terça-feira, 5 de agosto de 2014

Nove mitos sobre Gaza

Escrito Por Alex
hhs 
Conforme se desenrola a ação terrestre israelense em Gaza, consequência dos ataques incessantes do Hamas, os mitos e falsidades da mídia sobre Gaza estão sendo reciclados com o acréscimo de algumas novidades.

A seguir alguns dos mitos oriundos da cobertura e do passado:

MITO #1: É verdade que os palestinos de Gaza estão atacando Israel com o disparo indiscriminado de foguetes, mas que outra resposta eles poderiam dar ao asfixiante bloqueio de Israel?

Os líderes israelenses, a começar pelo Primeiro Ministro Benjamin Netanyahu, imaginam que a maneira de proteger seus cidadãos é invadir Gaza e explodir seus túneis – e, caso civis e crianças de Gaza morram, trata-se de algo triste, porém inevitável. E alguns gazenses pensam que eles já estão numa prisão ao ar livre, sendo asfixiados sob o embargo israelense, e a única forma de alcançar alguma mudança é disparando foguetes – e se algumas crianças israelenses morrerem, isso também é ruim, mas 100 vezes mais crianças palestinas já estão sendo mortas. (Nicholas Kristof, New York Times, 20 de julho de 2014, Who's Right and Wrong in the Middle East?)

É óbvio que não há crianças palestinas morrendo em consequência das restrições de Israel para Gaza dado que Israel tem sido cuidadoso em permitir o ingresso mais do que o suficiente de alimentos e remédios. Porém, além disso, o Nicholas Kristof alega que a única forma dos palestinos deixarem de ser “asfixiados … sob o embargo israelense” (para fazer uso da expressão utilizada por ele) é através do disparo de foguetes.

O que Kristof e todos aqueles que falam de modo semelhante ignoram – ou simplesmente não sabem – é que, antes de existir os ataques com mísseis e outros ataques terroristas oriundos da Faixa de Gaza comandada pelo Hamas, não existia nenhum “embargo” da mesma forma que não há nenhum embargo na Cisjordânia.

Ou seja, os mísseis não são uma resposta ao embargo, eles são a causa para o embargo.

Por exemplo, essa notícia a respeito do embargo, segundo o Washington Post (20/09/2007):

JERUSALEM, 19/Set. – O conselho de segurança de Israel na quarta-feira declarou a Faixa de Gaza como uma “entidade hostil” e disse que irá começar a fazer cortes na eletricidade e no combustível do território administrado pelo Hamas num esforço de parar com o disparo quase diário de foguetes em Israel.

MITO #2: Através de suas políticas tipicamente míopes Israel intencionalmente encorajou o crescimento do Hamas.

No final das contas, foi Israel que ajudou a nutrir o Hamas e o seu predecessor na década de 70 e 80. O falecido Eyad El-Sarraj, um proeminente psiquiatra de Gaza, alertou o mandatário de Israel que ele estava “brincando com fogo” ao nutrir militantes religiosos. Segundo o livro “Hamas”, de Berverley Milton-Edwards e Stephen Farrel, a resposta foi: “Não se preocupe, nós sabemos como manobrar as coisas. Nosso inimigo hoje é a OLP.” (Nicholas Kristof, New York Times, 16 de julho de 2014)

FATO: Israel jamais encorajou o Hamas ou o seu rival islamita – a Jihad Islâmica. Israel apoiou a construção de clínicas, mesquitas e escolas religiosas nos territórios, pois assim era a sua obrigação segundo a Convenção de Haia e a Convenção de Genebra que exigem que os impostos arrecadados em territórios sejam utilizados para o benefício dos territórios, e de que sejam respeitadas as leis existentes, entre elas as que incluíam o financiamento de instituições religiosas. Entre os grupos que o governo cooperou nesse sentido estava a assim chamada Irmandade Muçulmana, uma organização sem fins lucrativos registrada em Gaza. A Irmandade Muçulmana, embora rejeitasse a existência de Israel, era explicitamente não violenta naqueles dias, acreditando que a sociedade Islâmica teria de ser fortalecida a longo prazo antes que qualquer conflito pudesse ser iniciado com Israel (Vide, por exemplo: Islamic Fundamentalism in the West Bank, de Ziad Abu-Amr).

Contrastando, a Jihad Islâmica era explicitamente violenta desde a sua fundação em 1980, instando por uma jihad imediata contra Israel e demonstrando pouco interesse na construção de instituições sociais. De fato, ela fora criada a partir da frustração com a política não violenta da Irmandade Muçulmana. O cofundador da Jihad Islâmica, Fathi Shikaki, foi preso por Israel em 1983 e novamente em 1986, e, em 1988, foi deportado para o Líbano (Islamic Fundamentalism, pg. 93-94). Por acaso isso se parece com israelenses “nutrindo” [terroristas] como Kristof repete desvairadamente?

Com o início da intifada a Irmandade Muçulmana temeu perder influência e popularidade para a terrorista Jihad Islâmica que abertamente zombava do movimento por seu posicionamento não violento. Respondendo a isso, sob a liderança do Xeique Ahmed Yassin, a Irmandade Muçulmana criou em 09 de dezembro de 1987 um subgrupo que eventualmente veio a se chamar Hamas e que fora engendrado para competir com a Jihad Islâmica no assassinato de israelenses. Isto quer dizer que, ao contrário do que afirma Kristof, o Hamas essencialmente não existia até 1988, e Israel jamais cooperou com ele.

Na verdade, em maio de 1989, Israel prendeu o Xeique Yassin e o sentenciou a 15 anos de prisão por seu papel no sequestro e assassinato de dois soldados israelenses (Islamic Fundamentalism, pg. 65).

MITO #3: Israel e os Estados Unidos ajudaram a causar a guerra em Gaza por recusar-se a permitir o pagamento dos salários de servidores civis do Hamas em Gaza.

A causa mais imediata para esta última guerra tem sido ignorada: Israel e boa parte da comunidade internacional dispôs um conjunto de obstáculos proibitivos para que o governo palestino “de consenso nacional” fosse formado no início de junho.

Israel imediatamente buscou minar o acordo de reconciliação impedindo que os líderes do Hamas e os moradores de Gaza obtivessem dois dos benefícios mais essenciais: o pagamento dos salários dos 43.000 servidores civis que trabalham para o governo do Hamas … (Nathan Thrall, New York Times,17 de julho de 2014)

FATO: Foi o Presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas quem se opôs ao pagamento dos salários dos empregados do Hamas segundo afirmam diversas fontes jornalísticas. A Associated Press noticiou, por exemplo, que:

Em comentários mais recentes nessa semana, Abbas indicou que ele não tem pressa alguma para pagar os legalistas do Hamas. Ele afirmou que o Hamas deve continuar pagando os salários “até que nós concordemos” com uma solução. Ele também criticou os protestos dos legalistas do Hamas por motivos salariais, afirmando que isso era um “mau sinal”. (AP, 09 de junho de 2014)

MITO #4: As ações de Israel são “desproporcionais” tendo em vista que foram mortos muito mais residentes de Gaza do que israelitas.

