o único político brasileiro a cometer o engano de se cercar dos piores. Isso é costume entre aqueles que detêm o poder, pois temem que assessores os suplantem, coisa insuportável para egos descomunais.

E, assim sendo, Lula da Silva escolheu os piores em termos de caráter e conduta, a começar pelo mentor do mensalão agora recolhido á Papuda, José Dirceu. Este, coisa de pasmar, seria o próximo presidente da República se Roberto Jefferson não o tivesse defenestrado.

Dirceu, baseado na crença de que os petistas pairam acima da lei e possivelmente fiado no apoio do poderoso chefão, tanto corrompeu que foi parar atrás das grades, mas não foi só. Junto com ele, condenados no mesmo julgamento do mensalão, importantes companheiros de seu partido e de outras agremiações denominadas bases de apoio seguiram para a cadeia.

Algo inédito no Brasil e que aconteceu graças ao notável desempenho do ministro Joaquim Barbosa. Outros ministros do STF seguiram Barbosa, como o brilhante ministro Luiz Fux, além dos ministros Gilmar Mendes e Marco Aurélio de Mello. Demais ministros, lamentavelmente, procederam como advogados do PT.

De todo modo, Lula da Silva ficou sem quadros para dar seguimento ao projeto de poder do PT, segundo o qual o partido deve permanecer eternamente no comando na nação. Então, inventou Dilma Rousseff.

A sucessora, mesmo sendo monitorada pelo chefe Lula conjugou sua incompetência ao que foi legado por ele e por ela mesma como ministra nas gestões anteriores. E de tal modo é arrasadora a herança maldita que Rousseff está legando ao Brasil que bem poderia ganhar outros cognomes, tais como: Furacão Rousseff, Mãe da Hecatombe da Petrobras, Rainha dos Apagões, Dirigente do Custo do Modelo Elétrico, Recordista de Impostos e Juros Altos, Campeã de Inflação, Padroeira da inadimplência, Vencedora do Prêmio Pibinho, Líder das Promessas não Cumpridas, Excelsa Chefe de Programas Inacabados, Grande Matriarca do Plano Afunda Brasil.

Muito outros títulos podem ser dados à governanta Rousseff para ilustrar seu governo. A lista é grande e não cabe em um pequeno artigo, mas vale citar trecho de uma matéria do O Estado de S. Paulo (25 de março de 2014 – Economia – B3) para se ter ideia do descalabro, que por sinal só vai aumentando:

“A decisão da Standart & Poor’s (S&P) de rebaixar a nota de crédito do Brasil está baseada em uma crítica generalizada da política econômica do governo Dilma Rousseff, inaugurada em 2011”. “A S&P critica a condução da política fiscal, o baixo ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), o uso de bancos públicos para sustentar programas federais, o abatimento das desonerações na meta fiscal, o chamado superávit primário e a saída encontrada para bancar o setor elétrico”.

Detalhes variados estão na imprensa como trambiques, fraudes, negociatas do partido mais corrupto que já governou o Brasil, além de noticias da queda da indústria, da venda de automóveis, o começo das demissões, o descalabro da Educação e da Saúde e tudo mais que infelicita a vida dos brasileiros. Qualquer outro presidente já teria sofrido o impeachment.

Há um ponto, porém, que é crucial. Dilma Rousseff é uma miragem, um avatar mal feito, uma realidade virtual que não consegue sequer falar de modo coerente. O grande e real responsável pelo que está acontecendo se chama Lula da Silva, o presidente de fato que governa do seu gabinete das sombras. Por ele corrompeu-se, mentiu-se, fraudou-se, arrebentou-se a Petrobras. Tudo foi feito a seu favor. Ele não sabia?  Impossível.

Por que suas desculpas esfarrapadas são piores que as do seu seguidor André Vargas e todo mundo acredita? Por que ninguém o denuncia e o chama para depor no Congresso? Porque ele é intocável? Estão todos envolvidos em suas maracutaias? Temem sua popularidade?

De todo modo, se a oposição não tirar a coroa da cabeça do rei o corpanzil petista se fortalecerá ainda mais.  Afinal, sem Lula da Silva ou o Barba, como o chamou Romeu Tuma Junior, o PT não existe. Falta algum corajoso entender e mostrar isso.

Fonte: Alerta Total


_________________
*Maria Lucia Barbosa é socióloga - mlucia@sercomtel.com.br

Câmara pode ouvir presidente e ex-diretoras do IBGE, demissionárias após ingerência do Planalto


ibge_01Truque petista – Líder do Democratas na Câmara dos Deputados, Mendonça Filho (PE) protocolará na Comissão de Fiscalização e Controle, na próxima segunda-feira (14), requerimentos de convite à presidente do IBGE, Wasmália Bivar; à ex-diretora de pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Marcia Quintslr; e à ex-coordenadora-geral da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence), Denise Britz do Nascimento Silva. O parlamentar conhecer os reais motivos que levaram as profissionais a pedirem demissão. O deputado pretende convocar também o ministro das Cidades, Gilberto Occhi.

