domingo, 20 de julho de 2014

Programa INTERROGATÓRIO - Entrevista com Paulo Eduardo Martins


Cristãos SECRETOS ou... PERSEGUIDOS na Fé

AVIÃO DA MALAYSIA PODE TER SOFRIDO ‘ATAQUE HOMOFÓBICO’
Esta é a explicação de JEAN WYLLYS para queda de avião

Por Myrcia Hessen

Deputado Jean Wyllys (Psol-RJ). Foto: Divulgação
Deputado Jean Wyllys (Psol-RJ). Foto: Divulgação
O deputado Jean Wyllys (Psol-RJ) causou alvoroço nas redes sociais ao levantar a hipótese de que o Boeing-777, da Malaysia Airlines, foi, na verdade, vítima de um “ataque homofóbico”. O avião caiu na Ucrânia, na região de Donetsk, após ser atingido por um míssil. O voo saiu de Amsterdã, na Holanda, e seguia para Kuala Lumpur. Com 298 passageiros, a principal explicação para o ataque, até o momento, seria o conflito entre Rússia e Ucrânia, que, segundo Jean contou com a participação direta dos Estados Unidos – agora apontado como possível culpado, juntamente com a Rússia. “Meu olhar sobre o episódio é mais humanitário e menos preocupado com a geopolítica”, declarou o parlamentar sobre o caso.

Segundo ele, “há outro lado nefasto no episódio”, já que do total de passageiros, havia mais de 100 pessoas que seguiam para a 20ª Conferência Mundial de Aids, na Austrália. “173 eram da Holanda, país referência no financiamento de projetos e no debate avançado sobre HIV e AIDS, dentre eles, Joep Lange, um cientista reconhecido mundialmente por ter dedicado mais de 30 anos da sua vida à pesquisa sobre o HIV e a Aids”, justificou. “Caso essas informações se confirmem, haverá um impacto dessas mortes nas pesquisas e nas políticas públicas futuras de prevenção e combate à AIDS – e isto é muito grave e desalentador!”, completou.

Jean garante não querer estimular mais uma “teoria da conspiração”, mas insiste em questionar: “o fato de haver especialistas em HIV/AIDS à bordo do avião terá sido uma mera coincidência ou pode apontar para uma outra explicação sobre o abatimento da aeronave numa região da fronteira entre dois países conservadores?”. Mesmo deixando claro se tratar de uma pergunta, o post já teve quase mil compartilhamentos e mais de 200 comentários, a maioria horrorizada com a posição do deputado. “Jean Wyllys, onde eu pego o alvará para falar bosta a vontade?”, escreveu o usuário João Júnior.



Por que governos de esquerda fazem políticas “neo”-liberais?

Por Alberto Mansueti

Na Venezuela, Maduro e os chavistas discutem se devem aplicá-las ou não e na Argentina, Cristina sempre teve suas dúvidas. Porém, são políticas que desde há anos os governos de Ortega na Nicarágua, Santos na Colômbia, Correa no Equador, Humala no Peru, Morales na Bolívia, Tabaré e “Pepe” no Uruguai, e igualmente Lula e Dilma no Brasil, por exemplo, as aplicam.

“Neo” liberais significa mais ou menos inspiradas no Consenso de Washington (CdeW) dos anos 90, uma lista de “recomendações de política”, que na ocasião os burocratas do FMI e do Banco Mundial viram como “viáveis e sustentáveis”, quer dizer: aceitáveis pelos principais atores.

São 10, e se resumem assim: 1. Disciplina fiscal e orçamento em equilíbrio, 2. priorizar o gasto público: em medicina básica, educação primária, infra-estrutura, 3. impostos: baixar taxas para subir a arrecadação, 4. tipos de juros: livres, 5. taxa de câmbio: “competitiva”, 6. substituir barreiras quantitativas às importações por taxas alfandegárias e depois reduzi-las pouco a pouco até 10% ou 20% na média, 7. alentar todo o investimento estrangeiro direto, 
8. privatizar empresas estatais, 9. eliminar barreiras legais à entrada e saída nos mercados e 10. reforçar direitos de propriedade. Até aqui diz o CdeW.

As principais razões dos governos socialistas para fazer estas políticas são quatro:
(I) A primeira é que o marxismo econômico eles já fizeram: aplicaram-no até onde se podia, entre os anos 1930 e 1970 mais ou menos, em quase todos os países do mundo.

Marxismo econômico é aquele “Programa Mínimo” do “Manifesto Econômico” de 1848, redigido por Marx e Engels. Constava de dez pontos que convém lembrar: 1. a “reforma agrária”, 2. o imposto progressivo aos ingressos, 3. o imposto às heranças, 4. a estatização das grandes empresas e companhias estrangeiras, 5. o Banco Central com seu monopólio de emissão, 6. transportes do Estado, 7. empresas de propriedade estatal e indústrias e comércios sob o controle do governo, 8. leis salariais e sindicais, 9. imposto aos lucros extraordinários, 10. educação pública socializada.

Isto é comunismo, embora em “grau mínimo”, segundo Marx e Engels. Deve-se acrescentar a medicina socializada, ponto que eles viram “muito avançado” para um programa “mínimo”. E a questão é que já fizeram tudo isto, há anos, e muitas destas políticas estão vigentes e são vistas como normais, correntes, inclusive parte integral e intocável do sistema “capitalista”.

O “laissez faire” já não existe porque os socialistas o suprimiram há muito tempo e, em troca, impuseram uma ditadura estatal à economia, embora só até certo ponto: o ponto no qual já não podem mais “avançar” sem cair na tragédia do parasita que mata o organismo hospedeiro. Ir além seria exterminar 100% da produção, que quase passa nos anos 70 com o “cepalismo” [1], e por isso retrocederam nos anos 90: privatizaram segundo o CdeW, cedendo nos pontos 4 e 7 do Manifesto. Dois passos atrás, para depois ir três adiante, disse Lenin.

As esquerdas enfrentam o dilema do parasita: têm de comer, então alguém tem de produzir. Assim que ao menos “no momento”, como disse Chávez, os socialistas pactuaram com os mercantilistas, velhos e novos, respeitaram seus privilégios, em troca de seguir produzindo sob as condições ditadas pelos socialistas, que comem dos altos impostos que eles e a classe média pagam. E para isso, o CdeW serve.

(II) Segunda razão: as políticas do CdeW não são muito liberais, são só um remédio para os piores resultados do “cepalismo” dos anos 70, ou seja, o barril sem fundo das empresas estatais e a diluviana impressão de cédulas, cujos efeitos pretendiam “conter” com meios grosseiros: controles de preços, de câmbios e tipos de juros. Até aí. Porém, o CdeW não é incompatível com um “Grande Estado” educador, médico, banco-centralista e regulamentador. Não figura a tripla redução do governo em funções, em poderes e em gastos, como seria se de verdade a lista tivesse sido inspirada no liberalismo clássico.

É um ticket de saída daquele velho estatismo selvagem de Allende, Cámpora, J. J. Torres, Velazco Alvarado e Alan García I (primeiro mandato), e de entrada a um estatismo mais “prolixo”, social-mercantilista: no contexto do “Pacto Social” com os empresários mercantilistas, nacionais ou estrangeiros. Por isso já nos anos 90 estas políticas foram seguidas pelos líderes e governos surgidos dos partidos nacional-populistas e de esquerdas, todos anti-liberais, como o PRI no México, o APRA no Peru, o MNR e o MIR na Bolívia, o Peronismo na Argentina, etc. Porque o CdeW não tem nada de liberalismo! Deve-se chamar “Neo” mercantilismo, ou melhor ainda: “Neo” estatismo.