Veja, quando militantes em Gaza disparam foguetes em Israel, então Israel tem o direito de responder, porém dentro de alguma proporcionalidade. Mais do que 200 gazenses foram mortos, três quartos dos quais eram civis, segundo autoridades das Nações Unidas; um israelita foi morto. (Nicholas Kristof, New York Times, 16 de julho de 2014)

[Israel] está causando um imenso e desproporcional nível de mortes de civis em Gaza. (Christiane Amanpour, CNN, 04 de janeiro de 2009)

Disparar contra civis, seja o disparo feito pelo Hamas ou por Israel, é potencialmente um crime de guerra. Toda a vida humana é preciosa. Mas os números falam por si mesmos: aproximadamente 700 palestinos, a maioria deles civis, foram mortos desde que o conflito iniciou no final do ano passado. Em contrapartida, em torno de uma dúzia de israelenses foram assassinados, muitos deles soldados. (RashidKhalidi, What You Don't Know About Gaza, Editorial New York Times, 08 dejaneiro de 2009)

FATO: Antes de qualquer coisa, ao contrário da afirmação de Rashid Khalidi, três quartos dos palestinos mortos na época em que ele escrevia [2009] eram combatentes, não civis, inclusive 290 combatentes do Hamas que foram especificamente identificados.

Além disso, é impossível obter conclusões quanto ao certo ou errado baseado no número de pessoas mortas. Consideremos que o ataque japonês à Pearl Harbor vitimou aproximadamente 3.000 americanos. Disso se conclui que os Estados Unidos deveriam ter finalizado o contra-ataque contra as forças japonesas quando um número de mortes semelhante tivesse sido alcançado? Dado que isso não foi feito, isso significa que os Estados Unidos agiram de modo desproporcional, violando a lei internacional, ou até mesmo imoralmente, e os japoneses tornaram-se as vítimas? Obviamente a resposta é não.

Aprofundando esses dados, no Teatro do Pacífico na Segunda Guerra Mundial, mais do que 2.7 milhões de japoneses foram mortos, incluindo 580.000 civis, frente a apenas 106.000 americanos, a vasta maioria dos quais combatentes. Depreende-se disso que o Japão estava certo e a América estava errada? De novo, obviamente, a resposta é não. Apenas o fato de ter mais mortos no seu lado não lhe dá a razão.

Proporcionalidade no sentido utilizado por Nicholas Kristof e, antes dele, pela Christiane Amanpour e Rashid Khalidi é desprovido de significado.

MITO #5: As ações de Israel são ilegais, dado que a Lei Internacional exige proporcionalidade.

A lei internacional … chama ao elemento da proporcionalidade. Quando você tem um conflito entre duas nações ou entre países, há um senso de proporcionalidade. Você não pode ir, matar e ferir 3.000 palestinos quando você tem quatro israelenses mortos no outro lado. Aquilo é imoral, é ilegal. E aquilo não está certo. E isso deve ser interrompido. (Dr.Riyad Mansour, Embaixador palestino para as Nações Unidas, CNN, 03 de Janeiro de 2009)

O jurista Salah Abdul Ati, diretor da Comissão Independente para Direitos Humanos, afirmou que a agressão israelense contra a Faixa de Gaza constitui um crime de guerra e uma violação massiva dos direitos humanos, o que requer medidas legais e investigações. (Al Monitor, 11 de julho de 2014)

FATO: Proporcionalidade na Lei da Guerra não tem nada que ver com o número relativo de baixas em ambos os lados. Ela se refere, sim, ao valor militar do alvo (qual o impacto que a destruição do alvo terá no resultado da batalha ou guerra) frente à ameaça esperada às vidas ou propriedades dos civis. Se um alvo possui um elevado valor militar, então ele poderá ser atacado mesmo quando isso cause morte entre civis.

O que tem de ser “proporcional” (atualmente essa expressão não é utilizada nas convenções relevantes) é o valor militar do alvo frente ao perigo representado [pelo ataque] a civis.

Neste mister, o Artigo 51 do Protocolo 1 Adicional à Convenção de Genebra de 1977 proíbe como sendo indiscriminado:

5(b) os ataques quando se pode prever que causarão incidentalmente mortos e ferimentos entre a população civil, ou danos a bens de caráter civil, ou ambas as coisas, e que seriam excessivos em relação à vantagem militar concreta e diretamente prevista. (1)

Dentro desse critério, os esforços de Israel para destruir mísseis antes que eles possam ser disparados em civis israelenses, mesmo quando [esse esforço] põe em risco civis palestinos, conforma-se perfeitamente dentro dos Regulamentos de Guerra. Não há nenhuma exigência que Israel coloque a vida dos seus próprios cidadãos em perigo para proteger a vida de civis palestinos.

MITO #6: O Hamas não tem outra escolha a não ser posicionar armamentos e combatentes em áreas populadas tendo em vista que a Faixa de Gaza é tão populosa que tudo fica no mesmo local.

[Para o Hamas] não há outra escolha. Gaza é do tamanho de Detroit. E 1.5 milhões vivem aqui onde não há lugar para eles dispararem a não ser desde o âmago da população. (Taghreed El-Khodary, repórter do New YorkTimes em Gaza, para a CNN em 01 de janeiro de 2009)

FATO: Atualmente existe em Gaza uma profusão de espaços abertos, incluindo os sítios esvaziados onde os assentamentos israelitas existiam. A alegação do Hamas, papagaiada pelo jornalista do Times, é um disparate.

Além disso, dispor os seus próprios civis ao redor ou próximo de um alvo militar para agir como um “escudo humano” é proibido pela IVConvenção de Genebra:

Art. 28. Nenhuma pessoa protegida poderá ser utilizada para colocar, pela sua presença, certos pontos ou certas regiões ao abrigo das operações militares. (2)

O Artigo 58 do Protocolo 1 Adicional à Convenção de Genebra de 1977 (a qual a Autoridade Palestina aceitou) aprofunda ainda mais sobre esse aspecto, exigindo que o Hamas remova os civis palestinos das vizinhanças das suas instalações militares, o que inclui também qualquer local onde armas, morteiros, bombas e assemelhados são produzidos, estocados, ou de onde são disparados, bem como de qualquer lugar onde combatentes treinem, congreguem-se ou se escondam. O texto, solicitando às partes do conflito, é este:
(a) … remover das proximidades de objetivos militares a população civil, as pessoas civis e os bens de caráter civil que se encontrem sob seu controle;
(b) evitarão situar objetivos militares no interior ou nas proximidades de zonas densamente povoadas;
(c) tomarão todas as demais precauções necessárias para proteger contra os perigos resultantes de operações militares a população civil, as pessoas civis e os bens de caráter civil que se encontram sob seu controle. (1)

Até mesmo a UNRWA [Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados] sopesou este ponto ao denunciar em 17 de julho o “grupo ou grupos” que haviam escondido mísseis numa escola administrada pela ONU em Gaza.

