Não há tese errada, prejudicial ou desastrosa, sob o ponto
de vista social, político, moral ou econômico, que não seja, mundo afora,
abraçada pela esquerda. Desarmamento da população civil, entre elas. É
inconcebível a irresponsável superficialidade, despegada do mundo real, com que
os defensores do desarmamento tratam de uma questão tão prática. Transcrevo
abaixo, então, para reflexão dos leitores, experiência que relatei numa crônica
de 2011. Inúmeros pais de família devem ter passado por situações semelhantes.
O sino de uma igreja distante ecoara doze badaladas,
dando por encerrado o dia. Caíra sobre a cidade um silêncio quase campeiro.
Silêncio que faz milagres. Até os surdos ouvem o ruído da mais bem lubrificada
dobradiça. Eis que a queda de um pequeno objeto faz rugir o travesseiro. Sim,
sim, foi exatamente o que você ouviu, Percival. No andar térreo, alguma coisa caiu
e precipitar-se ao solo por conta própria não faz parte da natureza das coisas!
Na escuridão da casa, no desprotegido abandono do leito, um calafrio se insere
sob o pijama e percorre a coluna vertebral em velocidade vertiginosa, imantando
os cabelos da nuca, que se erguem em apavorada prontidão.
Suponha-se vivendo tal situação, leitor. Uma verdade
alarmante se instala na consciência: você é o homem da casa. Cabe-lhe agir.
Suas possibilidades serão poucas. Você, por exemplo, pode ser um seguidor dos
maus conselhos da esquerda, que atribui a mortandade de brasileiros à arma
trancafiada na gaveta do cidadão de bem. Consequentemente, terá aderido à tese
de que a promoção de nossa segurança, em igualdade de condições com quem nos
agride, deve ser monopólio do Estado. Você entregou ao Estado as armas que
tinha... Nesse caso, pegará o telefone e chamará a polícia. Tenha fé que em
questão de segundos sua casa será palco de verdadeira operação de salvamento.
Haverá PMs enfiando-se sob as portas e subindo paredes como lagartixas. O
visitante noturno desejará ter nascido astronauta.
Mas não, você tem uma arma em casa. Se você for dos
que se submeteram à peregrinação imposta a quem pretende ter e conservar arma
legalmente havida, veja bem o que vai fazer com ela porque a lei não trabalha
em seu favor. Mas se for dos que se recusaram a ser achacados por mais e mais
taxas, a correr atrás de renovações de licenças e a tirar negativas que vencem
antes de saírem da impressora da repartição, deixe a arma onde estiver. É o que
o governo quer. Você não imagina o bode que vai dar se pegar aquele objeto.
Parta para outra. Repasse mentalmente tudo que aprendeu nos filmes de Bruce
Lee, Van Damme e Chuck Norris. Afinal, se até o Steven Seagal, gordo como
está, é capaz de surrar meia dúzia com uma mão nas costas, você muito
provavelmente conseguirá dar um bom corretivo no invasor antes de que ele possa
dizer "Fui!".
Neste país da tese pronta, do relatório técnico copiado da Wikipedia, tenho
ouvido muita gente defender o desarmamento tirando do bolso o discurso segundo
o qual, num assalto, a chance de sofrer lesão física é muito maior entre os que
reagem do que entre os que não reagem. Não tenho dúvidas quanto a isso porque,
geralmente, a reação é estabanada e o fator surpresa corre a favor do
assaltante. Em situações assim, evite mesmo reagir. Mas existem muitas outras
em que as circunstâncias facultam à vítima essa vantagem, seja preparando-se
ela para surpreender o agressor, seja espantando-o com um tiro de advertência.