(III) A terceira razão é estratégica: adotando a esquerda oficialista, o CdeW desde o governo tira as bandeiras da oposição que, de per si já é muito inepta e incapacitada, mas desta maneira fica totalmente desorientada, paralisada e muda, catatônica, sem saber o que fazer, o que pensar nem o que decidir. Assim os presidentes do Foro de São Paulo são re-eleitos sem maior dificuldade.

(IV) Por fim a quarta: o CdeW é 100% compatível com o marxismo cultural, a prioridade nº 1 destas esquerdas de agora. O marxismo cultural é essa enorme tarefa destrutiva, embora já não da economia senão do casamento, da família (aborto, eutanásia, matrimônio homossexual, etc.), da religião, do “meio-ambiente”, da doutrinação na escola, enfim, todo esse “politicamente correto” do “Socialismo do Século XXI”... que é tema para outro artigo.

Tradução: Graça Salgueiro


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Alberto Mansueti é advogado e cientista político – http://albertomansueti.com/.

Nota da tradutora:

[1] Cepalismo refere-se à CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina), fundada pela resolução 106 do Conselho Econômico e Social da ONU de 25 de fevereiro de 1948, tendo seu nome alterado em 27 de julho de 1948 pata Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe.  A CEPAL é uma das cinco comissões regionais das Nações Unidas e sua sede é em Santiago do Chile. Foi fundada para contribuir com o desenvolvimento econômico da América Latina, coordenar as ações dirigidas à sua promoção e reforçar as relações econômicas dos países entre si e com as demais nações do mundo. Posteriormente seu trabalho se ampliou aos países do Caribe e se incorporou o objetivo de promover o desenvolvimento social.

VOCÊ SABE O QUE É BRICS - DITADURA EM EXPANSÃO - NOVA ORDEM MUNDIAL SOCIALISTA


As formas de luta pelo poder: a forma pacífica

Por Carlos I. S. Azambuja

Durante a II Guerra Mundial, quando a União Soviética lutava, junto à Inglaterra, EUA e outros países, contra o nazismo, Stalin propôs, em 15 de março de 1943, a dissolução da III Internacional, dissolução que foi materializada em 9 de junho de 1943 através de um comunicado do Comitê Executivo da IC, assinado por Giorgy Dimitrov, então Secretário-Geral .

Dentre os partidos comunistas que aprovaram a dissolução, estavam os da Argentina, Cuba, Colômbia e Chile. No comunicado, Dimitrov assinalava expressamente que “a proposição de dissolver a Internacional Comunista havia sido aprovada unanimemente pelas  seções que tiveram a possibilidade de comunicar suas decisões em tempo”.

Com mais eloqüência que esse parco comunicado do Comitê Executivo da IC, anteriormente, em 28 de maio desse mesmo ano, em uma entrevista à agência de notícias “Reuters”, em Moscou, Stalin assinalou que  “a dissolução da III Internacional fora acertada porque, assim, evidencia a mentira das forças hitleristas, que afirmam que Moscou trata de imiscuir-se na vida de outras nações para bolchevizá-las. Agora, poremos fim a essa calúnia. Essas calúnias afirmam que os partidos comunistas dos diversos países atuam não no interesse de seus povos, e sim sob ordens exteriores. Isso também facilitará as atividades dos patriotas, nos países amantes da liberdade, para unir as forças progressistas de seus respectivos países, sem distinção de partidos e de credos religiosos, em um campo único de libertação nacional, para desenvolver a luta contra o fascismo”.

O ato do Comitê Executivo da III Internacional, inspirado por Stalin, dissolvendo essa organização, objetivou, portanto, dar fim a “uma calúnia”. Todavia, Stalin conservou no território soviético os antigos e futuros estados-maiores de todos os partidos comunistas europeus: romeno, polonês, húngaro, búlgaro, tcheco, alemão, italiano e francês que, quando do término da guerra, faria regressar aos seus países.
                 
Em 5 de outubro de 1947, Stalin criou o Kominform (Departamento de Ligação e Informação dos Partidos Comunistas Europeus).
                 
A doutrina supostamente científica do marxismo-leninismo define a revolução socialista como resultado de um combate simultâneo em várias frentes: política, econômica e ideológica. Todavia, as formas sob as quais se desenvolve esse combate dependem da combinação concreta de fatores internos e externos de cada país.

Entre os fatores internos podem ser citados os níveis de desenvolvimento econômico e cultural do país; o grau de organização e influência do partido comunista local; se ele está ou não na legalidade; a correlação de forças entre as classes; as tradições nacionais; etc. Entre os fatores externos figuram a solidez das ligações do partido comunista nacional com partidos comunistas de outros países; a situação internacional geral; as relações com países vizinhos; etc.

Cada caso particular determinará a originalidade da tática a ser implementada e as formas de luta pelo poder que, por mais variadas que possam ser, podem ser resumidas, num plano muito geral, em duas essenciais: a forma pacífica e a forma não pacífica. Esta pressupõe o emprego da luta armada.

A absolutização tanto de uma como de outra dessas formas de luta não é aceita pela ortodoxia marxista. A prática revolucionária e as condições objetivas e subjetivas é que irão determinar, em cada momento, a forma de luta a ser utilizada. Ambas, no entanto - e isso é importante ter sempre presente -, a pacífica e a não pacífica, são revolucionárias.Qualquer que seja a forma pela qual a revolução socialista venha a se processar, ela implicará sempre na derrubada do regime dominante e, nesse sentido, será sempre um exercício de violência, pois, em última análise, ninguém renuncia ao poder e à propriedade privada de livre e espontânea vontade.

Após fevereiro de 1917, na Rússia, quando foi instalado o governo de Kerensky, Lenin chegou a considerar a possibilidade de uma conquista pacífica do poder, mediante a passagem de todo o poder aos sovietes. Essa perspectiva foi considerada por Lenin, naquele momento, devido à fraqueza e desorganização da burguesia russa. “Infelizmente”, segundo a história da Revolução Bolchevique escrita na União Soviética, “a via pacífica não foi tornada possível, face à reação dos expropriadores, que se recusaram a ser expropriados sem luta”.

Desde então, a existência de um Estado fraco, contraposto à força e organização de um partido comunista que se considera o “estado-maior do proletariado”, passou a ser considerada a condição fundamental para um desenvolvimento “pacífico” da revolução socialista, se é que uma revolução, qualquer que seja, terá condições de desenvolver-se pacificamente.

Posteriormente, por considerar que a modificação da correlação de forças em nível internacional aumentara as possibilidades de um desenvolvimento “pacífico” da revolução socialista, a concepção marxista-leninista dessa via foi sendo desenvolvida nas conferências teóricas internacionais dos partidos comunistas, realizadas em 1957, 1960 e 1969, e, em seguida, nas resoluções políticas dos congressos de vários partidos.

Esse desenvolvimento “pacífico” pode revestir-se de formas diversas. Uma delas é a utilização do Parlamento, obtendo nele uma maioria - não necessariamente numérica, uma vez que para o marxismo-leninismo o conceito de maioria é mais rico e complexo: o de “maioria ativa” -, transformando-o e convertendo-o num instrumento da vontade das “amplas massas”.