O Hamas, enquanto governo de facto em Gaza, é o responsável pelos mísseis e outras armas escondidas em construções e áreas civis, e ele têm violado claramente todas as três prescrições mencionadas.

MITO #7: Israel está errado, pois não está lutando de igual para igual: ele possui defesas antimísseis e abrigos contra bombas, ao passo que os palestinos não os possuem.

BEN WEDEMAN, CORRESPONDENTE INTERNACIONAL SÊNIOR DA CNN: Está piorando enormemente. Já está ruim aqui em Gaza onde nós temos um massacre neste momento, Erin [âncora da CNN], com 113 mortos segundo as nossas fontes. Tenham em mente que, é óbvio, os palestinos não tem um sistema iron dome para interceptar os foguetes de Israel que caem, os civis não tem nenhum sistema de alerta de bombardeio que avise a população da vinda de ataques aéreos. Não há bunkers. Não há abrigos contra bombas, não há onde se esconder. (CNN, 11 dejulho de 2014)

FATO: Por que razão o Hamas não construiu abrigos contra bombardeios para os civis em Gaza? Quem os impediu? O Hamas importouquantidades descomunais de cimento, porém desviou-o coercitivamente do setor civil e utilizou-o na construção de bunkers e túneis para os líderes e combatentes do Hamas, juntamente com posições ocultas de lançamento de mísseis e paióis subterrâneos repletos de armamentos inclusive mísseis de longo alcance.

De modo contrário, Israel exige desde o início dos anos 90 que todas as novas residências tenham uma sala de segurança reforçada, e a sua construção de abrigos anti-bombas (frequentemente rudimentares) nas comunidades próximas a Gaza ajudaram a blindar os civis israelenses dos ataques do Hamas, apesar do custo de mais de US$ 1 bilhão.

É irônico que Israel seja criticada por proteger com sucesso seus civis seguindo as regras das leis internacionais, enquanto o Hamas seja retratado como uma vítima por violar as mesmas leis internacionais.

MITO #8: Gaza é uma das áreas “mais densamente povoadas” no planeta.

Críticos afirmam que os bombardeios pesados de Israel em um dos territórios mais densamente povoados no mundo é, em si, o fator principal que coloca a vida de civis em risco. Sarit Michaeli do grupo de direitos humanos de Israel B'Teselem afirmou que, embora o uso de escudos humanos viole a lei humanitária internacional, “isto não dá a Israel a desculpa para também violar a lei humanitária internacional.” (AP via Politico em 12 de juho de2014)

FATO: Gaza está longe de ser um dos territórios mais densamente povoados no mundo – inúmeros locais no planeta, alguns ricos e outros desesperadamente pobres, são mais densamente povoados do que Gaza. Apenas para citar alguns exemplos:

Região
Densidade Populacional (pessoas/mi²)
Gaza
8666
Distrito de Colúmbia
9176
Gibraltar
11990
Cingapura
17751
Hong Kong
17833
Mônaco
41608
Macau
71466
Cairo
82893
Calcutá
108005
Manila
113810
(Fonte – Statistical Abstract of the United States, 2004-2005, Tabela 18 1321; Demographia -- Population Density: Selected International Urban Areas and Components)

MITO #9: Apesar da retirada de Israel de Gaza em 2005, Israel ainda está ocupando Gaza por meio dos controles das fronteiras do território, das águas costeiras, do espaço aéreo e energético.

Apesar da retirada israelense dos assentamentos e bases em 2005, Gaza continua ocupada de maneira concreta e através da lei internacional, suas fronteiras, águas costeiras, recursos, espaço aéreo e suprimento energético são controlados por Israel.

De modo que os palestinos de Gaza são um povo sob ocupação … Seumas Milne, The Guardian, 16 de julho de 2014

FATO: Em termos de fronteira terrestre com Gaza, naturalmente que Israel controla aquelas que são adjacentes a Gaza; a fronteira com o Egito em Rafah é controlada pelo Egito. Além disso, é cristalino segundo a lei internacional que Israel não ocupa Gaza. O embaixador Dore Gold escreveu num relatório detalhado sobre a questão:

O principal documento para a definição da existência de uma ocupação tem sido a IV Convenção de Genera de 1949 “Relativa à Proteção das Pessoas Civis em Tempo de Guerra”. O artigo 6 da IV Convenção de Genebra declara explicitamente que “a Potência ocupante ficará, enquanto durar o tempo de ocupação, obrigada a exercer as funções de governo do território em questão...” Se nenhum governo militar israelense está exercendo sua autoridade ou qualquer das “funções de governo” na Faixa de Gaza, então não há ocupação alguma. (Legal Acrobatics: ThePalestinan Claim that Gaza is Still “Occupied” Even After Israel Withdraws. Embaixador Dore Gold. JCPA. 26 de agosto de 2005)

Contudo como seria se esquecêssemos disso e se considerássemos com seriedade a alegação de Saumas Milne de que Israel é uma potência de ocupação e que em sendo assim é a autoridade soberana legal em Gaza? Neste caso o corpo legal relevante seriam os Regulamentos de Haia, que no artigo concernente afirma:

Tendo a autoridade do poder legítimo passado, de fato, para o comando do ocupante, este deverá tomar todas as medidas em seu poder para restaurar, e assegurar, tanto quanto possível, a ordem e a segurança pública, enquanto respeita as leis em vigência no país a não ser que seja absolutamente impedido. (Artigo 43, Leis e Costumes da Guerra Terrestre (Haia IV); 18 de outubro de 1907) (4)

De acordo com este artigo a incursão israelense em Gaza seria, portanto, totalmente legal enquanto um exercício legítimo da responsabilidade de Israel de restaurar e assegurar a ordem e segurança pública em Gaza. Isto incluiria a remoção do Hamas, o qual, pela lógica de Seumas Milne, é uma autoridade ilegítima em Gaza. Segundo a lei internacional – e os Acordos de Oslo – o Hamas certamente não tem direito a estocar armamentos ou para atacar Israel, e devido a isso Israel está justificada na sua adoção de medidas para desarmar o Hamas e impedi-lo de aterrorizar a população de Israel e a população de Gaza. Esta é a lógica inescapável da posição assumida por Seumas Milne.


Fonte: Mídia Sem Máscara

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Notas:
1 – Redação segundo o portal do Palácio do Planalto. Para fins de comparação / complemento leia a redação em português de Portugal: http://www.gddc.pt/direitos-humanos/textos-internacionais-dh/tidhuniversais/dih-prot-I-conv-genebra-12-08-1949.html
2 – Redação segundo: http://bit.ly/1okWDfy
3 – Vide nota 1.
4 – Tradução não oficial. Não foi possível encontrar o documento com sua redação oficial em português.



