terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Olavo de Carvalho, Bolsonaro e os erros de Narloch sobre a imigração


O que esperar do sujeito que advogou o plantio de MACONHA como solução para a pobreza do sertão nordestino?


As discussões políticas das redes sociais giraram, na semana passada, em torno de um debate público entre Leandro Narloch (jornalista e autor da série best seller "História Politicamente Incorreta") e Olavo de Carvalho (também jornalista, além de filósofo, professor e autor do — igualmente — best seller “O Mínimo que você Precisa Saber para Não Ser um Idiota”). Para entender a querela entre esses dois autores tão populares, é preciso remontar a acontecimentos que são anteriores a ela e envolvem também Jair Bolsonaro. Tudo começou na quinta-feira, dia 17 de setembro de 2015, quando o deputado, durante uma entrevista ao Jornal Opção, usou a expressão “escória do mundo” em uma declaração sobre imigrantes haitianos, iranianos e bolivianos (escute a entrevista inteira aqui https://goo.gl/WTrgA9). Na quarta-feira seguinte, 23 de setembro de 2015, Narloch publicou, em seu blog na Veja, o texto “Deixe a escória entrar, Bolsonaro. Pois faremos com ela um grande país”, no qual ele retruca o deputado, comparando os fluxos migratórios comentados por Bolsonaro com outros fluxos migratórios que aconteceram há algumas décadas, nos quais vieram para o Brasil alemães, japoneses e italianos. A resposta dada a Bolsonaro por Narloch encontrou muitas críticas nas redes sociais, o que obrigou o jornalista a retomar o tema em um segundo texto, publicado a 25 de setembro de 2015, com o título de “A livre imigração é uma bandeira da esquerda ou da direita?”. Mais recentemente, a 5 de dezembro de 2015, foi publicado no Youtube um vídeo com um trecho de uma aula do “Curso Online de Filosofia”, popularmente conhecido como COF, no qual o professor Olavo critica Narloch (veja aqui https://goo.gl/W4faa5) apontando as diferenças entre os atuais fluxos migratórios e os que aconteceram no passado. Tendo tomado conhecimento do conteúdo do vídeo, Narloch publicou, a 9 de dezembro de 2015, um terceiro texto sobre o mesmo tema, com o título de “O erro de Olavo de Carvalho sobre a imigração”, dessa vez retrucando ao filósofo.


Ocorre que, desde o primeiro texto, Narloch incorre em erros de raciocínio que seriam vergonhosos se tivessem sido cometidos em uma redação de um aluno de segundo grau. E, a cada texto novo, no lugar de conseguir refutar as críticas que lhe foram sendo feitas, só conseguiu aumentar cada vez mais o desarranjo no qual havia se metido. Assim, o escopo desse artigo é destrinchar cada uma dessas confusões cometidas pelo blogueiro, além de aproveitar a ocasião para dissipar de uma vez por todas todo o embuste que a esquerda (de uma maneira geral) e os libertários (pelo menos aqueles que se sentem representados por Leandro Narloch) criam para induzir abordagens nefastas no que diz respeito a forma com a qual os países devem tratar os fluxos migratórios. O primeiro texto produzido por Narloch será abordado sob três grupos distintos de consequências oriundas do adentramento de grandes massas humanas em uma determinada nação: [01] aspectos econômicos, [02] aspectos políticos e [03] aspectos culturais. O segundo texto de Narloch será tomado como adendo do primeiro e ilustrará apenas a questão política. Por fim, o terceiro texto de Narloch será abordado apenas no sentido de comprovar que, mesmo com os apontamentos realizados por Olavo de Carvalho, o blogueiro continuou insistindo em erros idênticos aos que ele havia incorrido nos textos anteriores.

I. Aspectos econômicos

Narloch diz:

"Eu, Bolsonaro e quase todos os brasileiros que eu conheço são descendentes de gente miserável que chegou ao Brasil aceitando qualquer subemprego. Em poucas gerações, essa gente enriqueceu mais que os nativos".

Deixando de lado o erro gramatical que evidencia o alcance da ação macabra de Paulo Freire (a primeira pessoa do plural do presente do indicativo do verbo “ser” é “SOMOS”, então fica "Eu, Bolsonaro e quase todos os brasileiros que eu conheço SOMOS"...), o jornalista da Veja aqui alega que os imigrantes europeus que vieram para o Brasil no século passado, e dos quais ele e o deputado seriam descendentes, chegaram a estas terras na mesma condição em que agora chegam os haitianos. Tal alegação é um convite para uma pequena aula de ontologia:

Vocês sabem a diferença primordial entre lidar com uma cadeira e lidar com a palavra "cadeira"? É simples: Quando se lida com um sintagma que REPRESENTA um fato/circunstância/objeto, o caráter ontológico em questão é arquetípico, quando se lida com um fato/circunstância/objeto em si mesmo, sem mediação do signo, o caráter é manifesto. Isso significa dizer que um sintagma ou qualquer outro signo ISOLA uma característica especifica do ente e descarta as demais. A manifestação do ente, necessariamente, ultrapassa o recorte ontológico estabelecido pelo signo. Ficou difícil? Eu desenho: se alguém diz "camisa", você pensa em uma camisa. Ok. Mas ela é de que cor? Ela é de manga comprida ou curta? Ela é de algodão ou poliéster? Ela é velha ou nova? Estampada ou lisa? O significado da palavra “camisa” não tem massa, não tem cheiro e não tem cor. Uma camisa “real” precisa, necessariamente, ser confeccionada a partir de um material específico, ter uma determinada massa, uma cor específica. Deu para entender? A turma dos libertários tem a mania de raciocinar não em cima de fatos, mas em cima de recortes bem limitados que eles fazem ao bel prazer sobre esses fatos. 

Voltemos para os imigrantes... embora seja verdade que os imigrantes europeus chegaram ao Brasil desprovidos de posses e, portanto, em situação de pobreza, tais pessoas eram oriundas de sociedades relativamente bem estruturadas e relativamente abundantes (embora estivessem passando por um problema naquele momento; caso contrário, não precisariam ter emigrado). Podem ter chegado ao nosso país sem dólares, sem barras de ouro ou pedras preciosas, mas formavam uma massa composta de profissionais liberais, artesãos, agricultores, que introduziram na nossa cultura uma coisinha sem valor que o pessoal da área de administração chama de "know how", ou seja, o conjunto de conhecimentos necessários para produzir determinado bem ou prestar determinado serviço. Mesmo tendo chegado ao Brasil sem objetos valiosos, não significa que não trouxeram valor consigo. Como eram pessoas acostumadas a viver em relativa abundância, não tardou até que a vida que passaram a construir aqui manifestasse a abundância que estava DENTRO delas. 

Que me conste, embora possa haver exceções (quem não se deixa embriagar pelos recortes ontológicos sabe que elas existem), a massa vinda do Haiti não é composta de artesãos, comerciantes ou mesmo de pessoas que dominem técnicas de plantio e consigam elevar a produtividade do agronegócio brasileiro. Tanto os imigrantes europeus quanto os imigrantes haitianos chegaram, ao Brasil, pobres; mas não "pobres da mesma forma". A realidade tem essa "coisa" de extrapolar as construções abstratas. Realmente é um troço muito chato. Ainda mais que sobra para mim o trabalho de escrever um texto gigante, com uma pequena introdução aos fundamentos da ontologia, para desmontar o cipoal que Narloch construiu em tão poucas linhas.

Ele segue:

"Em Londres, judeus e sikhs eram os grupos mais pobres no começo do século 20. Hoje são os mais ricos. Nos Estados Unidos, chineses e irlandeses sofriam tanta discriminação quanto os negros. Muitas empresas anunciavam empregos com a sigla NINA (No Irish Need Apply, “'rlandeses não devem se candidatar”). Hoje chineses e irlandeses são mais ricos que a média dos americanos. No Brasil, imigrantes sírios e libaneses construíram o melhor hospital do país".

Percebam que, conforme aparece na esquematização do pensamento de Narloch, o entendimento que fica representado é o de que a característica que habilitou determinado grupo de seres humanos a construir "o melhor hospital do país" não foi a de "domínio da medicina", nem a de "domínio da administração", nem a "capacidade fora do comum para realizar negócios e atender a demandas colocadas pela sociedade", mas apenas o fato de “serem imigrantes". Mais uma vez ele fala em "camisa" e esquece que existem camisas de manga longa, camisas de maga curta e que, muitas pessoas também chamam camisetas de “camisa”, sem contar as camisetas regatas, próprias para a prática esportiva. Narloch lida com o sintagma “imigrante” como a aprendiz de feiticeiro que cria o feitiço e se faz enfeitiçar: o encantamento o faz esquecer dos detalhes sórdidos que o mundo real insiste em impor para acabar com as abstrações tão legais construídas na melhor das boas intenções (afinal, não pega nada bem levantar questões que possam, de alguma forma, prejudicar a imagem daqueles que querem entrar no Brasil. Não é verdade?).

No fantástico mundo do samba da ontologia psicodélica enfeitiçada, o mero fato de um sujeito ser "imigrante", independentemente de qualquer outro aspecto do "ente real", habilita esse sujeito a construir o melhor hospital do país. Basicamente tal raciocínio confere poderes mágicos às fronteiras: alguém que nasça de um lado delas, ao passar para o outro lado, ganha, sem mais delongas, capacidades e habilidades extraordinárias e, até mesmo, sobrenaturais. Raciocinando dessa forma, dá até para esperar que um haitiano, uma vez tenha adentrado o território nacional brasileiro, crie a empresa que vai desbancar a Apple. Assim, de fato, seria uma perda muito grande não acolher todo e qualquer imigrante, tendo ele saído de qualquer buraco que tenha saído. É uma pena que, no mundo real, as fronteiras não tenham esses poderes fantásticos. Ou seja, se o imigrante for um zé-ruela no país de origem dele, vai continuar sendo um zé-ruela no Brasil e, — porca miséria! — nenhum hospital de ponta vai brotar do chão.

Prossigamos:

"Economistas estão cansados de dizer que imigrantes não são um problema, mas a solução. Em maioria adultos jovens, contribuem mais em impostos do que gastam em serviços públicos. Ao ocupar vagas de baixa qualificação, liberam os brasileiros para trabalhos mais produtivos".

Vamos por partes, porque o bagulho tá frenético:

01) "Economistas estão cansados de dizer que"

Fico compadecido pelo exaurimento das forças físicas desses economistas, mas, desafortunadamente, não basta repetir uma alegação até a exaustão para que ela se torne verdadeira. É preciso provar a alegação através de um raciocínio lógico ou, pelo menos, oferecer um simulacro de prova através de um fato empírico que exemplifique a tese que se quer afirmar; o que é exatamente o que vamos fazer a seguir...

