sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Agenda de Renan é pouco para a economia reagir



Essa conjuntura, criticada por empresários e sindicalistas, só tende a provocar mais desemprego. Levantamento de hoje da Fiesp, a Federação das Indústrias de São Paulo, apontou o corte de 30 mil e 500 empregos em julho, o pior dado desde 2006. E a previsão é que os cortes cheguem a 200 mil até o final do ano. Só no Estado de São Paulo. 

A proposta de redução de jornada de trabalho, com corte de salários, deve segurar pouco o avanço do desemprego. Não há indicação de melhoria de atividade, nem a que costuma ocorrer com a proximidade do final do ano. Todas as datas do comércio têm sido piores que do ano passado. No dia dos pais, por exemplo, a queda foi de 5%. Sem consumo, difícil uma reação mais firme da indústria. As exportações até são beneficiadas pela alta do dólar. Só que temos uma economia fechada. O impacto das exportações é mais limitado. 

O consumo das famílias representa cerca de 60% do PIB enquanto o setor externo fica entre 20 e 25%. O fato é que a economia brasileira entrou em recessão no primeiro semestre e quase não conta com fatores de recuperação neste segundo. 

De acordo com a Serasa Experian, a atividade econômica caiu 1,4% no segundo trimestre, após a contração de 0,2% no primeiro. E a gente não vê o governo avançando com uma agenda positiva pra inverter o sinal. Tem agora a tal agenda Brasil do Renan, que não vai trazer estímulos mais consistentes. Fora o jogo de cena político, pra diminuir a pressão em cima do governo, tem muita proposta polêmica, de pouca eficácia, que vai contra até o que o governo defende. Pode ajudar um pouco em matérias tributárias; talvez, garantir maior receita. 

Mas não é isso que vai estabelecer um horizonte de crescimento. Estamos longe disso. Desemprego, queda do consumo, da confiança, baixa popularidade do governo, crise política, investigações da Lava Jato e risco da perda do grau de investimento são apenas algumas questões que comprometem o potencial de reação da economia.

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