Mendonça Filho diz que a oposição agirá para evitar que o IBGE seja totalmente aparelhado, a exemplo do que já ocorre em órgãos similares de Argentina e Venezuela. “Existem indícios de que o governo quer transformar o instituto em agente de notícias eleitoreiras. No momento em que o desemprego cresce, o temor da população também, o governo petista tenta esconder o que se passa com o País. Não adianta, porque as últimas pesquisas já demonstram que o brasileiro sente que as coisas não vão bem em seu dia-a-dia”, disse.

O parlamentar pernambucano disse que a suspensão do Pnad Contínua “cheira muito mal”. “Usam um argumento de que o cumprimento da lei da FPE seria o motivo, mas não é mera coincidência essa notícia sair logo depois que a inflação é a maior dos últimos 11 anos e quando o desemprego cresceu. Metodologia não se muda para agradar A ou B. Se segue”, disse.

Mendonça Filho afirmou que o fato de 18 coordenadores e gerentes ameaçarem com a entrega de seus cargos reforça a necessidade de investigar.

Há muito que o IBGE vem sendo aparelhado pelo PT, que luta para que a dura e cotidiana realidade da nação não chegue ao conhecimento dos brasileiros. Além do aparelhamento, o IBGE, de um tempo para cá, foi obrigado a submeter ao crivo do Palácio do Planalto as pesquisas sobre a inflação oficial, como se a verdade pudesse ser escondida.

Como Dilma Rousseff e seus incompetentes asseclas conseguiram quebrar a economia nacional, mergulhando o País em grave e preocupante crise, o governo bem que tentou maquiar a verdade, mas os números da economia, auferidos por órgãos independentes, impedem que essa armação tenha qualquer chance de sucesso.

Câmara ardente

Por Nelson Motta - O Globo
Entre os novos e honestos que entrarão na Casa, vários vão se corromper, mas quem acredita que algum dos velhos picaretas já instalados vai se regenerar? A Câmara dos Deputados vai abrir concorrência para escolher uma agência de propaganda para identificar as causas do desgaste de sua imagem e melhorá-la com uma campanha publicitária de 10 milhões de reais. No país da piada pronta, seria só mais uma, se não fôssemos nós a pagar a conta desse deboche com o contribuinte e afronta à inteligência alheia. Nem 100 milhões de reais e Nizan Guanaes, Washington Olivetto e Duda Mendonça juntos fariam o milagre: a própria ideia da campanha suja ainda mais a imagem da Casa.

Logo em seguida ao anúncio ultrajante, como uma irônica resposta da realidade, foram ao ar o voo de 100 mil reais que um doleiro preso pela PF pagou para o então vice-presidente da Câmara, André Vargas, e as relações perigosas entre os dois. Apavorados com a contaminação, o Planalto, Lula e o PT já jogaram Vargas ao mar, outros partidos temem novos nomes, a manada entrou em pânico diante do perigo iminente. As eleições vêm aí e agora as cassações são por voto aberto. Quem condenará quem?

As ações e omissões de cada um numa eventual CPI-bomba, com televisão ao vivo, vão ser mais convincentes, para o bem e para o mal, do que qualquer campanha publicitária. O público acaba percebendo o que eles tentam esconder e as manobras para diluir as culpas, que, no fim, atingem toda a instituição. Mas terminar em pizza no meio da campanha vai ter um preço salgado para todos.

No que se refere, como diz a Dilma, à Câmara, a única certeza é a de Ulysses Guimarães: a próxima será pior. A matemática é triste: entre os novos e honestos que entrarão, vários vão se corromper pelo poder, pelos privilégios e pela vaidade, mas quem acredita que algum dos velhos picaretas já instalados vai se regenerar? Não por acaso, André Vargas estava se preparando para tomar a presidência da Câmara, o ex-presidente João Paulo Cunha está preso, e o próximo pode ser o deputado Eduardo Cunha.


Nossos 10 milhões de reais só vão melhorar a vida da agência de publicidade e piorar ainda mais a imagem da Câmara. Mas eles não ligam, repetem para nós o que o doleiro Youssef digitou a André Vargas: kkkkk.


PT colocou a Alstom na Petrobras na gestão FHC. Sem licitação, é claro.


Enquanto o PT gritava que FHC queria privatizar a Petrobras, um diretor da estatal, hoje senador pelo partido, Delcídio Amaral (PT/MS) contratava a Alstom sem licitação, para fornecer turbinas para uma termoelétrica, em plena crise energética. Ali começava o "império" dos companheiros que está destruindo a maior estatal do país.

