quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Petrobras devastada


Querem nos roubar de novo usando a Petrobras


PETRÓLEO - Quem é o Grande VILÃO da Petrobras?


Após petrolão, Petrobras quer mudar estrutura


Sindicatos se manifestam contra taxa de juros


Movimento Incerto do Petróleo


Na Bolívia, Evo Morales quer quarto mandato


Zelotes: PF prende mulher de lobista


CENSURA de Fernando Haddad


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Carlos Araújo está na mira da Lava Jato


EX-MARIDO de DILMA na MIRA da LAVA-JATO


PT reclama de investigação que desvenda crimes


Haddad contra a Constituição


As questões que envolvem o PT nas eleições presidenciais são gravíssimas


BC enfrenta um dilema sobre juros esta semana


TOTALITARISMO através da EDUCAÇÃO


A burocracia do MEC está com pé no estribo para cavalgar de vez a educação brasileira. Refiro-me ao uso extensivo e abusivo daquilo que a Constituição determina: fixação de "conteúdos mínimos" para o ensino fundamental. No recentemente aprovado Plano Nacional de Educação (2014-2024) foi inserido um negócio chamado Base Nacional Comum Curricular (BNC) e, obviamente, coube ao MEC, povoado de companheiros, realizar a frutuosa tarefa. O ministério reuniu 116 especialistas de 35 universidades e produziu um calhamaço que, neste momento, está "aberto" a sugestões da sociedade. Ora, a sociedade nem sabe o que está acontecendo. E o que está acontecendo é gravíssimo! Aquilo que, na perspectiva do constituinte de 1988, deveria ser um conjunto de conteúdos, se converteu num manual para homogeneizar cabeças e tornar hegemônica, no ambiente escolar, a ideologia que, há tempos, grassa e desgraça a educação brasileira.


O MEC informa que a BNC englobará 60% dos objetivos impostos aos ensinos fundamental e médio. E adverte: ela dialoga com o ENEM. Sim, e como! Se o currículo obrigatório "dialoga" com o ENEM (petistas adoram essa metonímia), escola alguma, pública ou privada, vai ensinar diferente, ou sob perspectiva diversa. Se o fizer, seus alunos desconhecerão as respostas que o Estado brasileiro quer ouvir para lhes abrir as portas das universidades públicas. Eis o totalitarismo através da Educação.

Quando algum pedagogo fala em problematizar algo, ele está afirmando que vai reduzir esse algo a coisa nenhuma. E o fará usando sua permissão para porte dessa arma de grosso calibre que é a barra de giz. Saiba então: o verbo "problematizar", com seus derivados, pode ser encontrado 55 vezes na BNC! Lembram da ideologia de gênero, barrada no Congresso Nacional? E da posterior pressão do MEC, tentando obrigar estados e municípios a adotá-la? Pois retorna, agora, pela BNC. O conceito gênero aparece 12 vezes no texto. Sexo, apenas duas. É a renitente problematização da genitália.


Quase nada há, ali, que não seja problematizado: sentido da vida; percepções do corpo; relações sociais e de poder; papel e função das instituições sociais, políticas, econômicas e religiosas; seleção das datas comemorativas (!); cronologia histórica nacional e mundial; narrativas eurocêntricas; relação de "saberes e poderes" de caráter religioso e suas tradições; divisão de classes no modo de produção capitalista (e só no capitalista) e, por fim, fenômenos sociais de modo a "desnaturalizar (!) modos de vida, valores e condutas". É a morte, por asfixia, do livre pensar.

CARDOZO: Faço o que Eu DIGO, Não Faça o que Faço...


Todo mundo à espera do Copom


MONOPÓLIO - Esquerda Vigarista


Vale e BHP darão garantia a acordo sobre desastre de Mariana


Mercado financeiro ruim já contamina economia brasileira em 2017


Ações da Petrobras derrubam Bovespa


Teste rápido para dengue sai em 20 minutos


#IMPEACHMENT - 2018 MARINA é DILMA


Preso mais um responsável pelo terror em Paris


segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Tirem suas próprias conclusões...

MENTIR É PECADO, BOFF


O vídeo faz uma montagem entre a propaganda do regime cubano, a cargo de Leonardo Boff, e afirmações em contrário feitas Carlos Moore, escritor cubano radicado no Brasil, que padeceu sob o regime.