02) "contribuem mais em impostos do que gastam em serviços públicos"

Oh! Really? Vejamos: se essa alegação é verdadeira, então por que cargas d’água o governo petista do Acre que abre as pernas para os imigrantes não se esforça para manter essas "usinas de geração de valor econômico" em seu próprio estado, preferindo, no lugar disso, usar dinheiro público para bancar milhares de passagens de ônibus para enviar esses "pagadores de impostos" para São Paulo? Se os haitianos fossem um "ativo" será que a petralhada do Acre mandaria de presente para Geraldo Alckmin para enriquecer ainda mais o estado mais rico do Brasil? Não respondam ainda, vamos dar uma lida nos jornais paulistas em busca de dados factuais: "Folha de São Paulo", 4 de dezembro de 2014, "Estrangeiros vão poder receber Bolsa Família em São Paulo". Iiiiiii... ‘tá parecendo que essa tese do haitiano-geração-de-valor vai fazer água... Será? Vejamos outra matéria: "O Globo", 5 de dezembro de 2014, "Prefeitura de SP inclui estrangeiros no programa Bolsa Família". É! Foi conforme parecia que iria ser. É aquela coisa: de onde menos se espera é daí que não sai nada mesmo. 

03) "Ao ocupar vagas de baixa qualificação, liberam os brasileiros para trabalhos mais produtivos"

Como se sabe, o Brasil é um país com uma mão de obra extremamente qualificada e capacitada, que está presa a serviços de limpeza e não consegue preencher todas as vagas que abundam na nossa também pujante indústria aeroespacial, causando um problema de falta de mão de obra em todos os postos de trabalho (acaso alguém seja displicente a ponto de não ter notado: ironic mode “on”). Tivéssemos ao menos alguns imigrantes pouco capacit... mas... ‘péra... ele disse "ocupar vagas de baixa qualificação"??? Confere, produção? E aquele papo de "melhor hospital do país"??? (Em matéria de dialética erística, esse Narloch está me saindo melhor do que a esquerda). Em se tratando de “ocupar vagas” e “liberar brasileiros para trabalhos mais produtivos”, surge um dos pontos mais frágeis da tese de Narloch: Será que esses imigrantes estão vindo realmente em busca de trabalho? Para além da capacitação ou falta de capacitação dos imigrantes (que foi abordada acima), ainda há dois pontos a serem estudados: 01) a realidade do país que está recebendo os imigrantes e 02) a expectativa deles ao migrarem.

Sobre o primeiro ponto, percebam que quando Narloch discorre sobre os chineses e irlandeses que prosperaram nos EUA, ou mesmo sobre imigrantes que no passado prosperaram no Brasil (tanto os europeus, quanto os sírios responsáveis pelo Hospital Sírio-Libanês) ele ignora uma abissal diferença entre as duas situações. Tais pessoas prosperaram em países cuja mentalidade dominante era a do “self-made man”, ou seja, o homem construído pelo esforço próprio. Décadas de ocupação esquerdista nos centros formadores de opinião (imprensa e sistema de ensino), disseminaram no Brasil uma mentalidade para a qual o Estado deve ser o provedor de TODAS as necessidades dos cidadãos. Refletindo essa mentalidade que já se transformou em um câncer, chegou ao poder um partido que formatou a economia para privilegiar não quem quer produzir (como era na época em que foi erigido o Hospital Sírio-Libanês), mas aqueles que querem receber do Estado segurança, saúde, educação, transporte, diversão, preservativo (e, caso o preservativo falhe, aborto); tudo público-gratuito-e-de-qualidade.

O Brasil, enquanto nação, está mais do que falido, está DOENTE, e o pior que pode nos acontecer é recebermos uma massa de miseráveis para engrossar as fileiras dos movimentos (ditos) sociais que o petê conduz na coleira (ou já nos esquecemos das fotos que a própria Veja mostrou de tantos haitianos participando dos “protestos em favor” do governo, financiados pelo BNDES e movidos a pão com mortadela?). Estamos passando pela pior crise da História do nosso país. As fábricas estão fechando, os investidores estão indo embora, o desemprego real (não aquele maquiado pelos números do governo) já atinge mais de 40% da população em idade produtiva, exatamente porque o empreendedorismo foi moralmente criminalizado no Brasil. É utopia e até mesmo devaneio comparar o que aconteceu no passado com o que acontece agora, ignorando a diferença de mentalidade e o contexto geral no qual cada uma das situações se circunscreve. Mesmo que os imigrantes estivessem chegando ao Brasil com gana para trabalhar, não encontrariam aqui um ambiente apropriado. O que nos leva à segunda questão: será que eles querem trabalhar?

Antes de escrutinarmos as intenções de quem para cá está vindo, cabe uma observação: Em um programa de televisão (se não me engano, o de Danilo Gentili), Narloch se auto definiu como “libertário”, uma vertente política que prega a liberdade econômica absoluta até o nível da supressão do Estado. Como as fronteiras são mantidas pelo Estado, o raciocínio de Narloch foi o de que “se o Estado deve acabar, a extinção de todas as estruturas que são mantidas por ele deve preceder essa apoteose de liberdade, quando finalmente não mais haverá nenhum tipo de coerção estatal”. Ocorre que os maiores expoentes do libertarianismo no mundo possuem um raciocínio bem diferente do nosso libertário tupiniquim, a exemplo do muso libertário Hans-Hermann Hoppe. Mais que isso, Peter Schiff e Stefan Molyneux — dois nomes do primeiro panteão libertário — são paladinos da “Welfare magnet hypothesis”. E é nesse ponto que eu queria chegar:

A “Welfare magnet hypothesis” aponta com evidências empíricas que há uma relação direta entre a quantidade de benefícios sociais oferecidos por um país e o tipo de imigrantes que este país atrai. Países sem benefícios atraem imigrantes que realmente querem trabalhar, produzir e crescer por conta própria. Países com sistema de saúde público, escolas públicas, sistema habitacional que dá de presente casa para quem precisa (ou para quem frequenta com assiduidade os “protestos em favor” organizados pela CUT & MST) e que oferecem auxílios como bolsa para quem faz filho; bolsa para quem vai para a escola; bolsa para quem não vai para a escola; bolsa para quem assalta, assassina e estupra; (será que alguém conhece algum país que se encaixe nessa descrição?) etc atraem pessoas interessadas nessa miríade de “direitos” do público-gratuito-e-de-qualidade.

Os Estados Unidos são um país ímpar. Sendo muito rico, consegue oferecer alguns benefícios sociais sem com isso minar as possibilidades de empreendedorismo. Assim, a América consegue tanto atrair imigrantes que querem se fazer no “american dream”, buscando a terra para crescer por esforço pessoal — a exemplo de cubanos, venezuelanos e brasileiros — , quanto aqueles que são oriundos de realidades tão miseráveis que o mero acesso a um prato de comida por dia já os torna “milionários” em relação às expectativas de vida que nutrem para si mesmos — haitianos e paquistaneses vão para os EUA não em busca da liberdade para trabalhar, mas apenas para viver sustentados pelo Food Strap e pelo Obama Care.

Os pontos expostos acima provam três fatos:

01) O Brasil atual não favorece o empreendedorismo, nem do ponto de vista legal, nem do ponto de vista moral, de sorte que quem aqui chega como imigrante — MESMO QUE QUEIRA — não vai encontrar condições favoráveis para se sustentar e produzir riquezas.

02) A imagem que a atual política brasileira projeta no mundo faz com que o país se torne um imã para todos que NÃO QUEREM trabalhar, mas apenas querem passar o resto de suas vidas mamando nas tetas dos benefícios sociais, conforme explica a “Welfare magnet hypothesis

and, last but not least,

03) Ainda que possa haver exceções, de uma maneira geral os haitianos estão SIM em busca de onde possam parasitar — pode ser politicamente incorreto falar isso, mas o autor da série “História Politicamente Incorreta” não deveria se sentir desconfortável em adentrar o território do que não é considerado de “bom tom” pelo “beautiful people”.

Conclusão sobre os aspectos econômicos da imigração:


Se o leitor acompanhou com atenção a argumentação acima, não vai poder se furtar ao entendimento de que é um absoluto disparate afirmar que a chegada de diferentes levas populacionais a um país projeta sempre o mesmo impacto sobre a economia levando em consideração apenas o fato de se tratar de “imigrantes” e desconsiderando aspectos tais quais “de onde vieram”, “quais habilidades trouxeram consigo”, “quais expectativas nutrem em seu novo lar”, “de que forma está o cenário econômico e social do país que os recebe” etc.

II. Aspectos políticos

Não bastassem todos os aspectos econômicos negativos que foram apontados acima, a imigração de pessoas miseráveis causa, a médio e longo prazo, sérias consequências políticas, que são até mesmo evidentes para quem entende minimamente do assunto. Essas consequências foram explicadas de forma brilhante pelo economista americano Thomas Sowell (o qual, para quem não conhece, é NEGRO e um dos maiores inimigos das chamadas “Afirmative Actions”, ou seja aquelas medidas que dão aos negros, entre outras vantagens ilícitas — e IMORAIS — , o direito de burlar o sistema de seleção por mérito para adentrar em universidades, concursos públicos etc — as famigeradas cotas raciais), em seu artigo “The Past and Future of the Refugee Crisis” (O Passado e o Futuro da Crise de Refugiados), publicado a 8 de setembro de 2015, no realclearpolitics.com (link para o original http://goo.gl/nNxAnJ):

“[...] a crise atual não pode ser tratada como se não tivesse passado nem futuro. O futuro é de fato uma das maiores restrições sobre o que pode ser feito no presente. Qualquer pessoa com um senso de decência e humanidade iria querer ajudar aqueles que já passaram por experiências angustiantes e chegaram, exausta e desesperadamente, nas margens da Europa. Mas a história não termina aí, se o fizerem. A atual geração, com refugiados, como com todos os outros seres humanos, vai passar. Aqueles que podem ser gratos por terem encontrado um refúgio contra os horrores do Oriente Médio terão uma nova geração de crianças na Europa, ou em qualquer outro lugar de refúgio, que não terão memória do Oriente Médio. Tudo o que a nova geração vai saber é que eles não estão se saindo tão bem quanto as outras pessoas no país onde vivem. Eles também saberão que os valores de sua cultura entram em confronto com os valores da cultura ocidental em torno deles. E não haverá falta de "líderes" para dizer-lhes que eles foram enganados, incluindo alguns que os incitarão a jihad”.