Só alguém muito ingênuo não percebe a quem convém a condição
totalmente indefesa da população civil ordeira. No campo, serve aos invasores;
nas cidades aos bandidos; e na vida social e política a quem controlar o
armamento. Dê uma olhada na cena desse debate. Veja quem, sistematicamente, se
mobiliza pelo desarmamento. Veja quem gosta de falar em "bancada da
bala" para se referir aos parlamentares que querem ver respeitados os
direitos de autodefesa dos cidadãos. E saiba: a ingenuidade nunca foi atributo
deles! Não vou cobrar royalties por esta verdade cristalina: o crime
organizado, o PCC, o Comando Vermelho e o governo estão afinadinhos com o
desarmamento da população.
________________________________
Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto,
empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora
e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o
totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do
Brasil, integrante do grupo Pensar+.
Se Rodrigo Janot, procurador-geral da República
, já tinha mostrado a que veio, faltava ao ministro Luiz Edson Fachin, do
Supremo Tribunal Federal, fazer o mesmo. E Fachin não precisou de muito tempo,
até porque um parecer de Janot o ajudou nessa empreitada antidemocrática.
Começando por Rodrigo Janot, o procurador protocolou no STF,
nesta sexta-feira (11), parecer em que pede a anulação da eleição que deu à
oposição maioria na comissão especial (processante) que analisará na Câmara dos
Deputados o pedido de impeachment de Dilma Rousseff.
“É notório que a Câmara dos Deputados promoveu conturbada
votação, sob a presidência do deputado federal Eduardo Cunha, com cenas
lamentáveis de tumulto, incivilidade e dano a patrimônio público”, destaca o
procurador no documento.
É importante destacar que a eleição foi conturbada porque o
PT e a base governista partiram para ameaças e agressões, pois não aceitam a
ideia de que Dilma, que cometeu crimes no âmbito da Lei de Responsabilidade
Fiscal, precisa responder por seus atos de acordo com o que determina a
legislação vigente. De igual modo, o dano ao patrimônio público ocorreu no
rastro das ordens dadas pelo deputado federal Zeca do PT (MS) para que as urnas
eletrônicas fossem quebradas. E Janot está a defender esses parlamentares
desclassificados que insistem na tese absurda de transformar o Brasil em uma
versão agigantada da Venezuela.
“Sigilo de votações na Câmara dos Deputados e no Congresso
Nacional é medida excepcional, pois a Constituição da República determina como
regra publicidade e transparência dos atos de todas as esferas de Poder. Nas
deliberações em processo por crime de responsabilidade do presidente da
República, não há espaço para votação secreta”, acrescenta Janot, que
desconsidera o fato de a pesada derrota imposta ao governo ser decorrente de
uma eleição, não de uma votação de matéria legislativa.
“Fora das hipóteses constitucionais expressas, não têm os
membros do Congresso Nacional direito de instituir votações secretas, seja por
força do princípio da publicidade, seja em virtude do princípio republicano e
da democracia representativa, que lhes impõe o dever, entre outros, de prestar
contas à nação de seus votos”, emendou o procurador.
A reclamação formulada pelo PCdoB tem por objetivo dar ao
governo a possibilidade de identificar os integrantes da chamada base aliada
que desertaram, o que pode ensejar um movimento de perseguição por parte do
governo, mesmo que os aliados falem em respeito à democracia.
Em relação ao ministro Fachin, a situação não é diferente.
Calouro do STF, o ministro, que é relator da ação impetrada pelo PCdoB, negou
nesta sexta-feira pedido do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha
(PMDB-RJ), para destravar o processe de impeachment de Dilma Rousseff no
Congresso.
Em seu despacho, Luiz Edson Fachin alegou que sua decisão,
em caráter liminar, tem validade até a próxima quarta-feira (16), quando o
plenário do Supremo analisará as ações do PCdoB que questionam o rito do
processo de impeachment e pedem que a Corte ordene a tramitação do mesmo. Ou
seja, o PCdoB recorreu ao Supremo para perpetrar o golpe.
Cunha alegou que a base governista, sempre obediente e
genuflexa, busca “somente evitar o trâmite legítimo e constitucional” do pedido
de impedimento da petista. Segundo o presidente da Câmara, as ações do PCdoB
representam uma manobra espúria e não deveriam ser acolhidas pela Corte, já que
inexistem elementos que proíbem a Câmara de analisar o impedimento de Dilma.