O Governo Federal sufoca pequenos municípios, diz confederação


Entrevista com Eduardo Stranz, consultor da Confederação Nacional dos Municípios, comenta as dificuldades dos gestores municipais em lidar com atrasos de repasses federais e queda no Fundo de Participação dos Municípios (FPM) nos últimos anos. Acompanhe a entrevista.

Notas de uma cúmplice


Swetlana Alexievich
Abaixo uma dolorosa reflexão da jornalista russa Swetlana Alexievich, em 1991, após Boris Yeltsin enterrar o PCUS e a União Soviética e ressuscitar a Rússia

Despedimo-nos dos tempos soviéticos. Dessa nossa vida. Tentarei escutar honestamente todos os participantes do drama socialista

O comunismo tinha um plano louco — transformar o homem "antigo", o vetusto Adão. E isso foi conseguido; foi talvez a única coisa que se conseguiu. Em pouco mais de setenta anos, no laboratório do marxismo-leninismo criou-se um tipo humano especial — o Homo Sovieticus. Há quem considere que esse é um personagem trágico; outros chamam-no de sovok¹.

Eu acho que conheço esse homem, que o conheço muito bem, estou ao lado dele, vivi muitos anos ombro a ombro com ele. Ele sou eu. São os meus conhecidos, os meus amigos, os meus progenitores. Durante alguns anos viajei por toda a anterior União Soviética, porque o Homo Sovieticus não são apenas os Russos, são também os Bielorrussos, os Turcomanos, os Ucranianos, os Cazaques... Agora vivemos em Estados distintos, falamos línguas diferentes, mas somos inconfundíveis.


Imediatamente reconhecíveis! Todos nós, gente do socialismo, somos parecidos com as outras pessoas e diferentes delas — temos o nosso dicionário, a nossa compreensão do bem e do mal, dos heróis e dos mártires. Temos uma relação especial com a morte. Nas histórias que eu escrevo, há palavras que ferem constantemente o ouvido:"disparar", "fuzilar", "liquidar", "pôr em circulação" ou variantes soviéticas de "desaparecimento" como: "detenção", "dez anos sem direito de correspondência", "emigração". Quanto pode valer uma vida humana, se nos lembramos de que ainda há pouco morreram milhões? Estamos cheios de ódio e de preconceitos. Tudo vem de lá, de onde havia o GULAG² e a guerra medonha. Coletivização, deskulakização, deslocação das populações.


Isto era o socialismo e era simplesmente a nossa vida. Nesse tempo pouco falávamos dela. Mas agora, que o mundo mudou irrevogavelmente, essa nossa vida tornou-se interessante para todos - não importa como ela fosse, era a nossa vida. Escrevo, procuro nos grãozinhos, nas migalhas da história do socialismo "doméstico" "interior". A maneira como ele vivia na alma humana. Atrai-me sempre esse pequeno espaço — a pessoa, uma pessoa. Na verdade, é aí que tudo acontece.

Porque é que há no livro tantos relatos de suicídios, e não dos soviéticos comuns, com biografias soviéticas comuns? Afinal de contas as pessoas também se suicidam por amor, por velhice, sem mais nem menos, por interesse, pelo desejo de descobrir o segredo da morte... Procurei aqueles em quem cresceu firmemente a idéia, que a interiorizaram de um modo impossível de erradicar — o Estado tornou-se o seu cosmos, substituiu tudo, até a sua própria vida. Não conseguiam sair da grande história, despedir-se dela, ser felizes de outro modo. Mergulhar... Perder-se na existência privada, como acontece atualmente, em que o pequeno se tornou grande.

O homem quer apenas viver, sem uma grande idéia. Isso nunca aconteceu na vida russa, nem a literatura russa conhece isso. Em geral nós somos gente guerreira. Ou combatíamos, ou preparávamo-nos para a guerra. Nunca vivemos de outro modo. Daí a psicologia militar. E mesmo na vida de paz tudo acontecia de um modo militar. Soava o tambor, soltavam-se as bandeiras o coração saltava do peito, o homem não notava a sua escravidão, até gostava dela.

Também eu me lembro: depois da escola, toda a classe se reunia para ir para as terras virgens, desprezávamos aqueles que se recusavam, lamentávamos até às lágrimas que a revolução, a guerra civil — tudo acontecesse sem a nossa participação. Olhamos para trás: será possível que fôssemos nós? Que fosse eu? E recordei tudo isso juntamente com os meus heróis. Um deles disse: "Só o homem soviético pode compreender o homem soviético". Éramos pessoas que só tínhamos memória comunista. Vizinhos pela memória.