Ou seja:

Hoje, você acolhe e dá uma oportunidade de vida para pessoas que estão em situação calamitosa. Amanhã, os filhos dessas pessoas, não entenderão que nasceram em uma situação infinitamente mais favorável do que teria sido se seus ancestrais não tivessem tido a oportunidade que lhes foi concedida pelo país de destino. No lugar de verem o que lhes foi dado por caridade, enxergarão apenas o fato de que sua situação está aquém da situação daqueles cujos ancestrais trabalharam para construir a riqueza daquele país há várias gerações. Estes indivíduos serão presas fáceis nas mãos de populistas que farão escada nas velhas bobajadas da luta-de-classes, da dívida histórica, e todas as outras idiotices inventadas pela esquerda com o único objetivo de fomentar a inveja entre os menos providos (ou, o que acaba acontecendo na maioria das vezes, com o objetivo de convencer os ressentidos e invejosos de que seu infortúnio fora causado por usurpação alheia), ao mesmo tempo que canalizam a energia gerada por esses sentimentos para que lhes forneçam ganhos políticos.

A predição acima foi feita por um economista americano, referindo-se à situação do país dele, no qual o pensamento “de direita” segue resistindo firme e forte. Imaginem quão pior não seria no Brasil, país no qual o câncer esquerdista está em estado avançado de metástase? Mais de 90 por cento dos brancos que hoje estão vivos no Brasil jamais tiveram um único ancestral que possuísse escravos, mesmo assim, pela lógica podre dos defensores das cotas raciais, qualquer pessoa de tez branca está, por força de sua cor de pele, em dívida com os negros. Os haitianos (país no qual a quase totalidade da população é negra) passarão a ser herdeiros de um “capital de sofrimento histórico”, sem ao menos terem um único ancestral que tenha sido escravizado no Brasil.

Mesmo que essa seja uma consequência inescapável do quadro que hoje se traça, o duro é que Narloch está convencido do exato oposto. Como era de se esperar, a área de comentários do blog de Narloch ficou coalhada de comentários negativos ao texto. Por conta disso, ele se viu na obrigação de publicar outro texto (“A livre imigração é uma bandeira da esquerda ou da direita?”, de 25 de setembro de 2015), no qual ele afirma:

“A imigração em massa sabota diversas bandeiras da esquerda. Aumenta a estatística de desigualdade, pressiona para baixo o salário de trabalhadores pouco qualificados, enfraquece os sindicatos e diminui a aceitação do povo a políticas de transferência de renda.
O economista Erzo Luttmer mostrou em 2001 que, nos Estados Unidos, o valor dos programas de redistribuição de renda é menor nos estados onde a população é mais diversa. “Se indivíduos preferem contribuir para sua própria raça, etnia ou grupo religioso, eles optam por menos redistribuição quando membros de seu grupo constituem uma parte menor dos beneficiários”, diz ele. Quer diminuir o peso do Estado? Diversifique a população”.

Alguém poderia me fazer a caridade de explicar de que forma, em um país cujo sistema de ensino assedia há décadas estudantes em fase de formação intelectual, incutindo-lhes, de forma enviesada, a mentalidade esquerdista, um “aumento da estatística de desigualdade” sabotaria bandeiras da esquerda? Percebam o erro lógico de usar exemplos americanos IGNORANDO as diferenças entre cada uma das situações. Se o povo de determinados estados dos EUA reage à diversificação da população diminuindo a aceitação de programas de transferência de renda, isso se deve a três fatores:

01) Nos EUA, há debate político e confronto de ideias. No Brasil, dizer-se “de direita” é motivo para ostracismo social e econômico. O sujeito que comete esse despautério simplesmente fica impossibilitado de participar de áreas econômicas dominadas pelos sindicatos controlados, ou por qualquer um dos outros inúmeros braços da Nomenklatura petista. Dizer-se contrário a programas de transferência de renda é garantir que o sujeito seja visto como um monstro sem coração, carrasco dos pobres, membro da elite branca burguesa que aplica golpes políticos para manter os privilégios dos quais se beneficia há 500 anos. Pergunta: qual político venceria uma eleição no Brasil incluindo nas promessas de campanha o fim do Bolsa-Família? Até aquele que é considerado pela petralhada como o ápice da extrema-direita golpista, o próprio Jair Bolsonaro, já deu declaração para entrevista de televisão dizendo que jamais cortaria tal programa. Imagine a situação entre os políticos “main stream”! Imagine um Aécio Neves ou uma Marina Silva explicando em horário eleitoral que vê o fim do Bolsa-Família e o corte dos benefícios sociais como o caminho para levar o Brasil ao desenvolvimento.

02) Nos EUA, em comparação com o que aconteceu no Brasil, a população manteve-se estratificada. Embora a situação tenha mudado muito de alguns anos para cá, casamentos multirraciais sempre foram uma raridade. A cultura do povo americano e a própria forma como se desenrolou o processo histórico daquele país mantiveram a população com raças bem definidas (o cantor Caetano Veloso critica isso na canção intitulada “Americanos”, na qual os versos dizem “Para o americano, branco é branco, preto é preto, e a mulata não é a tal”). No Brasil, por outro lado, houve um processo profundo de miscigenação: a índia fugia da tribo para “dormir” com o filho bastardo do senhor de engenho branco com a escrava negra. Alguém poderia me explicar como um povo composto em sua quase totalidade de MESTIÇOS poderia se deixar influenciar politicamente por um processo de “diversificação da população”?

E, por fim:

03) Os EUA são uma federação. Cada estado possui suas próprias leis, que tendem a refletir as opiniões e a mentalidade daquele estado específico. É por isso que nas regiões em que a população tem menor aceitação aos programas de transferência de renda esses programas têm menos relevância ou são inexistentes. Para a organização política do Brasil, muito longe do modelo federativo, a composição étnica da população de cada estado simplesmente é irrelevante, porque os programas de transferência de renda são uma imposição que vem pronta de Brasília e é aplicada da mesma forma tanto em estados que possuem uma população relativamente mais segregada, como Rio Grande do Sul (cuja maior parte da população possui nas veias maior quantidade de sangue europeu) e Bahia (cuja maior parte da população possui nas veias maior quantidade de sangue africano), quanto em estados cuja população, na prática, desconhece completamente o que seria os significados dos termos “caucasiano” e “negroide”.

Conclusão sobre os aspectos políticos:

Com a explanação acima, fica provado que, ao contrário do que é alegado por Narloch, a chegada de miseráveis ao Brasil jamais poderia sabotar qualquer bandeira da esquerda, mas na verdade as reafirmaria. Isso significa que além dos aspectos econômicos negativos que foram explicados na primeira parte do texto, os impactos negativos em relação aos aspectos políticos também se reverteriam em aspectos econômicos negativos, uma vez que dar mais força à esquerda é o caminho certo para criar mais miséria.

III. Aspectos Culturais

Para explanar sobre as consequências culturais da imigração indiscriminada, vamos destacar uma passagem extremamente elucidativa do mesmo texto de Thomas Sowell ao qual nos referimos anteriormente (o destaque em caixa alta, a seguir, é meu):
 “Nenhuma NAÇÃO tem uma capacidade ilimitada para absorver imigrantes, de qualquer tipo, e especialmente imigrantes cujas culturas não são simplesmente diferentes, mas antagônicas para os valores da sociedade em que se estabelecem”.

Por que eu destaquei o sintagma “nação”? Quem quer que conheça o significado dessa palavra percebe de pronto: “Nação; substantivo masculino, do latim “natio” (particípio passado de “natus” [nascido]), é uma comunidade ESTÁVEL, historicamente constituída a partir de um agregado de indivíduos que, com base em aspirações materiais, CULTURAIS e espirituais comuns, estabeleceu-se como um povo”. As palavras destacadas em caixa alta resumem o âmago da ideia de nação: um POVO que alcançou a ESTABILIDADE (ou seja, a relativa ausência de conflitos, guerras) através da confecção e partilha de uma mesma CULTURA.

Isso significa que cada povo tem seu conjunto de hábitos, sua forma de se comportar, sua cosmologia, sua forma de reagir às adversidades e vicissitudes da existência. Quando um grupo de indivíduos oriundos de outro povo adentra uma nação, ele traz consigo, óbvio, sua própria cultura. Se o número de indivíduos que chegam ao novo país não ultrapassar uma determinada quantidade em relação à população daquele país, esses indivíduos acabam criando uma mescla de suas tradições (que eles trazem consigo) com as tradições locais (às quais eles são obrigados a absorver por mera imposição numérica). Essa mescla de culturas, por fim, acaba enriquecendo a cultura do país que recebe os imigrantes, pois esta passa a dispor de um repertório simbólico maior. As pessoas do país receptor passam a ter acesso a novas tradições, novas formas de pensar, novos hábitos, nova culinária etc. Se os imigrantes ganham um novo lar, os cidadãos da nação que os acolheu ganham de presente um enriquecimento cultural.

Tudo isso é verdade. Mas percebam que essa situação de riqueza cultural é expressa em um parágrafo cujo cerne é uma oração subordinada adverbial CONDICIONAL: “Se o número de indivíduos que chegam ao novo país é PEQUENO EM RELAÇÃO à população daquele país”. “SE”. Nos casos em que essa relação numérica de “imigrantes x tamanho da população do país que os acolhe” ultrapassa essa quantidade “segura”, o que acontece é que passa a permear a sensação, entre os imigrantes, de que eles não precisam “negociar” com a cultura do país que os recebe. Assim, eles passam a IMPOR a própria cultura. Por exemplo: na China é hábito comer carne de cachorro. O Brasil recebeu um número considerável de imigrantes chineses, grande parte dos quais montaram, como forma de sobrevivência, restaurantes nos quais são servidas iguarias que supostamente seriam aquelas consumidas na cultura de onde eles vieram. Inobstante, não é possível encontrar no cardápio do China in Box um número referente a um suculento guisado de Totó, porque a população sino-brasileira sabe que esse costume em específico é INACEITÁVEL para a mentalidade média do cidadão do país que o colheu.

Mas, se o limite que separa o “enriquecimento cultural” da “fagocitose cultural” é uma proporção entre a quantidade de imigrantes em relação à população do país acolhedor, quantos imigrantes o Brasil poderia aceitar, sem que tal processo desandasse em degeneração da nossa própria cultura? Não é possível estabelecer o número preciso, pois ele se dá em função de variáveis completamente subjetivas, tais quais “quão forte é a cultura do país de onde partiram os imigrantes”, “quão forte está a cultura do país que os recebe” e “quão semelhantes ou auto excludentes são as duas culturas uma em relação à outra”. O que se sabe é que permitir que massas oriundas de outras culturas adentrem as fronteiras nacionais e aqui se instalem não é um oba-oba, não é uma festa, não é uma rave. Há aspectos positivos e negativos que devem ser pesados na balança, levando em consideração as condições próprias de cada caso específico de fluxo migratório.

