Por Políbio Braga
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
Lula entra em campo na escolha do novo ministro da fazenda
Por Veja.com
Geraldo Samor fala das expectativas do mercado financeiro
para essa semana, em que o governo Dilma Rousseff promete produzir fatos e não
apenas palavras. O ex-presidente Lula está trabalhando ao lado de Dilma para
definir o nome do novo ministro da fazenda. A informação é de Lauro Jardim, no
"Seu Voto no Radar".
O BRASIL PREFERE A CIGARRA
Por Percival Puggina
Tal frase é produto de duas informações falsas. Segundo ela,
a) os números do governo petista seriam favoráveis quando comparados com os do
governo tucano; b) se o governo petista foi uma infindável sucessão de
escândalos, com o alto comando do partido mudando-se para a Papuda, também no
governo FHC houve corrupção, "como todo mundo sabe". Sabe? Veremos.
1) Os números favoráveis do governo petista
É sempre difícil e impreciso comparar situações sociais,
políticas e econômicas em épocas e circunstâncias diversas. Mesmo assim, julgo
importante lembrar que os anos de Lula foram mágicos para o Tesouro Nacional e
para as contas públicas. Naquele período, o mercado chinês foi às compras com
uma voracidade inexcedível em qualquer momento da história. Centenas de milhões
de chineses passaram a demandar grandes quantidades de quase tudo que o mundo
podia oferecer. Nossas commodities alcançaram preços antes impensáveis.
No governo FHC, o Brasil precisou vencer uma inflação de 80%
ao mês e reverter, com severo ajuste fiscal, a má fama brasileira no mercado
mundial. O governo Lula surfou na onda chinesa. O estouro dos mercados mundiais
de 2008 encontrou o Brasil bem protegido por um ortopédico colchão de divisas,
levando a gestão petista a julgar desnecessário adequar-se. Enquanto outros países
faziam como a formiga da fábula de Esopo, o PT, deslumbrado pelo que
considerava êxitos seus, brincava de cigarra. Por isso, os oito anos de Dilma
resultaram desastrosos política, moral, econômica e financeiramente.
O PT gosta de comparar certos dados de 2014 com os de 2002
(último ano do governo tucano). Omite, porém, o fato de que nos meses que
precederam a vitória e a posse de Lula, o medo tomou conta dos mercados. A
bolsa caiu, o dólar disparou e os preços subiram como precaução ante o que
aconteceria se o PT, ao assumir, fizesse o que, irresponsavelmente, exigia de
seu antecessor. Tal comparação, portanto, alcança requintes de desonestidade: é
o PT cobrando de seu opositor o mal que ele próprio causou por ter feito uma
oposição perversa e moralmente desonesta.
Os fatos divergem do que o PT gosta de proclamar: o Brasil
deve muito ao governo de FHC. Agora, sob a gestão petista, apresenta um
desempenho muito inferior ao dos países de seu entorno, que foram mais
prudentes nas suas contas. O Brasil de Lula e Dilma malbaratou os ganhos
herdados e se reencontra, agora, com os velhos males da inflação e da recessão.
Ao fim e ao cabo, a gestão petista foi melhor? Melhor em quê?
2) O alvará de boa conduta passado pelo PT ao PSDB
Pela cartilha petista, escândalo no território inimigo era e
continua sendo coisa que ou existe ou se fabrica. Onde houvesse o mais tênue
fio de fumaça da suspeita o partido era o primeiro a chegar, com um tonel de
gasolina. Apontava o dedo acusador com a suposta autoridade moral de quem
jamais contou dinheiro mal havido. Foi assim que o partido, sem muito esforço,
diga-se, destruiu moralmente os governos Collor e Sarney. Foi assim que o
partido avançou contra o governo FHC, requerendo mais de duas dezenas de CPIs,
sempre com apoio da mesma mídia que o PT hoje execra.
As investidas foram
tantas, tão contínuas e violentas que o prestígio do ex-presidente despencou
dos elevados índices a que chegara nos pleitos que venceu. Quanto de verdade
havia naquelas acusações? Não pergunte isso ao PT. Sabe por quê? Porque o PT
concedeu ao PSDB um atestado de boa conduta.
