quarta-feira, 29 de outubro de 2014

A derrubada do decreto da sovietização do Estado



Ontem a Câmara de Deputados aprovou decreto que extingue o famigerado decreto do Poder Executivo de número 8.243, que instituía a sovietização do Estado brasileiro. Uma grande notícia. A propositura irá agora ao Senado Federal para receber confirmação. Analiso aqui os impactos políticos da decisão.

Entenda o Decreto Bolivariano 8243



Ontem a noite foi derrubado na Câmara dos deputados em Brasília, numa sessão acalorada e repleta de pronunciamentos medíocres, o decreto nº 8243, de interesse do PT, PSOL e PCdoB, que criava os ‘soviets’, diabolicamente chamado de “democracia direta”.

Esse decreto tinha o objetivo de criar Conselhos Populares que seriam consultados sempre que houvesse necessidade de avaliação, formulação ou proposição de políticas públicas ou para solucionar conflitos sociais, dentre eles os conflitos fundiários agrários e urbanos.

Em outras palavras iria funcionar assim: você tem uma área, uma casa ou fazenda e essa sua propriedade é invadida, ou “ocupada”, como eles gostam de chamar as invasões de propriedades privadas. No lugar de você procurar a Justiça e pedir a reintegração de posse, você iria se reunir com os invasores, perante esse “Conselho Popular” e ele decidiria se você tem ou não direito de retirar os invasores. Decidiriam se a sua propriedade pode ser sua ou é de interesse social.

Simples assim.

No papel o objetivo era descrito como “fortalecer e articular os mecanismos e as instâncias democráticas de diálogo e a atuação conjunta entre a administração pública federal e a sociedade civil”.

Mas o que seria “sociedade civil”? Bem, seria “o cidadão, os coletivos, os movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações”. Ou seja, organizações dominadas pela esquerda, que não precisariam nem de um juiz para decidir. A Justiça nestes casos caberia a elas.

Bem, esse projeto bolivariano foi derrubado ontem, mas outros virão. O presidente do PT nacional, Rui Falcão, em sua primeira entrevista após a reeleição de Dilma, disse que vai voltar com o projeto de controle social da mídia, que nada mais é que censura.

Controle social será uma espécie desses conselhos populares, que decidirá quem e o que poderá ser informado ao cidadão.

Você acha que com essa ideias borbulhantes nas mentes desses aprendizes de ditadores, nós podemos descansar ou ficar comentando sobre culinária ou moda? De jeito algum, meus amigos. Como disse Thomaz Jefferson, “o preço da liberdade é a eterna vigilância”. Portanto, estejamos todos em vigília.

Dilma sofre primeira derrota na Câmara após ser reeleita



Dois dias depois da reeleição de Dilma Rousseff, a Câmara dos Deputados, por ampla maioria, foi realizada em votação simbólica, com encaminhamento de lideranças, derrubou o Decreto 8.243, o dos Conselhos Populares. O PT, o PSOL, o PCdoB e o PROS tentaram desesperadamente obstruir a votação do Decreto Legislativo 1.491, que derruba o de Dilma. Não conseguiram.

Sen Jarbas Vasconcelos sugere que candidatos ao STF assumam compromisso contra censura


Gilberto Carvalho, gente!, quer cuidar de nós. Credo! Ou: A última do santo inquisidor do stalinismo cristão


O ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, continua dedicado a fazer o terceiro turno da eleição, embora o seu partido tenha vencido o segundo. Sabem qual é o problema? A ele, não basta vencer. Ele precisa destruir os adversários e quer a unanimidade. Enquanto a presidente Dilma fala em dialogar, ele continua interessado na guerra. Segundo este gigante do pensamento, “sem dúvida nenhuma, essa vitória de um projeto acabou significando a derrota daqueles que usam a mídia como panfleto, como semeadores do ódio e da divisão do país, o que felizmente não aconteceu”.

Para começo de conversa, não há um “projeto”, mas um poder consolidado.

Há, sim, gente que usa “a mídia como panfleto”, dedicada “a semear o ódio e a divisão do país”. São os blogs sujos financiados pelas estatais e os sites e publicações do esgoto, que servem ao governismo. Carvalho sabe quais são. É claro, no entanto, e ninguém é inocente, que ele estava se referindo à edição de VEJA de sexta passada — na terça desta semana, já era a maior venda em banca da revista em 12 anos.