Somente a título de ilustração, vamos usar como exemplo a situação hipotética na qual grupo de chineses (grande o suficiente para ter relevância político-cultural) decidisse que não precisam se submeter à limitação auto imposta pelos brasileiros de não consumirem carne de cachorro, eles poderiam tentar se organizar socialmente para transformar isso em uma AGENDA POLÍTICA. Em um país dominado pelo câncer da mentalidade esquerdista — o qual consegue, com intuito de colher dividendos políticos, transformar até um pirulito em símbolo de opressão — esse grupo certamente seria amparado por uma parte considerável da população do país que os acolheu (mesmo essa parte não sendo grande, ela está aboletada nos centros de decisões políticas e nos centros formadores de opinião). Em pouco tempo, um brasileiro que declarasse publicamente não conseguir comer a carne de um animal cuja a espécie ele tem uma relação profunda de afeto seria acionado juridicamente acusado de cometer “crime de sinofobia” e acabaria atrás das grades. Em última instância, a cultura do país que acolheu os imigrantes seria CRIMINALIZADA por uma minoria de imigrantes associada às pessoas que tiram vantagens espúrias de um processo como esse. Esse exemplo pode parecer surreal à primeira vista, mas a verdade é que eu nem deveria estar dando a ideia, pois ela pode cair em alguma cabecinha fértil esquerdista e aflorar como realidade cotidiana em questão de uma década.

Tendo em mente o “modus operandi” do processo, acrescentamos à situação outro fator de complicação. A base mais elementar de qualquer cultura é a religião. As duas grandes religiões monoteístas do mundo são o cristianismo e o islã. A perseguição do islã a cristãos remonta às origens do próprio islã. Muito sangue precisou ser derramado para livrar a Europa das INVASÕES mouras que aconteceram mais de cem anos antes das Cruzadas. Qualquer pessoa que tenha pelo menos dois neurônios em funcionamento sabe que a “jihad” (guerra com objetivo de impor o islã) está hoje mais forte do que nunca. Entre os jihadistas, há aqueles que agem de forma bélica, como os integrantes do Daesh (os autointitulados “Estado Islâmico”), mas também uma grande parte que deseja impor o islã ao ocidente apenas pelo expediente da superioridade numérica. Enquanto os povos ocidentais possuem dois filhos por casal, às vezes um, tantos casais sem nenhum filho, os islâmicos adentram os países ocidentais e fazem 20 filhos ou mais — todos criados com o dinheiro do contribuinte daquele país (Na Dinamarca, por exemplo, apesar de serem apenas 4% da população, os muçulmanos representam 40% dos gastos do sistema de assistência social — Percebam que as questões econômica, política e cultural, na prática, estão entrelaçadas e foram separadas no artigo somente como ferramenta retórica). Como ilustração do que está sendo dito, tomemos o caso da França: Em 1945, havia 100 mil muçulmanos naquele país. Hoje, em números oficiais, são 6 milhões, o que significa 10% da população. Na Bélgica e na Holanda, a população de muçulmanos já soma 10% e 15% do total, respectivamente. Esses números não param de crescer. Estima-se que, associada à baixa fertilidade dos casais autóctones, a alta taxa de fertilidade da comunidade islâmica causará, em uma década ou duas, um cenário no qual a população islâmica terá ultrapassado a metade do total populacional desses países. Vocês sabem qual a implicação prática desse fato? Mais um ponto de entrelaçamento entre aspectos culturais com aspectos políticos: de um total de 48 países com maioria muçulmana, 44 são ditaduras.

E vocês lembram daquela alegoria do guisado de Totó que usei para exemplificar o choque cultural? Agora vamos deixar as alegorias de lado e passemos aos dados empíricos: Na França, 95% das condenações por estupro são de muçulmanos. Na Itália também os muçulmanos perfazem 95% das condenações por estupro, além de 85% das condenações por assassinato (Observação: todos os dados numéricos citados nessa parte do texto foram retirados do livro de Peter Hammond, “Slavery, Terrorism and Islam”, de 2013). Imaginem o impacto de um povo “educado” para tratar as mulheres dessa forma em um país em que as mulheres possuem liberdade para andar de roupas curtas. E o que dizer dos gays, os quais estão sempre chorando pitangas e se dizendo vítimas de homofobia nas culturas ocidentais, as quais lhes têm dado tanta liberdade? Vejamos como o homossexualismo é tratado em alguns países islâmicos — Bangladesh: prisão perpétua; Serra Leoa: prisão perpétua; Emirados Árabes: multa ou morte; Arábia Saudita: flagelação ou morte; Afeganistão: prisão ou morte; Iêmen: flagelação ou morte; Irã: prisão ou morte; Mauritânia: morte. Como conciliar essa cultura com as paradas gays tão comuns nos países ocidentais? Acho que depois desses dados ficou mais claro o início dessa seção do texto que dizia: “POVO que alcançou a ESTABILIDADE através do confecção e partilha de uma mesma CULTURA”. Não?

Conclusão sobre os aspectos culturais:

O contato entre duas culturas distintas pode ser muito enriquecedor, mas também pode ser muito traumático; esse caráter traumático sempre flagela apenas a cultura mais acostumada às liberdades individuais (um rinoceronte destrói uma orquídea com um único movimento, já a orquídea não dispõe de nenhum atributo que possa afetar o rinoceronte). Negar esse fato é enfiar a cabeça em um aquário de político-corretismos, é colocar um óculos cor-de-rosa e viver em uma realidade paralela de faz-de-conta. E é exatamente nessa direção que o “pensamento” de Narloch vai. Essa é uma forma delirante de lidar com a realidade. Uma parcela da esquerda foi chancelada de “esquerda festiva” exatamente por raciocinar dessa forma, ignorando a realidade, apegando-se a supostos “bons sentimentos” e favorecendo, por inabilidade de lidar com o raciocínio lógico, toda sorte de atrocidades.


IV. O segundo texto de Narloch, em resposta aos apontamentos feitos por Olavo de Carvalho

Tendo entendido as considerações acima sobre o primeiro texto de Narloch, o leitor agora tem clareza de raciocínio para lidar com os embustes que a esquerda (não vou mais me referir aos libertários, conforme fiz no início desse artigo, porque, conforme foi dito no corpo da refutação, os maiores expoentes do libertarianismo não são favoráveis à supressão do controle sobre o fluxo migratório. Assim, ainda que Narloch se diga “libertário”, a verdade é que na questão da imigração suas palavras fazem eco das bobagens perpetradas por esquerdistas da grei de Leonardo Sakamoto e Cynara Menezes) e com as trapaças que Narloch tentou montar para responder a Olavo.

Narloch escreve:

“Olavo afirma que estou raciocinando a partir de similitude de palavras (imigrante = escória). “Acontece”, diz ele, “que os japoneses, italianos e alemães nunca foram chamados como escória; ao contrário, eles foram chamados porque vinham elevar o nível técnico da nossa população. ” / Não é verdade. Ou melhor: a afirmação de Olavo vale para os alemães, talvez também para os italianos do norte (e aqui eu admito o descuido ao afirmar que os alemães eram considerados escória). / Mas a afirmação não vale para todos os outros povos que imigraram ao Brasil: japoneses, italianos do sul, poloneses, ucranianos, quase todos famintos, miseráveis e discriminados quando chegaram aqui
Os japoneses, que para Olavo de Carvalho também foram chamados ao Brasil “para elevar o nível técnico da população”, são um belo exemplo. Oliveira Vianna dizia que “o japonês é como enxofre: insolúvel”. A revista O Malho publicava charges ridicularizando os imigrantes japoneses. “O governo de São Paulo é teimoso. Após o insucesso da primeira imigração japonesa, contratou 3.000 amarelos”, diz uma charge de 1908. “Teima pois em dotar o Brasil com uma raça diametralmente oposta à nossa”.
Nos debates da Assembleia Constituinte de 1946, a expressão “aborígenes nipões” é frequente. Por muito pouco os deputados não aprovaram a emenda 3.165, que proibia “a entrada no país de imigrantes japoneses de qualquer idade e de qualquer procedência”. A emenda teve apoio de Luís Carlos Prestes e os demais deputados comunistas. / Vejam só que informação deliciosa: quando o assunto é proibir a entrada de povos considerados escória, Olavo de Carvalho e Luís Carlos Prestes se aproximam. Quem diria”.

Nesse trecho, além dos erros de pontuação (talvez para fazer jus à comparação com Sakamoto e Cynara Menezes não só no conteúdo, mas também na forma, Narloch tem o estranho hábito de quebrar parágrafos onde não é cabido. Para facilitar a leitura, eu substituí na reprodução as quebras de parágrafos impróprias do texto original por uma barra [/]), Narloch comete três erros terríveis de raciocínio:

01) Ele continua confundindo “riqueza” com a posse de bens materiais, conforme foi explicado na refutação do primeiro texto.

02) O que salta aos olhos aqui é outra confusão de raciocínio que fica mais clara no parágrafo em que ele aborda os japoneses. O mea culpa que ele encena fazer por ter considerado alemães como escória no primeiro texto é ridículo, pelo simples motivo de que Olavo demonstrou que os imigrantes que vieram para o Brasil no passado NÃO ERAM escória, Narloch agora volta argumentando para provar que os italianos (do sul, que seja) e japoneses eram CONSIDERADOS escória pelos jornalistas da revista “O Malho” e por parte dos políticos que integravam a Assembleia Constituinte de 1946. Ou ele não entendeu o que Olavo explicou (deficiência de compreensão de texto) ou ele está deliberadamente incorrendo na falácia do espantalho, ou seja, fazendo de conta que Olavo fez uma afirmação que ele não fez e refutando a afirmação que não foi feita como se ela o tivesse sido. Repetindo: Olavo nunca disse que não tenha havido opositores aos fluxos de imigração que aconteceram no passado; o que ele disse foi que aqueles imigrantes NÃO ERAM escória.

03) O fato de João, Joaquim, Antônio e Luis Carlos Prestes, há cem anos, terem se oposto aos imigrantes japoneses por motivos fúteis (mero preconceito, exposto ao chancelá-los de “aborígenes nipões”) em hipótese alguma torna fúteis os motivos levantados por José, Manoel, Jair Bolsonaro e Olavo de Carvalho para que a imigração, que hoje ocorre, de haitianos e sírios seja rechaçada. Não há relação de continuidade entre os fluxos migratórios de japoneses com os de haitianos, não ficou comprovado na argumentação de Narloch que haja relação de continuidade entre os argumentos de Luis Carlos Prestes e os de Olavo de Carvalho. O único elemento que constrói a ponte necessária para que toda a exposição verbal de Narloch funcione é um “desejo” dele de que assim seja. Na verdade, Narloch está incorrendo na chamada “falácia das más companhias”. Este embuste argumentativo consiste em “atacar a posição de outrem baseando o ataque no fato de que tal posição já foi sustentada por alguém obviamente mal e parvo e, assim, concluir que se faz necessário ser igualmente mal e parvo para sustentar aquela posição” (Imagine um livro de álgebra ensinando que 2+2 é igual a 4. Daí basta localizar no Mein Kampf uma passagem em que Hitler tenha afirmado que 2+2 é igual a 4 para chegar à brilhante conclusão de que o autor do livro de álgebra era nazista).