Tradução: Francis Lauer 

Oval Nacional - Brasil e o Déficit, palavrão na Globo e Kaká kkkk


Consultor do PT chama candidato tucano de “Satanécio” e afirma que pessoas que se opõem a Dilma latem


Há dias, a presidente Dilma Rousseff afirmou que faria uma campanha sem ofensas e xingamentos, ainda que tenha acusado a oposição de apostar no “quanto pior, melhor”, o que é, claro!, umas das piores formas de… xingamento!

Desde a campanha de 2010, o PT adotou o perfil “Dilma Bolada”, criado por um tal Jeferson Monteiro, como uma espécie de voz oficiosa da presidente — é, assim, a sua versão bem-humorada. Jeferson chegou a anunciar a morte do perfil, alegando que estava cansado de apanhar dos adversários da petista. O PT correu em seu socorro, e o rapaz foi contratado como “consultor do partido” — segundo ele, sem dinheiro. É… Vai ver os companheiros estão interessados apenas na sua inteligência…

Pois bem, o agora “consultor” do PT publicou a seguinte mensagem no Twitter na noite de domingo, informa a Folha: “O pai do menino deveria ter levado o Aécio pra fazer carinho no tigre e não o filho”.

Dilma Bolada 1

Como se vê, o cara se aproveita de uma tragédia para fazer o que deve considerar uma coisa engraçada. Pessoas que já fizeram piada com o fato de Lula não ter o mindinho da mão esquerda foram esmagadas pelas patrulhas petistas. Era como se tocassem num figura santa. Fazer blague, no entanto, com uma criança que perdeu um braço, que mal há, não é mesmo?

O dito consultor achou que era pouco. Diante da reação negativa, emendou: “As forças das trevas reclamando porque eu disse que o tigre tinha que comer o Satanécio. Não vai pq o tigre não merece. Podem latir!!!”.

Dilma Bolada 2

Entenderam? O PT contratou um consultor que considera os adversários “forças das trevas”, que associa o nome de um candidato de oposição a “Satã” e que afirma que milhões de eleitores da oposição “latem”.

Alguém poderia dizer que não é o caso de se dar grande importância a esse cara, que está longe de ser a voz do partido etc. Será mesmo? Ora, por que ele recorre a tais baixarias? Porque lhe disseram que pode, ora essa! Porque foi informado que esse é o caminho. Porque esse é o ambiente no partido ao qual ele serve.

Tudo bem pensando, acusar a oposição de defender o “quanto pior, melhor” não é muito distinto de afirmar que ela late. São considerações que estão na mesma frequência.

Eis o alto nível…

Censura petista faz consultoria quase duplicar sua base de clientes


TIRO SAI PELA CULATRA: consultoria quase duplica sua base de clientes após censura
TIRO SAI PELA CULATRA: consultoria quase duplica sua
 base de clientes após censura (Ueslei Marcelino/Reuters/VEJA)
Desde a representação protocolada pelo partido no Tribunal Superior Eleitoral, mais de 7.500 novos clientes foram adicionados à carteira da Empiricus

O tiro da presidente-candidata Dilma Rousseff contra as 'análises pessimistas' do mercado saiu pela culatra. A despeito do que almejava o PT ao cercear anúncios de análises da consultoria Empiricus no Google, a 'punição' se converteu em ganhos — ao menos para os sócios da consultoria. Desde a segunda-feira passada, quando a firma se viu forçada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a retirar do Google dois anúncios de suas análises prevendo cenário ruim para a economia em caso de reeleição de Dilma, o número de investidores que assinam seus serviços quase duplicou. Segundo dados fornecidos pela Empiricus, a base de clientes que paga por pacotes de análises passou de cerca de 9.000 para 16.500. A consultoria possui ainda um mailing de 200.000 clientes em potencial que recebem boletins financeiros gratuitamente, após fazerem inscrição no site. Essa carteira específica ganhou em torno de 7.000 novos nomes diariamente na semana passada.

A derrapada do PT fica mais evidente quando se analisa os números da Empiricus antes do episódio. Os anúncios que foram alvo de representação no TSE tiveram cerca de 40.000 cliques, sendo que apenas 5% dessa cifra se converteu em assinantes do mailing que distribui boletins gratuitos. Nesse universo de cerca de 2.400 interessados que, de fato, leram o texto tachado pelos petistas de 'terrorismo eleitoral', nenhum se tornou cliente dos pacotes pagos — cujos preços variam de 10 reais a 200 reais ao mês. Ou seja, até a representação ser protocolada, a divulgação dos anúncios ainda não havia garantido qualquer retorno. O marketing trazido pelo partido foi providencial para a empresa, que prevê faturar 10 milhões de reais este ano.

O sócio da Empiricus responsável pelas análises retiradas do Google, Felipe Miranda, afirmou que os ganhos não são oportunistas, e sim resultado do maior interesse dos brasileiros pelas análises de cenário econômico após a intervenção no PT também no trabalho dos analistas. "Ainda que haja mais desdobramentos de marketing, o episódio é lamentável demais para ser celebrado. O governo quis desviar o debate, colocando o mercado como vilão. Mas não poderá fazer isso para sempre. Pode calar os bancos agora. Contra nós, não podem fazer nada além desse cerceamento momentâneo que pode, aliás, ser retirado a qualquer momento pelo TSE", afirmou Miranda.

Segundo a representação, a Empiricus estaria vinculada ao candidato tucano Aécio Neves, à coligação Muda Brasil e ao Google numa campanha com o intuito de manchar a imagem da presidente Dilma por meio de propaganda paga. A consultoria, conhecida no mercado pela forma dinâmica e descomplicada com que produz suas análises, nega o viés político e afirma que produziu as análises com foco nas melhores oportunidades para seus clientes — mesmo em cenário adverso que venha a se confirmar caso a vitória seja da candidata petista. "Nosso principal argumento contra a representação é a falta de evidências de que estejamos fazendo campanha contra a candidatura. O pleito aponta que gastamos uma fortuna com anúncios, o que não é verdade. Gastamos apenas 7.400 reais. Para efeito de comparação, esse valor representa menos de 10% do que gastamos mensalmente para promover nossas análises no Google", afirma o analista.

Santander — Há pouco mais de uma semana, toda a artilharia petista se armou contra o banco Santander depois que um relatório enviado a clientes de alta renda previa mais dificuldades para a economia brasileira se a presidente Dilma Rousseff se reeleger. Temendo represália, o banco enviou nota ao mercado desculpando-se pelo texto da equipe de análise e assegurando que medidas haviam sido tomadas em relação aos responsáveis: a demissão de todos os envolvidos.

EUA traem militares que protegeram Brasil de ameaça comunista


Henry Kissinger certa vez disse: “Neste mundo é muitas vezes perigoso ser inimigo dos Estados Unidos, mas ser amigo é fatal.”

Autoridades militares brasileiras, que fizeram sacrifícios significativos para proteger o Brasil da enorme ameaça comunista soviética, chinesa e cubana nas décadas de 1960 e 1970, saberão o que Kissinger quis dizer.