A revista informou que, em seu depoimento, Alberto Youssef afirmou à Polícia Federal e ao Ministério Público que Dilma e Lula sabiam do esquema de roubalheira montado na Petrobras. No sábado, Folha e Estadão trouxeram a mesma informação. Curiosamente, só a VEJA, como diria o poeta, excitou a fúria dos algozes. Curiosamente, Carvalho concedeu uma entrevista ao UOL, do mesmo grupo que edita a Folha, atacando a VEJA.

Carvalho, só um homem bom, está muito preocupado com a credibilidade do que chama “mídia” e diz que a “liberdade de imprensa” é intocável. É bem verdade que se trata de um governo que distribui anúncios àqueles que considera amigos e os sonega quando os veículos de comunicação não corta as cabeças que eles pedem. Mas que não se confunda isso com autoritarismo. Disse esse grande filósofo do poder:

“Eu penso que em relação à mídia, não temos que tomar nenhuma atitude que mude de repente o cenário da mídia ou que fira a liberdade de imprensa. Ela é sagrada e tem que ser mantida. Eu prefiro devolver para a mídia a reflexão. A própria mídia tem que pensar no que aconteceu no Brasil, refletir sobre os excessos que aconteceram. Ou ela se autorregulamenta e entende o que é a participação democrática na mídia, ou cada vez mais a sua credibilidade vai pelo ralo”.

De saída, noto que Gilberto Carvalho faz de conta que, se ele quisesse, poderia tolher a liberdade de imprensa. Não pode. Está na Constituição. Não depende da boa-vontade dele.

Como Gilberto Carvalho é bom! Tão bom quanto um santo inquisidor que manda as pessoas para a fogueira para que elas reflitam sobre os seus pecados, enquanto ele, muito pio, encomenda a sua alma. Carvalho, o stalinista cristão, cobra uma autocrítica disso que ele chama “mídia”, como se ela fosse um bloco, como se ela fosse “monolítica” — para empregar a palavra que Dilma deve ter descoberto por esses dias, posto que ela a empregou nas entrevistas da Record, da Globo, da Band e do SBT.

Doce Gilberto Carvalho! Ele está preocupado com a nossa “credibilidade” e pretende que os veículos de comunicação se abram à “participação democrática”. O que será que isso quer dizer? Criar “conselhos de redação”, talvez, comandados pelo “povo” — o “povo do PT”, é claro?! Saibam que aquele famigerado Plano Nacional de Direitos Humanos trazia algo muito parecido com isso.

Com a imprensa que está aí, que Carvalho diz ser contra o PT, o partido obteve o quarto mandato consecutivo e já planeja o quinto. Com a imprensa que ele tem em mente, o PT nunca mais sairia do poder, e as opiniões divergentes seriam banidas. Reitero: ele está falando essa bobajada toda vencendo a eleição. Imaginem se tivesse perdido.

Não pensem que sua investida é irrelevante. Não é, não! Muita gente, a partir desta quinta, vai se empenhar em provar para Gilberto Carvalho que ele está errado. “Você também, Reinaldo?” Eu não! Estou me lixando! Ele não é meu juiz. Sendo quem é, tê-lo como um crítico severo do meu trabalho é, para mim, uma honra adicional. Eu jamais vou me esquecer que este senhor tentou jogar no colo do governo de São Paulo os protestos violentos de rua — até que eles passassem a varrer o país e caíssem no colo de Dilma — e até os rolezinhos, nos quais, segundo o valente, havia um confronto de classes e um confronto racial. Nunca vi tamanha irresponsabilidade política.

Gilberto Carvalho ser ministro de estado é um escárnio. Ele não tem serenidade para isso, embora fale com a mansidão dos inquisidores.