O meu pai recordava que pessoalmente passou a acreditar no comunismo depois do vôo de Gagárin. Somos os primeiros! Podemos fazer tudo! Era assim que ele e a minha mãe nos educavam. Eu fui outubrista³, usava o emblema com o menino de cabelos frisados, fui pioneira,komsomolka. A desilusão veio mais tarde.


Depois da perestroika esperávamos que abrissem os arquivos. Abriram-os. Ficamos sabendo a história que escondiam de nós.
"Devemos atrair para nós noventa ou cem milhões que povoam a Rússia Soviética. Com os restantes não devemos falar — é preciso , exterminá-los" (Zinóviev, 1918).


"Enforcar (sem falta, enforcar, para que o povo veja) não menos de mil kulaks presos, que enriquecem, e tirar-lhe todos os cereais, designar reféns... De tal modo que a cem quilômetros em redor o povo veja e trema" (Lênin, 1918).


"Moscou está literalmente a morrer de fome" (professor Kuznetsov para Trotski). "Isso não é fome. Quando Tito ocupou Jerusalém, as mães judias comiam os seus filhos. Quando eu forçar as vossas mães a comerem os seus filhos, então pode vir ter comigo e dizer: 'Temos fome'" (Trotski, 1919).


As pessoas liam os jornais e as revistas e calavam-se. Sobre elas caiu um horror insuportável! Como viver com isto? Muitos receberam a verdade como uma inimiga. E a liberdade também. "Não conhecemos o nosso país. Não sabemos em que pensa a maioria das pessoas, vemo-las, encontramo-las todos os dias, mas não sabemos em que pensam, nem o que querem.

Mas temos a ousadia de lhes ensinar. Depressa saberemos tudo, e ficaremos horrorizados", dizia um conhecido meu, com quem muitas vezes me sentava a conversar na minha cozinha. Eu discutia com ele. Isto acontecia em 1991... Tempo feliz! Acreditávamos que no dia seguinte, literalmente amanhã, começaria a liberdade. Começaria do nada, dos nossos desejos.


Dos Cadernos de Apontamentos de Chalámov: "Participei de uma grande batalha perdida por uma verdadeira atualização da vida". Isto foi escrito por um homem que passou 17 anos de detenção nos campos stalinistas.


A nostalgia do ideal manteve-se... Eu dividiria as pessoas soviéticas em quatro gerações: stalinista, khruschovista, brejnevista e gorbatchovista. Pessoalmente, pertenço à última. Para nós era mais fácil aceitar o colapso da idéia comunista, porque não vivemos no tempo em que a idéia era jovem, forte, sem a perdida magia do romantismo fatal e das esperanças utópicas. Crescemos no tempo dos velhos do Kremlin. Nos magros tempos vegetarianos. O grande sangue do comunismo já estava esquecido. O entusiasmo continuava os seus desmandos, mas conservava-se o conhecimento de que não era possível aplicar a utopia na vida.


Isto aconteceu durante a Primeira Guerra da Chechênia... Conheci em Moscou, numa estação de caminho de ferro, uma mulher que era das proximidades de Tambov e estava de partida para a Chechênia, com o objetivo de tirar o filho da guerra: "Não quero que ele morra. Não quero que ele mate." O Estado já não dominava a alma dela. Era uma pessoa livre. Eram poucas as pessoas assim. A maioria eram aqueles a quem a liberdade irritava: "Comprei quatro jornais e cada um deles tem a sua verdade. Onde está então a verdade? Dantes líamos de manhã o jornal Pravda e sabíamos tudo. Compreendíamos tudo." As idéias saíam lentamente de sob a narcose. Se eu iniciava uma conversa acerca do arrependimento, ouvia em resposta:


"De que devo eu arrepender-me?" Cada qual se considerava vítima, mas não participante. Um dizia: "Eu também estive preso." O segundo dizia: "Eu combati." E um terceiro: "Levantei a minha cidade das ruínas, acartava tijolos dia e noite". Isto era completamente inesperado: todos bêbados de liberdade, mas não preparados para a liberdade. E onde estava ela, a liberdade? Só na cozinha, onde por hábito continuavam a criticar o Poder. Criticavam Yeltsin e Gorbatchov. Yeltsin porque traíra a Rússia. E Gorbatchov? Gorbatchov porque traíra tudo. Todo o Século 20. E agora, o nosso país será igual aos outros. Será como todos. Pensavam que desta vez se conseguiria. A Rússia mudara e odiava-se a si mesma por ter mudado. "O Mongol imóvel", escreveu Marx acerca da Rússia.