O ponto alto do simulacro de raciocínio de Narloch vem em seguida:

“Quem passar os olhos pelo Guia Prático da Cidade de São Paulo, editado entre 1906 e 1934, verá diversos anúncios de italianos padeiros, alfaiates, donos de lojas de sapatos — mas nenhum de engenheiros, advogados ou médicos. Entre os operários italianos do Bom Retiro, em São Paulo, 70% eram analfabetos. Não me parece que a maior parte desses imigrantes tinha um “elevado nível técnico”, como sugere Olavo”.

Com tal parágrafo, Narloch quer fazer entender que os imigrantes que vieram para o Brasil no passado chegaram aqui em situação análoga aos haitianos e sírios que estão vindo hoje. Não sei se ele não leu o que ele próprio escreveu, mas é incrível que ele não tenha conseguido perceber que ele consegue provar justamente o contrário: alguém aí já ouviu falar de padarias, alfaiatarias ou lojas de sapato criadas na cidade de São Paulo pela horda de haitianos que invade o Brasil sob os auspícios do Partido? Ninguém que tenha capacidade para fazer montar uma padaria, uma alfaiataria ou praticar o comércio pode ser considerado um indigente. Que houvesse italianos analfabetos (em uma época em que a maior parte da população, mesmo nos países mais ricos, não tinha o acesso que temos hoje à instrução) é simplesmente IRRELEVANTE. Usar essa irrelevância como argumento torna-se ridículo no contexto de que se pelo menos 1 em cada 10 italianos tivesse alguma sofisticação intelectual, tal fato seria suficiente para estabelecer um diferencial entre os imigrantes italianos do passado e os atuais haitianos, entre os quais 10 em cada 10 são analfabetos. Sendo que ainda resta aos outros 9 italianos a disposição e habilidade para o trabalho demonstrada no parágrafo redigido pelo próprio Narloch: “diversos anúncios de italianos padeiros, alfaiates, donos de lojas de sapatos”. E percebam que estou dando essa proporção de 10% somente como exemplo limite. Eu não tenho os números. Narloch também não tem. Ele escreve no texto “70% eram analfabetos”, mas não cita a fonte, talvez porque a fonte seja a velha “assim eu quero que tivesse sido” (a mesma fonte usada em toda a historiografia praticada por esquerdistas). Não obstante, é muito pouco provável que apenas 30% dos italianos fossem letrados (até porque essa estatística necessariamente seria uma média aritmética do número de italianos de regiões mais desenvolvidas com o número de italianos oriundos de locais como a Calabria).

Há outro erro de raciocínio grave embutido no parágrafo: o fato de Narloch não ter localizado, ao “passar os olhos pelo Guia Prático da Cidade de São Paulo, editado entre 1906 e 1934”, anúncios de engenheiros, advogados ou médicos é prova irrefutável de que não havia engenheiros, advogados ou médicos entre os imigrantes italianos? Pior! É prova irrefutável de que nenhuma dessas classes de profissionais estivesse presente nos fluxos migratórios que o Brasil recebeu no passado e de que todos imigrantes que para cá vieram eram tão infaustos quanto os haitianos que vêm agora? Sim, porque no primeiro artigo Narloch havia citado como exemplo “No Brasil, imigrantes sírios e libaneses construíram o melhor hospital do país”. Então o melhor hospital do país foi construído por analfabetos, desdentados e aziagos do mesmo jaez dos haitianos? Pior ainda! Percebam que nesse segundo texto Narloch continua apostando (mesmo após ter sido “chamado à atenção” por Olavo de Carvalho) na tese das linhas fronteiriças com poderes mágicos (conforme expliquei no item “01. Aspectos econômicos”). O sujeito nasce e vive 20 anos como indigente na Síria. Daí um dia ele migra para o Brasil e, ao adentrar o solo nacional, ganha poderes que lhe conferem a capacidade de criar, ex nihilo, o hospital Sírio Libanês.

A cereja do bolo Narloch guardou para o final do parágrafo:

“Não me parece que a maior parte desses imigrantes tinha um ‘elevado nível técnico’, como sugere Olavo”.

O que é um “elevado nível técnico”? Mais uma vez, Narloch incorre na falácia do espantalho. Olavo nunca disse que todos os imigrantes do passado tivessem um “elevado nível técnico”. Até porque, dizendo dessa forma, fica parecendo que Olavo se referia a um transatlântico lotado de físicos nucleares e engenheiros mecatrônicos, saindo da Itália e aportando no Brasil. O que Olavo disse foi que os imigrantes foram chamados para “elevar o nível técnico da população brasileira”, mas: [01] Para elevar o nível técnico de “caiçaras cheios de bicho de pé” não precisa ser nenhum físico nuclear, se os imigrantes calabreses foram capazes de criar “padarias, alfaiatarias e lojas de sapatos”, o Brasil já estava no lucro. Ou será que o liberal Narloch não é capaz de perceber que “padarias, alfaiatarias e lojas de sapatos” dinamizam a economia? (Vou repetir a pergunta — e, admito, é escárnio: alguém aí já ouviu falar de padarias, alfaiatarias ou lojas de sapato criadas em São Paulo pela horda de haitianos que invade o Brasil?) [02] No vídeo (que pode ser conferido em https://goo.gl/W4faa5), Olavo fala em DISPOSIÇÃO PARA O TRABALHO. A elevação de nível técnico não se refere a imigrantes ensinando para os brasileiros os fundamentos teóricos da física clássica newtoniana, mas exatamente ao processo de ensinar aos brasileiros como montar uma padaria, uma alfaiataria, uma loja de sapatos.

Vejam que mimosa a forma como Narloch conclui seu petardo:

“Ao se voltar contra os imigrantes só porque o PT os apoia, Olavo joga fora uma grande bandeira: a cultura de trabalho. É dela que eu saio em defesa. Estou pouco me lixando para a cultura haitiana, boliviana ou síria. Defendo os imigrantes haitianos, bolivianos e sírios por sua cultura de trabalho. É ela que vence o preconceito dos nativos e torna escória elite”.

Ele definitivamente é entusiasta do espantalho:

01) “voltar contra os imigrantes só porque o PT os apoia”

Ele finge ignorar todos os argumentos que pesam contra os imigrantes e saca da manga que “é contra só porque o PT apoia”. A questão não é o fato de o PT apoiar, a questão é o motivo pelo qual o PT apoia essas correntes migratórias. Quem leu o texto até aqui percebe com clareza o que está por trás dessa agenda. Mas eu vou dar de brinde três palavrinhas para Leandro Narloch: “Estratégia Cloward&Piven”. Quem primeiro recomendou o aumento infinito da dívida pública com a finalidade de falir o Estado, como estratégia revolucionária, foi o próprio Karl Marx. Em sua "Mensagem da Direção Central à Liga dos Comunistas", de março de 1850, ele dizia: 

"Se os democratas propuserem o imposto proporcional, os operários exigirão o progressivo; se os próprios democratas avançarem a proposta de um [imposto] progressivo moderado, os operários insistirão num imposto cujas taxas subam tão depressa que o grande capital seja com isso arruinado; se os democratas exigirem a regularização da dívida pública, os operários exigirão a bancarrota do Estado".


Contudo, quem realmente fez essa tática proposta por Marx se popularizar no repertório de ideias da extrema esquerda contemporânea foram os autores Richard Cloward e Frances Fox Piven, no artigo “The Weight of the Poor: A Strategy to End Poverty” (“O Peso dos Pobres: Uma Estratégia para acabar com a pobreza”), publicado no The Nation, a 2 de maio de 1966 (é possível comprar uma cópia do artigo original ao preço de 3 dólares no site da publicação, ou conferir o teor do texto nesse resumo em português http://goo.gl/3A65Ls). Popularizada pelo estrategista de extrema-esquerda Saul Alinsky, a chamada Estratégia Cloward&Piven continha todos os passos para como executar a ordem de Marx dentro de um Estado liberal capitalista transformando-o em um Estado previdenciário pré-socialista, cuja falência (justamente por ser insustentável) seria anunciada como uma crise do capitalismo.


02) “Olavo joga fora uma grande bandeira: a cultura de trabalho. É dela que eu saio em defesa”.

Quero deixar registrado que duas ou três semanas após a publicação do texto no qual Narloch retruca a fala de Bolsonaro, foi ao ar pela TV Globo, no programa dominical de nome “Fantástico”, uma reportagem especial sobre a vida dos haitianos que entraram — frise-se — ILEGALMENTE no Brasil. Nesse programa, ficamos sabendo que o Estado brasileiro paga para esses criminosos (A esquerda pode chorar à vontade, mas nenhum dilúvio de lágrimas esquerdosas vai mudar o fato de que imigração ilegal é crime) desde curso de português até o aluguel da casa onde vivem. E vocês pensam que isso os torna gratos ao Brasil? Não. Todos eles reportavam (com a ajuda de uma música de fundo calculada milimetricamente pela produção da Globo para causar comoção e empatia com a “dor” dos haitianos) as agruras que têm por viverem em nosso país. A grande maioria ainda não tinha trabalhado em solo brasileiro. Um dos poucos que já tinham tido uma experiência empregatícia estava acusando uma empresa de construção civil por ter-lhe demitido, segundo ele, pelo fato de ele ser haitiano. A reportagem informava que a assessoria de comunicação da empresa explicou por meio de nota que o sujeito houvera sido contratado junto com outras dezenas de brasileiros para um trabalho temporário, uma vez terminada a obra em questão, todos foram demitidos; que nenhum brasileiro entrou na justiça contra a empresa (até porque não havia o que alegar, uma vez que todos sabiam desde o começo se tratar de uma ocupação provisória); mas o haitiano alegou discriminação, acionou a justiça brasileira contra uma empresa brasileira e, de quebra, conseguiu que o Estado brasileiro pagasse as custas processuais e advocatícias do caso. Cabe ressaltar nesse ponto que, ao tratar da nota emitida pela construtora, a rede Globo usou de todos os recursos subjetivos que estavam a seu alcance para fazer com que o espectador de inteligência medíocre (95% ou mais da audiência do programa) inferisse que ela era mentirosa e que o haitiano, de fato, havia sido vítima de “discriminação”. Além de tudo isso, todas as falas dos imigrantes entrevistados tinham em comum lamentações sobre discriminação racial, o que me fez entender que tais pessoas estavam repetindo um enredo que lhes fora passado por agentes ocultos com interesses sub-reptícios e escusos. Assistindo ao programa, tomando conhecimento de como é cruel a vida que têm levado no Brasil, sofrendo discriminação no trabalho por serem haitianos, na sociedade por serem negros, não encontrando quem queira lhes remunerar à altura de suas excelsas habilidades e aptidões, além de tantas outras lamúrias e queixumes (todos devidamente endossados pela trilha sonora melodramática inserida na edição do vídeo) uma única pergunta me vinha à mente: por que cargas d’água não voltam para o Haiti?