Com efeito, em 2003, com a posse de Lula, os petistas não
mais dependiam das CPIs para investigar coisa alguma. Passavam a dispor de
todos os meios para isso. Ministério da Justiça, Controladoria-Geral da União,
ABIN, Polícia Federal, Receita Federal, eram apenas alguns dentre os muitos
instrumentos disponíveis. Sem esquecer, ainda, gavetas e arquivos de todos os
ministérios, repartições e empresas estatais do país. Entretanto, surpresa!
Empossado Lula, a inquisição petista deve ter embarcado em Alcântara rumo a
algum asteróide distante. Nada foi investigado! O outrora refinado faro não
capta mau cheiro sequer quando vem da sola do próprio sapato. Seus sherloques,
seus produtores de dossiês, seus assassinos de reputações, que antes pareciam
saber de tudo que acontecia na República, foram acometidos de um alheamento, de
um autismo em que não apenas ninguém está a par do que acontece na sala ao
lado, mas é a própria mão direita a primeira a desconhecer o que a esquerda
faz. Sobre essa duplicidade de conduta nada se fala, nada se escreve.
Quando
não há explicação moralmente aceitável é preferível deixar o dito pelo não
dito. E Lula maneja com perfeição a prolongada retórica do silêncio. Se, na
oposição, acusavam sem evidências, cometeram crimes de injúria e difamação. Se,
no governo, dispunham de meios para investigar e não o fizeram, cometeram crime
de prevaricação.
Já cansei de escrever sobre isso. E só colho silêncio como
resposta. É um silêncio que comprova a tese: o melhor atestado de boa conduta
do PSDB é passado pelo PT. O resto é conversa fiada. Não, não sou tucano. Nem
idiota.
______________
Percival Puggina (69), membro da Academia Rio-Grandense de
Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org,
colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de
Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões,
integrante do grupo Pensar+.
domingo, 2 de novembro de 2014
Eleições 2014: fraude, decepção, traição
Por Graça Salgueiro
Quando o então candidato Aécio Neves conseguiu votos para
chegar ao segundo turno, comentei no meu programa Observatório Latino na Rádio
Vox, que essa havia sido a praxis do Foro de São Paulo em toda a América Latina
para enganar os eleitores, fazendo-os crer com isso que respeitavam o “jogo
democrático”. “Permitindo” que um candidato opositor fosse disputar o cargo à
Presidência, o processo seguiria mostrando o opositor à frente nas pesquisas
eleitorais para em seguida dar empate técnico e, finalmente, mostrar seu
candidato superando o opositor com alguns pontos de vantagem. Dessa forma, dava-se
passagem para a fraude que seria cometida no dia do pleito. E assim foi.
Rigorosamente igual.
Esse processo fraudulento ocorreu sempre na Venezuela, nas
disputas entre Hugo Chávez e Henrique Capriles e depois, deste com o usurpador
Nicolás Maduro. De igual modo ocorreu na Colômbia, na disputa entre Juan Manuel
Santos e Oscar Iván Zuluaga, e em El Salvador, onde o candidato do Foro de São
Paulo, Salvador Sánchez Cerén elegeu-se.
Durante todo o dia 26 de outubro e seguintes, as denúncias
de fraude nas urnas de votação e seções eleitorais abundaram pelas redes sociais. Através de
fotos e vídeos, as pessoas lesadas referiam desde duplicidade de título de
eleitor e de digitais, a atas e fitas de mesas de votação encontrados em
lixeira, além de urnas que votaram sozinhas ou que na ata chamada zerésima (que
é a primeira, provando que nem um único voto foi ainda depositado), a lista já
trazer 400 votos impressos para a candidata governista.