Civilização soviética... Apresso-me a registrar os seus vestígios. As caras conhecidas. Interrogo não acerca do socialismo, mas acerca do amor, do ciúme, da infância, da velhice. Sobre a música, as danças, os penteados. Sobre os mil pormenores da vida que desaparecia. Este é o único meio de dirigir a catástrofe para o quadro do habitual e tentar contar alguma coisa. Adivinhar alguma coisa. Não paro de me espantar com a maneira como a vida humana comum é interessante. Com a interminável quantidade das verdades humanas.  A história interessa-se apenas pelos fatos, e as emoções ficam fora de bordo. Não é costume admití-las na história. Mas eu olho para o mundo com os olhos de uma humanista e não de uma historiadora. Fico surpreendida com a pessoa...


O meu pai já não é deste mundo. E eu não posso terminar uma das nossas conversas... Dizia que morrer na guerra era mais fácil para ele do que para os rapazes que agora morrem na Chechênia. Nos anos 1940, iam de um inferno para outro inferno. Antes da guerra, o meu pai estudou em Minsk, no Instituto de Jornalismo. Lembrava-se de que quando voltavam das férias, muitas vezes já não encontravam um único professor conhecido, estavam todos presos. Eles não compreendiam o que se passava, mas era horrível. Horrível, como na guerra.


Tive poucas conversas francas com o meu pai. Ele tinha pena de mim. E eu, tinha pena dele? Tenho dificuldade em responder a esta pergunta... Éramos implacáveis com os nossos pais. Parecia-nos que a liberdade era uma coisa muito simples. Passou algum tempo, e nós próprios nos curvamos sob o peso dela, porque ninguém nos ensinou a liberdade. Ensinaram-nos apenas como morrer pela liberdade.


Ei-la, a liberdade! É como a esperávamos? Estávamos prontos para morrer pelos nossos ideais, para combater na batalha. Mas começou uma vida  . Sem história. Ruíram todos os valores, menos o valor da vida. Da vida em geral. Novos sonhos: construir uma casa, comprar um bom carro, plantar uma groselheira... A liberdade revelou-se a reabilitação da pequena burguesia, habitualmente maltratada na vida russa. Liberdade de Sua Majestade o Consumo. Majestade das trevas. Trevas dos desejos, dos instintos — da vida humana oculta, da qual fazíamos uma idéia aproximada.

A toda a história sobrevivemos, mas não vivemos. E agora a experiência militar já não era necessária, era preciso esquecê-la. Milhares de novas emoções, estados, reações De súbito tudo em redor como que se tornou diferente: as tabuletas, as coisas, o dinheiro, a bandeira E até o próprio homem. Tornou-se mais colorido, solto, explodiram o monólito, e a vida espalhou-se em ilhas, átomos, células. Como em Dalh: liberdade-vontade, liberdadezinha ampla vastidão.

O grande mal tornou-se uma lenda distante, um romance de suspense político. Já ninguém falava de idéias, falavam de créditos, de juros, de letras, não ganhavam dinheiro a trabalhar, mas "faziam-no" em "jogadas". Seria por muito tempo? "A mentira do dinheiro na alma russa impoluta", escreveu Marina Tsvetáeva. Mas parece que os heróis de Ostrovski e de Saltikov-Schedrin ganharam vida e se passeiam pelas nossas ruas.


A todas as pessoas com quem me encontrei, perguntava: "O que é a liberdade?" Pais e filhos respondiam de modos diferentes. Aqueles que nasceram na URSS e os que já não nasceram na URSS têm experiências distintas. São pessoas de planetas diferentes.


Os pais: a liberdade é a ausência de medo; três dias em agosto, quando vencemos o golpe; uma pessoa que escolhe numa loja entre cem variedades de salame é mais livre do que a pessoa que escolhe entre dez variedades; não ser espancado, mas nunca chegaremos às gerações não espancadas; o homem russo não compreende a liberdade, precisa do cossaco e do látego.


Os filhos: a liberdade é o amor; a liberdade interior, um valor absoluto; quando não temos medo dos nossos desejos; ter muito dinheiro, e nesse caso teremos tudo; quando se pode viver de tal maneira que não se pensa na liberdade. A liberdade é o normal.


Procuro uma linguagem. O homem tem muitas linguagens: a linguagem que usa com os filhos, e mais uma, a do amor Há ainda a linguagem a que recorremos quando falamos conosco mesmos, quando travamos diálogos interiores. Na rua, no trabalho, nas viagens — por todo o lado se ouve qualquer coisa diferente, mudam não apenas as palavras, mas qualquer coisa mais. Uma pessoa até de manhã e à tarde fala de modos diferentes. E aquilo que acontece durante a noite entre duas pessoas desaparece por completo da história. Tratamos apenas da história do homem diurno. O suicídio é um tema noturno, a pessoa encontra-se no limite da existência e da não existência. Do sono. Quero entender isto com a precisão da pessoa diurna.


Disseram-me: "Não tem medo de que isso lhe agrade?"


Seguimos pela estrada de Smolensk. Paramos numa aldeia ao lado de uma loja. Uns conhecidos (eu própria cresci nesta aldeia), uns rostos bonitos, bondosos, e em redor uma vida humilhante, pobre. Conversamos acerca da vida. "Pergunta-me sobre a liberdade? Entre na nossa loja: vodca, há toda a que se queira: Standart, Gorbatchov Putinka, salame à farta, e queijo, e peixe. Até há bananas. De que outra liberdade precisa? Esta para nós é suficiente." "E deram-lhes terra?" "Quem é que vai mourejar nela? Se a queres, toma-a. Aqui só o Vaska Krutoi aceitou. O filho mais novo tem oito anos e anda atrás do arado ao lado do pai. Se fores trabalhar para ele, não penses em juntar algum dinheiro, ele nem dorme. É um fascista!"


Na "Lenda do Grande Inquisidor" de Dostoiévski há uma discussão sobre a liberdade. Diz-se que o caminho da liberdade é difícil, sofrido, trágico "Para que conhecer esse diabo desse bem e desse mal, se isso custa tanto?" O homem tem sempre que escolher: a liberdade ou o bem-estar e a organização da sua vida, a liberdade com sofrimento ou a felicidade sem liberdade. E a maioria das pessoas segue por esse segundo caminho.


O Grande Inquisidor diz a Cristo, que voltou à Terra:


"Porque vieste cá incomodar-nos? Porque tu vieste incomodar-nos e sabes isso muito bem"


"Ao respeitá-lo [ao homem], tu procedeste como se tivesses deixado de sentir compaixão por ele, porque exigiste demasiado dele Ao respeitá-lo menos, exigias-lhe menos, e isso estaria mais perto do amor, pois o fardo dele seria mais leve. Ele é fraco e vil Que culpa tem a alma fraca, se é incapaz de juntar em si tão terríveis dons?"


"Não há preocupação mais constante e torturante para o homem do que, ao ficar livre, procurar depressa alguém diante de quem se inclinar a quem transmitir depressa o dom da liberdade com que esse ser infeliz nasce"
Nos anos 1990 sim, éramos felizes, e essa nossa ingenuidade já nunca mais volta. Parecia-nos que a escolha estava feita, que o comunismo tinha perdido sem apelo. Mas tudo estava apenas a começar


Passaram-se vinte anos... "Não nos assustem com o socialismo", dizem os filhos aos pais.


De uma conversa com um professor universitário meu conhecido:

"No final dos anos noventa os estudantes riam-se quando eu recordava a União Soviética; estavam confiantes de que à sua frente se abria um novo futuro. Agora o quadro é diferente Os estudantes de hoje já descobriram, já sentiram o que é o capitalismo — a desigualdade, a pobreza, a riqueza descarada, têm diante dos olhos a vida dos pais para quem nada restou do país saqueado. Sonham com a sua revolução. Usam camisolas vermelhas com retratos de Lênin e de 'Che' Guevara."


Cresceu na sociedade o interesse pela União Soviética. Pelo culto de Stálin. Metade dos jovens dos 19 aos 30 anos consideram Stálin "o maior dirigente político". Num país em que Stálin liquidou tantas pessoas como Hitler, um novo culto de Stálin?! Tudo o que é soviético está outra vez na moda. Por exemplo, os cafés "soviéticos" — com nomes soviéticos e pratos soviéticos. Surgiram os bombons "soviéticos" e o salame "soviético" — com o cheiro e o sabor nossos conhecidos desde a infância. E, é claro, a vodca "soviética".