De acordo com o jornal O Globo, por determinação do presidente Barack Obama, o governo americano criou uma força-tarefa para identificar documentos produzidos entre 1964 e 1984 relacionados aos “crimes” cometidos pelas forças armadas do Brasil para reprimir o comunismo.

Essa força-tarefa ajudará a “Comissão da Verdade” criada pelo governo brasileiro carregado de “ex”-terroristas comunistas decididos a se vingarem dos militares.

A reportagem do Globo disse que Joseph Biden, vice-presidente dos EUA, entregou 43 documentos americanos ao governo da marxista Dilma Rousseff, que era membro de um grupo comunista que cometia assassinatos, roubos a banco e ataques terroristas na década de 1960.

Joe Biden, vice-presidente dos EUA, entregando para Dilma documentos contra os militares do Brasil
As forças armadas, que durante aquele tempo recebiam assistência dos EUA contra a ameaça comunista, estão sob crescente ataque da Esquerda no poder. Contudo, ao passo que militares de outros países latino-americanos têm sido condenados e presos, eles mal têm conseguido sobreviver ao gigantesco ataque violento da Esquerda no governo e nos meios de comunicação. Agora, com a assistência oficial do governo dos EUA, eles serão condenados por salvarem o Brasil da “democracia” soviética, cubana ou chinesa.

As forças armadas do Brasil não eram perfeitas, e sem dúvida alguma não representavam uma democracia genuína. Mas sem eles, o Brasil seria hoje um inferno comunista, uma Cuba gigantesca. Não ficou desse jeito por causa deles e da assistência americana.

Os EUA não eram perfeitos também. John F. Kennedy, por exemplo, estava mais focado em suas amantes fornecidas pela máfia do que na União Soviética e no comunismo. Mesmo assim, nós o apoiávamos, porque a ameaça soviética era vastamente mais perigosa do que o estilo de vida imoral dele.

De acordo com O Globo, a Embaixada dos EUA no Brasil está em contato constante com o governo socialista brasileiro para fornecer mais documentos americanos contra os “crimes” das forças armadas do Brasil contra militantes comunistas.

De acordo com o jornal esquerdista New York Times: “Um dos casos mais chocantes de abusos militares foi a destruição de uma organização de guerrilha rural na região amazônica no Araguaia em 1972. Um pequeno bando de 62 combatentes antimilitares foi exterminado — não houve prisioneiros ou sobreviventes; nenhuma informação foi dada às suas famílias.”

Em 2009, conversei com um pastor evangélico do Araguaia. Conforme ele me disse, cerca de 3 mil recrutas haviam sido enviados por seu comandante, que esperava enfrentar uma força comunista sem experiência militar. Eles estavam enganados. Os recrutas, na maior parte jovens de 18 e 19 anos, foram dizimados. Corroborando a narrativa do pastor, um luterano me disse que um desses recrutas era de sua igreja luterana em Brasília. O jovem fora enviado ao Araguaia e nunca voltou.

O que o exército não sabia era que os guerrilheiros do Araguaia haviam sido treinados na China e Cuba. Afinal, eles eram membros do Partido Comunista do Brasil. Depois do massacre, forças militares especiais foram enviadas ao Araguaia, e os guerrilheiros comunistas foram tratados da mesma forma brutal que trataram os jovens recrutas.

Hoje, os socialistas brasileiros — inclusive Dilma Rousseff — não apontam que havia uma ameaça comunista ao Brasil. Eles só dizem que queriam trazer “democracia” ao Brasil — a mesma tirania ideológica governando em Cuba e na União Soviética.

Inegavelmente, o Brasil não tinha uma democracia, e por democracia, eu quero dizer o sistema político que os fundadores dos EUA haviam idealizado — sem a maçonaria e suas tramas de Nova Ordem Mundial, é claro. Mas pelo menos o Brasil tinha um governo militar que protegia os direitos básicos de seu povo. Minha mãe aceitou a Cristo durante essa época ouvindo Billy Graham e em seguida foi espiritualmente encorajada pela pregação de Rex Humbard e Pat Robertson. Todos esses pregadores americanos estavam presentes na televisão brasileira, alguns diariamente, enquanto o exército estava protegendo o Brasil de uma ameaça ideológica que teria exterminado a liberdade dos brasileiros ouvirem o Evangelho.

Enquanto o Brasil estava resolvendo o problema da guerrilha do Araguaia no início da década de 1970, Henry Kissinger estava preparando seu infame NSSM 200 (Memorando de Estudo de Segurança Nacional 200). De acordo com o Dr. Brian Clowes, que escreveu um excelente artigo, “Desmascarando a agenda de controle populacional global,” o proposito principal das imensas iniciativas de controle populacional financiadas pelos EUA tem sido manter acesso aos recursos dos países menos desenvolvidos, e o Brasil estava incluído no NSSM 200 como um alvo especial.

O Dr. Clowes disse: “O NSSM 200 é decisivamente importante para todos os líderes pró-vida do mundo inteiro, pois expõe completamente as motivações e métodos repulsivos e antiéticos do movimento de controle populacional.”

De acordo com Clowes, o NSSM 200, também conhecido como “Relatório Kissinger,” foi o resultado de colaboração entre a Agência de Inteligência Central do dos EUA (CIA), a Agência de Desenvolvimento Internacional dos EUA (USAID) e o Departamento de Estado, para atender aos interesses estratégicos do governo dos EUA.

Duvido muito que os fundadores dos EUA tivessem idealizado uma nação explorando outras. Duvido que eles a teriam chamado de democracia.

Kissinger estava certo: É fatal ser amigo dos Estados Unidos — isto é, do governo americano. Agora o governo dos EUA está ajudando a Comissão da Verdade a condenar os militares que, apesar de suas imperfeições, mantiveram distante a ameaça comunista e mantiveram perto Billy Graham, Rex Humbard e Pat Robertson.

Eu poderia acrescentar que é igualmente fatal ser amigo do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), que tem trabalhado há anos para defender os comunistas do Brasil e está ajudando a Comissão da Verdade também. A conduta do CMI, em suas paixões socialistas, é uma traição aos irmãos cristãos e ao Evangelho.

Entretanto, nunca foi fatal ser amigo de Billy Graham, Rex Humbard, Pat Robertson e outros americanos seguidores de Jesus Cristo. Em meu caso, tenho sido muito abençoado por minha amizade com americanos seguidores de Cristo, e posso dizer que durante o governo militar a maior bênção que o Brasil já experimentou foi a pregação pública e gratuita de Billy Graham, Rex Humbard, Pat Robertson e muitos outros.

A Comissão da Verdade, agora ajudada pelo governo dos EUA, perpetuará a mentira de que os comunistas só queriam trazer “democracia” — que agora significa, para a atual Casa Branca socialista, impor a agenda gay no mundo inteiro, e que significa, para o atual governo socialista do Brasil, imitá-la.

Se a Comissão da Verdade fosse realmente sobre verdade, confirmaria que havia uma ameaça comunista. Confirmaria também que durante o governo militar no Brasil, diferente das tiranias comunistas, havia total liberdade para a maior Verdade: o Evangelho de Jesus Cristo.