Entretanto, a fraude mais descarada dessas eleições foi
cometida pelo próprio STE que cercou a apuração de um hermetismo inadmissível,
nunca visto em nenhum país democrático, nem mesmo aqui no Brasil em eleições
anteriores. O presidente do STE, Antonio Dias Toffoli, outrora advogado do PT e
posto no cargo estrategicamente pela presidente, declarou que o resultado só
seria anunciado às 20:00 h., alegando a diferença de horários entre as regiões
Norte e Nordeste com o restante do Brasil que adotou o horário de verão.
Nunca viu-se em lugar algum, exceto na Venezuela, apurações
de votos em sala fechada com apenas 23 eleitos, sem que os eleitores tivessem
conhecimento dos números parciais do escrutínio. Ninguém, exceto esses
escolhidos, conheceu o que de fato se passou naquela apuração. Algumas
perguntas se impõem: quem eram essas pessoas, únicas a ter acesso à apuração, e
quem as escolheu? Por que foi proibido divulgar os resultados parciais e o que
se temia previamente? Por que escolher 23 funcionários do STE para participar
do escrutínio e não outras pessoas? Delegados de partidos sempre tiveram o
direito garantido por lei de acompanhar a apuração mas, desta vez, sob o
comando do petista Dias Toffoli não foi permitido.
Em vídeo publicado pelo G1, o repórter informa que às 17:15
h., quando começou a apuração, Aécio Neves aparecia com 62,71% dos votos contra
37,29% de Dilma. A vantagem se mantinha até às 19:32 h., onde Aécio Neves
aparecia com 50,05% e Dilma com 49,95%. Meia hora mais tarde é oficialmente
anunciado que dona Dilma venceu as eleições com quase 52% dos votos válidos.
Milagre como esse só se viu na Venezuela, de Chávez e Maduro, com a diferença
de que lá a oposição pôde pedir uma auditoria nos resultados - embora tenha
sido aceita pelo usurpador Maduro e depois negada -, uma vez que, além do voto
eletrônico há o registro em papel, o que não ocorre aqui, cujas urnas são
inauditáveis e as atas destruídas após o anúncio do resultado. E tudo isto nos
dá SIM o direito de duvidar da lisura e transparência das apurações.
Para completar o que previ antes das eleições, tal como
ocorreu com Capriles na Venezuela, Aécio aceitou de imediato a “derrota” sem
questionar nem pedir auditoria, apesar de o PSDB ter recebido denúncias de
fraude durante todo o dia. E para culminar a traição, ainda disse que isso
fazia parte do “jogo democrático”, telefonou para a presidente felicitando-a
pela “vitória” e em vez de se colocar como opositor, que foi o que levou mais
de 50 milhões de brasileiros a crer na “mudança” proposta em sua campanha,
chamou a presidente a uma “união de esforços” e em seguida partiu para o
exterior de férias.
O PT deu dois golpes de uma só vez: não se satisfez apenas
em fraudar as eleições mas jogou a maior parte nas regiões Norte-Nordeste,
causando ira em alguns eleitores do Sul-Sudeste que agora advogam pelo
separatismo dessas regiões, não percebendo que era exatamente isso que o
governo desejava: criar a xenofobia interna e o ódio entre irmãos. Também como
forma de humilhar Aécio Neves e jogar seus eleitores contra os mineiros, a
candidata governista teve uma expressiva “vitória” naquele estado.
Para quem assistiu o crescimento de uma oposição que já
julgávamos morta e sepultada, onde de norte a sul do país por onde a presidente
passava levava vaias monumentais e xingamentos com palavras de baixo calão
dirigidas a ela, seu mentor Lula e o PT, essa “vitória” é um cálice amargo de
tragar porque não convence ninguém e eles SABEM que não foi limpa nem legítima.
O jornal oficial da ditadura cubana, o Granma, publicava no
dia seguinte que a “Reeleição de Rousseff avaliza a sucessão de mudanças no
Brasil”, para a qual os Castros contribuíram enormemente com seus mais de 13
mil espiões disfarçados de médicos e temiam perder o maná que jorra do BNDES às
custas do nossodinheiro e trabalho. E o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro,
diz em seu enfadonho pronunciamento oficial repleto de autoridades, militares
da Guarda Presidencial em formação e adidos militares de vários países, que “a
vitória do Brasil reforçou nossas forças revolucionárias na América Latina”,
como pode-se ver ao final deste artigo.