STF autoriza prisão domiciliar para José Dirceu


Ministro Luís Roberto Barroso confirmou a progressão de regime após mensaleiro ter abatido pena com trabalho e estudos

José Dirceu deixa o Centro de Progressão Penitenciária (CPP), em Brasília (DF), em seu primeiro dia de trabalho no escritório de advocacia de José Gerardo Grossi
José Dirceu deixa o Centro de Progressão Penitenciária (CPP), em Brasília (DF), em seu primeiro dia de trabalho 
no escritório de advocacia de José Gerardo Grossi (Ed Ferreira/Estadão Conteúdo/Estadão Conteúdo)
O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça-feira que o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu, condenado no julgamento do mensalão, possa cumprir o restante da pena de sete anos e 11 meses em regime domiciliar. Relator do processo do mensalão, Barroso confirmou o benefício ao mensaleiro pelo fato de o mensaleiro ter trabalhado e estudado na cadeia e, com isso, aberto caminho para o abatimento de parte dos dias da sentença. Ele permaneceu menos de um ano atrás das grades.

José Dirceu teria direito a progredir para o regime aberto apenas em março de 2015, mas os estudos na cadeia, os livros lidos e trabalhos tanto na Papuda quanto no escritório do criminalista José Gerardo Grossi deram a ele o direito de acelerar a migração para um regime mais benéfico. Como no Distrito Federal não há casas de albergado, estabelecimentos próprios para condenados a regime aberto, a Justiça garante aos detentos nessa condição que sejam beneficiados com prisão domiciliar.

Na próxima semana, Dirceu deve comparecer à Vara de Execuções Penais do Distrito Federal para receber instruções sobre o cumprimento da pena em regime aberto. Para cumprir a pena em casa, o condenado deve, via de regra, assumir o compromisso de morar no endereço declarado e avisar qualquer mudança, permanecer recolhido das 21 horas até as 5 horas da manhã e ficar recluso nos domingos e feriados por período integral nos primeiros meses da pena.

Em maio, durante mais uma tentativa de desqualificar as condenações proferidas pelo STF no julgamento do mensalão, a defesa do ex-ministro da Casa Civil chegou a apresentar recurso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA), acusando o Estado brasileiro de violação de direitos. O mensaleiro, condenado a sete anos e 11 meses pelo crime de corrupção ativa, pedia ainda que a Comissão recomendasse ao Brasil a realização de um novo julgamento para Dirceu, sob a alegação de que foi desrespeitado o princípio do duplo grau de jurisdição.

Separatismo é conversa de cretinos — não importa se vermelhos ou azuis


Essa conversa sobre separatismo no Brasil é asquerosa, é revoltante. Foi inventada por Lula, e, claro!, os porta-vozes do PT na imprensa logo aderiram à tese, atribuindo a adversários do PT o rancor separatista.

Ainda voltarei ao assunto, sim. Não! Não foram Norte e Nordeste que deram a vitória a Dilma porque há lá, se me desculpam a tautologia, muitos nortistas e nordestinos. A questão é de outra natureza: está relacionada à pobreza, que se concentra, como se sabe, no Norte e Nordeste do país — onde, de fato, está o maior número de pessoas atendidas pelo Bolsa Família. A questão é bem mais séria. Um programa social, que tem apenas o condão de tirar as pessoas da miséria e da indigência social e econômica, transformou-se numa máquina de produzir votos — e isso, sim, é imoral.

A população pobre, além de vítima das circunstâncias, não pode agora ser responsabilizada por um resultado eleitoral que eu também acho ruim para o Brasil. Vou escrever sobre tudo isso com mais vagar. De imediato, acho que é hora de a gente rechaçar essas teses de Nordeste contra Sudeste, não importa quem as advogue, sejam os petistas, obedecendo à orientação de Lula, sejam os seus adversários.

Aliás, Lula, ele mesmo, deveria ter vergonha de investir nessa história: afinal, é um nordestino que se tornou a maior liderança nacional no Sudeste. Durante um bom tempo, diga-se, ele despertava temores extremos justamente na população do… Nordeste!

Rebatam essa besteira. Esse negócio de falar em separatismo é um atentado à inteligência, ao bom senso e até à decência. Voltarei a esse assunto neste blog e falarei a respeito na minha coluna de amanhã, na Folha.

Quem fala em separar o Sudeste e o Sul do resto do Brasil, lamento!, não entendeu nada. Ao contrário: precisamos é somar esforços com os pobres do Brasil, do Nordeste ou não, para que eles se libertem da caridade que hoje os escraviza e os torna alvos fáceis do terrorismo de um partido político.

Dilma, não haverá reconciliação!