Enfim, muitas considerações ainda poderiam ser feitas sobre o segundo texto de Narloch, mas meu artigo já está maior do que a importância dele. Tudo que pode ser dito sobre a argumentação do blogueiro pode ser sintetizado no seguinte enunciado: Para que a tese que ele traçou no primeiro artigo funcione, ele precisa reduzir todos os imigrantes do passado a uma massa de imprestáveis equivalente aos que hoje adentram nossas fronteiras; para tal, ele vira as costas à realidade e passa a praticar a arte esquerdista da prestidigitação semântica. Faltam a Narloch capacidade de interpretação dos dados da ordem da realidade, eficiência na demonstração de relações de causa e efeito nos raciocínios que ele erige, além de embasamento argumentativo, escopo intelectual e um mínimo de verve, sem a qual a labuta com as palavras se torna mera macaquice. Mas... o que esperar do sujeito que advogou o plantio de MACONHA como solução para a pobreza do sertão nordestino?

V. Conclusão Geral

Narloch finalizou o texto em que retruca a Bolsonaro aconselhando ao deputado a se “inspirar” nos versos de autoria da poetisa americana Emma Lazarus. Do meu lado, eu tenho sempre o pé atrás em relação a esse deslocamento do debate político do campo intelectual, strictu senso, para um campo permeado de caráter emotivo, representado pela esfera da arte (Emma Lazarus pode ser muito boa em criar sonetos, mas quando o que está em questão depende de aptidões nas áreas da economia e da filosofia política, penso que é mais apropriado “fechar” com Thomas Sowel). Na quase totalidade das ocorrências, artistas são seres que entendem lhufas de política, mas optam de forma arrogante por se utilizar de sua popularidade e suas habilidades retóricas para influenciar seu séquito de admiradores, disseminando assim (às vezes por burrice, às vezes por má-fé) a própria ignorância. Qualquer brasileiro medianamente informado sabe a extensão nefasta que artistas — precisa citar nomes? Chico Buarque, Tico Santa Cruz, José de Abreu, Emicida, Daniela Mercury, Caetano Veloso, Leandra Leal, Wagner Moura et caterva — exercem, patrocinados pela famigerada Lei Rouanet, sobre a mentalidade de toda uma massa incapacitada de compreender minimamente o funcionamento do mundo no qual está inserida.


Assim, gostaria de ressaltar que, para mim, não é fortuito o fato de Narloch encerrar o texto dele com um poema. Poemas, por definição, existem para extrapolar a capacidade de significação da linguagem. No texto que eu redigi, tive que tratar a linguagem com chibatadas, para que ela não se desviasse da função para a qual eu a designei, a de tentar refletir, com menos imprecisão possível, o que realmente importa, que é o caráter ontológico real do fato/circunstância/objeto. Narloch fez o percurso contrário (o qual é, sem dúvida, muito mais divertido, afinal "ladeira abaixo, todo santo ajuda"), ele pegou a realidade e foi retirando dela as partes que não combinavam com a tese, até que ela (a realidade), ceifada de alguns detalhes inconvenientes, tratada à torniquete, finalmente coubesse no discurso "do bem" que ele nutre, por ser uma pessoa boa, interessada na união do povos, na paz universal, no respeito ao próximo (mesmo quando esse próximo não está tão próximo ainda) etc. Ora! Se a linguagem não precisa se submeter à realidade dos fatos, por que ela precisaria conter-se em si mesma? Melhor explodir em sonhos e imaginações diversos, coloridos, vibrantes, simpáticos, alegres, festivos e deixar para os conservadores o trabalho sujo: a antipática tarefa de lidar com o mundo REAL.

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Pérsio Menezes, jornalista, é editor do blog Meu professor de História mentiu pra mim.

A mudança envolvendo Joaquim Levy e Nelson Barbosa


Pixuleco II: Integrante da força-tarefa da Lava-Jato diz que denúncia contra Gleisi é “questão de tempo”

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Todo “pixuleco” será castigado. Eis o mantra primeiro da Operação Lava-Jato, da Polícia federal, que desmontou o maior escândalo de corrupção da história, o Petrolão, que durante uma década funcionou de forma deliberada na Petrobras.

O castigo da senadora Gleisi Helena Hoffmann (PT-PR), acusada por delatores da Lava-Jato de receber R$ 1 milhão de propina do Petrolão, e principal suspeita – junto com o marido, o ex-ministro Paulo Bernardo da Silva – de ter se beneficiado de um esquema criminoso investigado pela Operação Pixuleco II, 18ª fase da Lava Jato, está prestes a chegar. Gleisi está na iminência de ser denunciada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A revelação é de um integrante da força-tarefa que investiga Gleisi e foi feita ao jornal Gazeta do Povo.

“Os investigadores da Lava Jato acreditam ser apenas questão de tempo para que a senadora Gleisi Hoffman seja denunciada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com um integrante da força-tarefa, as buscas e apreensões realizadas no escritório do advogado paranaense Guilherme Gonçalves, também investigado, teriam fornecido elementos suficientes para uma denúncia por parte da Procuradoria-Geral da República (PGR)”, diz o jornal.


“O caso de Gleisi envolve a empresa Consist e o Ministério do Planejamento [na época em que era comandado pelo marido da senadora, o então ministro Paulo Bernardo]. Foi desmembrado da Lava-Jato por uma decisão do STF e atualmente é investigado em São Paulo. O inquérito estava parado no Ministério Público Federal paulista e só na semana passada os documentos foram repassados à Polícia Federal de São Paulo”, diz o jornal.

Como o esquema criminoso investigado pela Pixuleco II envolvia o Ministério do Planejamento, não a Petrobras, o Supremo decidiu remeter o inquérito para São Paulo. O “fatiamento” da investigação foi ruidosamente comemorado por Gleisi e pelo PT, que imaginavam ser um passo para a impunidade. No entanto, a expectativa não se confirmou. As evidências contra a senadora são tão robustas que uma denúncia ao STF deve acontecer em breve.


O esquema Consist pode ter rendido R$ 52 milhões e cerca de R$ 8 milhões foram parar nas contas do advogado de Gleisi, o petista Guilherme Gonçalves. Desde que começou a receber dinheiro da Consist, o advogado, que atendia a senadora e o marido em questões eleitorais e era regulamente remunerado por seu trabalho, passou a bancar as despesas de Gleisi. Inclusive pagava o salário do seu motorista.

Incêndio destrói o Museu da Língua Portuguesa


Mossad - Os Carrascos do Kidon


E os inimigos saberão que sou o Senhor quando fizer cair a minha vingança sobre eles” (Profeta Ezequiel)

Ódio a Israel, por que? Israel é um país particularmente decente. Ele é miúdo, é mais ou menos do tamanho de Nova Jérsei e é menor que El Salvador; e enquanto existem mais de 50 países muçulmanos, existe apenas um país judeu.Israel deveria ser admirado e apoiado, mas não odiado a ponto de existirem dúzias de países cujas populações querem ver Israel aniquilado, o que, mais uma vez, é um fenômeno singular.Nenhum outro país do mundo jamais foi escolhido para ser exterminado (Dennis Prager, escritor norte-americano).

Vingança não é somente uma palavra ou uma definição. Foi e continua sendo também uma norma tácita do Estado de Israel contra seus inimigos ao longo de toda a sua história, desde o terrível Holocausto, na década de 1940, a chamada Guerra dos Seis Dias, em 1967 - que opôs Israel a uma frente de países árabes: EgitoJordânia e Síria, apoiados pelo IraqueKuwaitArábia SauditaArgélia e Sudão - até os primeiros anos do Século XXI, contra seus atuais inimigos. Desde a criação do MOSSAD, em março de 1951, seu serviço de espionagem tem se dedicado a perseguir esses supostos inimigos de Israel nos locais mais remotos do planeta.

Apesar de sua pequena população e de existir há menos de sete décadas, o Estado de Israel já possui onze cidadãos laureados com o Prêmio Nobel, nas áreas de Química (5), Literatura (1), Paz (3) e Economia (2).

A seguir, como curiosidade, um glossário de termos do MOSSAD:

Agente Antiquado – Informante do MOSSAD que não é muito ativo

Agente Morto – Agente que é fácil de descobrir e prender por levar uma cobertura difícil de manter

Ain Efes – Operação em que não se admite o fracasso

Aman – Acrônimo de Agaf ha-Modi’in. Serviço de Inteligência Militar

APAM – Acrônimo de AvtahatPaylut Meddienit. Unidade encarregada das operações de Segurança do MOSSAD

Bat Leveya – Grau inferior a katsa

Berman – Código cifrado usado pelas estações do MOSSAD na transmissão de mensagens

Badel – Correio. Um mensageiro do MOSSAD responsável pelo transporte de mensagens de um esconderijo para uma estação, uma embaixada ou o  próprio quartel-general do Instituto

Cavalo – Personagem importante dentro do MOSSAD, que ajuda um agente a subir de posto dentro da espionagem israelense

CNT – Gabinete Central do MOSSAD na Europa. A sede é em Haia
Combatentes – Espiões, katsa israelenses enviados para países árabes para trabalharem sob identidade falsa

Comitê X – Comitê incumbido de julgar e condenar os supostos inimigos de Israel. A sentença costuma ser a execução mediante o envio de uma unidade do Kidon. O Comitê X era um organismo secreto até que, em 1986, um jornalista do jornalHaaretz falou sobre ele numa reportagem

Dardasin ou Smerf – Subdepartamento do Kaisarut. Os seus agentes operam na China, na África e no Extremo Oriente

Estação – Base estável do MOSSAD no estrangeiro

Fibers – Descrições exatas de pessoas que se encontram em algum lugar onde opera um katsa

Flops – Nome pelo qual o MOSSAD conhece os membros da Frente Popular para Liberação da Palestina

Governantas – Unidade responsável pela manutenção dos esconderijos da espionagem israelense. Trocavam móveis velhos, pintavam, limpavam os cômodos e mantinham as geladeiras sempre cheias de bebidas não alcoólicas e alimentos

Humint – Informação de inteligência obtida através de seres humanos
Instituto – Nome pelo qual se conhece o MOSSAD no mundo da espionagem