A Petrobras manteve contratos para o fornecimento e manutenção de turbinas em usinas termelétrica com a empresa Alstom, investigada por supostas irregularidades no metrô de São Paulo. Segundo reportagem do Jornal Nacional desta quinta-feira, os negócios foram iniciados na gestão do tucano Fernando Henrique Cardoso e continuaram nos governos de Lula e Dilma Rousseff. Alstom e Petrobras são objeto de uma CPI que está para ser instalada no Congresso. Antes assuntos desconexos, agora surge um elo de ligação entre os dois casos.

Em 2001, a Petrobras teria negociado diretamente com a Alstom a compra de turbinas para a termelétrica de Nova Piratininga (SP), que passaria a operar com turbinas a gás, em vez de ser movida a óleo. O negócio custou US$ 49,7 milhões. Na época, o presidente era Fernando Henrique e a compra fora inserida no Programa Emergencial de Termelétrica, levado à cabo por conta da baixa oferta de energia que havia então.

O JN mostra documentos do departamento jurídico da Petrobras, que listou 22 problemas no contrato, que poderiam causar prejuízos à empresa. Entre os alertas do jurídico da Petrobras estava uma cláusula que dizia que caso uma turbina apresentasse defeito, apenas 15% de seu valor seria ressarcido. Outro alerta referia-se ao fato de que caberia à Alstom a decisão unilateral sobre garantias de desempenho dos equipamentos, o que segundo a Petrobras informou ao telejornal, é algo "comum" para esse tipo de maquinário. Finalmente, caso a Alstom atrasasse a entrega do material, não seriam aplicadas penas, ainda que isso significasse prejuízo à Petrobras.

O resumo executivo que justificou a compra foi feito pelo senador petista Delcídio Amaral (MS), à época diretor de energia e gás da Petrobras. Nestor Cerveró, pivô do escândalo da compra da refinaria de Pasadena, era na época gerente executivo de energia e assinou os instrumentos contratuais do negócio. Um ano antes, no ano 2000, a Alstom havia deixado de cumprir 35 dos 61 contratos de entrega de turbinas a termelétricas fechados com a Petrobras por conta de defeitos apresentados nas peças,o que, segundo documentos da Petrobras obtidos pelo Jornal Nacional, resultou em perdas financeiras para a estatal.

Em 2007, já na gestão de Lula, contratos sem licitação com a Alstom estavam em vigor nos mesmos moldes dos firmados na época de Fernando Henrique. O JN mostrou um laudo da Petrobras afirmando que no contrato de Nova Piratininga a Petrobras pagou por equipamentos que não foram entregues. Em 2013, sob Dilma, a Alstom anunciou a renovação de um contrato para a manutenção de turbinas em termelétricas da Petrobras. Ao Jornal Nacional a Petrobras disse que os alertas da área jurídica não foram considerados "pertinentes" pela área técnica. A empresa disse que não há novos contratos para a compra de turbinas com a Alstom.

A Alstom também respondeu ao telejornal, dizendo repudiar alegações de irregularidade e afirmando que cumpriu o contrato. (O Globo)

E o futuro?

Por Paulo Roberto Gotaç*
 
A triste história de nossa república, com exceção do delírio desbravador de Juscelino, registra espasmos de crescimento real somente nos períodos em que o grau de democracia estava, pelas mais diversas razões, reduzido. 

Assim, durante o Estado Novo, o país viu nascerem as CLT's, ainda em vigor e, na falta de algo melhor, regulamentando as atuais relações trabalhistas, e presenciou a implantação da indústria siderúrgica, entre outras conquistas importantes; durante os governos militares, assistiu, por exemplo, ao estabelecimento de uma rede de infraestrutura  que, ressalvadas algumas exceções, é a mesma que aí está e testemunhou a criação de instituições de referência que até hoje permitem o funcionamento em bases modernas do estado brasileiro.

Findo o primeiro engasgo democrático (o Estado Novo), o país mergulhou num caos econômico e social que obrigou, em 1964, a uma reação categórica por parte de setores significativos da sociedade no sentido de promover o segundo engasgo, encerrado por novo acesso clamando por democracia e eleições diretas mas que se iniciou com o mais grave e ao mesmo mais diabolicamente sutil golpe, este civil, aplicado na república: a eleição indireta de Tancredo Neves.

De lá para cá, vários governos vestidos de democracia, alguns dos quais a sociedade não tem muito que se orgulhar pois está vendo o país acumulando crises nos campos social e econômico, tudo eivado por um ambiente de corrupção nunca antes visto nestas terras hoje dominadas por um partido que se auto-intitulava, antes de assumir o poder, baluarte da ética e da honestidade.

O que nos reserva o futuro? Outro engasgo? De que tipo? Ainda bem que a história jamais se repete.