Muitos brasileiros que apostaram e acreditaram na
possibilidade de tirar o PT do poder se decepcionaram com os resultados porque
não conhecem a história desse partido que veio para ficar, e passaram a se
agredir buscando entre nós um (ou os) culpados. Entretanto, o que é preciso
ficar claro é que o nosso grande inimigo é, e sempre foi, o Foro de São Paulo e
os ditadores Castro que já mandam no Brasil. Por isso o PT não podia perder as
eleições, porque ele é o coração do Foro de São Paulo. Se perdesse, seria o
começo do fim desta organização criminosa e para evitar isso, eles usam a
“combinação de todas as formas de luta”. Sobretudo as mais execráveis.
Fonte: Mídia Sem Máscara
O método bolivariano para tratar a propriedade privada
Por Adriana Vandoni
Em 2010, quando se iniciava o governo Dilma, consegui esse
vídeo na internet e publiquei no Youtube. Sem grande repercussão, já que
ninguém acreditava ser possível acontecer o mesmo no Brasil. Acredito que hoje
já esteja ficando claro que os métodos bolivarianos são os mesmos desejados por
muitos esquerdistas daqui que estão hoje no poder.
Não se enganem. Se hoje eles já não fazem o mesmo aqui, é
porque as instituições democráticas brasileiras não permitiram. Por enquanto.
Mas eles não desistem, e o ministro das Comunas e dos
Movimentos Sociais venezuelanos, Elias Jauá Milano, esteve aqui recentemente
para prestar cursos e assessorar a implementação também aqui dos métodos do
bolivarianismo e “para fortalecer lo que es fundamental en una revolución
socialista, que es la formación, la conciencia y la organización del pueblo
para defender lo que ha logrado y seguir avanzando en la construcción de una
sociedad socialista”.
Assista ao vídeo e veja o absurdo:
REVOLUÇÃO EM ANDAMENTO - Assista, convença-se e resista!
Por Percival Puggina
Video em que a Revolução e o projeto da Pátria Grande,
bolivariana e comunista, confessa estar em curso no Brasil e canta suas
vitórias.
7 dicas para começar a fiscalizar o governo e os políticos
Por Agência Senado
Qual o caminho das pedras para fiscalizar as ações do
governo, para ficar de olho no cumprimento de promessas e para checar se o
dinheiro público está sendo bem gasto? Aqui vão algumas dicas que podem ajudar
o cidadão a cumprir o seu papel:
1 – Informe-se
Ficar por dentro de tudo é o primeiro passo para a
fiscalização. Leia as notícias; navegue pelos sites oficiais dos órgãos
públicos; saiba quem são as autoridades; conheça a Constituição e as leis, para
saber quais são os seus direitos e deveres; aprenda sobre as políticas
públicas; estude um pouco de História do Brasil; intere-se sobre as principais
discussões de interesse da sociedade.
2 – Siga o governo e os políticos nas redes sociais
Como são um importante instrumento de comunicação com a
sociedade, as redes sociais são uma forma simples e eficaz de ficar de olho no
que o governo está fazendo. Ali você pode acompanhar as principais questões em
debate, os principais atos, o que há de mais relevante na agenda. E, como é
possível comentar, pode dar sua opinião. Preparamos várias listas no Twitter
que facilitarão seu trabalho. Elas estão organizadas por Poder Executivo,
Legislativo, Judiciário, sem falar da lista específica com os senadores.
Fique de olho principalmente nestas páginas do Facebook:
- Notícias do Senado: principal página de veiculação de
informações sobre o que é votado e discutido no Senado Federal.
- Câmara Notícias: principal página de veiculação de
informações sobre o que é votado e discutido na Câmara dos Deputados.
- STJ: página oficial do Superior Tribunal de Justiça.