Foi isso que aconteceu na Checoslováquia no período de 1945 a 1948, conforme relatado no livro “O Assalto ao Parlamento - A Tomada do Poder pela Constituinte”, escrito por Jan Kosak, deputado comunista na Assembléia Constituinte checoslovaca. Nesse livro, ele relata minuciosamente como o Parlamento de seu país foi levado a desempenhar um papel revolucionário na transição para o comunismo, derrubando um regime parlamentar que funcionava com uma maioria não-comunista baseada em princípios democráticos,“transformando o Parlamento de um órgão a serviço da burguesia em um instrumento criador de medidas democráticas que conduziram à mudança gradual da estrutura social, instrumento direto da revolução socialista”. Isso só foi possível graças à “maioria ativa”.

Além da conquista do Parlamento, os comunistas, na luta pela chamada “conquista pacífica do poder”, propõem outros objetivos de luta: a “democratização” do aparelho do Estado, a participação dos operários na gestão econômica das empresas e a criação de uma opinião pública que limite a possibilidade da classe dirigente opor resistência à aplicação de uma “política favorável à maioria do povo”.

O chamado desenvolvimento pacífico da revolução não é, todavia, um “pic-nic”, uma transformação harmoniosa do capitalismo em socialismo, uma renúncia voluntária das classes dominantes ao poder político. Isso equivale a dizer que essa via, de forma alguma, significa a interrupção da luta de classes ou a diminuição da sua intensidade.

É, basicamente, a combinação de uma “pressão de cúpula”, desenvolvida a partir do Parlamento e outros órgãos da máquina estatal, com a “pressão de base”, levada a efeito pela atividade revolucionária das “amplas massas”. Segundo Lenin escreveu, em 1905, quando da Revolução de Fevereiro, na Rússia, “restringir, como princípio, as ações revolucionárias às pressões de base e renunciar às pressões de cúpula é anarquismo”.

Na hipótese de “o governo estabelecido recorrer à violência contra o povo, a classe operária e as amplas massas serão levadas a atuar também nesse terreno, para ... assegurar a passagem ao socialismo por meios pacíficos”. Se invertermos os termos, o significado será o mesmo: “na hipótese do governo estabelecido recorrer à violência contra a classe operária e as amplas massas, o povo ver-se-á obrigado a atuar também nesse terreno...”

Luiz Carlos Prestes, quando Secretário-Geral do Partido Comunista Brasileiro, analisando as causas da derrota das forças democráticas em março de 1964, declarou: “As possibilidades do chamado caminho pacífico (...) foram, em geral, erradamente interpretadas por nós, como se a revolução pudesse ser um processo idílico, sem choques nem conflitos” (“Revista Internacional” nº 6, junho de 1968).

O leninismo, considerado o “marxismo da época do imperialismo”, assinala que a eficácia da luta armada é determinada, em cada caso, pelo grau de maturidade das chamadas “condições objetivas e subjetivas” do país dado. A luta armada poderá ser considerada objetivamente necessária em determinadas condições, o que, em absoluto, significará que essa forma de luta seja a única a ser considerada revolucionária.

É por essa razão que os marxistas-leninistas ortodoxos condenam os “aventureiros de esquerda”, que enfatizam desmedidamente o emprego das armas em quaisquer partes e sejam quais forem as circunstâncias, subestimando a importância da forma de luta “pacífica”.

Segundo Lenin, “desenvolver a democracia até o fim, procurar as formas desse desenvolvimento, pô-las à prova na prática, é uma das tarefas essenciais da luta pela revolução social”.

A Conferência Internacional dos Partidos Comunistas, realizada em 1969, indicou em seu documento final que “na medida em que se desenvolve a unidade de ação contra o monopólio e contra o imperialismo, amadurecem as condições favoráveis à coesão de todas as correntes democráticas numa aliança política capaz de limitar de uma maneira decisiva o papel dos monopólios na vida econômica do país, de colocar um fim ao poder do grande capital e de estabelecer um regime que realize transformações políticas e econômicas radicais, criando, dessa forma, condições mais favoráveis ao prosseguimento da luta pelo socialismo”.

Finalmente, observa-se que nos programas de diversos partidos comunistas dos países desenvolvidos ou em desenvolvimento, o lugar central não cabe à luta imediata pelo socialismo e sim àquelas reivindicações políticas, econômicas e sociais que tornarão factível essa luta. Esses partidos, conscientes das necessidades de determinadas etapas na luta pelo socialismo, definiram como objetivo realista a tomada paulatina do poder político da burguesia, substituindo-o por uma “democracia contínua”, susceptível de satisfazer aquilo que denomina de “aspirações das amplas massas”, sempre dirigidas, é claro, pelo seu partido, o “partido da classe operária, estado-maior e vanguarda do proletariado”: o Partido Comunista. Ou seja, a tomada do Poder à la Gramsci.

Esse é o conteúdo da forma de luta “pacífica” da estratégia para a revolução socialista.


Fonte: Alerta Total


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Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

DESEMBARGADOR CONFIRMA LIBERTAÇÃO DE ATIVISTAS PRESOS
Justiça considerou que prisões não foram “devidamente fundamentadas”

Ativista Elisa Quadros, conhecida como Sininho, em audiência na Justiça Militar, no Rio
Sininho era uma das que continuava presa
Rio - Os cinco ativistas que continuam presos no Rio desde sábado, 12 serão soltos. A ordem foi dada na tarde desta sexta-feira, 18 pelo desembargador Siro Darlan. “As prisões não foram devidamente fundamentadas”, disse Darlan ao Estado. Na terça-feira, o desembargador já havia determinado a soltura dos outros 12 manifestantes detidos na operação Firewall, realizada pela Polícia Civil do Rio, com base na suspeita de crime de formação de quadrilha.

As prisões foram repudiadas por entidades como OAB-RJ, Anistia Internacional e Justiça Global. Entre os cinco que continuavam no presídio de Bangu até o início da noite desta sexta-feira estão a ativista Elisa Quadros Pinto Sanzi, a Sininho, e a professora Camila Jourdan, coordenadora do Programa de Pós-graduação em Filosofia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Ao todo, foram expedidos 26 mandados de prisão temporária pela 27.ª Vara Criminal – nove suspeitos não foram localizados pela polícia. Na decisão que determinou as prisões, o juiz Flávio de Oliveira Nicolau baseou-se em tipificação criada para combater o crime organizado: “Verifica-se, também, que há sérios indícios de que está sendo planejada a realização de atos de extrema violência para os próximos dias, a fim de aproveitar a visibilidade decorrente da cobertura da Copa do Mundo de futebol, sendo necessária a atuação policial para impedir a consumação desse objetivo e também para identificar os demais integrantes da associação”, escreveu o juiz na sexta-feira passada.

A decisão foi criticada pela Associação Juízes para a Democracia. De acordo com a entidade, a “custódia com base em eventos futuros e incertos denota cerceamento da liberdade antecedente a prática de qualquer ilícito, viola os princípios constitucionais de liberdade de expressão e reunião e coloca o poder Judiciário em situação de subalternidade e auxílio à arbitrariedade policial, quando seu papel é o de garantidor de direitos”.

A manifestação de domingo reuniu cerca de 400 pessoas e foi violentamente reprimida pela Polícia Militar. Pelo menos 14 jornalistas que tentavam registrar as agressões a ativistas foram atacados por PMs. O inquérito policial está sob segredo de Justiça e seria remetido nesta sexta ao Ministério Público.