Para o peemedebista, o PCdoB tenta reverter entendimento do
próprio Supremo para a análise desses casos. “O autor da ação — partido
integrante da base governista — pretende, na verdade, passados mais de 27 anos
desde a promulgação da Constituição, tão somente evitar o trâmite legítimo e
constitucional processo de impeachment, ao mesmo tempo em que procura, como
dito, revisitar toda a jurisprudência [entendimento] firmada por esta Corte a
respeito do tema impeachment.”
Nas manifestações deste 13 de dezembro, a voz da rua precisa
transformar em quarteto a trinca de campeões de impopularidade. “Fora Dilma!”,
“Fora Lula”, “Fora PT!”, continuarão clamando as multidões fartas de
incompetência e ladroagem. Muito justo. Mas chegou a hora do “Fora Cunha!”.
Primeiro, porque um Eduardo Cunha no comando da Câmara é
algo tão intragável quanto uma Dilma Rousseff na chefia do Executivo. Segundo,
porque o “Fora Cunha!” desmontará de vez a farsa forjada pelo Planalto para
tentar reduzir o processo de impeachment a um duelo entre dois pecadores sem
salvação.
A esperteza vai morrer de inanição. O que está em curso é um
confronto entre uma governante fora da lei e o Brasil decente. É um embate
entre uma nulidade destrambelhada e o estado democrático de direito. O Brasil
ficará bem menos cafajeste com o sepultamento simultâneo da dupla na vala comum
reservada aos embusteiros.
Graças à prisão de quatro executivos de empresas que andaram
pescando quilos de dinheiro às margens do São Francisco, a milagrosa
transposição das águas acaba de transferir-se do cartório onde jaz o Brasil
Maravilha para o noticiário político-policial. Agonizante desde os trabalhos de
parto, o que deveria ser a obra do século é hoje o mais recente esqueleto do
acervo acumulado pelo escândalo do milênio. A extravagância fluvial nem
precisou ser inaugurada para transformar-se num portentoso símbolo da Era da
Mediocridade. E numa prova de que, num momento infeliz da nossa história, o
povo brasileiro desempenhou aplicadamente o papel de otário.
Em 2004, estacionado no Ceará, o palanque ambulante jurou
que até 2006 seria materializado um dos grandes sonhos de Dom Pedro II (ou
“Predo”, na pronúncia do Pedro III de botequim). “Muitas vezes a coisa pública
foi tratada no Brasil como se fosse uma coisa de amigos, um clube de amigos, e
não uma coisa pública de verdade”, ensinou Lula durante a discurseira ufanista.
Como o gênio da raça descobrira que a coisa pública deve ser tratada como coisa
pública, sobravam as verbas que sempre faltaram. “Dinheiro não vai faltar”,
gabou-se o maior dos governantes desde Tomé de Souza.
Na campanha presidencial de 2006, o aspirante a um segundo
mandato não pronunciou uma única e escassa palavra sobre a multiplicação das
águas que continuavam onde sempre estiveram. A vitória nas urnas refrescou-lhe
a a memória. Sem apresentar justificativas para os dois anos de atravo, avisou
que ainda faltavam quatro para que o sertão virasse mar. “Em 2010, um
nordestino pobre vai fazer o que nem um imperador conseguiu”, recomeçou a
lengalenga. O vídeo abaixo mostra os capítulos seguintes da farsa.
Em 2010, o padrinho avisou que a transposição seria
inaugurada pela afilhada dali a dois anos. Em 2012, Dilma prometeu concluir em
dezembro “a primeira fase” da proeza invisível a olho nu. O resto teria de
esperar até 2014. Convidado a explicar-se durante a campanha pela reeleição, o
poste fabricado por Lula descobriu que a coisa era complicada demais para ser feita
tão em pouco tempo. “Houve uma subestimação da obra”, escapuliu a doutora em
nada que subestima obras e a inteligência da plateia.