Kaisarut – Departamento de mediações nas embaixadas de Israel, conhecido como Oficial de Inteligência pelas agências de espionagem locais

Katsa – Acrônimo de Katzin Issuf ou oficial de serviços especiais. Só em operações de recrutamento o MOSSAD tem espalhados cerca de 35 no mundo inteiro

Keshet – Arco. Informações conseguidas por microfones em casas arrombadas

KHT – Divisão de Inteligência Política do MOSSAD

Kidon – Baioneta. Subunidade de assassinos da Metsada encarregada dos seqüestros e assassinatos do MOSSAD. Os agentes ou membros da unidade também são denominados kidon

Kiria – Quartel-General das Forças de Defesa Israelenses em Tel-Aviv

KLAP – Acrônimo de Lohamah Psichlogit oiu guerra psicológica. Também são assim denominados especialistas do MOSSAD em interrogatórios

Luz do Dia -  Estado de alerta máximo dos agentes dos serviços secretos israelenses

Maoz – Fortaleza. Esconderijo utilizado pelos katsa do MOSSAD ou pelos kidon da Mtsada como centro de operações no estrangeiro

Marats – Ouvinte. Encarregado de analisar os idiomas e dialetos dos que vigiam

Melucha – Ver Tsomer
Memuneh – Nome pelo qual se conhece o diretor do MOSSSAD

Metsada – Unidade de operações especiais do MOSSAD.O departamento mais secreto da espionagem israelense

Mishlashim – Caixa de correio segura para receber ou deixar informação

Mossad – Em hebraico, há-Mossad, acrônimo de le-Modiin ule-Tafkidim

Meyuha-dim (Instituto de Inteligência e Operações Especiais)

Neviof – Sistema pra penetrar num quarto de hotel, num escritório ou qualquer outro local para colocar escutas

Neviot –Ver Keshet

Nokmin – Vingadores. Primeira unidade da Metsada, estabelecida em finais dos anos 1940, cuja única tarefa era a de matar um alvo assim que localizado e identificado

Photint – Informação de Inteligência coletada através de fotografias

Saifanim – Departamento do MOSSAD encarregado de colher informações sobre a OLP

Salia – Emissário

Sayan – (Plural, sayanim). Informante do MOSSAD que não trabalha com remuneração para a espionagem, mas como um simples colaborador. O MOSSAD tem milhares deles espalhados pelo mundo. Os sayanim são judeus que colaboram com o MOSSAD por motivos ideológicos

Shai – Acrônimo de Sherut Yediot ou Serviço de Informação

Shicklut – Funcionário do Departamento de Escutas do MOSSAD

Shin Bet – As duas primeiras siglas de Sherut ha-Bitachon h   a-Klali ou Serviço Geral de Segurança. Agência israelense de Contra-Inteligência e Contra-Terrorismo

Sigint – Informação de Inteligência coletada por interferência  de sinais

Slicks – Lugares secretos para guardar documentos

Sodi Beyoter – Classificação de “altamente confidencial” dada a um documento do serviço secreto israelense

Tachless – Entrar no assunto. Atacar um alvo para conseguir que se converta em um informante do MOSSAD

Tira – Palácio. Esconderijo usado pelos agentes do MOSSAD para abrigar um seqüestrado ou preso num país estrangeiro

Tsiach – Acrônimo de Tsorech Yediot Hasuvot ou reunião de serviços secretos civis e militares

Tsdomet – Reino. Departamento de recrutamento que dirige oskatsa
Unidade AI – Unidade secreta formada por 27 katsa do MOSSAD e que se encarrega das operações de espionagem dentro do território norte-americano

Unidade 131 – Formada por agentes suscetíveis de serem introduzidos em países árabes

Unidade 504 – Encarregada de recolher informação de âmbito militar

Unidade 8200 – Encarregada da interceptação de comunicações

Unidade 8513 – Encarregada de reunir informação fotográfica de um alvo

Varash - Acrônimo de Va’adat Rashei há-Sherutim ou Comitê composto pelos chefes dos serviços secretos

Yhalomin – Unidade de comunicações do MOSSAD

Yarid – Departamento responsável pela segurança das operações do MOSSAD na Europa

ZahavTahor (Ourio Puro) – Assim se denominam as operações combinadas edntre o MOSSAD e qualquer outra agência de Inteligência, unidade do Exército ou da Polícia


Fonte: Do glossário dos termos do Mossad: livro “MOSSAD, Os Carrascos do Kidon”


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Carlos Ilich Santos Azambuja é Historiador.


segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

"QUOUSQUE TANDEM…"


“Quousque tandem, Catilina, abutere patientia nostra”?

Esta é a primeira frase do primeiro dos quatro discursos de Cícero (107 – 43 a.C.), acusando Lucio Sergio Catilina, cônsul romano, de pretender derrubar o governo republicano e apoderar-se do poder e das riquezas, juntamente com alguns apaniguados.

A frase poderia ser traduzida como: 

“Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência”?

Àquela primeira frase, seguem-se outras duas, que podem ser entendidas como: “Por quanto tempo ainda este teu rancor nos enganará? Até que ponto a tua audácia desenfreada se gabará de nós”?

A realidade brasileira torna atuais as frases de mais de 2.000 anos do ilustre filósofo romano.

As catilinárias brasileiras de hoje seriam dirigidas às autoridades que, no Executivo e no Legislativo, tentam, com sucesso crescente, destruir as instituições republicanas para enriquecimento próprio e de seus apaniguados, perpetuando-se no poder.

Nós brasileiros, atônitos, impacientes e indignados, temos todo o direito de gritar nossas perguntas, mais de 20 séculos depois do inflamado discurso de Cícero:

“Até quando, Dilma e Cunha, abusarão da nossa paciência? Por quanto tempo ainda este seu rancor nos enganará? Até que ponto sua audácia desenfreada se gabará de nós”?

Como os catilinas modernos fazem-se de surdos, cabe-nos usar de todos os meios possíveis para nos fazermos ouvir, já que nossos representantes não fazem a mínima questão de nos representar.

Com certeza as pacíficas e ordeiras passeatas dos indignados vão crescer de tamanho e expressão, e seu ruído e impertinência passarão a incomodar cada vez mais os poderosos, que já passaram da hora de deixar os cargos que ocupam, por incompetência, desonestidade e falsidade, apesar das chicanas e expedientes escusos que criem para se manter no trono.

Governo usa Tesoura no Orçamento para sacrificar Polícia Federal


O Sofa do $talinácio

Um acidente!? Uma Bíblia Catolica cai no chão, quase no meu pé descalço, bem em cima de uma fotografia prontinha para o lixo. Era uma imagem envelhecida de Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado de seu companheiro José Dirceu, agora um Guerreiro do Povo Brasileiro caído na desgraça do cárcere. Por obra do acaso (que não existe) o Livro da Lei Sagrada abriu em Eclesiástico, 14. Eis que meu olhar profano foi direcionado a mensagens sagradas - que se encaixam de forma justa e perfeita no contexto brasileiro.

"Feliz o homem que não pecou pelas suas palavras, e que não é atormentado pelo remorso do pecado" (1); "Para o homem avarento e cupido a riqueza é inútil; para que serve o ouro ao homem invejoso?" (3); "Quem acumula injustamente, com prejuízo da vida, acumula para outros, e outro há de vir que esbanjará estes bens na devassidão" (4); "Para quem será bom aquele que é mau para si mesmo? Não terá nenhuma satisfação em seus bens" (5).

"Lembra-te que a morte não tarda, e de que o pacto da moradia dos mortos te foi revelado, pois é lei deste mundo que é preciso morrer" (12); "Pratica a Justiça, antes da tua morte, pois na moradia dos mortos não há de se achar alimento" (17); "Toda carne fenece como a erva, e como a folha que cresce numa árvore vigorosa" (18); "Umas nascem, outras caem. Assim, nesta raça de carne e sangue, uma geração morre, outra nasce" (19).

"Tudo que é corruptível acabará por ser destruído, e o artesão morrerá com o seu trabalho" (20); "Toda obra excelente será aprovada e seu autor nela achará orgulho" (21); Feliz o homem que persevera na sabedoria, que se exercita na prática da Justiça, e que, em seu coração, pensa no olhar de Deus que tudo vê" (22).

Se eu fosse o companheiro $talinácio (graças a Deus, não sou), faria uma reflexão sobre tais palavras. Ainda mais para não ter eventuais conflitos com a consciência, depois do recente depoimento prestado à Polícia Federal sobre broncas levantadas pela Operação Lava Jato. José Dirceu de Oliveira e Silva deve ter odiado o que Lula falou dele à Polícia Federal.

Conforme trecho que vazou na imprensa, Lula garantiu que não participou do processo de escolha dos diretores da Petrobras (que são processados por corrupção e outros crimes). Claramente, jogou a culpa em José Dirceu, réu condenado no Mensalão e reincidente no Petrolão. Como era esperado, Lula só faltou dizer que não sabia de nada, mas assegurou que foi Dirceu, na Casa Civil de sua Presidência da República, quem nomeou os diretores da petrolífera, desde Renato Duque (Serviços) a Paulo Roberto Costa (Abastecimento).

Existe uma saída técnica para Dirceu não se tornar mais culpado ainda, em função das palavras do chefão Lula. O ex-Presidente (sempre Presidentro) poderia reformular o depoimento e indicar o verdadeiro responsável por todas as indicações problemáticas. O criminoso perfeito seria o sofá da Casa Civil. Lá devem ter sentado aqueles que articularam as nomeações (Dirceu, Antônio Palocci, Erenice Guerra e até a Dilminha - a mesma que presidiu o Conselho da Petrobras). Portanto, tal qual nas lendárias piadas sobre traição, a inteira culpa é do safado do sofá!

O Alerta Total renovará o apelo que já fez um dia. O Vaticano deveria acelerar o processo de santificação de Lula. O Papa Francisco tem de correr com este negócio... O poderoso chefão do PT é um santo (mesmo que alguns inimigos aleguem que seja do "Pau Oco"). A terrível oposição nas redes sociais insiste, todos os dias, que "o cara" (né, Obama) tem de acertar as contas com a Justiça...

Lula insiste que inexiste gente mais honesta que ele, e até tenta processar quem lhe deixa muito pt da vida. Ainda bem que o Judiciário não tem embarcado na malandragem do Santo $talinácio. O perigo é que ocorra alguma recaída autoritária. Afinal, todas as instituições estão muito aparelhadas, seja por fiéis seguidores da ideologia nazicomunopetralha, seja por fieis cumpridores de missões das variadas organizações criminosas. Todo cuidado é pouco em Bruzundanga...