As acusações contra os suspeitos não foram detalhadas pela Polícia Civil. Na manhã desta sexta, a Justiça Global enviou ofícios ao governo federal solicitando providências em relação às prisões de manifestantes ocorridas no dia 12 no Rio. Para a entidade, o inquérito “visa tão só a desmobilização, deslegitimação, intimidação e criminalização de defensores de direitos humanos, representando grave violação por parte do Estado do Rio, principalmente ao tratá-los enquanto associação criminosa”. (Felipe Werneck/Agência Estado)



A destruição da inteligência

Por Olavo de Carvalho

Poucas coisas são tão grotescas quanto a coexistência pacífica, insensível, inconsciente e satisfeita de si, da afetação de inconformismo com a subserviência completa à autoridade de um corpo docente.

Aprender, imitar e introjetar o vocabulário, os tiques e trejeitos mentais e verbais da escola de pensamento dominante na sua faculdade é, para o jovem estudante, um desafio colossal e o cartão de ingresso na comunidade dos seus maiores, os tão admirados professores.

A aquisição dessa linguagem é tão dificultosa, apelando aos recursos mais sutis da memória, da imaginação, da habilidade cênica e da autopersuasão, que seria tolo concebê-la como uma simples conquista intelectual. Ela é, na verdade, um rito de passagem, uma transformação psicológica, a criação de um novo “personagem”, apoiado no qual o estudante se despirá dos últimos resíduos da sentimentalidade doméstica e ingressará no mundo adulto da participação social ativa.

É quase impossível que essa identificação profunda com o personagem aprendido não seja interpretada subjetivamente como uma concordância intelectual, ao ponto de que, no instante mesmo em que repete fielmente o discurso decorado, ou no máximo faz variações em torno dele, o neófito jure estar “pensando com a própria cabeça” e “exercendo o pensamento crítico”.

A imitação é, com certeza, o começo de todo aprendizado, mas ela só funciona porque você imita uma coisa, depois outra, depois uma infinidade delas, e com a soma dos truques imitados compõe no fim a sua própria maneira de sentir, pensar e dizer.

No aprendizado da arte literária isso é mais do que patente. O simples esforço de assimilar auditivamente a maneira, o tom, o ritmo, o estilo de um grande escritor já é uma imitação mental, uma reprodução interior daquilo que você está lendo. A imitação torna-se ainda mais visível quando você decora e declama poemas, discursos, sermões ou capítulos de uma narrativa. Porém nas suas primeiras investidas na arte da escrita é impossível que você não copie, adaptando-os às suas necessidades expressivas, os giros de linguagem que aprendeu em Machado de Assis, Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Balzac, Stendhal e não sei mais quantos. Esse exercício, se você é um escritor sério, continua pela vida a fora. Quando conheci Herberto Sales – que Otto Maria Carpeaux julgava o escritor dotado de mais consciência artística já nascido neste país –, ele estava sentado no saguão do Hotel Glória com um volume de Proust e um caderninho onde anotava cada solução expressiva encontrada pelo romancista, para usá-la a seu modo quando precisasse. Já era um homem de setenta e tantos anos, e ainda estava praticando as lições do velho Antoine Albalat.[1] É assim, por acumulação e diversificação dos recursos aprendidos, que se forma, pari passu com a evolução natural da personalidade, o estilo pessoal que singulariza um escritor entre todos. T. S. Eliot ensinava que um escritor só é verdadeiramente grande quando nos seus escritos transparece, como em filigrana, toda a história da arte literária.

Em outros tipos de aprendizado, a imitação é ainda mais decisiva. Nas artes marciais e na ginástica, quantas vezes você não tem de repetir o gesto do seu instrutor até aprender a produzi-lo por si próprio! Na música, quantas performances magistrais o pianista não aprende de cor até produzir a sua própria!

Nas ciências e na tecnologia, o manejo de equipamentos complexos nunca se aprende só em manuais de instrução: o aluno tem de ver e imitar o técnico mais experiente, num processo de assimilação sutil que engloba, em doses consideráveis, a transmissão não-verbal. [2]

Por que seria diferente na filosofia? Compreender uma filosofia não se resume nunca em ler as obras de um filósofo e julgá-las segundo uma reação imediata ou as opiniões de um professor. É impregnar-se de um modo de ver e pensar como se ele fosse o seu próprio, é olhar o mundo com os olhos do filósofo, com ampla simpatia e sem medo de contaminar-se dos seus possíveis erros. Se desde o início você já lê com olhos críticos, buscando erros e limitações, o que você está fazendo é reduzir o filósofo à escala das suas próprias impressões, em vez de ampliar-se até abranger o “universo” dele. Erros e limitações não devem ser buscados, devem surgir naturalmente à medida que você assimila novos e novos autores, novos e novos estilos de pensar, pesando cada um na balança da tradição filosófica e não da sua incultura de principiante. Não seria errado dizer que, entre outros critérios, um professor de filosofia deve ser julgado, sobretudo, pelo número e variedade dos autores, das escolas de pensamento, das vias de conhecimento que abriu em leque para que seus estudantes as percorressem.[3]

Não é preciso mais exemplos. Em todos esses casos, a imitação é o gatilho que põe em movimento o aprendizado, e em todos esses casos ela não se congela em repetição servil porque o aprendiz passa de modelo a modelo, incorporando uma diversidade de percepções e estilos que acabarão espontaneamente se condensando numa fórmula pessoal, irredutível a qualquer dos seus componentes aprendidos.

Mas o que acontece se, em vez disso, o aluno é submetido, por anos a fio, à influência monopolística de um estilo de pensamento dominante, aliás muito limitado no seu escopo e na sua esfera de interesses, e adestrado para desinteressar-se de tudo o mais sob a desculpa de que “não é referência universitária”?

Se durante quatro, cinco ou seis anos você é obrigado a imitar sempre a mesma coisa, e ainda temendo que o fracasso em adaptar-se a ela marque o fim da sua carreira universitária, a imitação deixa de ser um exercício temporário e se torna o seu modo permanente de ser – um “hábito”, no sentido aristotélico.

É como um ator que, forçado a representar sempre um só personagem, não só no palco mas na vida diária, acabasse incapaz de se distinguir dele e de representar qualquer outro personagem, inclusive o seu próprio. Pirandello explorou magistralmente essa situação absurda na peça Henrique IV, onde um milionário louco, imaginando ser o rei, obriga os empregados a comportar-se como funcionários da côrte, até que eles acabam se convencendo de que são mesmo isso.

Toda imitação depende de uma abertura da alma, de uma impregnação empática, de uma suspension of disbelief em que o outro deixa de ser o outro e se torna uma parte de nós mesmos, sentindo com o nosso coração e falando com a nossa voz. Se praticamos isso com muitos modelos diversos, sem medo das contradições e perplexidades, nossa mente se enriquece ao ponto do nihil humanum a me alienum, daquela universalidade de perspectivas que nos liberta do ambiente mental imediato e nos torna juízes melhores de tudo quanto chega ao nosso conhecimento. Não é errado dizer que o julgamento honesto e objetivo depende inteiramente da variedade dos pontos de vista, contraditórios inclusive, que podemos adotar como “nossos” no trato de qualquer questão.