A maior ameaça socialista hoje é a imposição do aborto e da agenda gay. Como sempre, a pregação do Evangelho é o maior impedimento para essa ameaça.

Os seres humanos, até mesmo nações, traem de forma covarde — conforme mostrou Kissinger. Mas Cristo nunca trai.

A traição ao Brasil não começou com Obama. Na década de 1970, Jimmy Carter estava apoiando o CMI em seus esforços de ajudar comunistas no Brasil. Alguns deles, inclusive pastores presbiterianos socialistas, foram exilados em Genebra, a sede do CMI, outros nos EUA. Então documentos foram produzidos por ambos contra as forças armadas do Brasil. Agora o governo de Obama está entregando esses e outros materiais como golpe final.

E, é claro, o NSSM 200 é a maior traição dos EUA ao Brasil, e outras nações.

Espero que os militares do Brasil que estão sendo tratados como criminosos pelos governos socialistas do Brasil e dos EUA tenham aceitado Cristo depois de ouvirem Billy Graham, Rex Humbard e Pat Robertson, pois só Cristo pode ajudá-los agora.

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FRAUDE NA CPI – Graça Foster tem de se demitir ou de ser demitida. Ou: Um dos “Três Porquinhos” foi coletar pessoalmente as questões


Graça Foster: da estirpe de pessoas cujo ar enfezado passa por competência técnica
Graça Foster: da estirpe de pessoas cujo ar enfezado 
passa por competência técnica
Ainda que Graça Foster fosse, do ponto de vista moral e intelectual, uma mistura de Catão, Madre Teresa de Calcutá e Schopenhauer e, do ponto de vista técnico, a encarnação da competência e da racionalidade, ainda que assim fosse, teria perdido a condição de presidir a Petrobras. Como ela não é nem uma coisa nem outra e é apenas Graça Foster, tem de ser demitida. Ou de se demitir. E não apenas porque deve ficar logo mais com os bens indisponíveis, tão logo o Tribunal de Contas da União volte a apurar a sua responsabilidade no imbróglio de Pasadena.

Graça tem de deixar o cargo porque está, infelizmente, no centro da tramoia contra a CPI da Petrobras — que é uma conspiração contra o Congresso, contra o estado e contra a democracia. Como vocês sabem, reportagem da VEJA desta semana prova que as perguntas elaboradas pelos senadores foram previamente passadas aos depoentes — e com gabarito! A própria Graça foi beneficiada pelo expediente, além de José Sérgio Gabrielli e Nestor Cerveró.

Para lembrar: integram a conspiração, com graus variados de participação, além da presidente da Petrobras, o relator da CPI no Senado, José Pimentel (PT-CE); José Eduardo Dutra, diretor Corporativo e de Serviços da estatal; o senador Delcídio Amaral (PT-MS); Paulo Argenta, assessor especial da Secretaria de Relações Institucionais; Marcos Rogério de Souza, assessor da liderança do governo no Senado; Carlos Hetzel, assessor da liderança do PT na Casa; o chefe do escritório da Petrobras em Brasília, José Eduardo Sobral Barrocas; Leonan Calderaro Filho, que responde pelo departamento jurídico desse escritório, e Bruno Ferreira, advogado da empresa. A reunião em que se cuidou da combinação foi feita no gabinete da presidência da empresa, numa sala anexa à de Graça. Barrocas, o chefe do escritório da estatal em Brasília, foi nomeado pessoalmente por ela e já tinha sido seu chefe de gabinete na BR Distribuidora, quando presidia essa subsidiária da Petrobras.

Pois bem: Lauro Jardim informa em sua coluna que Dutra, que é ex-senador e ex-presidente do PT, foi pessoalmente ao Senado fazer a coleta das perguntas. Os partidos de oposição decidiram recorrer à Procuradoria-Geral da República, à Comissão de Ética do Senado e à Comissão de Ética da Presidência para que apurem o escândalo.

Mas voltemos a Dutra e Graça. É evidente que ele não teria se lançado nessa empreitada sem a autorização de sua chefe imediata — ela própria beneficiária da falcatrua política. Um vídeo que veio a público deixa claro que a presidente da Petrobras teve acesso prévio às perguntas. Notem: estamos falando de algo mais do que o simples envio das questões em razão, sabe-se lá, do mau comportamento de um funcionário ou de outro. É mais do que isso. Tudo foi meticulosamente planejado.

Dutra, cumpre lembrar, era um dos três homens fortes da campanha de Dilma, ao lado de Antonio Palocci e José Eduardo Cardozo. A então candidata os apelidou, com aquela sua maneira muito particular de ser carinhosa, de “Os Três Porquinhos”. Eles todos devem saber por que o apelido era adequado. Nesta segunda, a presidente posou de Valesca Popozuda, deu um beijinho no ombro e disse que o assunto é do Congresso. Errado! Há servidores públicos envolvidos até o pescoço no imbróglio, como se vê. E são pessoas de sua confiança pessoal.


Sim, eu sei que Graça vai continuar onde está, até porque pertence àquela estirpe de pessoas que conseguem fazer com que seu ar enfezado passe por competência técnica, a exemplo de sua chefe, Dilma Rousseff. Eis o estado de degradação a que chegou a República.

Carta do ex-presidente da OAB: o risco gramsciano


Dilma e Maduro: é isso que queremos para o Brasil?
Em resposta ao artigo em que o citei aqui com base em um texto publicado no GLOBO, o ex-presidente nacional da OAB Reginaldo de Castro me enviou uma carta que segue abaixo, após meu pedido de autorização para publicá-la por considerar seu teor e seu alerta muito importantes no momento em que vive o Brasil:

Caro Rodrigo Constantino

Leitor assíduo de seu blog, só agora me manifesto a respeito do que escreveu sobre o artigo que publiquei em O Globo, em 06.07 passado, “Por onde anda a OAB?”.

Agradeço a atenção que me dispensou, com seus comentários, que endosso, lamentando apenas que o teor do que publiquei não expresse por inteiro a realidade brasileira.

O quadro é pior. Nossa frágil democracia corre riscos efetivos e, embora parte substantiva de nossa sociedade já comece a se dar conta disso, não está efetivamente organizada e articulada para barrar a marcha dos insensatos.

O que se convencionou chamar de sociedade civil – e que tão decisivo foi para propiciar a redemocratização do país – transmudou-se em “movimentos sociais”, financiados pelo Estado brasileiro para perpetuar no poder o partido que o comanda.

Das instituições que se insurgiram contra o regime militar, só subsiste parcela da CNBB, em manifestações isoladas, como as recentes de dom Leonardo Steiner, protestando contra o uso inadequado de recursos públicos. As demais tornaram-se células do partido hegemônico, dissociadas da sociedade que se arvoram em representar, oferecendo apoio logístico a uma estratégia de dominação, que tem em Antonio Gramsci sua inspiração.