Fonte: Alerta Total


_________________
*Paulo Roberto Gotaç é Capitão de Mar e Guerra, reformado.

Planalto quer rapidez na aprovação de regras contra o vandalismo, que podem ser estopim durante a Copa


protesto_rj_02Tiro no pé – O governo de Dilma Rousseff está empenhado na rápida aprovação da regras referentes ao vandalismo em manifestações públicas. Por conta da pressa, o ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, reuniu-se na manhã de quinta-feira (10) com os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Henrique Eduardo Alves.

A pauta do encontro foi a aprovação célere de nova legislação sobre o tema, uma vez que há vários projetos semelhantes em tramitação no Congresso. Executivo e Legislativo decidiram concentrar esforços na aprovação do substitutivo do senador Pedro Taques (PDT-MT) ao Projeto de Lei do Senado (PLS) 508/2013, que está em tramitação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado.

“A ideia é que o relator Pedro Taques concentre todas as sugestões apresentadas, do governo e dos parlamentares, para que tenhamos um texto que agrade à sociedade brasileira e possa ser aprovado com alguma rapidez”, declarou Cardozo.

O senador Pedro Taques (PDT-MT), por sua vez, disse que é possível colocar seu relatório em votação na CCJ na próxima quarta-feira (16) e aprovar a lei para que possa ser usada já na Copa do Mundo, cujo jogo inaugural está marcado para 12 de junho, em São Paulo.

“A ideia é que possamos trabalhar neste projeto para que ele possa produzir efeitos na Copa do Mundo. Mas, uma legislação, notadamente a penal, não pode ser feita com debates emocionais ou de afogadilho. Não é isso que nós queremos”, disse Taques.

Ainda de acordo com o senador, o Brasil é um país democrático e não se cogita coibir as manifestações populares, mas reprimir crimes praticados durante as aglomerações. Para isso, o parlamentar informou que está prevendo alterar o Código Penal para elevar a pena para o crime de dano ao patrimônio; a qualificação do homicídio doloso se praticado em protestos públicos; e o aumento da pena da lesão corporal praticada nas manifestações.

Máscaras

Sobre o uso de máscara, o senador informou que uma alternativa é a criação de uma agravante genérica. “Entendemos não ser possível, no Brasil, proibir o uso de máscaras, embora haja quem defenda que sim. Vamos debater isso na CCJ”, afirmou.

O relator informou também que o projeto tratará da violência praticada por policiais contra o cidadão, por isso deve prever alteração na Lei de Abuso de Autoridade (Lei 4.898/65).

Gasolina na fogueira

O Palácio do Planalto sabe do descontentamento da população em relação e tenta de alguma maneira impedir que manifestações ocorram durante a Copa, o que comprometeria ainda mais a imagem do Brasil no exterior, além de atrapalhar sobremaneira o projeto de reeleição de Dilma Rousseff, que além da descontrolada crise econômica está a enfrentar uma grave crise institucional.

Pode-se chamar de estranho o desejo do governo em relação à rápida aprovação das novas regras que combatem o vandalismo, pois própria esquerda foi responsável pelas manifestações ocorridas em junho e julho de 2013, ocasião em que a depredação do patrimônio foi latente. Na ocasião, quando policiais militares agiram para impedir a onda de destruição, os palacianos entraram em cena para fazer críticas, em atitude meramente eleitoral.

Agora, com Dilma e o PT na corda bamba, o Palácio do Planalto decide endurecer o jogo com os manifestantes, a exemplo do que faz o tiranete Nicolás Maduro na vizinha Venezuela, onde os que participam de protestos são tratados com extrema violência.

Registro de um retrocesso
Semana de renúncias

Por Eliana Cantanhêde - Folha de São Paulo
BRASÍLIA - Como diz o ditado, "é melhor prevenir do que remediar".

Ele cai perfeitamente no caso da indicação do senador Gim Argello (PTB-DF) para o Tribunal de Contas da União (TCU), que fiscaliza gastos.

Cai bem igualmente no caso do deputado licenciado André Vargas (PT-PR), que, flagrado voando em avião de doleiro preso e trocando mensagens comprometedoras com ele, vive aquele primeiro momento de autoengano, imaginando ainda possível manter o mandato.

Argello era o homem errado, na hora errada e no cargo errado. Seus próprios pares no Senado lhe impuseram uma derrota constrangedora, negando regime de urgência, direto no plenário e sem sabatina, para a votação de sua indicação para o TCU. Depois, os que seriam seus futuros pares no tribunal autorizaram o presidente, Augusto Nardes, a ameaçar publicamente vetar o seu nome.

Condenado em primeira e segunda instâncias no DF, Argello responde a seis inquéritos (ele diz que são "só" quatro) no Supremo tribunal Federal por uma fileira de crimes, desde peculato até corrupção passiva e ativa. Como frisou Nardes, entre os requisitos para ser ministro do TCU incluem-se "idoneidade moral e reputação ilibada". Seria o caso?