- Palácio do Planalto: Principal página da Presidência da
República
- CGU: página oficial da Controladoria Geral da União
- AGU: página oficial da Advocacia Geral da União
- CNJ: página oficial do Conselho Nacional de Justiça
- TSE: página oficial do Tribunal Superior Eleitoral
- MPF: página oficial do Ministério Público Federal
- Polícia Federal: página oficial da PF
- Páginas dos Ministérios: cada ministério (e até alguns
programas governamentais) tem sua própria página. Os links podem ser
encontrados na página do Palácio do Planalto, no box “Curtidas desta Página”.
- Assembleias Legislativas: as assembleias estaduais também
têm suas páginas.
- Câmaras de Vereadores: hoje, a maioria das câmaras de
vereadores também têm páginas.
3 – Fique de olho nos Portais da Transparência
Por lei, todos os órgãos públicos devem ter portais da
transparência onde são disponibilizados dados sobre orçamento, despesas,
pagamento de funcionários, licitações, convênios, etc. É uma das mais
importantes ferramentas de fiscalização, pois permite acesso rápido a muitas
informações importantes como as compras que os governos fazem, quanto é pago,
com o quê se gasta mais, etc. Veja o Portal da Transparência do Senado.
4 – Use a Lei de Acesso à Informação
Caso alguma formação específica que você deseja não esteja
disponibilizada no Portal da Transparência, pode ser feito uma solicitação com
base na Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/2011). Em geral, nos Portais da
Transparência deve ser disponibilizado um formulário para que o requerimento
seja feito. E, desde que não seja dado sigiloso, o governo é obrigado a
atender.
5 – Acompanhe os sites de fiscalização
Existem diversas instituições e sites dedicados à
fiscalização do governo. Acompanhá-los já é uma forma de ficar por dentro e de
aprender com seu trabalho. Veja alguns dos principais (lembrando que há
outros):
- Amarribo
6 – Participe dos conselhos municipais de controle social
Nos municípios, há diversos conselhos cuja função é
fiscalizar a execução de políticas públicas. Eles são compostos por pessoas
indicadas pelo poder público e pela sociedade. Há o Conselho Municipal de
Saúde; Conselho de Alimentação Escolar; Conselho de Controle Social do Bolsa
Família; Conselho do Fundef e Conselho de Assistência Social. Você pode saber
mais sobre eles aqui.
7 – Confira estas dicas da Controladoria Geral da União
Na estrutura do próprio governo federal existe a
Controladoria Geral da União, cuja função é fiscalizar o governo internamente.
Em seu site oficial, o órgão disponibiliza algumas dicas.
PROTESTO EM SP – Como a imprensa ridiculariza e distorce um protesto simplesmente por não concordar com ele. Em horas assim, a isenção e a objetividade que se danem!
Protesto contra Dilma na Paulista e em favor da auditoria
nas eleições (Eduardo Anizelli/Folhapress)
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Nesta tarde, houve dois protestos em São Paulo. Um deles
reuniu, segundo a PM, pelo menos 2.500 pessoas na Avenida Paulista — e não mil,
como está no UOL. A outra, uns 200, no Largo da Batata. Ambas foram convocadas
pelo Facebook. O primeiro cobra uma auditoria na eleição presidencial de 2014 e
pede o impeachment de Dilma; a segunda, pela enésima vez, culpa o governador
Geraldo Alckmin pela crise hídrica em São Paulo. Não funcionou no primeiro
turno, não funcionou no segundo turno, tenta-se agora o terceiro turno. Não
está funcionando de novo… Mas sigamos.
A esmagadora maioria das pessoas que se manifestavam na
Avenida Paulista cobrava a auditoria e defendia o impeachment de Dilma na
suposição de que ela conhecia a roubalheira na Petrobras, conforme afirmou à
Polícia Federal e ao Ministério Público o doleiro Alberto Youssef. Nem é
necessário demonstrar — mas, se for preciso, demonstro com facilidade — que a imprensa
paulistana trata com simpatia todos os protestos das esquerdas, as marchas em
favor da maconha e até os black blocs. Alguns de seus defensores são alçados à
condição de intelectuais. Já um protesto que não é organizado por
“progressistas”, bem, aí cumpre ridicularizar as pessoas, transformá-las numa
caricatura, enxovalhá-las, reduzi-las à condição de golpistas.