Em contrapartida, o enrijecimento da alma num papel fixo abusa da capacidade de imitação até corrompê-la e extingui-la por completo, bloqueando toda possibilidade de abertura empática a novos personagens, a novos estilos, a novos sentimentos e modos de ver.

Habituado a tomar como referência única o conjunto de livros e autores que compõe o universo mental da esquerda militante, e a olhar com temerosa desconfiança tudo o mais, o estudante não só se fecha num provincianismo que se imagina o centro do mundo, mas perde realmente a capacidade de aprendizado, tornando-se um repetidor de tiques e chavões, caquético antes do tempo.

Quem não sabe que, no meio acadêmico brasileiro, a receita uniforme, há mais de meio século, é Marx-Nietzsche-Sartre-Foucault-Lacan-Derrida, não se admitindo outros acréscimos senão os que pareçam estender de algum modo essa tradição, como Slavoj Zizek, Istvan Meszaros ou os arremedos de pensamento que levam, nos EUA, o nome de “estudos culturais”?

Daí a reação de horror sacrossanto, de ódio irracional, não raro de repugnância física, com que tantos estudantes das nossas universidades reagem a toda opinião ou atitude que lhes pareça antagônica ao que aprenderam de seus professores. Não que estejam realmente persuadidos, intelectualmente, daquilo que estes lhes ensinaram. Se o estivessem, reagiriam com o intelecto, não com o estômago. O que os move não é uma convicção profunda, séria, refletida: é apenas a impossibilidade psicológica de desligar-se, mesmo por um momento, do “eu” artificial aprendido, cuja construção lhes custou tanto esforço, tanto investimento emocional.

Justamente, a convicção intelectual genuína só pode nascer da experiência, do longo demorado com os aspectos contraditórios de uma questão, o que é impossível sem uma longa resignação ao estado de dúvida e perplexidade. A intensidade passional que se expressa em gritos de horror, em insultos, em afetações de superioridade ilusória, marca, na verdade, a fragilidade ou ausência completa de uma convicção intelectual. A construção em bloco de um personagem amoldado às exigências sociais e psicológicas de um ambiente ideologicamente carregado e intelectualmente pobre fecha o caminho da experiência, portanto de todo aprendizado subseqüente.

A irracionalidade da situação é ainda mais enfatizada porque o discurso desse personagem o adorna com o prestígio de um rebelde, de um espírito independente em luta contra todos os conformismos. Poucas coisas são tão grotescas quanto a coexistência pacífica, insensível, inconsciente e satisfeita de si, da afetação de inconformismo com a subserviência completa à autoridade de um corpo docente.

No auge da alienação, o garoto que passou cinco anos intoxicando-se de retórica marxista-feminista-multiculturalista-gayzista nas salas de aula, que reage com quatro pedras na mão ante qualquer palavra que antagonize a opinião de seus professores esquerdistas, jura, depois de ler uns parágrafos de Bourdieu para a prova, que a universidade é o “aparato de reprodução da ideologia burguesa”. Aí já não se trata nem mesmo de “paralaxe cognitiva”, mas de um completo e definitivo divórcio entre a mente e a realidade, entre a máquina de falar e a experiência viva.

Se, conforme se observou em pesquisa recente, cinqüenta por cento dos nossos estudantes universitários são analfabetos funcionais[4] – não havendo razão plausível para supor que a quota seja menor entre seus professores mais jovens –,  isso não se deve somente a uma genérica e abstrata “má qualidade do ensino”, mas a um fechamento de perspectivas que é buscado e imposto como um objetivo desejável.

Não que a presente geração de professores que dá o tom nas universidades brasileiras tenha buscado, de maneira consciente e deliberada, a estupidificação de seus alunos. Apenas, iludidos pelo slogan que os qualificava desde os anos 60 do século XX como “a parcela mais esclarecida da população”, tomaram-se a si próprios como modelos de toda vida intelectual superior e acharam que, impondo esses modelos a seus alunos, estavam criando uma plêiade de gênios. Medindo-se na escala de uma grandeza ilusória, incapazes de enxergar acima de suas próprias cabeças, tornaram-se portadores endêmicos da síndrome de Dunning-Kruger[5] e a transmitiram às novas gerações. Os cinqüenta por cento de analfabetos funcionais que eles produziram são a imagem exata da sua síntese de incompetência e presunção.



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Notas:

[1] V. Antoine Albalat, La Formation du Style par l'Assimilation des Auteurs (Paris, Alcan, 1901).
[2] V. sobre isso as considerações de Theodore M. Porter em Trust in Numbers. The Pursuit of Objectivity in Science and Public Life,  Princeton University Press, 1995, pp. 12-17.
[3] Digo isso com a consciência tranqüila de haver cumprido esse dever. Ao longo dos anos, introduzi no espaço mental brasileiro mais livros e autores essenciais  do que todos os corpos docentes de faculdades de filosofia neste país, somados aos “formadores de opinião” da mídia popular. Em vez de me agradecer, ou de pelo menos ter a sua curiosidade despertada pela súbita abertura de perspectivas, estudantes e professores, com freqüência, me acusaram de “citar autores desconhecidos” – dando por pressuposto que tudo o que é ignorado no seu ambiente imediato é desconhecido do resto do mundo e não tem a mais mínima importância.
[4] V. http://www.folhapolitica.org/2014/02/pesquisador-conclui-que-mais-da-metade.html.
[5] Efeito Dunning-Kruger: incapacidade de comparar objetivamente as próprias habilidades com as dos outros. “Quanto menos você sabe sobre um assunto, menos coisas acredita que há para saber.” V. David McRaney, You Are Not So Smart, London, Oneworld Publications, 2012, pp. 78-81.

sábado, 19 de julho de 2014

O Correto Uso do Papel Higiênico

Por João Ubaldo Ribeiro
"in memoriam"
 
O título acima é meio enganoso, porque não posso considerar-me uma autoridade no uso de papel higiênico, nem o leitor encontrará aqui alguma dica imperdível sobre o assunto. Mas é que estive pensando nos tempos que vivemos e me ocorreu que, dentro em breve, por iniciativa do Executivo ou de algum legislador, podemos esperar que sejam baixadas normas para, em banheiros públicos ou domésticos, ter certeza de que estamos levando em conta não só o que é melhor para nós como para a coletividade e o ambiente.

Por exemplo, imagino que a escolha da posição do rolo do papel higiênico pode ser regulamentada, depois que um estudo científico comprovar que, se a saída do papel for pelo lado de cima, haverá um desperdício geral de 3.28 por cento, com a consequência de que mais lixo será gerado e mais árvores serão derrubadas para fazer mais papel. E a maneira certa de passar o papel higiênico também precisa ter suas regras, notadamente no caso das damas, segundo aprendi outro dia, num programa de tevê.

Tudo simples, como em todas as medidas que agora vivem tomando, para nos proteger dos muitos perigos que nos rondam, inclusive nossos próprios hábitos e preferências pessoais. Nos banheiros públicos, como os de aeroportos e rodoviárias, instalarão câmeras de monitoramento, com aplicação de multas imediatas aos infratores.

Nos banheiros domésticos, enquanto não passa no Congresso um projeto obrigando todo mundo a instalar uma câmera por banheiro, as recém-criadas Brigadas Sanitárias (milhares de novos empregos em todo o Brasil) farão uma fiscalização por escolha aleatória. Nos casos de reincidência em delitos como esfregada ilegal, colocação imprópria do rolo e usos não autorizados, tais como assoar o nariz ou enrolar um pedacinho para limpar o ouvido, os culpados serão encaminhados para um curso de educação sanitária. Nova reincidência, aí, paciência, só cadeia mesmo.