Quanto a Vargas: desconhecido até virar vice-presidente da Câmara, ele deveria ter sido menos impetuoso quando desacatou o presidente do STF, com o punho cerrado, dentro do plenário. Como deveria ter sido mais pudico nas relações com um doleiro bastante conhecido e diante de propostas heterodoxas envolvendo o Ministério da Saúde e de promessas de "independência financeira".

Sem saída, Argello renunciou à indicação para o TCU e Vargas, à vice-presidência da Câmara. Um vai descolar uma candidatura no DF, o outro vai sangrar em praça pública até largar o osso do mandato.


Para prevenir esses vexames, basta escolher ministros do TCU e vice-presidentes da Câmara idôneos e de reputação ilibada. Será tão difícil?


Vargas ameaça abrir o bico e obriga o PT a aceitar sua volta à Câmara.

André Vargas, o deputado petista sócio do doleiro preso pela PF na Operação Lava Jato, mandou avisar: quer o PT defendendo o seu mandato ou abre o bico e leva mais gente junto. Citou nominalmente dois candidatos a governos estaduais. Exigiu manifestações de apoio e disse que quer o PT solidário enquanto ele for julgado pela Comissão de Ética da Câmara. Vargas está um poço até aqui de mágoa. É uma bomba relógio, segundo um deputado petista, prestes a explodir.

Após o recado explícito, a Executiva Nacional do PT decidiu ontem mesmo instalar uma comissão formada por três dirigentes da sigla para ouvir o deputado licenciado e ex-vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), antes de instaurar qualquer procedimento interno.

Esta foi uma das exigências de Vargas, que também ameaça Lula, que, no início da semana, disse que ele deve "explicar à sociedade" sua ligação com o doleiro para que o PT "não pague o pato". O deputado não gostou, chamou Lula de "traíra" e "mal agradecido", que não ia ser "um segundo José Dirceu". Ao final, acertou com o partido que será advertido, mas que não haverá expulsão da legenda.

O próprio presidente do PT, Rui Falcão, em jogada ensaiada, saiu em defesa de Vargas, ontem, "Previamente à instalação da Comissão de Ética [no partido], a Comissão Executiva Nacional decidiu ouvir o companheiro André Vargas a respeito dos fatos noticiados", disse, após reunião em São Paulo. "São fatos noticiados que, por si só, não incriminam ninguém." A ordem interna é ganhar tempo.

Durante o encontro convocado às pressas,  representantes de alas mais à esquerda do PT defenderam a instauração imediata de comissão de ética no partido, enquanto dirigentes da ala majoritária fizeram coro a Falcão e conseguiram fechar a resolução por consenso. O medo das denúncias prometidas por Vargas falou mais alto.

Por outro lado, o Conselho de Ética da Câmara já instaurou processo disciplinar que pode acabar na cassação de Vargas. A Casa deve decidir até 23 de abril se cabe dar prosseguimento ao caso. O PT vai pressionar de todas as formas para que Vargas seja absolvido e já se fala em "mensalão em dólar". Se isto ocorrer, o PT nem mesmo precisaria montar a sua própria sindicância.

No entanto, a comissão que deve ouvir Vargas já foi nomeada e só tem "peixe" do ex-vice presidente da Câmara:  Alberto Cantalice, vice-presidente do PT, Florisvaldo Souza, secretário de organização e Carlos Árabe, secretário de formação. O temor de Lula e da cúpula do PT é que a crise tenha efeito nas eleições deste ano, principalmente em São Paulo e no Paraná. Mas o medo maior é que Vargas saia atirando e denunciando gente graúda dentro do partido.

O deputado pediu licença por 60 dias do mandato e renunciou à vice-presidência da Câmara anteontem. Depois do acordão interno formalizado, blindado pela companheirada, deve retornar em 10 dias para, segundo ele, "defender o seu mandato". Só faltou dizer que fará isso com "unhas e dentes", como sugeriu Lula em relação à Petrobras.

Antiga Forma

Por Dora Kramer*

Falar de assuntos espinhosos de maneira direta e transparente não é com ele.

Portanto, não seria de esperar mesmo que o ex-presidente Luiz Inácio da Silva abordasse o tema Petrobrás da perspectiva dos negócios nebulosos feitos pela estatal no governo dele e que agora estão sob a mira do Ministério Público, Polícia Federal, Tribunal de Contas e Congresso Nacional, na entrevista dada ontem a um grupo de blogueiros.

Lula passou ao largo das dificuldades objetivas que o governo enfrenta para se concentrar na exposição dos detalhes de uma agenda que permita ao PT e ao Planalto sair pela tangente na superação dos obstáculos.

Falou basicamente para a militância, ressuscitando teses caras ao partido, como o controle social dos meios de comunicação, vocalizando o discurso da altivez petista - "não podemos baixar a cabeça" - seguindo o lema "nós" contra "eles".
Inspirado na própria experiência de 2005/2006, quando saiu da defensiva em que seu governo foi jogado devido ao escândalo do mensalão e partiu para a ofensiva que o levou à reeleição, Lula aconselhou o PT a "ir pra cima" dos adversários para evitar a CPI da Petrobrás.

Sabe como são essas coisas. Lembrou ao partido que a CPI do Mensalão começou com uma investigação sobre "pagamento de propina de R$ 3 mil (nos Correios) e acabou no PT". Quer dizer, o problema foi que os petistas não abafaram o caso a tempo e a hora.

O presidente anunciou que não será candidato. Isso na abertura da entrevista. No fim, já não apresentava a mesma convicção, afirmando que só o "futuro" pode responder a perguntas hipotéticas. Lula atende, assim, a três objetivos: de um lado aparentemente reforça a presidente Dilma Rousseff, de outro não mata de todo as esperanças dos que o querem de volta na disputa agora e ainda mantém a oposição tensa.

Inclusive porque deu um aviso aos navegantes: pôs fim à sua fase de silêncio e vai começar a dar palpites em público até para a presidente ("acho que assim posso ajudar na eleição"), vai viajar com Dilma e vai voltar a falar sem parar.

Evidentemente, sempre dentro de uma ótica própria que não necessariamente guarda relação com a realidade. Como a versão apresentada ontem para o aumento da percepção negativa sobre o governo Dilma.

Não tendo como negar os números das pesquisas, depoimentos de gente que recebe no Instituto Lula e reclamações de petistas, o ex-presidente elegeu um responsável pelo mau humor generalizado: o mensageiro.

Segundo ele, "a massa feroz de informação deformada" produzida pelos meios de comunicação é responsável pelas agruras em série que assolam o governo. Para isso, recomenda dois remédios.

De imediato, "uma política agressiva de comunicação, com a ocupação de todos os espaços". Como se o governo ocupasse poucos. Mais adiante, a retomada do debate sobre o marco regulatório, também conhecido como controle social da mídia, em português claro traduzido como fiscalização governamental do conteúdo produzido por jornais, revistas, rádios e televisões.

Esses temas, Dilma como presidente não pode defender, mas Lula como cabo eleitoral, comandante em chefe do PT, pode.

Da mesma forma, ela não poderia - sem gerar uma crise com o Congresso - voltar a defender a Constituinte exclusiva. Mas Lula pode. Como fez na entrevista, ao defender as teses caras ao PT na reforma política, a começar pelo financiamento público de campanha.

Mensalão tampouco é assunto que interesse à presidente abordar. Mas Lula o faz na maior sem cerimônia dizendo que a "verdadeira história" ainda está para ser contada, sem dar pista sobre o tom da nova narrativa.

O ex-presidente esquivou-se de críticas mais pesadas ao Supremo Tribunal Federal. Limitou-se a trafegar no terreno do politicamente incorreto ao dizer a razão pela qual indicou o ministro Joaquim Barbosa: "Eu queria um advogado negro e o currículo dele era o melhor".

Corre o risco de Joaquim achar que é racismo.


Fonte: Alerta Total


___________
*Dora Kramer é Jornalista. Originalmente publicado no Estadão em 10 de Abril de 2014.

PT adota discurso malandro para tentar salvar o enrolado André Vargas e o próprio partido


rui_falcao_02Pano quente – Os brasileiros de bem precisam estar atentos, pois o Partido dos Trabalhadores, que com o passar do tempo se especializou no banditismo político, começa a se movimentar para desacreditar a Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, que desbaratou um criminoso esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 10 bilhões. A atenção é necessária porque o PT tenta salvar a pele do ainda deputado federal André Vargas junto à opinião pública.

A tentativa faz parte de uma estratégia desesperada para evitar que as reticências do escândalo atinjam a legenda como um todo e principalmente o projeto de reeleição de Dilma Vana Rousseff, a gerentona inoperante. As investigações da PF detectaram um sem fim de ações criminosas envolvendo gente graúda do universo político nacional.

Na quinta-feira (10), o presidente do PT, Rui Falcão, disse que os fatos divulgados acerca do envolvimento de Vargas com o doleiro Alberto Youssef, preso pela PF, não significam que o parlamentar petista seja culpado. O anúncio foi fito depois de a cúpula petista ter se reunido, em São Paulo, para decidir o futuro de André Vargas.

As provas levantadas pela Polícia Federal são incontestáveis e mostram uma relação promíscua entre Vargas e Youssef. Querer desqualificar o trabalho policial apenas para salvar André Vargas é abusar da capacidade de raciocínio da população. No momento em que o caso de Vargas surgiu no noticiário, o PT sequer imaginava o estrago que o caso provocaria na legenda.

A investida contra André Vargas foi um recado do Palácio do Planalto para o lobista Luiz Inácio da Silva, que insiste em afirmar que não pensa em voltar ao Palácio do Planalto, mas não desautoriza os entusiastas do “Volta Lula”, que tem crescido diuturnamente nos bastidores da política. O mais destacado entusiasta do “Volta Lula” é o próprio André Vargas, que experimentou o calor do chamado fogo amigo.

O próximo da fila é o deputado federal Vicente Cândido (PT-SP), muito próximo a Lula e que em passado recente liderou um movimento para permitir que o ex-metalúrgico tivesse direito a um terceiro mandato. A ideia não prosperou e Lula pediu que o plano fosse abortado.

Voltando a André Vargas, o seu futuro está selado, pelo menos no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, onde o relator, Júlio Delgado (PSB-MG), já sinalizou que pedirá a perda do mandato do petista alarife que mentiu na tribuna da Casa ao dizer que era superficial sua relação com o doleiro. Delgado, para quem não se recorda, foi o relator do processo de cassação do agora presidiário José Dirceu.


A grande questão envolvendo Vargas é que o petista paranaense sabe demais sobre a senadora Gleisi Hoffmann e o ministro Paulo Bernardo da Silva (Comunicações), dupla que no Palácio do planalto é considerada intocável. Fora isso, a longeva amizade com Alberto Youssef faz com que André Vargas conheça em detalhes os bastidores do esquema que culminou com a Operação Lava-Jato.

Registro de um retrocesso

Por Claudia Saflate - Valor Econômico

Defesa do controle da mídia fere imagem de Lula

O que mais impactou empresários que nutrem simpatia pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e compartilham do coro "Volta Lula", na entrevista que ele deu para um grupo de blogueiros que apoiam o governo, na terça feira, foi a forma dura e insistente com que o ex-presidente defendeu o controle da imprensa. "Perdemos um tempo precioso e não fizemos o marco regulatório da comunicação nesse país", disse Lula. "Temos que retomar com muita força essa questão da regulação dos meios de comunicação do país. O tratamento à Dilma é de falta de respeito e de compromisso com a verdade", completou, deixando claro que advoga a censura de conteúdo.

A perplexidade pode ser conferida em uma reunião habitual na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), no dia seguinte à entrevista. Segundo relato de um dos presentes, "a entrevista causou mal-estar". Até então se imaginava que a discussão sobre instrumentos de controle da mídia fosse somente uma proposta de um ou dois assessores do ex-presidente. "Mas não, é do Lula!", disse.

No Congresso, o divulgador da ideia que agora passou a ser vista como uma medida de força que conta com o apoio do ex-presidente, era o deputado André Vargas (PT-PR) que, por força de denúncia de corrupção, renunciou ao cargo de vice-presidente da Câmara.

Não foi só pelo ataque frontal que o ex-presidente fez à mídia que a entrevista "assustou" mas, também, pelo fato de que Lula "mostrou que fechou os olhos: não há Petrobras e não houve o mensalão", comentou a fonte.

Na tentativa de compreender os reais motivos que o estimularam a subir o tom da defesa do controle do que é divulgado pela meios de comunicação, concluiu-se que pode ter sido um "erro grosseiro" do ex-presidente que, no entanto, é capaz de criar uma resistência não desprezível "junto a pessoas que estão com ele".

Não é segredo que parte do setor privado é contra a reeleição de Dilma Rousseff e torce para que Lula se coloque como candidato ao Palácio do Planalto este ano.

Logo no início da entrevista de mais de três horas aos blogueiros, ele disse: "Acho que os meios de comunicação no Brasil pioraram do ponto de vista da liberdade, do ponto de vista da neutralidade e agora que vocês [os blogs] tão fortemente conquistaram a neutralidade da internet, têm que começar a campanha para conquistar a neutralidade dos meios de comunicação para eles pelo menos serem verdadeiros. Podem ser contra ou a favor, mas que a verdade prevaleça".

Como exemplo de supostas inverdades, o ex-presidente citou: "Vejo alguns números colocados por pessoas da Petrobras e os números colocados pela imprensa e eles não batem entre si", referindo-se aos dados divulgados sobre a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, em uma operação muito controversa e obscura da estatal brasileira. "Estamos sendo conduzidos por uma massa feroz de informações deformadas", acusou o ex-presidente.

No decorrer da entrevista ele voltou ao tema e aumentou os decibéis. "No fundo, no fundo, e vocês todos são pessoas informadas, a imprensa construiu quase que o resultado desse julgamento [do mensalão]. Eu me pergunto como é possível uma CPI que começou investigando o desvio de R$ 3 mil em uma empresa pública [os Correios ], que era dirigida pelo PMDB e que investigava um cara do PTB, terminou no PT? É indescritível!".

Alguns minutos depois, retomou o assunto: "Espero que a história do mensalão seja recontada nesse país e, se eu puder, vou ajudar a reconta-la. Como uma CPI que começou por causa de R$ 3 mil nos Correios terminou no mensalão? Temos que mostrar qual foi o papel da imprensa!". Antes de encerrar, disse: "O mensalão foi o mais forte processo político desse país em que a imprensa teve papel de condenação explícita antes de cada sessão, de cada ato" E concluiu: "Nunca vi nada igual! O massacre era apoteótico!"

Dilma Rousseff, tão logo assumiu a Presidência, em janeiro de 2011, deixou claro que não apoiaria a ideia de um março regulatório da mídia que assessores do ex-presidente deixaram como herança para o novo governo. Dilma foi firme ao negar seu apoio à proposta: "Devemos preferir o som das vozes críticas da imprensa livre ao silêncio das ditaduras".

As críticas à condução da economia que os meios de comunicação veiculam também seriam, em boa parte, fruto de "notícias deformadas", na visão de Lula. Ele contou que em 2007, em um encontro com Mário Soares, ouviu deste que não estava entendendo o que estava acontecendo no Brasil. Com uma pilha de jornais e revistas do exterior debaixo do braço, o ex-presidente de Portugal disse: "Os jornais do mundo dizem que o Brasil é coqueluche, um país extraordinário, e nos jornais brasileiros vejo que o país está acabado!".

Lula convocou Dilma e todos os ministros a partirem para a ofensiva, irem para cima. "Hoje a gente não está só, a gente tem a internet. Cadê o blog da Petrobras que foi tão importante na CPI de 2009?". Ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que deu um conselho: "Guido, você tem que ter uma equipe de alerta. Saiu uma mentira, você tem que falar, usar o direito de resposta". Ele ressaltou alguns bons indicadores econômicos do país - reservas cambiais, a dívida líquida e bruta que diz não serem altas, o aumento da classe média, o crescimento que não é tão ruim. Mas, nesse caso, admitiu: "Poderíamos estar melhor e a Dilma vai ter que dizer isso na campanha, como é que a gente vai melhorar a economia".

Se o ex-presidente pretendeu colocar um freio de arrumação no governo e na campanha de Dilma, os excessos do seu discurso vistos até por alguns de seus colaboradores pode ter fragilizado sua intervenção.

O fato de ele dizer que "a Dilma é minha candidata" pesou pouco para os que estão convencidos de que ela pode perder a reeleição e não vislumbram saída para Lula senão lançar-se em sua própria campanha. Para uma fatia de representantes do setor privado que o apoia, a entrevista de Lula aos blogueiros teria mostrado o retrocesso de um personagem que despertou para a política e para a história impulsionado pela cobertura da imprensa e por mais de uma vez se considerou "um produto da imprensa".


Empresário que pagou R$ 1,9 milhão para "consultoria" do doleiro Yousseff revela o lado podre da Petrobras.


Dalmazzo com Graça Foster. Em entrevista, 
o executivo escancara o lado podre da Petrobras.
O executivo Paulo Roberto Dalmazzo, CEO da Jaraguá Equipamentos, fornecedora da Petrobras, admitiu em entrevista ao GLOBO que os R$ 1,9 milhão pagos a uma empresa de consultoria ligada ao doleiro Alberto Youssef serviram como "intermediação" para a obtenção de quatro contratos com a estatal, que totalizaram R$ 1,1 bilhão. O pagamento é investigado pela Polícia Federal.

Dalmazzo afirma que a empresa pagou por um consultor para “validar os números” da proposta apresentada em licitação, com a promessa de vencê-la, mas disse não saber dizer quem é a pessoa que prestou o serviço, porque não estava na empresa na época dos fatos. Perguntado se é possível que a contratação tenha sido uma forma de pagar propina, como sugere a Polícia Federal, respondeu: "Pode acontecer tudo. Você pode ter que pagar ou guardar para livrar seus pontos da carteira. Esse é o Brasil de hoje. Entendeu? Eu posso responder pelos meus atos; pelos dos outros, não posso”.

Há dez anos atuando no setor, ex-diretor do estaleiro de Inhaúma, no Rio de Janeiro, e ex-presidente de Óleo e Gás da Andrade Gutierrez, o executivo afirma que durante sua carreira sempre tratou diretamente com Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras que está preso, mas nega que em algum momento ele tenha lhe pedido “qualquer coisa”. Disse acreditar ser possível trabalhar como fornecedor da Petrobras sem ter que pagar "consultoria", mas afirmou reconhecer que a empresa tem “um lado podre, como tem em qualquer instituição onde tem o bicho homem”.

O executivo revelou que a Jaraguá está com dívidas de R$ 500 milhões e tenta se recuperar depois de sofrer graves erros de gestão da diretoria anterior, que envolvem inclusive a precificação dos quatro contratos com a Petrobras, que teriam custo mais elevado do que o proposto na concorrência. “Você acha que uma empresa que não está bem pode ter tido algum benefício? Acho que não”, afirmou. Ele criticou, também, “a mão do governo” na gestão da Petrobras. E disse que empresas doam a políticos e partidos para influenciar a agenda legislativa.

Clique aqui e leia a entrevista em O Globo