Em 2015, Lula ressuscitou a tapeação ao som da lira do
delírio. De novo, repetiu que os brasileiros ficarão grávidos de orgulho
patriótico quando puderem contemplar o colosso “que nem Dom Pedro II conseguiu
realizar”. A nova etapa da Operação Lava Jato, apropriadamente batizada de
Operação Vidas Secas, já apurou ladroagens que somam pelo menos R$ 200 milhões,
embolsados por banqueiros amigos e empreiteiros de estimação do chefe supremo.
Ainda é cedo para calcular com precisão o produto do roubo.
Também não tem preço o assombro parido por Lula às margens
do São Francisco. O fundador do império do embuste inventou uma espécie de obra
que enriquece meio mundo antes de virar ruína sem ter existido.
Neste 13 de dezembro, estarão de volta às praças e avenidas
de centenas de cidades os milhões de indignados que expressam a vontade do país
que presta. É hora de sair de casa e engrossar a multidão inconformada. O fim
da era da canalhice, convém insistir, começa pelo impeachment de Dilma Rousseff.
E a presidente só será afastada do cargo que desonrou pela voz rouca das ruas.
No dia 16, os devotos de ditaduras bolivarianas voltarão a
investir em tubaína, gorjeta e mortadela para que manifestações de apoio ao
governo desgovernado não pareçam procissão de vilarejo. Devem ser
desmoralizados já no domingo pela demonstração de força da resistência
democrática, que será acompanhada com lupa por deputados, senadores e ministros
do Supremo.
É preciso mostrar-lhes que o Brasil decente exige o imediato
despejo dos farsantes no poder.
Confira o local e o horário de início das manifestações
convocadas pelo Vem pra Rua e pelo Movimento Brasil Livre:
ACRE
- Rio Branco ─ Em frente ao Palácio do governo – 15h
ALAGOAS
- Maceió – Alagoinhas – 18h
AMAPÁ
- Macapá – Praça da Bandeira ─ 10h
AMAZONAS
- Manaus – Escola IEA
/ Praça do Congresso ─ 14h
BAHIA
- Salvador – Farol da Barra ─ 10h
- Feira de Santana – Avenida Getúlio Vargas ─ 10h
- Vitória da Conquista – Praça Guadalajara ─ 10h30
CEARÁ
- Fortaleza – Praça Portugal / Avenida Dom Luís
─ 16h
DISTRITO FEDERAL
- Brasília – Em frente ao Congresso – 10h
ESPÍRITO SANTO
- Vitória – Praça do Papa – 16h
GOIÁS
- Anápolis – Praça Dom Emanuel -15h
- Goiânia – Praça Tamandaré – 14h
MARANHÃO
- São Luís – Rua dos Holandeses, em frente ao curso Wizard
─16h
Uma das fotos estampadas em ZH, na última
quinta-feira, mostrava numeroso grupo de parlamentares da base do governo
irradiando indizível felicidade. Melhoraram os números da economia? O PIB
cresceu? O desemprego diminuiu? Nada disso. Festejava-se a elevação do déficit
fiscal para R$ 120 bilhões. Sirvam-se os drinques! O barco afunda, mas o poder
é uma festa. Afinal, ele é tudo que importa. Minutos depois, a notícia da
abertura do processo de impeachment caía como uma pedra no enorme aparelho
digestivo do governo. Não havia sal de fruta suficiente para tamanho mal estar.
A mentira é o primeiro degrau da corrupção. O sofisma é o
segundo. Ambos corrompem a verdade e o resto vem com o tempo e com as ocasiões.
Diferentemente do que o governo passou a dizer, a relação de Cunha com o
impeachment é funcional e a divergência entre ele e o governo é coisa de família,
desentendimento na firma. Não há princípios, nem valores, nem qualquer verdade
em jogo. Seus negócios foram descobertos pela mesma Lava Jato que o PT dizia
ser golpista.