Agora me contam que, não sei se em algum estado ou no país todo, estão planejando proibir que os fabricantes de gulodices para crianças ofereçam brinquedinhos de brinde, porque isso estimula o consumo de várias substâncias pouco sadias e pode levar a obesidade, diabetes e muitos outros males. Justíssimo, mas vejo um defeito. Por que os brasileiros adultos ficam excluídos dessa proteção?

O certo será, para quem, insensata e desorientadamente, quiser comprar e consumir alimentos industrializados, apresentar atestado médico do SUS, comprovando que não se trata de diabético ou hipertenso e não tem taxas de colesterol altas. O mesmo aconteceria com restaurantes, botecos e similares.

Depois de algum debate, em que alguns radicais terão proposto o Cardápio Único Nacional, a lei estabelecerá que, em todos os menus, constem, em letras vermelhas e destacadas, as necessárias advertências quanto a possíveis efeitos deletérios dos ingredientes, bem como fotos coloridas de gente passando mal, depois de exagerar em comidas excessivamente calóricas ou bebidas indigestas. O que nós fazemos nesse terreno é um absurdo e, se o estado não nos tomar providências, não sei onde vamos parar.

Ainda é cedo para avaliar a chamada lei da palmada, mas tenho certeza de que, protegendo as nossas crianças, ela se tornará um exemplo para o mundo. Pelo que eu sei, se o pai der umas palmadas no filho, pode ser denunciado à polícia e até preso. Mas, antes disso, é intimado a fazer uma consulta ou tratamento psicológico. Se, ainda assim, persistir em seu comportamento delituoso, não só vai preso mesmo, como a criança é entregue aos cuidados de uma instituição que cuidará dela exemplarmente, livre de um pai cruel e de uma mãe cúmplice. Pai na cadeia e mãe proibida de vê-la, educada por profissionais especializados e dedicados, a criança crescerá para tornar-se um cidadão modelo.

E a lei certamente se aperfeiçoará com a prática, tornando-se mais abrangente. Para citar uma circunstância em que o aperfeiçoamento é indispensável, lembremos que a tortura física, seja lá em que hedionda forma — chinelada, cascudo, beliscão, puxão de orelha, quiçá um piparote —, muitas vezes não é tão séria quanto a tortura psicológica. Que terríveis sensações não terá a criança, ao ver o pai de cara amarrada ou irritado? E os pais discutindo e até brigando? O egoísmo dos pais, prejudicando a criança dessa maneira desumana, tem que ser coibido, nada de aborrecimentos ou brigas em casa, a criança não tem nada a ver com os problemas dos adultos, polícia neles.

Sei que esta descrição do funcionamento da lei da palmada é exagerada, e o que inventei aí não deve ocorrer na prática. Mas é seu resultado lógico e faz parte do espírito desmiolado, arrogante, pretensioso, inconsequente, desrespeitoso, irresponsável e ignorante com que esse tipo de coisa vem prosperando entre nós, com gente estabelecendo regras para o que nos permitem ver nos balcões das farmácias, policiando o que dizemos em voz alta ou publicamos e podendo punir até uma risada que alguém considere hostil ou desrespeitosa para com alguma categoria social.

Não parece estar longe o dia em que a maioria das piadas será clandestina e quem contar piadas vai virar uma espécie de conspirador, reunido com amigos pelos cantos e suspeitando de estranhos. Temos que ser protegidos até da leitura desavisada de livros. Cada livro será acompanhado de um texto especial, uma espécie de bula, que dirá do que devemos gostar e do que devemos discordar e como o livro deverá ser comentado na perspectiva adequada, para não mencionar as ocasiões em que precisará ser reescrito, a fim de garantir o indispensável acesso de pessoas de vocabulário neandertaloide.

Por enquanto, não baixaram normas para os relacionamentos sexuais, mas é prudente verificar se o que vocês andam aprontando está correto e não resultará na cassação de seus direitos de cama, precatem-se.


Fonte: Alerta Total


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João Ubaldo Ribeiro (1941-2014) continua um imortal escritor, embora tenha morrido ontem. Texto publicado no site de O Globo em 18 de Julho de 2014. Foi o último artigo escrito pelo João, antes de ser convocado por Deus para a Seleção Acadêmica do Céu, ainda jovem, aos 73 anos. Infelizmente, ficaremos sem o livro sobre Histórias de Bar, que ele vinha preparando há dois anos...

Direito e Justiça Em Foco - Jornalista Jorge Serrão


DEMOCRACIA? VULGARMENTE O NOME É OUTRO.


O preceptor de um jovem imperador chinês acompanhava seu divino discípulo num passeio pelo campo. Em certo momento, avistando um grupo de animais, resolveu verificar o conhecimento da criança e indagou: “Que animais são aqueles?”. O menino observou atentamente a cena e disse que eram carneiros. “O Filho do Sol respondeu com exatidão”, admitiu o mestre. “Contudo, devo acrescentar que esse tipo específico de carneiro é mais conhecido como porco”.

 Lembro-me dessa estória frequentemente ao acompanhar notícias sobre as incessantes idas de nossos governantes a Cuba e ao observar a iconografia vermelha dos eventos promovidos pelos partidos e movimentos de esquerda. Deixando de lado os retratos de Lênin, as foices e os martelos – por demais óbvios – bem como as louvações ao MST e seus métodos e os aplausos às FARC, atenho-me, especificamente, ao mais disseminado de tais símbolos: a estampa de Che Guevara.

Todo mundo sabe que Guevara foi um guerrilheiro comunista, com atuação internacional. E todo mundo sabe que ele não era ator, nunca foi a Hollywood, não cantava, não jogava bola, não dançava funk nem era de pagode, nunca apareceu em novelas da Globo e jamais disputou eleições. Ele era exatamente isto: um guerrilheiro comunista com atuação na América Central, na América do Sul e na África. Por conseqüência, assim como ninguém pode ser admirador de Pelé detestando futebol, todo culto a Che Guevara só pode significar uma adoração aos objetos de sua ação: o comunismo e a revolução como instrumento para chegar ao comunismo. Outras explicações para o mesmo fato precisariam ser buscadas num divã de analista de linha freudiana.


Nessas circunstâncias, todo aquele que ande por aí exibindo sua veneração a Che Guevara, ou que, não sendo cubano, desfralde a bandeira de Cuba (gesto equivalente), pode falar quanto quiser sobre democracia. Nesse caso, porém, o interlocutor, seguindo a prudente fórmula do mestre chinês, deverá observar: O dileto amigo tem toda razão em expressar suas convicções democráticas pois democracia faz bem. Devo adverti-lo, contudo, para o fato de que esse tipo específico de democracia que tanto o seduz é vulgarmente denominado totalitarismo.

O que é a intrigante e ameaçadora "dualidade de poderes"?

Leo Daniele*
Sempre é bom recordar: o comunismo tomou o poder na Rússia em 1917, durante a Primeira Guerra Mundial. Como foi que isso se deu?

É interessante analisá-lo em câmara lenta. Numa primeira fase, houve uma dualidade de poderes. Na capital da Rússia estava o poder oficial, mas havia no front um poder paralelo que ia aos poucos ganhando força. Assim se estabeleceu a dvoevlastié (dualidade de poderes), a respeito da qual Lênin escreveu um estudo. (1) Infelizmente este foi pouco divulgado, exceto nas misteriosas células vermelhas, pois difundi-lo seria abrir o jogo.