O decreto 8.243 consolida a ocupação do Estado brasileiro e precisa ser revogado pelo Congresso. Creio que o será, mas ele apenas formaliza algo que ocorre há muito tempo, pois esses movimentos já estão incrustados na máquina administrativa e a comandam, sem qualquer transparência.

O debate político está cerceado. A censura se exerce informalmente, haja vista a recente insurgência do governo contra uma análise técnica do Banco Santander, dirigida a seus clientes, exigindo a demissão dos analistas econômicos que disseram apenas o óbvio: o mercado teme uma eventual reeleição de Dilma Rousseff.

Temo-a eu também e, creio, todos os que querem preservar e consolidar a democracia. Presidi o Conselho Federal da OAB no triênio 1998-2001, no início da redemocratização. Acompanhei – e acompanho – o clássico processo de usá-la para destruí-la.

A tentativa de estigmatizar os que se opõem, a partir de rótulos pejorativos como “fascista” ou “reacionário”, silencia alguns, mas não os melhores. Entre “esquerda progressista” e “direita reacionária”, há uma profusão de ideias e propostas para este país, que precisam se articular – e, nesse sentido, louvo sua atuação na mídia nacional.

Em outubro, teremos uma eleição diferenciada, pois seu resultado não apenas definirá os novos governantes: há de determinar o destino do país pelas próximas gerações.

Receba o abraço fraterno deste seu leitor e admirador,

Reginaldo de Castro

A retomada da tradição e a desilusão da rebeldia


wpid-Photo-04082014-1025.jpg“Quando olha para frente, para os sonhos prometidos por aqueles rebeldes, a juventude atual não consegue ter muita esperança. Ela percebe que a destruição pelas drogas, as mães solteiras, os pais irresponsáveis, os relacionamentos fugazes, a religiosidade desespiritualizada e a destruição familiar foram a principal herança deixada pelos movimentos que seus pais participaram”

Ruy Castro, em artigo no jornal Folha de São Paulo, de 04 de agosto de 2014, mostra toda sua decepção com um fenômeno que, ele percebe, vem ocorrendo com a juventude contemporânea. São os movimentos de espírito tradicionalista ou de moral conservadora, como aqueles que valorizam a virgindade, os que reclamam um retorno às formas mais tradicionais de culto e aqueles que voltaram a valorizar eventos muito tradicionais na sociedade, como as festas de debutantes e as formaturas.

O articulista sente, com tudo isso, que sua geração lutou em vão. Ele, como mesmo se afirma, um garoto de 68, demonstra toda sua tristeza com o rumo da sociedade e sua retomada dos modos antigos, de valores que, pessoas como Ruy Castro, tinham dado por ultrapassados, mortos e esquecidos. O escritor acredita, sinceramente, que o sangue, o sêmen e o suor derramados pelos seus, no final das contas, estão sendo desperdiçados pelos jovens atuais.

Por um lado, eu entendo sua decepção. Eu mesmo jamais fui um “conservador”, no sentido pejorativo que dão ao termo hoje em dia. Como Chesterton, sempre achei a valorização extrema da virgindade um exagero. Por ter formação protestante, nunca entendi por que a missa em latim, já que, para as igrejas evangélicas, a pregação é o ponto principal do culto. Quanto às festas de debutantes e as formaturas, para mim, sempre foram eventos sociais insuportáveis: plásticos e piegas.

Mas entendendo de outra maneira, essa percepção de Ruy Castro deveria servir para colocar diante dele e os de sua geração, no mínimo, um questionamento: será que a rebeldia dos anos 60 não foi um exagero, uma explosão antinatural que, mais cedo ou mais tarde, perderia seu vigor? E outra pergunta, inafastável, deveria também ser feita: será que a geração atual, nascida já sob os efeitos das ruas de 68, não percebeu que o legado daquela rebeldia foi apenas desilusão, decepção e ausência de sentido?

Na verdade, quando olha para frente, para os sonhos prometidos por aqueles rebeldes, a juventude atual não consegue ter muita esperança. Ela percebe que a destruição pelas drogas, as mães solteiras, os pais irresponsáveis, os relacionamentos fugazes, a religiosidade desespiritualizada e a destruição familiar foram a principal herança deixada pelos movimentos que seus pais participaram.

E como não podem olhar para a frente, a única solução que encontram está naquelas formas que funcionaram na sociedade durante séculos. O raciocínio é óbvio: entre séculos de instituições que sobreviveram a todas as mudanças e três décadas de sonhos frustrados, a verdade e o sentido certamente devem estar lá e não aqui.

Mas homens como Ruy Castro nunca entenderão isso, pois, para eles, aquelas coisas antigas jamais tiveram valor algum. Eles, insensibilizados por uma ideologia revolucionária, que tem em seu espírito muito mais a destruição do que qualquer outra coisa, chegaram à conclusão que as formas tradicionais podiam ser dispensadas como se lançaram fora as anáguas. Acreditaram que valores seculares podiam ser substituídos como se substituem as modas.


O que resta para eles, portanto, é espernear, reclamar e chorar o desfazimento de suas utopias. Repensar suas ideologias, porém, jamais serão capazes de fazer. Tudo porque eles não conseguem enxergar as tradições como algo além de ultrapassado. São tão insensíveis, tão cegos, tão desvirtuados que valores milenares, em suas perspectivas distorcidas, não valem mais que um sutiã velho.

PSOL, PSTU e PT comandam sindicatos ligados a black blocs


Levantamento mostra que 61 filiados a PSOL, PSTU e PT ocupam cargos de dirigentes do Sindipetro, do Sepe e do Sindsprev no Rio

Um levantamento realizado pelo site de VEJA nos registros partidários do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que 61 dirigentes filiados a PSOL, PSTU e PT comandam sindicatos responsáveis pelo financiamento de manifestações que tiveram participação de black blocs no Rio de Janeiro. A ajuda financeira dessas organizações sindicais foi relatada por testemunhas e investigados na Operação Firewall da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI).

Os sindicatos foram associados pela polícia a 23 black blocs, que respondem na Justiça por associação criminosa. São eles: o Sindicato dos Petroleiros do estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ), o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe-RJ) e o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho e Previdência Social (Sindsprev-RJ). Todos negam ter patrocinado atos criminosos e afirmam que a polícia tenta criminalizar o movimento sindical.
Após ser presa no RS, Sininho embarcou para o Rio na tarde de sábado
Após ser presa no RS, Sininho embarcou para o Rio na tarde de sábado 
(TV RBS/Reprodução/VEJA)

Dirigentes por partido
  • PSOL     34
  • PT          14
  • PSTU     13
  • PCdoB    7
  • PDT        3
  • PRP        1
  • PSC        1
  • DEM      1

Dos 40 dirigentes do Sindsprev, pelo menos 18 são filiados ao PSOL, o que inclui os três sindicalistas no comando da secretaria de finanças. E recursos do sindicato já foram utilizados em campanhas do partido, de acordo com gravações de conversas telefônicas flagradas da deputada estadual Janira Rocha (PSOL), ex-diretora do Sindsprev. Janira, aliás, nunca pareceu se preocupar com sua ligação com os vândalos mascarados. Há duas semanas, ela ajudou a advogada Eloisa Samy, uma das ativistas com mandado de prisão preventiva expedido por organizar atos violentos, a fugir de cerco policial no Consulado do Uruguai no Rio de Janeiro. Outros cinco dirigentes do Sindsprev são do PCdoB.