No seu discurso da vitória a presidente eleita Dilma Rousseff pregou a reconciliação dos brasileiros. Este vídeos é minha resposta direta: não haverá qualquer conciliação! A oposição será forte e sistemática. O momento é de enfrentamento e luta.

Pizzolato tem razão em ter medo


Dois dias depois de reeleita, “represidenta” sofre derrota histórica na Câmara, que rejeita decreto bolivariano sobre conselhos populares


Dois dias depois da reeleição de Dilma Rousseff, a Câmara dos Deputados, por ampla maioria — foi realizada em votação simbólica, com encaminhamento de lideranças — derrubou o decreto 8.243, o dos Conselhos Populares. Acompanhei a sessão. Voltarei ao assunto com mais detalhes. O PT, o PSOL, o PCdoB e o PROS tentaram desesperadamente obstruir a votação do Decreto Legislativo 1.491, que derruba o de Dilma. Não conseguiram.

Por mais que os governistas, alguns com discursos lastimáveis, tenham afirmado que não se trata de uma derrota de Dilma, a verdade evidente é que se trata, sim. Ela perdeu, e a democracia ganhou.

Não custa lembrar trechos do monstrengo dilmiano. O Artigo 1º do decreto estabelece: “Fica instituída a Política Nacional de Participação Social – PNPS, com o objetivo de fortalecer e articular os mecanismos e as instâncias democráticas de diálogo e a atuação conjunta entre a administração pública federal e a sociedade civil”. Sei… O Inciso II do Artigo 3º sustenta ainda que uma das diretrizes do PNPS é a “complementariedade, transversalidade e integração entre mecanismos e instâncias da democracia representativa, participativa e direta”.

Certo! Então os conselhos seriam uma forma de democracia direta, né? Só que é a democracia direta que se realiza à socapa, sem que ninguém saiba. Ou o “cidadão” decide fazer parte de algum “coletivo” ou “movimento social” ou não vai participar de coisa nenhuma. O texto tem o topete de definir o que é sociedade civil logo no Inciso I do Artigo 2º: “o cidadão, os coletivos, os movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações”. Ou por outra: é sociedade civil tudo aquilo que o poder decidir que é; e não é o que ele decidir que não é.

Fim da propriedade privada
Como observei numa coluna na Folha, O “indivíduo” só aparece no decreto para que possa ser rebaixado diante dos “coletivos” e dos “movimentos sociais institucionalizados” e “não institucionalizados”, seja lá o que signifiquem uma coisa, a outra e o seu contrário. Poucos perceberam que o decreto institui uma “justiça paralela” por intermédio da “mesa de diálogo”, assim definida: “mecanismo de debate e de negociação com a participação dos setores da sociedade civil e do governo diretamente envolvidos no intuito de prevenir, mediar e solucionar conflitos sociais”.

Ai, ai, ai… Como a Soberana já definiu o que é sociedade civil, poderíamos esperar na composição dessa mesa o “indivíduo” e os movimentos “institucionalizados” e “não institucionalizados”. Se a sua propriedade for invadida por um “coletivo”, por exemplo, você poderá participar, apenas como uma das partes, de uma “mesa de negociação” com os invasores e com aqueles outros “entes”. Antes que o juiz restabeleça o seu direito, garantido em lei, será preciso formar a tal “mesa”…

Isso tem história. No dia 19 de fevereiro, o ministro Gilberto Carvalho participou de um seminário sobre mediação de conflitos. Com todas as letras, atacou a Justiça por conceder liminares de reintegração de posse e censurou o estado brasileiro por cultivar o que chamou de “uma mentalidade que se posiciona claramente contra tudo aquilo que é insurgência”. Ou por outra: a insurgência lhe é bem-vinda. Parece que ele tem a ambição de manipulá-la como insuflador e como autoridade.

Vocês se lembram do “Programa Nacional-Socialista” dos Direitos Humanos, de dezembro de 2009? É aquele que, entre outros mimos, propunha mecanismos de censura à imprensa. Qual era o Objetivo Estratégico VI? Reproduzo trecho:

“a- Assegurar a criação de marco legal para a prevenção e mediação de conflitos fundiários urbanos, garantindo o devido processo legal e a função social da propriedade.
(…)
d- Propor projeto de lei para institucionalizar a utilização da mediação como ato inicial das demandas de conflitos agrários e urbanos, priorizando a realização de audiência coletiva com os envolvidos (…) como medida preliminar à avaliação da concessão de medidas liminares (…)”

Dilma voltou à carga, resolveu dar uma banana para o Congresso e, em vez de projeto de lei, que pode ser emendado pelos parlamentares, mandou logo um decreto, que não pode ser emendado por ninguém.