Os dois poderes estavam em luta aberta, até que a dualidade de poderes deixou de convir ao comunismo, que havia ganhado força. Mudou-se então a palavra de ordem para “todo poder aos sovietes”; terminando assim a dualidade e iniciando a unicidade absoluta da ditadura vermelha no país.

Hoje, em países como a Colômbia, a guerrilha ocupa regiões inteiras. - Seria uma repetição da tristemente famosa dvoevlastié (2) que precedeu a tomada do poder na Rússia pelo comunismo?

No Brasil, um pouco por toda parte, a organização social interna vai sendo minada pela incrível expansão da violência urbana. E não raro, os bandidos estão melhor armados que as polícias!

Em tais situações, estabelece-se de certa forma  algo ao modo da dvoevlastié russa, uma crônica dualidade de poderes. Há um poder paralelo difuso, que ordinariamente não tem caráter institucional nem se localiza em parte alguma como poder (por enquanto!), mas que mina a estabilidade do País.

Afirma o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, em matéria reproduzida  na revista Catolicismo de julho de 2014: “Fica assim instituído um sistema paralelo de poder, que consagra na prática uma ditadura do Executivo, na pessoa do Secretário-Geral da Presidência da República, atualmente o ex-seminarista Gilberto Carvalho, quem habitualmente faz a ponte entre o governo e a CNBB” (Comunicado do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, em 22 de junho de 2014).

O que resultará daí? O futuro a Deus pertence. Como diz o Comunicado supra, o decreto nº 8.243 vai operar uma “transformação radical nas instituições do Estado de Direito”, e poderá abrir as portas para “a tão almejada fórmula do atropelo e do arbítrio, típica dos regimes bolivarianos”.

Deus nos livre de uma dvoevlastié nacional, mas que ela não está distante é um fato!



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*Leo Daniele é escritor e colaborador da ABIM - Agência Boa Imprensa

Referências: 
1. V. I. Lênin, La Dualidad de Poderes, Obras escogidas, Ed. Progreso, Moscou, 1970, 2, p. 40 ss.
2. Ver François-Xavier Coquin, La Révolution Russe, PUF, Paris, 1974, p. 37 ss.

Começou o calvário para a campanha eleitoral de Dilma


Vão mentir de novo


CNV convoca 16 agentes

Por Evandro Éboli

Comissão da Verdade convoca 16 agentes da repressão para depor sobre mortes e torturas Entre os convocados está o general reformado José Antônio Nogueira Belham, que comandou o DOI

BRASÍLIA — A Comissão Nacional da Verdade convocou 16 agentes da repressão envolvidos em mortes, torturas e desaparecimentos de opositores do regime militar para prestarem esclarecimentos em Brasília. Esses depoimentos vão ocorrer entre os dias 21 a 25 de julho. A convocação é uma prerrogativa da comissão. Entre os convocados está o general reformado José Antônio Nogueira Belham, que comandava o Destacamento de Operações e Informações (DOI), do I Exército, em janeiro de 1971, quando o deputado federal Rubens Paiva foi morto por integrantes do DOI. Com a convocação, eles estão obrigados a depor.

Entre os convocados, sete atuaram em ações das Forças Armadas na Guerrilha do Araguaia. Sebastião Curió, militar que comandou ações no Araguaia, não foi convocado neste momento. A comissão tentará ouvi-lo em agosto. Dos 16 convocados, 11 receberam a Medalha do Pacificador com Palma, uma das principais honrarias do Exército Brasileiro. Foram chamados para depor o ex-sargento do Exército, Jurandyr Ochsendorf e Souza, que, segundo a comissão, participou da farsa montada pelo Exército envolvendo o resgaste de Rubens Paiva. O ex-médico militar e general reformado Ricardo Fayad, que atuou na Casa de Morte de Petrópolis, está entre os convocados.

O coordenador da Comissão da Verdade, Pedro Dallari, afirmou que os convocados estão citados em documentos relacionados a graves violações.

— A Comissão da Verdade deseja dar a eles a oportunidade de darem suas versões sobre os fatos antes da finalização do relatório da comissão, que será divulgado em dezembro — disse Dallari.

Oschsendorf e Fayad já haviam sido convocados anteriormente, mas não compareceram. Alegaram problemas médicos.

Segundo a comissão, os ex-agentes convocados também tem explicações a dar sobre a prisão, tortura e morte de brasileiros no Estádio Nacional, no Chile e também a operações contra integrantes da Ação Libertadora Nacional (ALN), que culminaram nas mortes de Iuri e Alex Xavier Pereira.



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Observação do site A Verdade Sufocada:

Santa inocência ! Pensaram que queríam levar ao conhecimento dos brasileiros as ações terroristas, os crimes que os camaradas cometeram?...
O relatório da CNV já estava pronto há muitos anos...
Esperavam apenas chegar ao poder para montar o circo e levar os que impediram que tomassem o poder pela força, à execração popular!

Esperemos que os agentes convocados se preparem e mostrem a nação brasileira porque tiveram que pegar em armas para lutar contra inimigos da liberdade, assaltantes, sequestradores, assassinos e terroristas. Digam os nomes, as organizações a que pertenciam e o que pretendiam! 

Painel - Questão Indígena

Por André Puccinelli



André Puccinelli critica Cimi e Funai em relação a questão indígena

Por Kátia Abreu



Kátia Abreu fala sobre conflitos entre indígenas e produtores rurais

Por Luana Ruiz Silva



Avaliação e Indenização de Propriedades Invadidas



Luana Ruiz Silva - Advogada Especialista em conflitos agrários




Debate com Procurador da FUNAI




Terra Indígena Iguatemipegua

Filho do Hamas - Testemunho de um ex-muçulmano: Mosab Hassan Yousef





Direitos Humanos e a desumanização coletiva


sexta-feira, 18 de julho de 2014

O LEGADO DA COPA

VAlte(Ref) Sergio Tasso Vásquez de Aquino
  
Conhecendo-se a personagem e os atos, ações e atitudes que têm caracterizado sua vida, é razoável admitir-se que Lula da Silva, então Presidente do Brasil, quando celebrou, em 2007, o acordo que determinou a realização da Copa do Mundo de 2014 em nossa terra com os compadres da FIFA, os “padrinhos” dirigentes da entidade internacional que explora a paixão popular pelo futebol em proveito dos cofres da sua organização e dos seus poder, riqueza e projeção  pessoais,  tinha, ao menos, dois propósitos em mira.

Primeiramente, propiciar gordos lucros às empreiteiras que historicamente se tornaram gigantes à sombra das obras e favores oficiais, pela antevisão de superfaturamentos, fragilidade do sistema de licitação e de fiscalização, em face da habitual corrida contra o tempo para honrar prazos fatais, pela aplicação do  império do “jeitinho”, do costume nacional de proposital descumprimento, com segundas intenções, de programa racional de datas de projeto, organização, execução de tudo o que se faria necessário à realização do monumental evento. Em consequência, em face da comprovada associação espúria de interesses público-privados a que temos crescentemente assistido nos tempos atuais e recentes, ter recursos abundantes carreados para o partido do governo e, eventualmente, integrantes conspícuos dos seus quadros. Torna-se oportuno salientar que o próprio Lula da Silva tornou-se ativo, conhecido e reconhecido “lobbysta” internacional das principais empreiteiras brasileiras...