Vamos lá: a esmagadora maioria dos cartazes da Paulista
trata de uma suposta fraude na eleição, pede a auditoria na eleição e defende o impeachment (dada aquela
suposição, claro!, que tem de ser comprovada). Um senhor, no entanto — e ainda
que houvesse 10, 20 ou 100 —, pede uma intervenção militar. A prova de que é
“avis rara” no protesto é que foi, ora vejam!, entrevistado pela Folha e pelo
Estadão, que, milagrosamente, publicam quase a mesma matéria, com diferenças
que estão apenas no detalhe. Seu nome é Sérgio Salgi, tem 46 anos e é
investigador de polícia. E por que ele foi achado pelos repórteres dos dois
jornais? Porque carregava um cartaz “SOS Forças Armadas”. Bastou esse cartaz
para que a Folha Online desse o seguinte título: “Ato em SP pede impeachment de
Dilma e intervenção militar”. Se algum maluco estivesse na passeata cobrando
ajuda aos marcianos, o título poderia ser: “Ato em SP pede impeachment de Dilma
e intervenção dos ETs”.
Não é a primeira vez que isso acontece. Em 2007, embora
fossem outras as circunstâncias, surgiu o “Movimento Cívico pelo Direito dos
Brasileiros”, que ficou conhecido como “Cansei”. Seus promotores foram impiedosamente
ridicularizados pela imprensa e por personalidades púbicas a serviço do PT.
Foram tachados de representantes da “elite branca”. A notícia do mensalão tinha
menos de dois anos, o escândalo dos aloprados, menos de um, mas uma simples
manifestação de protesto foi tratada como coisa de golpistas.
O Globo Online também noticia o protesto em São Paulo. O
repórter não entrevistou o policial Sérgio Salgi, mas encontrou outra maneira
de enxovalhar os que protestavam. Transcrevo: “O protesto reúne muitas senhoras
de guarda-chuva, em razão do sol forte. Algumas levaram seus cachorrinhos de
estimação para o protesto”.
Manifestações das esquerdas, como vocês sabem, contam com
uma palavra que a imprensa adora: “ativistas” — não sei o que é isso; deve ser
o oposto complementar dos “passivistas”… Já um ato que é inequivocamente
caracterizado como “de direita”, bem, esse conta com “senhoras de
guarda-chuva”… Sabem como são as dondocas: não querem se pelar ao sol. Entre as
2.500 pessoas, contavam-se nos dedos os tais guarda-chuvas. Ah, claro! Elas
também levavam seus cachorrinhos, entendem? É evidente que o destaque dado a
essas lateralidades busca desmoralizar o protesto.
O cantor e compositor Lobão se manifestou em favor da
recontagem dos votos e disse o óbvio: não se tratava de um movimento em favor
da volta do regime militar.
Boçalidades
Não que boçalidades reais, de fato, não tenham sido ditas.
Foram. A ser verdade o que relatam Estadão, Folha e Globo, o deputado federal
eleito Eduardo Bolsonaro (PSC-SP), filho de Jair Bolsonaro (PP-RJ), afirmou o
seguinte:
“Ele [seu pai] teria fuzilado Dilma Rousseff se fosse
candidato esse ano. Ele tem vontade de ser candidato mesmo que tenha de mudar
de partido”. E emendou: “Dizia na minha campanha: voto no Marcola, mas não em
Dilma. Pelo menos ele tem palavra”.
A ser isso mesmo, trata-se de uma notável coleção de
bobagens. Evidentemente, o “fuzilado” de sua fala é uma metáfora. Mas quem se
importa? Quando fala em votar até “em Marcola”, procura deixar claro o quanto
repudia Dilma, não seu apreço pelo bandido. Mas quem se importa? Quem não quer
que seu discurso seja confundido não fala essas tolices. O ânimo para
transformar os manifestantes em golpistas já é evidente. Quando se oferece o
pretexto, tudo fica mais fácil.