Quebrou a cara. E olhem que isso aconteceu com a atual composição da Câmara. A da próxima legislatura é ainda mais inóspita ao governo. A democracia respira, sim, senhores! Se Dilma quer brincar com essas coisas, que vá para Caracas.

Dilma x Oposição: não haverá lua de mel



A resposta do senador Aloysio Nunes ao diálogo proposto por Dilma mostrou que os oposicionistas enfim aprenderam a fazer oposição.

Roda Viva - Eleição 2014



O Roda Viva desta segunda-feira (27) reuniu especialistas em política brasileira para debater o resultado da eleição presidencial.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

As rãs coaxam à procura do rei que foi descansar


Plebiscito ou referendo?




A presidente Dilma Rousseff colocou novamente em pauta a reforma política, sonho antigo do PT. Comento o tema aqui, prognosticando que não será aprovado nos termos dela pelo Congresso. Sinaliza que no segundo mandato Dilma Rousseff quer mobilizar as massas petistas, intensificando a ação direta.

A pergunta de um milhão que Dilma precisa responder já



A Dilma versão 2015 terá que ser melhor que a versão 2010. A semana começou sangrenta no mercado financeiro e enquanto a presidente reeleita não responder a grande pergunta dos setores econômicos a turbulência continua.

Dilma tenta roubar da oposição luta contra corrupção, na jogada para salvar políticos na Lava Jato

 
Um plano sórdido já está em execução para impedir que os processos da Operação Lava Jato atinjam políticos com direito ao absurdo foro privilegiado em ações criminais. A estratégia consiste em minimizar os efeitos das “colaborações premiadas” a serem firmadas por Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef. A tática é simples: eles terão as penas diminuídas se pouparem alguns nomes mais poderosos e não fornecerem indícios materiais suficientes para condenar outros. Assim, o Supremo Tribunal Federal termina obrigado a absolver os implicados por falta de provas – como ocorreu em várias situações no caso do Mensalão.

Outra manobra fundamental para cortar o combustível da Lava Jato é protelar, o máximo possível, os desdobramentos judiciais do escândalo na mais alta Corte do Brasil. Quanto maior a previsível e programada protelação, menor fica a chance concreta de uma condenação exemplar de vários políticos poderosos. Assim, a mais indigesta pizza com sabor de corrupção começou a ser assada no infernal forno da impunidade oficial. A jogada nazicomunopetralha para não desestabilizar o novo-velho governo Dilma Rousseff consistirá em “roubar” da oposição o discurso e a prática de combate à corrupção e à impunidade.

A reeleita Dilma aproveitou suas entrevistas amestradas concedidas ontem às Redes Globo e Record para lançar sua encenação teatral de combate à corrupção e à impunidade. A evidente intenção de Dilma é se antecipar aos eventuais desgastes que seu governo sofreria com os desdobramentos pós-eleitorais dos processos da Operação Lava Jato. Politicamente, ficaria insuportável a apuração de crimes de lavagem de R$ 10 bilhões tungados direta ou indiretamente dos cofres públicos, na ligação capimunista de negociatas entre a Petrobras, empreiteiras e políticos poderosos. Agora, com Dilma assumindo a presidência do teatro, o espetáculo fica menos desgastante e perigoso para os amigos, aliados e parceiros.

Na Record, Dilma prometeu: “No que se refere ao escândalo da Petrobras, eu vou investigar. Não vai ficar pedra sobre pedra. Mas eu tenho uma indignação com o que fizeram na última semana desta campanha”. Dilma se referiu à reportagem de capa da revista Veja, na qual o doleiro Youssef teria denunciado à Justiça Federal que ela e Lula sabiam do esquema criminoso na Petrobras.