Ok! O Sofá do $talinácio é o grande culpado. Sendo assim, vamos sentar nele e pagar a nossa pena. Somos nós quem permitimos que este móvel da traição permaneça no meio da sala da vida nacional. Assim, nós, os verdadeiros culpados, junto com o sofá, temos a obrigação moral e cívica de promover a mudança. Vamos tirar o sofá da sala, mas sem deixar que um bode fique no lugar dele.

A retirada simbólica do sofá só se materializa com uma mudança na estrutura do Estado Brasileiro. Temos de romper com o Capimunismo Rentista. Precisamos implantar uma República, com Federalismo de verdade. Necessitamos implantar o voto distrital com direito a recall (questionamento direto, pelo eleitorado, do eleito que não cumprir a função definida ou infringir a lei). Tudo isto será feito por uma Intervenção Constitucional pelo Poder Instituinte do Cidadão.

Enquanto estivermos sob o regime do sofá (do $talinácio ou da PQP), permaneceremos no mesmo subdesenvolvimento, sob desgovernança do crime organizado. Reformar o "sofá" (como deseja agora a classe política desesperada) é um paliativo inútil. Só vai adiar que o impasse se consolide, efetivamente, em uma ruptura institucional. Romper com este "sofá" é a solução. Intervenção Constitucional, já!

Rosetagem


Devassidão


Quando vem o troco do Cunha?


Preferência atual


Canção Inspiradora

Os imortais Nelson Gonçalves e Tim Maia cantam a canção justa e perfeita para Dilma Rousseff e outras figuraças dos três poderes...

Dilma não se contenta em errar: insiste no erro


O Supremo dificultou o Impeachment, diz sociólogo


Ruptura Institucional


As maravilhas da corte são tão inebriantes, as alegrias da boa vida são tão plenas, as facilidades em se apoderar da coisa pública são tão corriqueiras, que uma vez lá a classe dirigente inventa meios de não sair do Olimpo onde se instalou o que pode ser feito através de eleições ou golpes de Estado.

Assim sendo, o PT não pretende apear do poder tão cedo. Seria inadmissível para Lula e sua família retroceder à vida mais simples sem os luxos, privilégios e confortos que a evolução da riqueza obtida de modo acelerado lhes proporcionou. E Lula, é o poderoso chefão do PT, o garantidor dos “mandarins” de sua grei para que estes também desfrutem da doce vida de defensores dos oprimidos. Portanto, deve ser preservado faça o que fizer, porque sem ele o partido não se sustenta. É bem verdade que Lula tem tido seus revezes, mas justamente estes que a outros teriam aniquilado o mantém incólume e á espera de voltar em 2018.

Foi, portanto, inoportuna para Lula e o PT a ideia de impeachment de Rousseff, única mulher presidente da República e a pior de todos os presidentes de nossa história. Se bem que foi Lula quem governou o tempo todo como presidente de fato, recaiu sobre sua criatura a culpa pelo descalabro da economia que penaliza e envergonha os brasileiros de todas as classes sociais. Tivesse outro candidato ganho a eleição já teria sido defenestrado pelo PT. Ela, não. E nem tanto por Rousseff, mas pela preservação do projeto de poder petista, que foi acionado com força máxima desta vez no STF.

O que se assistiu, então, foi uma ruptura institucional. No dia 16 deste agitado dezembro o ministro Fachin, defensor dos sem-terra, do Paraguai contra o Brasil e ardoroso eleitor de Rousseff, deu um show inusitado: defendeu os procedimentos da Câmara com relação ao rito do impeachment, emergindo como juiz imparcial e respeitador do outro Poder.

Era como um milagre. Mas milagres não existem na política. No dia seguinte tudo parecia ser sido combinado para invalidar, de novo, os procedimentos da Câmara. O que serviu para o impeachment do ex-presidente Collor não servia para esse. Os votos da comissão não podiam ser secretos, como os são os do STF em seus procedimentos internos e todo poder foi dado ao Senado, onde o colaborador, Renan Calheiros, está a postos para salvar, primeiro a si, depois a governanta.

Desse modo, está encerrada, pelo menos por enquanto, a possibilidade do impeachment e todas as pedaladas, as irresponsabilidades fiscais, os gastos exorbitantes, os prejuízos dados a Nação serão todos perdoados ao governo petista.

O STF de tal modo interferiu no Legislativo, trazendo à lembrança vislumbres bolivarianos, que se Rousseff sempre repetiu que impeachment é golpe, o golpe se formalizou de outra maneira via Executivo e por intermédio do Judiciário. Se de agora em diante o STF legisla e impõe o regulamento interno do Congresso, o Legislativo pode fechar as portas, pois se tornou um penduricalho inútil na República das Bananas.

Falar democracia no Brasil, portanto, é algo ilusório. Como disse Rui Barbosa: “A pior ditadura é do Judiciário, porque contra ela não há quem possa recorrer”. E o judiciário autorizou buscas e apreensões somente em casas e escritórios de peemedebistas, salvando providencialmente o ajudante Renan Calheiros. Reclamar para quem?

O Judiciário ao voltar do recesso em fevereiro poderá afastar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, cujos crimes principais e mais graves foram: ganhar a eleição da casa derrotando um petista, tornar o Congresso independente do Executivo, romper com o PT.

Também pode esperar o pior, Michel Temer, o vice-presidente que pregou a unificação nacional sabendo que a governanta seria incapaz disto, aliás, de qualquer coisa.

Sentindo-se seguro Calheiros tenta debilitar Temer com a ajuda do senador Álvaro Dias do PSDB do PT, rachando o PMDB. Grande erro. Uma vez esgotada a serventia do senador e estando o próprio PMDB fragilizado, o PT alcançará triunfante sua meta: ser o partido dominante, impondo-se hegemonicamente sobre os demais. Nesse momento Calheiros poderá enfrentar seus processos adormecidos no Judiciário, pois nunca ninguém escapou por ter ajudado o PT. PT faz mal à saúde. PT mata.

Nesta hora em que o novo ministro da fazenda, substituto de Joaquim Levy que apenas compôs uma fachada para dar credibilidade ao governo e acalmar o mercado, provavelmente irá reeditar o que levou nossa economia ao caos, feliz e sorridente dirá Rousseff em cadeia nacional de radio televisão, sentindo-se imperatriz do Brasil:

“Se é para desgraça de todos e infelicidade geral da Nação, digam ao povo que fico”.


Fonte: Alerta Total
  

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Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.

domingo, 20 de dezembro de 2015

NOTAS FÚNEBRES


1. A NAÇÃO ABANDONADA

Com as decisões de ontem, o STF evidenciou à nação o estado de abandono em que se encontra perante os poderes de Estado. Rompeu-se o fio pelo qual pendia a esperança de que em algum canto da República houvesse instituição capaz de proteger a sociedade da incompetência e da rapinagem do governo.

O mesmo STF, que volta e meia, durante suas sessões públicas promove eleições secretas entre seus membros para postos de funções de administração e representação, exigiu comportamento inverso do poder legislativo em cuja autonomia interferiu.

Fez mais, determinou um bis in idem facultando ao Senado decidir, nos processos de impeachment, se aceita ou não a resolução da Câmara. Se o Senado (casa legislativa que representa os Estados) divergir da Câmara (casa legislativa que representa o povo), esta enfia a viola no saco e a própria decisão na lixeira. De nada terá valido.

Por fim, vedou a candidatura autônoma às cadeiras da comissão que analisará o processo de impeachment. Essa norma simplesmente dispensa a contagem de votos. A decisão sobre o andamento do processo fica transferida para os 23 líderes de bancadas. Até parece eleição cubana, que deixa o eleitor sem opção.

2. A MANIFESTAÇÃO DOS "TRABALHADORES" PRÓ-DILMA, ÀS NOSSAS CUSTAS

Abomináveis, sob todos os aspectos, as manifestações pró-Dilma na tarde da última quarta-feira. Sob forma de ato público, supostos trabalhadores, no meio da tarde, exibiram-se em diversas capitais brasileiras. Trajando seus fardamentos vermelhos, substituindo as cores e símbolos nacionais pelos símbolos e cores partidários e ideológicos, saíram ao asfalto para sustentar o governo. Assistimos, então, à notória defesa da mentira, da fraude, da dissimulação, da incompetência, da recessão, do desemprego, da inflação e da corrupção.
Trabalhadores? Sem mais o que fazer, no meio da tarde? Só podem ser "trabalhadores" sem patrão, sem compromisso laboral. Portanto, ou são servidores públicos cujos salários nós pagamos, ou são dirigentes sindicais, cujo ócio e improdutividade são incorporados aos preços dos bens e serviços que adquirimos. Ou seja, são pagos por nós...

3. A IRRESPONSABILIDADE FISCAL DO SENADO QUE VAI DECIDIR SOBRE A IRRESPONSABILIDADE FISCAL DA PRESIDENTE

Ontem, dia 17, o Senado Federal concluiu que as contas públicas estão em perfeita ordem e considerou compatível com a realidade nacional elevar os vencimentos de seus servidores efetivos no percentual de 21,3%, parcelado ao longo dos próximos 3 anos. A conta, para 2016, fica em R$ 174,6 milhões. Isso acontece num momento em que o governo, com extremo otimismo, prevê redução de 1,9% na atividade econômica do próximo ano, o que representará, inevitavelmente, queda na arrecadação. O relator do orçamento, aliás, promoveu cortes em praticamente todas as atividades do governo. E o Senado distribui favores aos seus! É essa Casa legislativa irresponsável, onde o governo é amplamente majoritário, que decidirá sobre os crimes de irresponsabilidade fiscal da presidente da República.


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Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil, integrante do grupo Pensar+.
  

Nelson Barbosa - GRANDE DEPRESSÃO


Depois do noivado com Renan, a fantasia de Mulher Honrada está em frangalhos


Neste crepúsculo do primeiro ano de um segundo mandato que nem começou, Dilma Rousseff passou a ter como principal parceiro o senador Renan Calheiros. Aquele mesmo. O Renan que, em 2007, foi forçado a renunciar à presidência do Senado para não ser cassado e perder as imunidades parlamentares.

As anotações no prontuário são de impressionar escroque internacional. Três delas informam que 
1) Renan pagou com dinheiro de empreiteira a mesada e as contas da amante com quem teve uma filha, 
2) fantasiou-se de comerciante de gado para falsificar notas fiscais e 
3) fez o suficiente, enquanto o Petrolão durou, para ser acordado às seis da manhã pelo famoso japonês da Federal.


A presidente da República está disposta a fazer o que Renan quiser. E ainda se atreve a persistir na pose de mulher honrada.

GOVERNO BANDIDO


As decisões do STF


O IBC-Br confirma o aprofundamento da recessão na economia brasileira


Se Dilma deixar, Barbosa terá de agir rápido


ATENÇÃO, ATENÇÃO!!! Novo Ministro da Fazenda