No Brasil, é permitido marchar em favor da maconha. A venda
e o consumo de maconha são ilegais. Manifestantes são tratados como bibelôs.
No Brasil, é permitido marchar em favor do aborto. O aborto,
com as exceções conhecidas, é ilegal. Manifestantes são tratados como
pensadores.
No Brasil, é permitido marchar em favor de corruptos
condenados pelo Supremo. Manifestantes são tratados como ideólogos.
No Brasil, é permitido marchar em favor da recontagem dos
votos e, sim, em favor do impeachment. O Artigo 5º da Constituição garante tudo
isso. Não obstante, manifestantes são tratados como pessoas ridículas e
golpistas.
Nota final, que traduz um sequestro moral: os esquerdistas,
sempre adulados pelos jornalistas, querem controle social da mídia e mecanismos
de censura, ainda que oblíquos.
sábado, 1 de novembro de 2014
Numa manifestação absurda, corregedor do TSE desqualifica pedido do PSDB para uma auditoria nas eleições. Curiosamente, a sua manifestação é igual à do PT
Estou entre aqueles que, por enquanto ao menos, estão
convencidos de que o sistema é seguro. Nunca me ocorreu questionar as urnas
eleitorais, embora seja grande o alarido por aí. Mas não é possível ignorar os
milhares de manifestações e denúncias que se multiplicam nas redes sociais. Eu
mesmo recebi algumas. Publiquei duas (vejam posts se ontem) que, se
verdadeiras, são preocupantes. Os denunciantes têm cara, nome, existem. Quando
menos, o tribunal deveria se comprometer a tirar algumas dúvidas. O que não é
aceitável é que um ministro trate um pedido de auditoria como se fosse ameaça à
democracia. Ora, vá plantar batatas! Apresentar petições ao poder público, meu
senhor, é um direito sagrado nas democracias.
Não há como não observar que o ministro João Otávio de
Noronha tem reação idêntica à do PT, que também desqualificou a iniciativa
tucana. Disse Noronha: “O que ele não apresenta são fatos que possam colocar em
xeque o processo eleitoral. Está colocando en passant [de passagem]. Isso não é
sério, então, não me parece razoável. O problema é que não estão colocando em
xeque uma ou duas urnas, mas o processo eleitoral. É incabível. Se você colocar
em xeque o sistema eleitoral, aponte o fato concreto que vamos apurar”.
Já que Noronha opina alegremente sobre o que lhe dá na
telha, fora dos autos, então eu devo lembrar ao meritíssimo que é simplesmente
impossível colocar em xeque o que quer que seja das urnas porque inexiste, pra
começo de conversa, prova física do voto, não é mesmo? O PSDB está questionando
o que é questionável: há situações relatadas pelos eleitores que são, quando
menos, pouco convencionais. Se eu pedir a ele, um ministro da área, que me explique
todo o processo, inclusive seus mecanismos de segurança, duvido que consiga.
Posso até confiar nas urnas, mas sei que não é assim que se
faz. Pedir uma auditoria não é o mesmo que fazer uma acusação. O PSDB não está
se batendo contra o TSE, contra a autoridade dos senhores ministros ou contra a
corregedoria. Está apenas exercendo um direito. Um juiz arbitra causas, dentro
dos autos, não emite juízos de valor sobre a ação dos demandantes,
especialmente quando esta se situa nos marcos legais. Ou não é assim? Noronha
conseguiria sustentar que o PSDB desrespeitou as instituições?
Menos, ministro, menos! De resto, o membro do TSE, o
corregedor do tribunal, deveria saber que a desconfiança sobre a lisura das
urnas é hoje compartilhada com milhões de brasileiros. Não bastam campanhas
institucionais para mudar esse sentimento. É preciso que as denúncias de
irregularidade sejam apuradas — tanto melhor se for para desmenti-las. Eu
sugeriria ao meritíssimo que, num país em que a abstenção foi superior a 21%, ele
deveria ser mais cuidadoso. Ajude a dar credibilidade ao sistema, ministro
Noronha. A sua resposta tem efeito contrário.
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