Na Globo, Dilma avisou que vai apurar tudo, e ainda defendeu a tese de que não sofrerá os efeitos negativos de uma instabilidade política: “Neste caso da Petrobras e em qualquer outro que apareça. Não vou deixar pedra sobre pedra. Vou investigar e não é aí apenas divulgando seletivamente informações. Eu vou fazer questão que a sociedade brasileira saiba de tudo. Eu não concordo que isso leva à crise. Acho que o que leva à crise no Brasil é as suposições, as ilações e as insinuações”.

Antes disso, Dilma tinha comentado no JN: “Eu não acredito em instabilidade política por se prender e condenar corruptos e corruptores. Eu acredito que o Brasil tem uma democracia forte e tem uma institucionalidade forte. Acho que a sociedade brasileira exige uma atitude que interrompa a sistemática impunidade que ocorreu nesse país ao longo da nossa história. E isso significa: doa a quem doer, se faça justiça. E fazer justiça nesse caso é punir. Se alguém errou, tem que ser punido. Esse fator não pode levar à instabilidade política. O que deve levar à instabilidade política é a manutenção na impunidade. Eu acho que o Brasil amadureceu nesses últimos doze anos. E eu, você pode ter certeza, eu não falei contra a corrupção e a impunidade só durante a eleição. Eu não só falei durante a eleição, como você pode ter certeza que eu farei o possível para colocar às claras o que aconteceu”.

Dilma ontem já deu um passo concreto nesta operação de prometida transparência. Em comunicado oficial ao nervoso mercado, a “Petrobras assinou contratos com duas empresas independentes especializadas em investigação, uma brasileira e outra americana, com o objetivo de apurar a natureza, extensão e impacto das ações que porventura tenham sido cometidas no contexto das alegações feitas pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa, bem como apurar fatos e circunstâncias correlatos que tenham impacto material sobre os negócios da companhia”.

Na prática, o plano consiste em pegar as empreiteiras como bode expiatório, obrigando-as a um acordo judicial que pague multas elevadas, supostamente ressarcindo prejuízos. Isto acontecerá como desdobramento dos julgamentos de ações que correm na 13ª Vara Federal de Curitiba, sob comando do juiz Sérgio Fernando Moro. O governo quer se aproveitar da mão pesada do “Homem de Gelo” e atingir, somente, as empresas que tenham levado e oferecido as vantagens ilícitas em contratos superfaturados.

Já o desdobramento político do escândalo, na visão do governo, deve ser contido no Supremo Tribunal Federal – que tem a função de julgar denúncias concretas de crimes ligados ao destino do dinheiro para políticos que detêm cargos públicos. O ministro Teori Zavascki, que cuida do caso, vai depender das explosivas delações a serem refeitas, confirmada ou não, por Paulo Roberto Costa, Alberto Youssef e outros menos votados. Se Costa e Yousseff minimizarem as denúncias, pegando apenas alguns políticos em desgraça para bodes expiatórios e poupando os tubarões maiores, repete-se a encenação do mensalão – cujos réus já estão tecnicamente soltos, exceto Marcos Valério (que preferiu não ganhar prêmio para delatar ninguém).     

Apesar do esforço cênico e cínico interno, só por milagre (ou por ameaças covardes e criminosas), a turma de Dilma conseguirá conter a detonação de novas denúncias contra a Petrobras. Nem com o prestígio da reeleição apertadinha Dilma tem condições de conter a ira de investidores internacionais da estatal – que apoiam investigações da Corte de Nova York e da Security Exchange Comission (a SEC, que fiscaliza o mercado de capitais nos EUA, onde a Petrobras negocia ações).

Desdobramentos internos dos quase certos processos no exterior, contra dirigentes e conselheiros atuais e passados da Petrobras – incluindo Dilma Rousseff – podem redundar em ameaça de processo de impeachment. Mas é muito baixa a probabilidade disto ocorrer. Dilma hoje tem plenas condições de conter a base aliada e coagir a “oposição” a não “jogar contra a governabilidade em um momento de grave crise” (o velho papo furado de sempre). Pedido de impeachment depende de denúncia do Procurador Geral da República e de aceitação do Congresso para abertura de processo. A chance disto ocorrer é baixíssima.

Resposta fácil


A futura equipe econômica de Dilma tem condições de resgatar a confiança do mercado?