No Sindipetro, cinco diretores são filiados ao PT e outros cinco ao PSTU – entre eles Claiton Coffy, secretário do diretório regional do PSTU no Rio de Janeiro. Já o Sepe, que representa professores, possui 16 diretores filiados ao PSOL, outros 9 ao PT, e sete ao PSTU.

Desde a morte do cinegrafista Santiago Andrade, a polícia investiga se partidos contribuíram com dinheiro para estimular quebra-quebra em manifestações. A suspeita foi mencionada em depoimento de Caio Silva de Souza, preso por lançar o rojão que matou o cinegrafista. A hipótese voltou à tona com a Operação Firewall, porque os investigadores reuniram evidências de ajuda financeira fornecida por sindicatos a manifestantes violentos.

O diretor de finanças do Sindipetro-RJ, Francisco Soriano de Souza Nunes (sem partido), diz que o sindicato, que tem cerca de 5.500 filiados e arrecadação superior a 11 milhões de reais em 2013, precisa contribuir para reivindicações populares legítimas por um "compromisso moral". "Se eu fizer campanha entre filiados e pedir mais recursos para apoiar o avanço social do Brasil, conseguirei. É um compromisso moral que nós temos", afirmou Nunes.

Mas Nunes não sabe explicar como evitar que a contribuição do sindicato acabe ajudando manifestantes interessados em promover a destruição do patrimônio público e privado. A Polícia Civil do Rio de Janeiro sustenta que 23 acusados na Operação Firewall participavam de maneira violenta de protestos e planejavam crimes na data da partida final da Copa do Mundo, em 13 de julho – alguns deles foram presos na véspera.

No inquérito da operação policial, a testemunha Rosângela de Brito Ferreira relatou à polícia que obteve dinheiro no Sindipetro "para compra de quentinhas, passagens e material para confecção de cartazes". Ela disse que os recursos eram entregues diretamente para Elisa Quadros, a Sininho, considerada pela polícia uma das líderes dos baderneiros. A polícia suspeita que Elisa e o ex-namorado Luiz Carlos Rendeiro Júnior, o Game Over, eram responsáveis pela contabilidade dos manifestantes. De acordo com Rosângela, durante invasão da Câmara Municipal do Rio de Janeiro no ano passado, foram compradas 300 quentinhas para o almoço e 300 para o jantar. Ela disse ainda que Jair Seixas Rodrigues, o "Baiano", era ligado ao Sindipetro e recrutava pessoas para manifestações em troca de pagamento.

"Baiano" foi investigado pela polícia e, em depoimento, afirmou que pediu e recebeu quentinhas do Sindipetro-RJ para manifestantes. De acordo com as investigações, ele recebeu dinheiro do sindicato para arregimentar manifestantes e transportar black blocs no violento protesto contra o leilão do campo de Libra, maior reserva de petróleo da camada pré-sal do país.

Já se sabe também que houve ajuda no fornecimento de refeições pelo Sepe, sindicato com mais de 30.000 filiados, para os manifestantes, de acordo com conversa telefônica de Sininho, gravada com autorização judicial. Em 9 de junho deste ano, ela menciona que fez contato com sindicatos como Sindipetro e Sepe para obter cem "quentinhas" para índios da "Aldeia Maracanã". Outro investigado marcava reuniões no Sindsprev.

Christiane Gerardo Neves, uma das integrantes da diretoria de finanças do Sindsprev, defende o fornecimento de refeições para manifestações. Ela acusa a polícia de ser responsável por atos violentos em manifestações e chama de "peça tragicômica" o processo originado pela Operação Firewall. "Só vejo baderna com participação dos policiais. Esse processo é uma peça tragicômica de extremo mau gosto", afirmou. O sindicato tem mais de 24.000 filiados e arrecada cerca de 1 milhão de reais por mês, de acordo com Christiane.

Material encontrado com dois black blocs presos não era explosivo. Ok. Ocorre que eles estão na cadeia também por uma penca de outros motivos


Então vamos ver. Os artefatos encontrados com o estudante e funcionário da USP Fábio Hideki Harano e com o professor de inglês Rafael Lusvarghi, presos há 43 dias, não têm poder explosivo, segundo laudo técnico do Gate (grupo antibombas da PM) e do Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Científica. Então eles têm de ser soltos imediatamente? Calma aí! Com o laudo, eles podem se livrar de uma acusação — posse de material explosivo, previsto no Artigo 253 do Código Penal. E só.

Ocorre que essa não é a única acusação que existe contra eles: ambos tiveram a prisão decretada também por incitação criminosa (Artigo 286), associação criminosa (Artigo 288), resistência (Artigo 329) e desobediência (Artigo 330). As pessoas têm o direito de achar que, se explosivos não eram, então não há motivo para prender. Eu estou entre aqueles que avaliam que a posse dos ditos-cujos era apenas um desses motivos.

Nesta segunda, o governador Geraldo Alckmin participou de sabatina do Estadão (ver post a respeito). E negou que a Polícia de São Paulo esteja plantando provas como acusam os militantes de extrema esquerda. Segundo disse, é preciso parar de “falar mal da polícia”. Também acho. Reserve-se a crítica quando o erro é apontado.

Há gente por aí tentando usar o laudo para demonstrar que o governador está errado. Ao contrário: a perícia só prova que Alckmin está certo. Afinal, o exame técnico do material também prova que a polícia não plantou explosivos nas respectivas mochilas de ambos, certo?, ou o resultado teria sido positivo. A turma que gosta de malhar a polícia é tão afoita que se esquece da lógica.

Aliás, aproveito a oportunidade para dar os parabéns ao juiz Marcelo Matias Pereira, da 10ª Vara Criminal. Referindo-se aos black blocs, escreveu: “Além de descaradamente atacarem o patrimônio particular de pessoas que tanto trabalharam para conquistá-lo, sob o argumento de que são contra o capitalismo, mas usam tênis da Nike, telefone celular, conforme se verifica nas imagens, postam fotos no Facebook e até utilizam uma denominação grafada em língua inglesa, bem ao gosto da denominada esquerda caviar”.

O esquerdista militante e petista Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado de Hideki, diz que a avaliação do juiz é “ideológica”. É mesmo? O que há de “ideológico” no que vai acima? Trata-se apenas de uma constatação óbvia. As esquerdas têm a mania de achar que “ideológico” é só pensamento das pessoas com as quais elas não concordam. É um modo autoritário de pensar, é claro.

A história de Fernando Pimentel em Minas Gerais