Cunha é muito menos dono do impeachment do que eu. Jamais
disse palavra a favor. Contra minha vontade (ede dezenas de milhões de
brasileiros), sentou-se ele, por meses, sobre trinta e tantos requerimentos. Ou
não? Também nisto obsequiou ao PT tanto quanto o serviu, durante anos, na base
do governo. Sua prolongada indecisão arrefeceu as mobilizações de rua. Bem como
o governo queria. É totalmente fraudulenta, portanto,a tentativa de colocá-lo
no papel de dono do impeachment, como se fosse coisa dele e de gente como ele.
Insustentável, também, o xingatório que qualifica como
coxinhas, lacerdistas, golpistas e gente da pior espécie os que querem ver o
governo pelas costas. Se assim fosse, a Constituição seria “golpista”,pois
prescreve esse tipo de processo. E mais, Dilma Rousseff, com menos de 10%
de apoio um ano após fazer 52% dos votos válidos, teria sido eleita por “gente da
pior espécie”. Nem o xingamento fica em pé.
O governo já foi longe demais, em tudo. Levou a inépcia aos
requintes. Forneceu provas abundantes de que o STF errou ao desconhecer, na
ação penal do mensalão, o crime de formação de quadrilha. À vista de seu
governo, a gestão do companheiro Collor foi exemplo de austeridade. E de nada
vale a presidente dizer que não roubou e não escondeu dinheiro no Exterior
porque não é disso que a acusam. Seus crimes foram de responsabilidade
fiscal.Ponto e basta. Voltemos às ruas, nós, os donos do impeachment!
Só inocentes não enxergam que o impeachment ou renúncia da
desgastada Dilma Rousseff são manobras que têm um grande beneficiário e
interessado imediato: Luiz Inácio Lula da Silva. O chefão $talinácio aposta no
fracasso e inviabilidade de uma (cada vez mais provável) gestão Michel Temer
(ou de qualquer outro, se o vice também acabar impugnado por alguma denúncia
grave ou por condenação da chapa vencedora em 2014). Lula só não tem certeza
absoluta do momento exato para Dilma sair, permitindo um retorno nada triunfal
e muito arriscado dele e do PT ao papel de "franco-atiradores" de
"oposição". É uma piada-séria!
Dilma fica mortinha da Silva a cada segundo. Grande parte
dos problemas é culpa dela própria. Sua ira incontrolável e a incapacidade de
diálogo político transformou o que deveria ser um complicado "governo de
coalizão" em um "desgoverno de colisão" - na base da guerra de
todos contra todos. Sintoma desta incapacidade de aglutinar apoios foi a
derrota de ontem na votação secreta para a Comissão do Impeachment, na Câmara
dos Deputados.
Parlamentares anti-Dilma formaram uma chapa e venceram de
goleada: 272 votos contra e apenas 199 a favor. Sorte da Dilma que o ministro
Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu a eleição da comissão, até
dia 16, quando o plenário da corte julgará um recurso do PC do B para anular a
votação secreta e formação da chapa alternativa de "oposição" ao
desgoverno e em favor do impedimento da Presidenta. Até quando o Executivo
continuará sendo salvo das manobras do Legislativo pelo Judiciário? E fica no
ar a dúvida se haverá recesso parlamentar ou não - aumentando a agonia do
Palhasso do Planalto.
Dilma já era há muito tempo! Michel Temer, rompido
pessoalmente com ela, conspira abertamente. Eles se encontram nesta
quarta-feira. Tardiamente, vão discutir a (péssima) relação... A contundente
cartinha, feita para vazar, foi uma tentativa de habeas corpus político, para
se livrar das amarras e contaminações de uma impopular Dilma que odeia Temer e os
principais parceiros dele, já autoescalados ministros do eventual velho-novo
desgoverno: José Serra, Nelson Jobim, Moreira Franco. O vice também escuta
muito os conselhos de um grande amigo: Jacob Goldberg, estrategista de
movimentos na Era Transmídia. FHC também já teria dado seus pitacos
sociológicos ao "presidenciável". Temer também já recebeu o apoio das
diretorias do Bradesco e do Itaú. Sinal de que não mexerá na política
econômica de forma radical - o que confirma a tese de que ele é "mais do
mesmo".