A resposta é não – ainda mais se for confirmado que Aloísio Mercadante será o futuro ministro da Fazenda no lugar de Guido Mantega – que também acumula o cargo de presidente do Conselho de Administração da Petrobras...

Mercadante será o escolhido se o atual presidente do Bradesco, Luiz Trabuco, não aceitar o convite para o poderoso cargo.

Recado nazicomunopetralha

Se alguém duvida, com a reeleição de Dilma, que estamos no caminho da Venezuela, basta dar uma olhada na página 3 do documento oficial do Partido dos Trabalhadores, datado de 2 e 3 e maio, como resolução de seu 14º Encontro:

“O que significa, programaticamente, um segundo mandato superior ao
primeiro? O que significa “continuar mudando” o Brasil? Responder a estas
perguntas exige lembrar que, tanto no Brasil quanto no conjunto da América Latina, continua posta a tarefa de superar a herança maldita cujas fontes são a ditadura militar, o desenvolvimentismo conservador e a devastação neoliberal. Esta herança maldita se materializa, hoje, em três dimensões principais: o domínio imperial norte-americano; a ditadura do capital financeiro e monopolista sobre a economia; e a lógica do Estado mínimo. Superar estas três dimensões da herança maldita é uma tarefa  simultaneamente nacional e regional, motivo pelo qual defendemos o  aprofundamento da soberania nacional, a aceleração e radicalização da integração latino-americana e caribenha, uma política externa que confronte os interesses dos Estados Unidos e seus aliados”.


Conclamação


Sob a bandeira da mudança, elegemos a continuidade e a repetição


Amanhã é um novo dia


Fora do Brasil Dilma é vista como uma presidente enfraquecida e mal educada


É AGORA QUE TUDO COMEÇA


Eram 20 horas do dia 26 quando os números da eleição presidencial me caíram diante dos olhos, saídos do éter e cercados das mesmas inconfiabilidades que caracterizam as pesquisas de intenção de voto. Mas desta vez eram números para valer. Dilma e o PT ganharam mais quatro anos para destruir o Brasil e o caráter da população brasileira.

Vieram-me à mente as palavras de Mateus 11, 21-22.

“Ai de ti, Corazim e ai de ti, Betsaida! Porque, se os milagres que fiz nas vossas ruas tivessem sido praticados em Tiro e Sidom, há muito que o seu povo se teria arrependido com vergonha e humildade. Verdadeiramente, Tiro e Sidom estarão melhor do que vocês no dia do juízo!”

Elas são bem adequadas ao momento. Qualquer outro povo que tivesse, desde 2005, quando estourou o primeiro escândalo do governo Lula, conhecido o que o Brasil conheceu, sabido do que o Brasil ficou sabendo, contemplado o futuro que o Brasil contempla, sido fatiado em alas e conflitos como o Brasil foi, andado nas companhias com que o Brasil andou, feito os negócios que no Brasil se fizeram, perdido tudo que no Brasil se jogou fora, teria enxotado seu governo a votos na primeira oportunidade. O Brasil já perdeu a terceira. Se o que acontece nas nossas ruas ocorresse em país sério, seu povo se teria arrependido com vergonha e humildade. Ainda não chegou para nós o dia em que o Brasil tomará juízo.

Felizmente, metade da nação já despertou. A disputa começou muito mais desigual. Ao longo dos últimos meses, porém, o petismo, sem meias nem peias, que se julga dono do Brasil, foi produzindo o mais incômodo de seus resultados: o antipetismo consciente, crescente e comunicante, que se irá organizar porque exatamente aqui, onde o PT julga que tudo termina, é onde tudo começa. O que era disperso ganhará coesão.

Já que o PT preferiu dividir, dividido está. E o que foi dividido saberá unir-se. Em dois anos haverá novas eleições e, desta vez, os antipetistas sabemos quem esteve e quem está com quem. Isso o PT e o Congresso Nacional ficaram sabendo: metade do Brasil é antipetista. E todo parlamentar que não for assumidamente antipetista vá cantar na sua freguesia porque terá metade da nação contra si.


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Percival Puggina  é arquiteto, empresário, escritor, membro da Academia Rio-Grandense de Letras, autor de “Crônicas contra o Totalitarismo”, “Cuba, a tragédia da utopia” e “Pombas e Gaviões”.