Na televisão há dezenas de transmissões e na Internet dezenas de sites nostálgicos "soviéticos". Podem fazer-se visitas turísticas aos campos stalinistas — em Solovka, em Magadan. O anúncio promete que para mais completa sensação fornecem um fato do campo e uma picareta. Mostram os barracões restaurados. E no final organizam uma pescaria.


Renascem idéias antiquadas: sobre o Grande Império, sobre a "mão de ferro", "sobre a via russa especial" Reapareceu o hino soviético, há o Komsomol, mas chama-se simplesmente "Nachi" (os "Nossos"), há o partido do Poder, que copia o Partido Comunista. O presidente tem um poder como o do secretário-geral. Absoluto. Em vez do marxismo-leninismo, a religião ortodoxa.


Antes da revolução de 1917, Aleksandr Grin escreveu: "E o futuro parece ter deixado de estar no seu lugar." Passaram cem anos, e de novo o futuro não está no seu lugar. Chegou um tempo em segunda mão. A barricada é um lugar perigoso para um artista. Uma armadilha. Ali estraga-se a vista, obscurece a íris, o mundo perde a cor. Na barricada, o mundo é preto e branco. Dali já não se distingue o homem, vê-se apenas um ponto negro — um alvo. Passei toda a vida nas barricadas e queria sair delas. Aprender a alegrar-me com a vida. Recuperar a visão normal. Mas dezenas de milhares de pessoas saem de novo para as ruas. Dão-se as mãos, trazem fitas brancas nos blusões, símbolo do renascimento. Há cor. E eu estou com elas.


Encontrei nas ruas jovens com a foice e o martelo e o retrato de Lênin nas camisolas. Saberão eles o que é o comunismo?



__________________
Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

1 ¹Designação depreciativa do regime soviético e de tudo o que com ele se relaciona. (N. do T.)
2 Ou simplesmente Gulag. Acrónimo da designação russa: Glavnoe Upravlénie Ispravi- telno-trudovikh Laguerei (Direção Central dos Campos de Trabalho Correcional). 3 Outubrista: primeira forma de organização das crianças, que a seguir entravam para os pioneiros e mais tarde para o Komsomol, a juventude comunista. 

Contradições podem anular delações na Lava Jato


domingo, 17 de janeiro de 2016

Manifestações do Movimento Passe Livre e a Violência


Com medo de investigações, Lula reforça defesa


LULA está com MEDO?


Renda e emprego dos brasileiros estão caindo


O petróleo dos Jecas


Carlos Graieb e Silvio Navarro comentam a terrível semana para a estatal petroleira, a guerra interna no PMDB e os protestos que terminaram em selvageria contra o reajuste das tarifas de transporte em São Paulo.

Repatriação de recursos tem brechas preocupantes


sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Manifestações do MOVIMENTO PASSE LIVRE


Lula doou a BR Distribuidora ao mesmo Collor que acusou de ladrão e débil mental


Em 1993, pouco depois do impeachment de Fernando Collor, o radialista Milton Neves quis saber o que Lula achava do adversário escorraçado do gabinete presidencial por ter feito o que a seita petista faria anos depois em escala industrial. “Você tem pena de Fernando Affonso Collor de Mello?”, pergunta o entrevistador no começo do áudio hoje transformado numa peça essencial para os estudiosos da Era da Canalhice. Ouça a resposta de Lula.


“Tenho. Não é que eu tenho pena. Como ser humano eu acho que uma pessoa que teve uma oportunidade que aquele cidadão teve de fazer alguma coisa de bem para o Brasil, um homem que tinha respaldo da grande maioria do povo brasileiro, ou seja… e, ao invés de construir um governo, construir uma quadrilha como ele construiu, me dá pena, porque deve haver qualquer sintoma de debilidade no funcionamento do cérebro do Collor.

Efetivamente eu fico com pena, porque eu acho que o povo brasileiro esperava que essa pessoa pudesse pelo menos conduzir o país, se não a uma solução definitiva, pelo menos a indícios de soluções para os velhos problemas que nós vivemos.

Lamentavelmente a ganância, a vontade de roubar, a vontade de praticar corrupção, fez com que o Collor jogasse o sonho de milhões e milhões de brasileiros por terra.
Mas de qualquer forma eu acho que foi uma grande lição que o povo brasileiro aprendeu e eu espero que o povo brasileiro, em outras eleições, escolha pessoas que pelo menos eles conheçam o passado político”.


O chefão do PT vinha rascunhando o diagnóstico desde a campanha presidencial de 1989, quando acusou de “corrupto” o inimigo que acabaria por derrotá-lo nas urnas. “Isso é uma tremenda maracutaia”, berrou Lula no ano seguinte, ao saber que o presidente da República tentara favorecer um empresário amigo com dinheiro desviado da Petrobras. A negociata gorou, mas logo se constatou que havia ali um caso sem cura. Enquanto Fernando Collor percorria o atalho que o devolveria à planície, Lula seguia tateando a estrada certa para o Planalto.

Finalmente vitorioso em 2002, ele chegou lá em 2003. Quatro anos mais tarde, o homem despejado da Presidência por ter desonrado o cargo voltou à Praça dos Três Poderes, agora como senador por Alagoas filiado ao PTB. Em 2009, os antagonistas que viviam trocando chumbo passaram a trocar elogios que pavimentaram o caminho da reconciliação. Logo descobriram que haviam nascido um para o outro. Viraram amigos de infância. Além de comparsas, confirmam descobertas recentes da Operação Lava Jato.

Aparentemente impossível, a parceria nada tem de ilógica. Vista de perto, a dupla tem almas gêmeas. Escancarado pela grossura explícita, o primitivismo de Lula aparece claramente por trás do falso refinamento de Collor. Escancarado pela arrogância de oligarca, o autoritarismo de Collor é perfeitamente visível por trás do paternalismo populista de Lula. Os dois são, em sua essência, primitivos e autoritários. Ambos também acham que os fins justificam os meios. E, como atestam revelações recentes, acham que demonstrações de amizade devem incluir barganhas extraordinariamente lucrativas ─ tudo por conta dos pagadores de impostos.

Já em 2009, Lula expressou seu contentamento com a conversão de Collor: premiou a “lealdade” do representante de Alagoas com duas diretorias da BR Distribuidora, uma das mais cobiçadas subsidiárias da Petrobras. Em dezembro, na denúncia enviada ao STF contra o deputado Vander Loubert (PTB-AL), o procurador-geral Rodrigo Janot resumiu a bandalheira no trecho abaixo reproduzido:

“Após o fim do período de suspensão de direitos políticos, Fernando Affonso Collor de Mello retornou à vida pública. Na condição de senador pelo Partido Trabalhista Brasileiro do Estado de Alagoas (PTB-MS), por volta do ano de 2009, em troca de apoio político à base governista no Congresso Nacional, obteve do então Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, ascendência sobre a Petrobras Distribuidora- BR Distribuidora”.

Quando Dilma Rousseff assumiu a chefia do governo, o padrinho já havia doado ao senador quase todo o latifúndio ─ uns poucos lotes foram reservados ao PT. Como sempre, o poste escorou o serviço sujo do fabricante. No depoimento prestado à Procuradoria Geral da República, Nestor Cerveró, um dos pajés do Petrolão, confirmou que a afilhada endossou a obscenidade: “Fernando Collor de Mello disse que havia falado com a Presidente da República, Dilma Rousseff, a qual teria dito que estavam à disposição de Fernando Collor de Mello a presidência e todas as diretorias da BR Distribuidora”, revelou Cerveró.


As escavações nessas promissoras catacumbas estão ainda em seu começo. Vem muito mais por aí. O que já se sabe é suficiente, contudo, para reiterar que o Brasil, como ensinou Tom Jobim, não é mesmo para amadores. No tempo dos tiroteios entre Lula e Collor, o país inteiro apostou que os dois pistoleiros jamais seriam vistos do mesmo lado. Acabaram juntos para sempre no saloon do Petrolão.

Bolsa Repatriação premia fortunas ilegais


O impeachment e o presidencialismo de transação


O historiador Marco Antonio Villa analisa o esforço do governo para a formação de blocos de apoio no Congresso Nacional como uma espécie de 'seguro' contra processos de impeachment. "O seguro é feito com o saque organizado da máquina pública", diz.

Ministro da SAÚDE Torce para que as ADOLESCENTES peguem ZIKA VIRUS


Petrobras é lider mundial de endividamento profundo