Tudo isso é ótimo para quem? Lula... Vamos desenhar, para
facilitar a compreensão e a profunda reflexão das pessoas de bem, para não se
arrependerem, em futuro próximo, dos equívocos de avaliação. Repetindo, por 13
x 13: Lula é o grande beneficiário da cassação ou saída (nada espontânea) de
Dilma Rousseff. A cúpula da Petelândia sabe perfeitamente disto. Do contrário,
já teriam promovido o massacre de Michel Temer Lulia - aquele que oferece o
perigo mais imediato ao mandato da Presidenta, por ser o imediato na linha de
sucessão dela.
Quem conhece o PT de longa data, sabe muito bem que eles
adoram as práticas dos dossiês (verdadeiros ou falsos), do ataque feroz à honra
e a credibilidade de seus adversários políticos. Como chegou a lembrar, certa
feita, o falecido caudilho Leonel Brizola (ídolo da Dilma), Lula e o PT são
capazes até de pisar no pescoço da mãe de quem os desafia ou contraria. Pois
bem e para piorar, tem outro detalhe. A crise econômica no Brasil não tem
solução de curto prazo pois os erros, desmandos e roubalheiras generalizadas
promovidas nos últimos 13 anos deixam sequelas difíceis de serem curadas ou
resolvidas rapidamente.
Os anos de 2016 e 2017 serão muito difíceis para a
população, para as famílias brasileiras e para as empresas brasileiras. Como
Dilma continuando no Palácio do Planalto, todo esse desgaste ficará com o Poder
Executivo, comandado pelo PT. A desmoralização dela não vem de agora. A
companheira Dilma quase não se reelegeu Presidenta, pois teve que ficar a
campanha toda defendendo o seu governo.
Qualquer um que conhece um pouco de política sabe que é
muito mais fácil fazer campanha eleitoral na ofensiva, fazendo promessas – na
maioria das vezes sem a menor intenção de cumpri-las. É assim que Lula prefere
operar. Como o gênio $talinácio voltaria ao poder em 2018 tendo que defender
quatro anos de caos na economia, na saúde, na educação, nos transportes, além
da roubalheira generalizada nas estatais e nos altos escalões políticos, seja
do PT ou do PMDB?
Improvável e impossível. A última pesquisa eleitoral deu
conta de que ele, o mito decadente Lula, é rejeitado por 47% dos eleitores.
Agora, o jogo pode mudar se o senhor Temer, junto com os "primos" do
PSDB assumirem o Poder Executivo e ficarem com a bomba no colo até 2018. Neste
cenário, o companheiro $talinácio seria candidato de oposição, podendo fazer
promessas, promessas e mais promessas. Nesta mesma linha, taticamente, os
petistas não soltariam os dossiês contra aqueles que querem agora derrubar a
Dilma, pois guardariam as malvadezas como moedas de troca para 2018.
Caso o senhor Temer e o PSDB resolvam fazer uma verdadeira
faxina ética e moral, apurando todas as bandidagens que foram praticadas nos
últimos 13 anos, aí sim os comissários do PT pulariam nas tamancas. Rapidamente,
em reação, divulgariam os dossiês que seriam verdadeiras bombas. Principalmente
porque teríamos o PMDB na chefia do Executivo junto com o PSDB, gente sobre
quem o PT alardeia saber muita coisa podre. Haveria uma barganha política,
aquela do pior nível possível e que tem acabado com a nossa Pátria, com a nossa
Nação, inviabilizando um País maravilhoso chamado Brasil.
A lógica pragmática de Lula é bem mais simples e imediata.
Sacrifica-se a Dilma, que já está cansada mesmo desse fardo. Deixa-se o PMDB
pilhar o País de maneira mais direta e explícita. O PSDB volta a sentir o
gostinho do poder, algo tão almejado pelos já envelhecidos cardeais José Serra,
Geraldo Alckmin, FHC e até o jovial Aécio. Os tucanos alimentariam, assim, as
chances de enfrentar uma campanha eleitoral usando o poder da máquina - como
fazia na era FHC.
As cúpulas decidem o jogo no tapetão. Novamente vemos aquele
cenário em que nenhuma das “ditas autoridades” pensa no futuro da Nação
Brasileira, no destino promissor da Pátria Brasil. Comportam-se como as hienas
se revezando na pilhagem estatal, fazendo jogos de aparências e de cena, com
brigas e disputas falsas para se manterem no podre poder. Mais uma vez, fica
claro que não temos oposição, mas sim mera "composição". As
zelites brasileiras não aprendem e, pior, não querem aprender. O Capimunismo
Rentista as satisfaz.
Cassar a Presidenta Dilma é tapar o sol com a peneira. Dilma
não é a causa dos males. Ela é consequência da falha estrutural do modelo
estatal brasileiro. Por isso, ser cassada pelo senhor Eduardo “Contas na Suíça”
Cunha é desmoralizar por completo aquilo que parece ser um arremedo de processo
democrático brasileiro. Aliás, até no caso do pau no Cunha tem rigor seletivo.
O Ministério Público da Suíça já enviou ao Brasil a relação de várias pessoas
que tiveram movimentações suspeitas naquele paraíso fiscal decadente. Segundo o
próprio Cunha, nesta relação existem diversos parlamentares. Ele reclama porque
só ele está sendo “crucificado”.
A presidente Dilma, inclusive a todo instante, lembra que
não é ela que está sendo acusada de manter contas não declaradas na Suíça.
Ninguém com o mínimo de seriedade ou inteligência pode imaginar que depois de
cassada por gente desta “pouca qualidade política”, o PT não vai trabalhar e
provavelmente conseguir demonstrar que houve um "golpe" contra a
(pretensa) democracia (regime que o Brasil ainda não conhece plenamente).
Mesmo nessa farsa de discurso, Lula e o PT vão ganhar o
argumento eleitoral de que eles foram vítimas de um "golpe" praticado
pelos corruptos investigados pela Polícia Federal por ordem de quem? Da
Presidenta e de seu Ministro da Justiça. Novamente, a Petelândia voltaria a
posar de "vítima das zelites". A novelinha do impeachment é oportuna
para a encenação desta tragicomédia.
Por tudo isto, qualquer um que defender a cassação da
presidente Dilma como "solução efetiva" acaba se transformando, mesmo
sem querer, em um cabo eleitoral antecipado do senhor Lula para a aventura de
2018 (que só Deus sabe se ele terá saúde para encarar). O plano do $talinácio,
se conseguir o retorno triunfal, será terminar de implantar o socialismo do
século 21 (na prática um bolivarianismo radical, mas com o jeitinho brasileiro
da esculhambação, inspirado nos ideais do Foro de São Paulo - que ele não teve
coragem (ou condições) de fazer valer, de forma hegemônica, em seus oito anos
de mandato, e nos primeiros quatro da Dilma, até agora.
Se Dilma sair ou for saída antes do tempo, dando lugar a
Michel Temer, o chefão Lula ressurgirá como grande salvador das massas
desempregadas, esfomeadas e injustiçadas. Pelo menos este é o script que
petistas próximos a ele desenham. A quem interessa a volta de Lula ao Palácio
do Planalto em 2018? Só interessa a ele mesmo e ao sistema que aparelha a
máquina estatal capimunista no Brasil.