Em segundo lugar, explorar o esperado e antecipadamente decantado sucesso da seleção nacional de futebol, em benefício do PT nas próximas eleições presidenciais de outubro e do seu sempre presente projeto de não mais largar o poder. Até mesmo Lula, que tão magistralmente manipula a mentira, o engodo e o engano para alcançar seus fins políticos, administrativos e econômicos, deixou-se ludibriar pela falácia do poderio do decadente futebol praticado por nossos jogadores, já que orientados por técnicos “professores-doutores” ultrapassados, arrogantes e pouco dados ao estudo e a quaisquer outras formas de aperfeiçoamento/aprimoramento profissional, dentro do arcabouço de uma CBF que clama por mudanças radicais de pessoas e modos de proceder, já que, em tudo e por tudo, repete os erros e malfeitos da FIFA ou, quem sabe, deles tenha sido a inspiradora, em razão dos dirigentes oriundos da cartolagem brasileira, que lá mandaram por longos anos e sobre os quais, infelizmente, fortes suspeitas e acusações de improbidade recaem.

A humilhante e acachapante derrota que experimentamos, que frustrou o sonho de milhões e milhões de brasileiros, de toda a nossa população, sendo as mais  cruelmente atingidas as criancinhas, que pediam aos jogadores, na sua bela inocência, ~Ganhe esta Copa p’ra mim!”, foi recebida com surpreendente serenidade. Este foi o primeiro legado positivo: parece que aprendemos a aceitar normalmente o perder nos campos, a ver que o futebol é apenas um esporte, em que se vence e se é derrotado. Que o Brasil é superior a uma mera disputa de futebol  e que há coisas mais importantes a que devamos dirigir nossos esforços e nossos talentos: garantir e fortalecer educação, saúde, saneamento, segurança, infraestrutura de transportes, energia e comunicações, defesa nacional, ciência e tecnologia, cultura, geração de empregos, habitação...

O segundo legado positivo foi ver que nosso povo, aí incluídos os jogadores, reaprendeu o Hino Nacional,  e todos  o cantaram. Com garra, paixão e alma, continuando à “capella” em todas as ocasiões em que a FIFA, descumprindo a legislação brasileira sobre o respeito devido aos símbolos nacionais, o interrompeu de forma inaceitável. Repetiu-se,  em todos os quadrantes do Brasil, o que os bravos paraenses haviam ensinado em 2013 e representantes de outros povos já agora imitaram nas canchas do Brasil!

O terceiro legado foi a generalizada manifestação daqueles que, vindos de outras terras, nos visitaram, sobre a beleza do Brasil e a afabilidade, a gentileza, a simpatia da sua gente. Sim! Enterremos as críticas que tão acerbamente estamos acostumados a nós mesmos fazer-nos: nosso País é lindo e somos o mais acolhedor e hospitaleiro povo da terra, aquele que mais sorri e mais carinho e cuidados tem para com os estrangeiros, que, assim, tão bem se sentem entre nós, para aqui querendo um dia voltar ou daqui não mais querendo sair!

O quarto legado foi a consciência que adquirimos de que a CBF, suas federações constituintes e os respectivos cartolas precisam ser urgente e completamente mudados, para erradicar os erros e hábitos e práticas nefastas que vêm empurrando o nosso futebol  para a trágica situação atualmente tornada tão evidente, que chega a obscurecer, comprometer e empanar seu  passado, quase centenário, de glórias e vitórias!

Precisamos entronizar outros legados: vencer a arrogância, tão nossa velha e constante conhecida, de considerar-nos imbatíveis, de que basta vestir a gloriosa camiseta amarela para vencer, no grito, todos e sempre, sem qualquer preparo ou esforço anterior mais sério. É preciso criar o espírito de que entramos nas competições para competir, e não achar “a priori” que seremos os inexoráveis vencedores. Como ficou ridícula e despropositada a inscrição, no ônibus da seleção, “Preparem-se! O hexa está chegando!”, mormente após os 7x1 da Alemanha e os 3x0 da Holanda sobre nós!

Aprendamos com o exemplo de argentinos, argelinos, iranianos, costarriquenhos, chilenos, americanos, colombianos, ganeses, nigerianos, suíços, belgas  e outras equipes mais, que sublimaram deficiências passadas e atuais e, com muita garra e persistência, obtiveram resultados nobilitantes nos campos, e além da expectativa formada. A bravura e a entrega, que demonstraram, deram colorido e tom especial às disputas, difíceis, duras, com favoritos adrede escolhidos pela opinião pública e imprensa, pelo maior peso dos seus plantéis.

Comemoremos, também e muito justificadamente, a paz com que a maioria esmagadora dos eventos se sucedeu, com a ressalva de apenas um ou outro atrito pontual entre torcidas, sem grandes consequências. Alguns provocados pela imposição da FIFA, entre outras graves violações à soberania nacional, de liberar-se a venda de cerveja nos estádios, ao arrepio da proibição da legislação brasileira. Antes e durante a Copa, agiu a multinacional do futebol como se fosse a fonte determinante de tudo o que podia e devia ser feito, ante a mansa aceitação do governo federal, levando também a parte de leão dos rendimentos financeiros do torneio, para cujo preparo e execução gastou o Brasil a fábula de quase trinta bilhões de reais, em estádios caríssimos e obras ainda inacabadas ou mal terminadas... Louve-se, também, a eficiência e a eficácia do aparato de segurança, com forte presença e comando das Forças Armadas, que garantiu invejável ambiente de tranquilidade durante todo o tempo.

Finalmente, elevemos nossos olhos e corações aos céus, pedindo que o Senhor Deus conceda que as experiências recentemente vividas gerem o grande legado da Copa, qual  seja a abertura geral de olhos, que leve o povo brasileiro a capacitar-se de qual é a fonte real e perversa de todas as mazelas e malfeitos que nos diminuem e agridem. Para que FINALMENTE, nas urnas, em outubro, afastemos o mal tão grande que nos aflige, tirando do centro do poder quem nos humilha, avilta, envergonha e explora e nos quer conduzir pelas sendas da perdição, permitindo que voltemos a trilhar, em paz, os caminhos de amor, ordem e progresso, com a democracia reafirmada e fortalecida. É este o grande campeonato que o Brasil e os brasileiros precisamos ganhar, para o resgate da esperança na construção do radioso porvir, com o qual sempre sonhamos e que está ao alcance do trabalho honrado, do esforço permanente, do preparo continuado, do aperfeiçoamento constante, do sacrifício diuturno, da dedicação sem reservas e da paixão sem limites pelo Brasil dos patriotas verdadeiros, aqueles que nada buscam para si, mas lutam pela grandeza da Pátria e a felicidade dos concidadãos, com todos os talentos recebidos do Criador. Que pessoas assim possam surgir, multiplicar-se, ser eleitas em Brasília, em todas as capitais dos Estados e, progressivamente, em todos os rincões da Terra Amada, e conduzir para o Bem os destinos da Pátria!

DEUS SEJA LOUVADO!

Rio de Janeiro, RJ, 17 de julho de 2014,
Centenário da Força de Submarinos da Marinha do Brasil



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VAlte(Ref) Sergio Tasso Vásquez de Aquino – Membro da Academia Brasileira de Defesa e do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil