Por Diário do Poder
É como se o mensalão do governo Lula não tivesse ocorrido
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Lançado há duas
semanas como forma de mostrar o que considera a verdade não divulgada pela
mídia sobre os avanços dos governos petistas, o site “Brasil da Mudança”, do
Instituto Lula, postou nesta segunda-feira um novo texto no qual exalta o
combate à corrupção das gestões do ex-presidente e de Dilma, mas ignora o
escândalo do mensalão. O artigo sustenta que, pela primeira vez na história, o
combate à corrupção se tornou uma “ação permanente do Estado”.
“Antes, eram raras as manchetes de jornais denunciando escândalos,
porque os malfeitos eram quase sempre varridos para debaixo do tapete ou
engavetados. E você nem ficava sabendo. A partir da chegada de Lula à
Presidência, em 2003, a prevenção e o combate à corrupção tornaram-se
prioridade, por meio da ação articulada entre diversos órgãos do governo
federal, com transparência e incentivo à participação da sociedade civil”,
afirma.
A postagem não faz qualquer referência ao escândalo de
compra de apoio político no Congresso durante o primeiro mandato do governo
Lula. Em 2013, oito anos após ter vindo à tona, começaram a cumprir pena de
prisão, após condenação do Supremo Tribunal Federal (STF), importantes
lideranças petistas, como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o
ex-presidente do partido José Genoino e ex-tesoureiro da legenda Delúbio
Soares.
Em abril, na mais recente entrevista que deu sobre o
julgamento do Supremo, Lula criticou o resultado e negou que a compra de votos
tenha existido. “O tempo vai se encarregar de provar que o mensalão teve 80% de
decisão política e 20% de decisão jurídica, disse o ex-presidente em entrevista
a uma TV portuguesa.
O texto diz que iniciativas começaram a ser tomadas e “não
pararam mais”. Entre as medidas, cita a criação da Controladoria-Geral da
União; o fortalecimento, a modernização e a independência da Polícia Federal; a
autonomia do Ministério Público Federal, com a indicação do procurador-geral da
República a partir da escolha feita pela própria categoria; a criação do Portal
da Transparência; e a Lei de Acesso à Informação.
O artigo afirma que os resultados não demoraram a aparecer,
estampando as manchetes dos jornais, com investigações, prisões e milhões de
reais de devolvidos aos cofres públicos. “Ações concretas de combate à
corrupção tornaram-se públicas, dividindo espaço com denúncias muitas vezes
precipitadas e equivocadas – porque a imprensa, afinal, está sujeita a erros”,
cutuca o texto, sem fazer qualquer menção ao que seriam os equívocos.
A publicação faz uma referência indireta ao governo do PSDB,
quando, na época da gestão Fernando Henrique Cardoso, o então procurador-geral
da República, Geraldo Brindeiro, chegou a ser batizado por petistas de
“engavetador-geral da República”. “O importante é que a imprensa é livre, como
poucas vezes na história deste País. E pela primeira vez na história, o Brasil
tem instituições sólidas, com independência para agir em defesa do Estado e da
sociedade, e ordens expressas para não engavetar investigações nem varrer
escândalos para debaixo do tapete”, concluiu o texto.
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