Pensemos bem e respondamos para a própria consciência: Quem
deseja a volta de Lula à Presidência da República? Quem gostaria que as coisas
fiquem do mesmo jeitinho que estão no Brasil da impunidade, ilegalidade e
ignorância? Quem tem medo de pensar conceitos corretos? Quem teme as mudanças
verdadeiras?
$talinácio quer saber de nada disso! Apesar do desgaste de
imagem, Lula ainda não tem adversários a sua altura. Quem seria o
presidenciável "oposicionista" para 2018? O nome ainda parece longe
de surgir... A falta de lideranças políticas verdadeiras é o grande drama do
Brasil. Além disso, qualquer um que ouse se mostrar como "opositor",
com as regras atuais do jogo, será fulminado pelo sistema do crime organizado.
Se o Brasil não mudar de verdade, o caos continuará operando a pleno vapor.
Na estrutura atual, o Brasil é inviável: com visão vagabunda
de rentista, juros altíssimos, carga tributária absurda (92 impostos, taxas,
contribuições e infindáveis instruções normativas ou portarias ministeriais),
gritante insegurança jurídica e desgovernança sistêmica do crime organizado.
Infelizmente, ainda estamos longe da verdadeira Democracia - definida como o
Império da Lei, da Segurança do Direito, através do exercício ético da razão
pública.
Por isso, o primeiro e nada fácil passo é romper com o
Capimunismo Rentista e patrimonialista, mudando a estrutura do Estado
brasileiro que serve ao crime e não ao cidadão ou à sociedade. Só uma
Intervenção Constitucional, pelo Poder Instituinte do Cidadão, tem condições de
mudar o Brasil. Tal movimento só não pode se resumir a um "iluminismo de
classe média" ou um "middle class wishfull thinking" - como
sempre bem me adverte o cientista político William Carvalho.
O problema gigantesco que temos pela frente é: nossas
elites, não se comportando como tais, não demonstram maturidade para definir e
liderar o processo de mudança do caos para o pleno desenvolvimento de fatores
políticos e econômicos. Assim, o Brasil segue sem rumo, na velha sina de País
do futuro (mas que não cuida do presente e ignora as besteiras do passado,
repetindo-as de tempos em tempos.
Let's sing
O Rei Roberto Carlos e Isaurinha Garcia fazem uma homenagem
a Dilma recebendo a carta de Michel Temer - que ele deixou vazar...
Descendente
Lema do Lobão no Facebook, com direito a caixa alta e
negrito:
"QUEM COM O 13 FERE,COM O 13 SERÁ FERIDO. DIA 13,
TODO O BRASIL NAS RUAS A BRADAR: FORA DILMA, FORA PT!"
Apelidos
Incredulidade
Martirizado
Problema numerológico
Irmão Temer
Irregular na Maçonaria, quer tomar o lugar da
Dilma...
A carta que Michel Temer tirou da manga ─ outras virão, e
nenhuma vai melhorar a vida dos farsantes no poder ─ provocou estragos de bom
tamanho no Palácio do Planalto. Entre eles se destaca a exposição de três
tumores que vêm apressando o apodrecimento galopante do governo Dilma Rousseff.
Primeiro: no quesito habilidade política, a presidente é uma
procissão de notas zero com louvor. Quando age por conta própria, não acerta
uma. Quando se move orientada por Lula, erra todas.
Segundo: o chamado “núcleo duro” do Planalto é formado por
perfeitas bestas quadradas. Uma governante que tem como conselheiros um Jaques
Wagner ou um Ricardo Berzoini não precisa de inimigos.
Terceiro: a seita lulopetista não celebra acordos
partidários. Em vez disso, faz contratos de arrendamento ou combina casamentos
de conveniência sempre subordinados a uma cláusula pétrea: “Nós mandamos, os
outros obedecem”.
Somados, os três tumores avisam que não há esperança de
salvação para um poste que só não é grosseiro com seu fabricante, finge que não
vê as rachaduras em acelerada expansão e, antes de desmanchar-se em escombros,
faz o que pode para quebrar de vez o Brasil.