sábado, 25 de abril de 2015

A Ordem do Dia para o Exército

 
Prezados companheiros "da luta": Estamos encerrando mais uma campanha em defesa das nossas mais caras crenças! 

Francamente, eu esperava um pouquinho mais, que fosse, na mensagem da Ordem do Dia do Exército em 2015. Os poucos "pastores de ovelhas", aqueles que ainda comungam no pensamento de que existe uma reserva "raivosa" (quanta/que injustiça), que me perdoem, mas, faltou algo mais, faltou alma, faltou a indignação, faltou o brado de "basta" ao engasgo de sapos. Faltou o recado de quem comanda...

Enaltecer o Exército, do início ao fim de uma mensagem, neste momento da vida nacional, decididamente, é muito pouco para uma Força Terrestre que precisa mais, mas muito mais do que nunca, de desagravo, de sentimento de repulsa, de projeção de brio represado.

Não, em absoluto, não sou contra a exaltação do nosso Exército.  Mas assim também o fazem, a todo o momento, aqueles que o defendem com unhas e dentes, colocando muitas vezes o sentimento sagrado de respeito à Instituição e de lealdade à Pátria acima da "disciplina militar prestante", hoje decantada, com segundas intenções, em prosa e verso, por notórios inimigos dos militares.  Assim o fazem a todo instante aqueles que não têm o rabo preso nem algo a perder. Assim o fazem a todo instante aqueles que, muitas vezes, colocam a boca no mundo, defendendo sem medo a manutenção do ESPÍRITO DE CORPO do Exército e são acusados, de forma pusilânime, de estarem concorrendo para a indisciplina ou para a desarmonia.

Que não se duvide: quem clama por BRIO, muito mais que raivoso, está, sim,indignado pela falta de atitude, pela submissão às conveniências, pela falta de "decisão de caráter moral"!

Preocupante! Não enalteceu o Exército pelo cumprimento de missão vital, em 1935 e 1964, qual seja a de livrar o País da "foice e do martelo". Medo do que? Medo de quem? Arrependimento? Vergonha? "Mea culpa"?
Ainda no dia 14 de abril, em reunião da reserva com o comando da guarnição de Santa Maria, ao final das exposições, fiz chegar pessoalmente ao excelentíssimo senhor comandante da 3ª  DE não uma pergunta, muito menos um questionamento, mas, tão somente, a solicitação de que se fizesse chegar ao alto comando a apreensão da reserva, e mesmo da ativa, quanto ao fato da nossa Medalha do Pacificador ainda estar no peito de um guerrilheiro mensaleiro. 

Devo acreditar (à esta altura, acho que ninguém mais duvida): esta preocupação seria transmitida, a quem de direito e obrigação e à viva voz, por alguns companheiros (AOS QUAIS ME INCLUO), em uma reunião na qual estivesse presente o próprio comandante da Força. Sim, porque ninguém, absolutamente ninguém, nem oficiais-generais podem estar imunes às cobranças (desde que feitas na posição de sentido), de forma a que não se afastem da exação no cumprimento de suas atribuições funcionais.

Atenção! Até sobejas provas em contrário, acho que gente desqualificada vai ser enterrada, como sempre, com a Bandeira Brasileira, só que agora, também, com o pavilhão auriverde emoldurado pela nossa Medalha do Pacificador!  QUEM VIVER VERÁ!

Em oportunidade passada alguém  já disse: -"Que ninguém se julgue perfeito neste mundo. A natureza humana é imperfeita. Quem jamais pecou, quem nunca errou, quem nunca se enganou, que atire a primeira pedra! Mas, não há como negar também aquele velho e sábio ditado: - “Errar é humano, mas persistir no erro é diabólico.”

A voz do povo é a voz de Deus, mas o clamor do Exército é o brado do soldados! E o brado da tropa, ativa e reserva, que me perdoem mais uma vez os "pastores de ovelhas", não foi ouvido, muito menos assimilado, por quem deveria ter um mínimo de sensibilidade como condutor de homens de farda.  Sentir, identificar, assumir a aspiração do subordinado é atributo/princípio de liderança. O Duque  de Caxias sentiu na carne que sua intervenção em Ytororó era o desejo de seu soldados. Osório, Sampaio, todos eles, sabiam manejar o carisma pessoal, sempre identificados com o que a tropa esperava deles em termo de atitudes. Nos últimos dias, ativa e reserva traduziram para o comando do Exército suas justas aspirações, suas expectativas de justiça, de desagravo, de imposição de auto respeito pela Força Terrestre, para seu comandante, e  ele não entendeu a mensagem.

Não, não desejamos a tal NOVA FORÇA TERRESTRE apregoada com tanta ênfase naquela ordem do dia. Eu  pelo menos prefiro a  FORÇA TERRESTRE ANTIGA,  aquela de generais como Humberto de Alencar Castelo Branco, que não levava desaforo para casa, que não admitia a convivência com declarados inimigos do Exército,  que não se afastava um milímetro do cumprimento de suas atribuições por qualquer tipo de conveniência.

Não, não sou o dono da verdade! Quem viu alguma coisa de aproveitável na dita mensagem, para a situação periclitante em que estamos mergulhados hoje (até o talo), QUE SE MANIFESTE. Mas não venha com aquela "estória para boi dormir" de que apregoo o "golpe"; com aquela excrecência injusta de que, cobrando por atitude, estou sendo indisciplinado ou que, chamando companheiros de "pastores de ovelhas", estou contribuindo para a desunião. Que estes últimos fiquem tranquilos: quando a hora da definição chegar,tenho a certeza de que estaremos do mesmo lado da trincheira. Quando a "luta" tiver lugar (e ela vai chegar), não faltará um "VELHO SOLDADO RAIVOSO"  para buscar o "PASTOR DE OVELHAS" que tenha sido ferido no combate.

O meu abraço forte a todos, "raivosos e pastores".


SELVA ! BRASIL ACIMA DE TUDO !


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Paulo Ricardo da Rocha Paiva é Coronel de Infantaria e Estado Maior, na reserva. 


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